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  Introdução à Questão Ambiental
05/10/2010

RICARDO PASIN CAPARROS
SP - SAO BERNARDO DO CAMPO
O modelo econômico de desenvolvimento e a crise ambiental.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Ecologia
Meio ambiente


O modelo econômico predominante e o modo de vida em que a sociedade baseou seu desenvolvimento até o século XX, apresentam-se incoerentes com as necessidades planetárias para o século XXI e insustentáveis no que tange os rumos da humanidade, em especial na perspectiva socioambiental.

Vivemos em um mundo essencialmente capitalista, onde os valores associados ao acúmulo de riquezas e capitalização do conhecimento sobrepõem-se, em seu sentido mais amplo, a outros fatores que possibilitam a existência humana no planeta. Muitas são as manifestações sociais, políticas, culturais e ambientais dessa situação. Em uma dimensão mais ampla, o crescente degrau tecnológico e desigualdade social entre as nações do Norte e do Sul, a degradação das condições de vida das populações mais pobres, o extermínio de culturas e povos primitivos e a crise ambiental, em última análise, mostram-se como decorrências de uma sociedade capitalista incluindo seus valores e modo de vida. Este sistema “recodifica o homem, a cultura e a natureza como formas aparentes de uma mesma essência: o capital” (Leff, 2001, p.23).  A visão cartesiana e racional que passou a se expandir pelo mundo, principalmente a partir do século XVIII, refletiu na constituição de um princípio econômico que se sobrepôs aos demais valores que contribuem para a promoção da qualidade de vida.

A crise ambiental que enfrentamos em escala planetária é uma decorrência direta desta situação. Aquecimento global da Terra, extinção de espécies, desmatamento, epidemias e pandemias, aumento do efeito estufa, diminuição da camada de ozônio, verminoses, infecções respiratórias são apenas alguns dos sintomas que nos levam a refletir se estamos conduzindo os rumos da humanidade pelos caminhos adequados. Porém, a crise ambiental não se reflete apenas no campo da biologia ou ecologia. A crise ambiental vem questionar a racionalidade e o modelo globalizador em que as nações tendem a pautar seu desenvolvimento. Atualmente o mundo começa a sentir os efeitos do racionalismo que, com sua tendência ao crescimento e produção sem limites, “coisifica” o homem e a natureza, homogeniza a diversidade do mundo e gera meios de produção incontroláveis e insustentáveis. A crise ambiental não encontra soluções na razão unificadora de ideologias, de tecnologias e de economias.

         Sob esta óptica, Leff (2001, p.17) afirma que a degradação ambiental se manifesta como um sintoma da crise civilizatória, marcada por um modelo da modernidade regido pelo predomínio da razão tecnológica sobre a organização da natureza. Em outras palavras, os valores que pautaram o desenvolvimento das nações a partir do século XVIII, mostram-se insuficientes para equacionar os problemas relacionados à complexidade de fatores que determinam a existência humana no planeta. A crise ambiental reflete a crise do nosso tempo, a crise do nosso mundo, do conhecimento, do pensamento ocidental, da racionalidade científica, da economização, da ânsia de controlar a natureza e o mundo, enfim, a crise civilizatória.

         Durante a formação do planeta e a origem da vida, a Terra passou por muitas transformações. Do ponto de vista da evolução geológica e biológica, devemos considerar que as mudanças catastróficas ao longo do tempo foram muitas. Diversas espécies já predominaram em nosso planeta. Entre elas podemos citar artrópodes como os trilobitas[1], ou répteis como os dinossauros. Nenhuma delas nos é contemporânea. Os continentes se separaram[2], períodos de glaciação e degelo[3] se sucederam e o mundo sobreviveu. Porém, pela primeira vez na história natural do planeta, as mudanças ambientais não apresentam causas apenas naturais. São transformações induzidas pela presença humana na Terra, decorrentes da vontade de uma minoria baseada em suas concepções filosóficas, éticas, políticas, científicas e tecnológicas. Vale mencionar que a biodiversidade animal conhecida hoje gira entorno de 1,5 milhões de espécies. Acredita-se que este número seja apenas uma pequena parcela frente ao ainda desconhecido. A espécie Homo sapiens sapiens é uma, dentro dessa infinidade de vida existente no planeta. A questão que induz a reflexão é que direito nossa espécie tem de promover transformações tão catastróficas num curto espaço de tempo alterando a existência de todas as demais espécies que co-habitam a Terra conosco? Na perspectiva da manutenção da vida no planeta e do uso dos recursos naturais, que tipo de privilégio o ser humano apresenta em relação as outras formas de vida? Vale ressaltar que nenhuma das espécies que dominaram o planeta anteriormente existe atualmente. Será que nossa espécie não está sendo conduzida para o mesmo fim? Enquanto essas questões não fizerem parte das discussões em todos os níveis, continuaremos tendo uma visão antropocêntrica de mundo.



[1] Animais invertebrados marinhos que viveram entre 570 e 345 milhões de anos, na Era Paleozóica, entre os períodos Cambriano e Carbonífero.

 

[2] Baseados em evidencias científicas, pesquisadores do campo da geologia acreditam que a cerca de 200 milhões de anos, havia sobre a Terra um continente único denominado Pangéia que, com o movimento das placas tectônicas, iniciou sua separação, dando origem à configuração atual do planeta

 

[3] Os cientistas sabem que, ao longo da história da Terra, as massas de gelo têm avançado e recuado, ora cobrindo grandes extensões dos continentes, ora ocupando áreas mais restritas - como se verifica atualmente. Ao movimento dos glaciares dá-se o nome de glaciação

 


RICARDO PASIN CAPARROS
SP - SAO BERNARDO DO CAMPO

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