retorna
  :: Artigo selecionado
  Dieta, abundância e uso de hatitas por sabiás (Turdus spp.) em fragmentos de floresta de uma área urbanizada
18/07/2009

GABRIEL GASPERIN
RS - SAO LEOPOLDO
Esse trabalho consistiu em revelar a importância das aves do gênero Turdus, como principais contribuintes na dispersão de sementes em ambientes antropizados, com enfoque de sua ecologia nesses ambientes.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Ecologia
Etologia


<meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type" /> <meta content="Word.Document" name="ProgId" /> <meta content="Microsoft Word 10" name="Originator" />

Resumo

 

Os sabiás (Turdidae) estão entre os pássaros frugívoros mais comuns de áreas urbanas, onde dispersam sementes de uma variedade de espécies de plantas. Nós estudamos a abundância, uso de habitat, comportamento de forrageio e a dieta de quatro espécies de sabiás: Turdus rufiventris (Sabiá-laranjeira), T. amaurochalinus (Sabiá-poca), T. leucomelas (Sabiá barranco) e T. albicollis (Sabiá-coleira) em uma área suburbana no sul do Brasil. Nossa área de estudo foi feita ao longo de um transecto de 3.240m de áreas abertas (formado por gramados, ruas, e edifícios) e áreas de mata (ou floresta), de onde obtivemos os pássaros para o nosso estudo. A dieta foi analisada de amostras fecais obtidas das aves capturadas em redes de neblina. Os Turdus rufiventris foram a espécie mais abundante, seguidas por T. amaurochalinus, T. leucomelas e T. albicollis. Foi observado que os sabiás tiveram preferência pelo uso de áreas de mata do que áreas abertas. 91.8% (n=147) das amostras fecais foram constituídas por remanescentes de frutos, enquanto que 42.2% foram somente de invertebrados. A maioria dos registros de forrageio ocorreram no solo, onde os pássaros comeram principalmente invertebrados. A alimentação ocorreu mais freqüentemente em áreas abertas do que nos fragmentos de floresta. Um total de 25 morfoespécies de sementes foi encontrado nos excrementos, incluindo cinco espécies de plantas exóticas. A composição de frutos na dieta se sobrepôs bastante entre as espécies de sabiás (índice de sobreposição de nicho de Pianka = 0,76). O elevado grau de consumo de frutos associado ao uso freqüente dos fragmentos florestais indicam que essas aves estão entre os grandes contribuintes à dispersão de sementes que ocorrem em fragmentos de florestas urbanas. Deste modo, desempenham um importante papel para a dinâmica da vegetação destes habitats tão importantes na manutenção da biodiversidade em ambientes urbanos.

 

Palavras chaves: frugivoria, dispersão de sementes, ecologia urbana.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Abstract

 

 

Turdus thrushes (Turdidae) are among the most common frugivorous birds in urban areas around the world, where they disperse the seeds of a variety of plant species. We studied the abundance, habitat use, foraging behavior and diet of four thrush species (Rufous-bellied Turdus rufiventris, Creamy-bellied T. amaurochalinus, Pale-breasted T. leucomelas, and White-necked Thrush T. albicollis) in a suburban area in south Brazil. Abundance, habitat use and foraging behavior were based on birds surveyed along a 3,240 m transect crossing open (formed by lawns, streets, and buildings) and forested areas. Diet was based on fecal samples collected from mist-netted birds. T. rufiventris was the most abundant species, followed by T. amaurochalinus, T. leucomelas, and T. albicollis. All species used forest fragments more frequently than expected by chance. 91.8% (n=147) of the fecal samples contained fruit remains, while 42.2% contained only animal matter. Most of the foraging records were on the ground, where birds got mainly invertebrates. Fruits and invertebrates were eaten more frequently in open than in forested areas. A total of 25 seed morfospecies were found in the droppings, including five exotic plant species. Thrushes overlapped widely (Pianka’s niche overlap index = 0.76) in the fruit composition of their diets. The high abundance and degree of frugivory coupled with the frequent use of forest patches indicate that thrushes are among the great contributors to the seed dispersal occurring in urban forest patches. As such, they potentially drive the vegetation dynamics of these habitats so important for the maintenance of the biodiversity in urban areas.

 

Key words: frugivory, seed dispersal, urban ecology.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

  Os ambientes urbanos são habitados por uma desconhecida biodiversidade que vem atraindo cada vez mais a atenção de conservacionistas (McKinney 2002). Seus fragmentos florestais são de grande interesse para a conservação, pois abrigam espécies não encontradas na circunvizinha matriz urbana. Nas cidades tropicais, existe pouco conhecimento sobre a dinâmica e ecologia de seus  fragmentos florestais, incluindo a dispersão de sementes e o recrutamento de populações de plantas que ocorrem e dão molde a essas vegetações. Em virtude de sua grande presença em áreas urbanas, os pássaros frugívoros estão entre os organismos mais prováveis para transportar sementes nessas paisagens e execer um papel importante na dinâmica da vegetação e na restauração (Wunderle 1997, Reichard et al. 2001). Os sabiás do gênero Turdus (Turdidae) estão entre os pássaros frugívoros mais comuns das áreas urbanas do globo (del Hoyo et al. 2005). No Brasil e em outras localidades, essas aves estão entre os disperssores de sementes mais freqüentes nos habitates alterados, incluindo áreas urbanas (Reichard et al. 2001 Pizo 2007).

 Sabiás são pássaros onívoros que se alimentam freqüentemente de frutos (Snow and Snow 1988, del Hoyo et al. 2005). Paralelamente comem uma variedade de invertebrados com maior freqüência no solo (del Hoyo et al. 2005). A dieta dessas aves, no entanto pode se constituir quase que exclusivamente de frutos (Wheelwright 1986, Guitián et al. 2000). No que diz respeito à dispersão de sementes, os sabiás consomem frutos de uma ampla variedade de plantas e os engolem inteiros, aumentando com isso a taxa de germinação das sementes que ingerem (Foster 1987, Traveset 1998). Podem dar uma grande contribuição para a disseminação de sementes (Yabe and Marques 2001, Jordano et al. 2007).

 Aqui apresentamos dados da abundância, dieta, uso de habitat e ecologia de forrageio de quatro espécies de Turdus – sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris), sabiá-poca (T. amaurochalinus), sabiá-barranco (T. loucomelas) e sabiá-coleira (T. albicollis) – que habitam uma área urbana no sul do Brasil. As primeiras três espécies são comuns em áreas urbanas e em zonas rurais do Brasil (Matarazzo-Neuberger 1995, Fontana 2004), enquanto que T albicollis está restrito às áreas mais florestadas, onde ali figuram frequentemente entre os pássaros frugívoros mais comuns (Hasui et al. 2007). Todos esses apresentam elevado grau de frugivoria (del Hoyo et al. 2005). A respeito de seus papéis como dispersores de sementes, nossos objetivos foram determinar (1) quais frutos foram comidos e em que quantidade, (2) a sobreposição de espécies de frutos na dieta, (3) onde os sabiás mais forrageiam pelos frutos (habitats abertos X florestais) e onde foram os locais mais prováveis de deposição das sementes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2 MATERIAS E MÉTODOS

 

 Nosso estudo foi realizado no campus da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS (29° 47' S, 51° 9' W) localizado em uma área urbana (sensu Marzluff et al. 2001) a 3.3 km do centro de São Leopoldo, uma cidade no sul do Brasil de aproximadamente 200.000 habitantes. Aproximadamente 18.5% da área (91 ha) são compostos por fragmentos de floresta, 4% por corpos d’agua (lagos e córregos), e o restante constituído por gramados com plantas nativas e exóticas dispersas, e edifícios intercalados com ruas. Os dados meteorológicos coletados em São Leopoldo de 1988 a 2003 indicam que a precipitação está bem distribuída ao longo do ano, totalizando em torno de 1500 mm. A temperatura média mensal é de 19.8ºC (amplitude =13.8 - 25º C).

A floresta atlântica semidecídua (sensu Morellato e Haddad 2000) cobria originalmente a área de estudo, mas é limitada agora a quatro fragmentos que variam em tamanho de 0.5 a 3.5 ha. que inclui muitas plantas exóticas. Plantas com um diâmetro à altura do peito (dbh) ≥ 1 cm foram amostradas em 40 parcelas de 3 x 3 m no interior dos fragmentos e revelou uma densidade média (± desvio padrão) de 0.9 ± 0.3 plantas/m2, dbh pequeno (8.6 ± 4.5 cm), e uma vegetação relativamente baixa (5.2 ± 1.9 m). As cinco espécies mais abundantes de plantas foram Guarea macrophyla ornithocorous (Meliaceae), Schinus terebenthifolius (Anacardiaceae), Myrsine umbellata, M. coriacea (Myrsinaceae), e Casearia sylvestris (Salicaceae) (M. A. Pizo and C. M. M. Lhul, unpubl. Data).

 

2.1 Abundância e uso de habitat

 

 Dois métodos foram utilizados para estimar a abundância dos sabiás. No primeiro foram utilizadas quatro redes de neblinas (altura de 2,5 m, com 12 m de comprimento, e malha de 36 mm) em quatro pontos distintos dos fragmentos de floresta, estas eram armadas semanalmente ou quinzenalmente em um dos quatro fragmentos, no período das 08:00 h às 18:00 h durante os meses de agosto 2006 a julho 2007 totalizando 967,7 horas-rede. As redes permaneceram nas mesmas posições ao longo do período de estudo e se mantiveram separadas por distância de 1 a 50 m. No segundo método, foi utilizado um transecto de 3240m percorrido lentamente no período do dia, das 06:00 h às 18:00 h que totalizaram 84,2 km de março de 2006 a abril 2007. O transecto cruzou 2210 m de áreas abertas e 1030 m no interior e borda dos fragmentos florestais. Somente as aves vistas independentemente da distância do transecto foram registradas junto com seus habitats de ocorrência (aberto ou mata). O movimento dos pássaros registrados foi seguido tanto quanto possível para evitar o registro duplo do mesmo indivíduo. Áreas abertas incluíram gramados, ruas e edifícios, e o habitat de floresta consistiu exclusivamente na borda interior dos fragmentos de floresta. Para determinar se os sabiás selecionaram habitats abertos ou florestados, nós usamos tabelas de contingência que contrastam as freqüências observadas de registros do transecto para cada espécie de sabiá em habitats abertos e dos fragmentos, com as freqüências dadas pela disponibilidade de tais habitats ao longo do transecto. A disponibilidade dos habitats foi estimada registrando o habitat cruzado pelo transecto em cada intervalo de 20 m. As tabelas de contingência foram testadas com o teste qui-quadrado ou teste exato de Fisher (Hejl et al. 1990).

 

2.2 Forrageio

 

 Para cada ave observada forrageando ao longo do transecto, registramos a categoria alimentar (frutos ou invertebrados) e se estava no solo ou nas árvores. Para assegurar a independência do registro, nós consideramos somente a observação inicial para cada pássaro individualmente. Para testar as diferenças sazonais dos substratos usados para o forrageio (árvores x solo), o período de abril a setembro foi classificado como o inverno, e o de outubro a março como o verão. Embora a precipitação exibisse pouca variação sazonal, a temperatura média mensal foi mais baixa no inverno (16.4º médio C) do que o verão (23.2ºC). Ainda, o verão é a estação principal para a proliferação de invertebrados para aves se alimentarem e o período da disponibilidade mais elevada de frutos em nossa área de estudo (M. A. Pizo, pers. obs). Com análises log-lineares examinamos se as espécies de sabiás e a estação (variáveis preditoras) afetaram a freqüência de uso do substrato (variável resposta). Para testar as diferenças diárias no uso dos substratos por T. rufiventris (a única espécie para qual tivemos dados suficientes), classificamos os registros de forrageio nos períodos da manhã (07:00 h - 09:59 h), meio-dia (10:00hs - 15:59hs) e tarde (16:00hs - 19:00hs), que foram comparados com o teste do qui-quadrado.

 

2.3 Dieta

 

Os pássaros capturados com redes de neblina foram mantidos em sacos de pano durante 10 a 15 minutos até que defecassem. As amostras fecais foram preservadas em tubos de ensaio individuais que continham álcool etílico 70% para uma analise posterior sob auxilio de uma lupa. As amostras fecais foram categorizadas como; contendo somente invertebrados, invertebrados e frutos (que incluíram cascas dos frutos, e sementes inteiras), e somente frutos. Contamos o número de sementes e identificamos as espécies em comparação com a coleção de referência montada com os frutos coletados na área de estudo.

Devido à precariedade do estado de preservação dos invertebrados, não foi possível identificá-los. Podemos ter subestimado a contribuição destes na dieta dos sabiás, pois os restos de certos invertebrados (por exemplo, minhocas) são difíceis de distinguir no excremento. Também, as grandes sementes tendem a serem mais regurgitadas do que defecadas por pássaros (Levey 1987) ficando assim mal representadas nos excrementos. Embora as amostras estejam voltadas para plantas de pequenas sementes e invertebrados de consistência corpórea mais rija, as análises fecais fornecem estimativas de confiança sobre a importância relativa de vários alimentos de pássaros pequenos (Ralph et al. 1985, Rosenberg e Cooper 1990).

Curvas de rarefação foram construídas para comparações inter-especificas de riqueza de espécies de sementes encontradas nas amostras fecais. As comparações foram baseadas em intervalos de confiança derivados de 1000 iterações executadas em EcoSim 7.0 (Gotelli e Entsminger 2001).

Usando EcoSim, avaliamos também a sobrepósição entre as espécies de sabiás na dieta de frutos. Para isso, construímos uma tabela de espécies de planta para espécies de pássaro preenchidas com as freqüências de ocorrências de espécies de frutos nos excrementos. Comparamos então a sobreposição interespecifica na dieta contra um modelo nulo que retém a largura de nicho de cada espécie de sabiá, mas aleatoriza qual espécie de planta é incluída na dieta (Winemiller and Pianka 1990, Gotelli e Entsminger 2001). Ao usar este algoritmo assumimos que todas as espécies de sabiás são capazes de consumir todos os frutos incluídos na matriz de dados, levando em consideração as semelhanças morfológicas, de comportamento e uso de habitat (veja abaixo) que há entre as espécies de sabiás estudadas. Nós usamos o índice de Pianka (1973) por pares para calcular a sobreposição de dieta:

 

 

Onde O12, que equivale a O21, é a sobreposição da espécie 1 com a espécie 2, p2i e p1i são as contribuições (proporção) da espécie de planta i na dieta da espécie 2 e espécie 1, respectivamente.

Devido às limitações do tamanho de amostra, as análises foram restritas às três espécies mais comuns de sabiás (T. amaurochalinus, T leucomelas e T. rufiventris) a menos que informado de outra maneira. A classificação das plantas adotadas aqui segue APGII (2003).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3 RESULTADOS

 

3.1 Abundância e Uso do habitat

 

Dentre as aves capturadas com redes de neblina, as do gênero Turdus foram as mais freqüentes (61% das capturas). As redes de neblina e o transecto forneceram resultados consistentes a respeito da abundância relativa dos sabiás: Os T. rufiventris foram a espécie mais abundante, seguido por T. amaurochalinus, T. leucomelas, e T albicollis (tabela 1). Com exceção dos T. albicollis, T. leucomelas teve considerável número de registros em áreas abertas. No entanto, todas as espécies usaram fragmentos de floresta mais freqüentemente do que o esperado ao acaso (Figura 1).

Figura 1. Os sabiás (Turdus spp.) usaram os habitats florestais com maior freqüência do que sua disponibilidade na área de estudo. O uso do habitat foi estimado usando um transecto que cruzou 2.210 m das áreas abertas (gramados, ruas, edifícios) e 1.030 m de fragmentos de floresta. O teste qui-quadrado que contrastou o uso das áreas abertas (barras brancas) com as áreas de floresta (barras pretas) de acordo com a disponibilidade ao longo do transecto, foi significativos para todas as espécies (T. rufiventrisc21  = 69.5, P < 0.001; T. amaurochalinus: c21  = 14.9, P = 0.002; T. leucomelas: c21  = 5.0, P = 0.04 ). Número de registros está indicado acima das barras.

 

 

 

 

3.2 Forrageio

 

A maioria dos registros de forrageio das aves foi em solo (66,8%, N = 208), e foi associada fortemente à ingestão de invertebrados (87,0% de 139 registros c21 = 42,3,P < 0.001). Embora os sabiás comessem ocasionalmente frutos caídos, os frutos foram obtidos predominantemente nas árvores (89,7% de 69 registros; c21 = 74.8, P < 0.001). As espécies não diferiram em suas freqüências quanto ao uso de substratos (c22 = 1.0, P = 0.61). Do mesmo modo, nenhuma diferença sazonal de substratos forrageados foi encontrada (c22 = 2.2, P = 0.33) mostrando que os sabiás preferem consistentemente forragear no chão ao longo de todo o ano. Os substratos usados para forrageio por T. rufiventris variou durante o dia, com tendência maior no solo durante a tarde (c22 = 5.8, P = 0.05). Tendência similar foi encontrada para T. leucomelas (Figura 2).

Figura. 2. Freqüência de registros no solo (barras brancas) e em árvores (barras pretas) das espécies de sabiás (Turdus spp.) pela manhã (MO; 07h00min - 09h59min), meio-dia (DM; 10h00min - 15h59min) e tarde (AF; 16h00min - 19: 00). Número de registros indicados acima das barras.

 

 

As três principais espécies sabiás tenderam a comer mais frutos (c22 = 3,7, P = 0,15) e invertebrados (c22 = 4,1, P = 0.13) nas zonas abertas (Figura 3). No entanto, isto pode ser reflexo de nossa melhor condição de detectar o forrageio nas áreas abertas.

Fig. 3. Freqüência de frutos e invertebrados consumidos em áreas abertas (barras brancas) e áreas florestadas (barras pretas) por espécie de sabiá (Turdus spp.). Número de registros indicados acima das barras.

 

 

3.3 Dieta

 

 No total, 57,8% (N =147) das amostras fecais conteve somente resquícios de frutos, que incluía casca ou sementes, e 8,2% tiveram somente resquícios de invertebrados. Conjuntamente frutos e invertebrados foram encontrados em 34,0% dos excrementos (tabela 1). O grau de frugivoria revelado pela porcentagem das amostras que contiveram restos ou sementes dos frutos variou de 80% para T. albicollis a 100% para T. leucomelas, embora estes dois extremos fossem baseados em relativamente poucas amostras (tabela 1). O número de sementes encontradas nos excrementos foi de 1 a 6000, o número médio foi de 5,5 sementes, cada amostra conteve de uma a quatro espécies diferentes, mas a maioria dos excrementos (67%, n = 92) teve sementes de uma única espécie. Nenhuma diferença interespecifica no número de espécies de sementes por amostra foi detectada entre T. rufiventris e T. amaurochalinus as duas espécies que forneceram dados suficientes para a comparação (uma amostra fecal de T. rufiventris que continha quatro espécies de sementes foi somada às amostras com três espécies para a análise ; c22  = 5,6, P = 0,06).

Tabela 1. Abundância e dieta dos sabiás que habitam uma área urbana no sul do Brasil. A abundância foi estimada com redes de neblina (12 x 2.5 m) colocadas nos fragmentos de floresta totalizando 967.7 horas líquidas, e ao longo de um transecto de 3240 m que cruza a área de estudo. Recaptura de pássaros em redes de neblina não foram consideradas para a abundância. A abundância se refere o número de capturas com redes de neblinas e o número de registros ao longo do transecto.

Espécies

Abundancia a

 

Dieta (% das amostras fecais)

 

Redes de neblina

Transecto

 

N

invertebrados

invertebrados e frutas

frutas

Turdus albicollis

5

1

 

5

20.0

80.0

  0.0

T.

amaurochalinus

38

48

 

39

  5.1

38.5

56.4

T. leucomelas

13

24

 

10

  0.0

10.0

90.0

T. rufiventris

84

222

 

93

  9.7

32.2

58.1

 

Identificamos 25 morfoespécies de sementes nos excrementos, um número que pode estar subestimado devido aos resquícios de frutos que não foram identificados. As espécies de sementes que apareceram com maior freqüência nas fezes foram Schinus terebinthifolius (Anacardiaceae), seguida por Myrsine coriaceae (Myrsinaceae), Psycotria carthagenensis (Rubiaceae), e Cecropia pachystachia (Urticaceae), presentes em 91.3% dos excrementos identificados (N = 92; Tabela 2). As sementes variaram em diâmetro de 1 a 9 mm. As sementes minúsculas das sp de Leandra sp. (Melastomataceae) foram as mais abundantes, presentes em até 6.000 em uma única amostra fecal. Sementes de cinco espécies exóticas foram identificadas em 16.3% dos excrementos (tabela 2). A sobreposição nas curvas dos intervalos de confiança não indicou nenhuma diferença interespecifica na riqueza de espécies de frutos ingeridos pelos sabiás (Fig. 4).

 


Tabela 2. Espécies de plantas consumidas pelas quatro espécies de sabiás. A freqüência foi baseada nas 92 amostras fecais que continham sementes. As espécies da planta marcadas com um asterisco são exóticas.

 

 

 

(%) de frequência

Número médio de sementes (amplitude)

 

Espécies de sabiás

Anacardiaceae

 

 

 

Schinus terebinthifolius

28.3

9.5 (1-52)

Ta, Tb, Tl, Tr

Lauraceae

 

 

 

Cinnamomum zeylanicum *

2.2

1

Tl, Tr

Cinnamomum sp.2 *

1.1

1

Ta

Cinnamomum sp. 3 *

1.1

7

Tl

Moraceae

 

 

 

Morus nigra *

9.8

6 (1-30)

Ta, Tl, Tr

Ficus sp.

3.3

82.5 (6-115)

Tb, Tr

Melastomataceae

 

 

 

Leandra sp.

6.5

38 (3-6000)

Tl, Tr

Miconia sp. 1

4.3

18 (2-30)

Ta, Tl

Miconia sp. 2

3.3

26 (14-80)

Ta, Tr

Myrsinaceae

 

 

 

Myrsine coriaceae

26.1

2 (1-59)

Ta, Tl, Tr

Myrsine umbelata

1.1

6

Tr

Myrtaceae

 

 

 

Syzygium cumini *

2.2

1

Tr

Rubiaceae

 

 

 

Psychotria carthagenensis

17.4

3 (1-25)

Ta, Tb, Tl, Tr

Salicaceae

 

 

 

Casearia sylvestris

3.3

1 (1-2)

Ta, Tl, Tr

Sapindaceae

 

 

 

Allophylus edulis

1.1

1

Tr

Paullinia sp.

1.1

1

Ta

Solanaceae

 

 

 

Solanum americanum

1.1

1

Ta

Urticaceae

 

 

 

Cecropia pachystachia

19.7

50 (1-1250)

Ta, Tb, Tl, Tr

 

 

 

 

Não identificados 1

1.1

1

Tl

Não identificados 2

1.1

4

Ta

Não identificados 3

1.1

1

Ta

Não identificados 4

1.1

18

Ta

Não identificados 5

1.1

7

Tr

Não identificados 6

1.1

46

Tr

Não identificados 7

1.1

5

Tr

 

 

 

 

Representação das espécies de sabiás: T. amaurochalinus = Ta, T. albicollis = TB, T. leucomelas = Tl, T. rufiventris = Tr.

 

 

Fig. 4. As curvas acumulativas mostram o número médio de espécies de sementes encontradas nas amostras fecais de Turdus rufiventris, de T. amaurochalinus e de T. leucomelas. As linhas pontilhadas indicam os intervalos de confiança de 95%.

 

 

A curva para T. leucomelas indicou uma tendência para uma dieta mais rica (variâncias e riquezas médias estimadas de espécies de frutos rarefeita para o menor tamanho amostral : T. leucomelas = 11.00, σ = 0.00; T. amaurochalinus = 8.24, σ = 1.87; T. rufiventris = 8.28, σ = 1.86), embora o número pequeno de excrementos obtido para T. leucomelas (10) alerta para o cuidado na interpretação destes resultados.

A sobreposição na dieta de frutos foi mais elevada do que esperada ao acaso (0.76, p < 0.001), mostrando que os sabiás comeram aproximadamente as mesmas espécies de frutos em proporções similares. A sobreposição mais elevada (0.87) ocorreu entre T. rufiventris e T. amaurochalinus. Embora as sementes ingeridas foram similares entre os sabiás, diferenças sutis foram notadas. Tomando as quatro espécies de plantas com os frutos mais consumidos como exemplos, sementes de C pachystachia, foram encontradas mais freqüentemente no excremento dos T. rufiventris (11.8%, N = 93) do que no excremento dos T. amaurochalinus (5.1%, N = 39), enquanto o inverso é verdadeiro para S. terebinthifolius (14.0% e 25.6%, respectivamente), M. coriacea (14.0% e 25.6%), e P. carthagenensis (7.5% e 15.4%).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4 DISCUSSÃO

 

Os sabiás figuraram entre os pássaros mais comuns em nossa área de estudo e são igualmente comuns em outras áreas urbanas do Brasil (Argel-de-Oliveira 1995, Fontana 2004). A chave para a grande abundância dessas aves em ambientes urbanos está provavelmente condicionada a esses ecossistemas fornecerem uma rica fonte de alimento, especialmente invertebrados pela boa qualidade dos gramados e das plantas para ornamentação (Falk 1976). Embora pudesse ser subestimado em nossas análises fecais, os invertebrado foram importantes na dieta dos sabiás, como indicado pela elevada freqüência de forrageio no solo. Condizente com esta afirmação, a baixa disponibilidade dos invertebrados foi indicada como uma causa do declínio de Turdus philomelos em áreas rurais do Reino Unido. (Peach et al. 2004).

Embora com presença freqüente nas áreas abertas onde capturam invertebrados no solo (del Hoyo et al. 2005), essas aves aparentemente adaptaram-se mais ao uso freqüente dos fragmentos de florestas de ambientes urbanos (por exemplo T. rufiventris), que são usados pelos sabiás para nidificação e provavelmente lhes fornecem abrigo dos predadores (Cohen e Lindell 2004, pers de M.A. Pizo. obs.). Em Porto Alegre, maior cidade da região, (aproximatamente 1.200.000 habitantes e a 30 km da área de estudo), T. rufiventris figura entre as dez espécies de aves mais comuns (Fontana 2004), aumentando sua abundância do centro da cidade à periferia, seguindo um gradiente crescente da vegetação (Ruszczyk et al.1987). Isso aponta à importância do gradiente da vegetação nas populações de sabiás em ambientes urbanos, corroborando com os dados de Cohen e Lindell (2005) encontrados para Turdus assimilis em áreas rurais da Costa Rica. Todavia, como os sabiás foram registrados mais freqüentemente nos fragmentos de florestas (Fig. 1), estes são os habitats mais prováveis onde os sabiás depositam as sementes, assim contribuindo na dinâmica da vegetação em fragmentos florestais.

O grau de frugivoria foi elevado para as quatro espécies de sabiás em nosso estudo, corroborando com a tendência de os sabiás comerem freqüentemente frutos em áreas naturais e urbanizadas (Wheelwright 1986, Snow and Snow 1988, Guitián et al. 2000, del Hoyo et al. 2005). A alta freqüência dos excrementos dos T. albicollis que continham somente invertebrados deve ser interpretada com cuidado devido ao pequeno tamanho amostral. Os Turdus albicollis são conhecidos por se alimentarem praticamente só de frutos em outras regiões (del Hoyo et al. 2005, Hasui et al. 2007). A contribuição dos frutos na dieta dos sabiás pode variar espacialmente. Em uma paisagem fragmentada mais seca coberta por remanescentes de floresta atlântica semidecidual contida em uma zona rural de SE Brasil, mostrou ao longo de um ano um grau de frugivoria para os T. rufiventris (51.6%, N = 30 amostras fecais), e para T. leucomelas (62%, N = 30) mais baixo do que nós encontramos neste estudo (90.3% e 100%, respectivamente) (unpubl do M.S. Facchio e do M.A. Pizo. dados). Sabe-se que os sabiás têm uma dieta variada porém o que merece ser investigado é se a variação geográfica reflete diferenças na disponibilidade local de frutos, diferenças reais interpopulacionais nos hábitos de alimentação ou um gradiente urbano-rural na composição de dietas.

Os sabiás são conhecidos por proporcionarem alta qualidade nos serviços de dispersão de sementes de uma variedade de espécies de plantas (Traveset 1998), que nossos dados corroboram. As sementes encontradas nas fezes estavam invariavelmente intactas e a maioria dos excrementos conteve uma única espécie de semente, assim evitando os potenciais efeitos negativos de competição interespecifica de recursos para a semente (Loiselle 1990). Estas similaridades no tratamento das sementes associadas com a sobreposição elevada na dieta de frutos e o uso similar de habitats sugerem uma redundância ecológica nos serviços da dispersão de sementes fornecidas pelos sabiás nestes ambientes urbanos. Essa é igualmente uma possibilidade em florestas tropicais ricas em espécies (Loiselle et al. 2007), mas pode ser mais provável em áreas urbanas. Estas áreas usualmente apresentam oportunidades restritas de recrutamento para as plantas. (representado pelos pequenos fragmentos de florestas em nossa área constantemente ajardinada), há menor diversidade de plantas do que em florestas tropicais e uma variedade de pássaros frugívoros usando todos os habitats disponíveis, circunstâncias que podem favorecer a redundância de dispersores de sementes do ponto de vista da planta. Entretanto, uma avaliação mais rigorosa ao tema da redundância na dispersão de sementes que envolvem os sabiás deve considerar aspectos não considerados aqui mas importantes na dispersão de sementes, como a germinação das sementes e a probabilidade da dispersão de sementes no meio urbano fornecidas por cada espécie de sabiá.

Em conseqüência de sua variada dieta frugívora, os sabiás dispersam freqüentemente sementes de espécies exóticas de plantas em ambientes urbanos (Lombardi e Motta 1993, Reichard et al. 2001, Scheibler and Melo 2003). Pelo menos duas das espécies de plantas exóticas que foram encontradas na dieta dos sabiás (Morus nigra e Syzygium cumini) são espécies invasoras e podem ser prejudiciais à flora nativa (Instituto Horus 2008). No presente momento nós não temos como apontar um meio de dirigir o interesse dos sabiás somente aos frutos nativos em detrimento dos exóticos. Entretanto, dado que os sabiás comem freqüentemente frutos de plantas fora das áreas florestadas, o uso de ornamentação das plantas nativas em lugar de plantas exóticas ajudaria a deter o curso da invasão de espécies exóticas em fragmentos florestais urbanos.

Em conclusão, a abundância e o grau elevado de frugivoria associada com o uso freqüente de fragmentos de floresta indicam que os sabiás estão entre os grandes contribuintes na dispersão de sementes que ocorrem em fragmentos urbanos de floresta. Sua capacidade de ocupar áreas abertas permite-os visitar fragmentos diferentes, assim promovendo a movimentação de sementes entre fragmentos diferentes de florestas. Com este conjunto de características, os sabiás contribuem consideravelmente para a dinâmica da vegetação de fragmentos florestais urbanos e sua permanência no ambiente urbano, junto com outras espécies de pássaros de floresta, deve ser promovida a proteger os fragmentos urbanos de floresta. Esta afirmação pode soar estranha aos que se acostumaram a ver os sabiás longe de qualquer área de floresta do meio urbano, mas mostramos que eles usam esses ambientes alterados freqüentemente, que indica a importância de tais habitats para a manutenção dos sabiás nas cidades.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

APG II. 2003. An update of the Angiosperm phylogeny group classification for the orders and families of flowering plants: APG II. Botanical Journal of the Linnean Society 141: 399-436.

 

Argel-De-Oliveira, M. M. 1995. Aves e vegetação em um bairro residencial da cidade de São Paulo (São Paulo, Brasil). Revista Brasileira de Zoologia 12: 81-92.

 

Cohen, E. B., and C. A. Lindell. 2004. Survival, habitat use and movements of fledgling White-throated Robins in a Costa Rican agricultural landscape. Auk 121: 404-414.

 

______., and ______. 2005. Habitat use of adult White-throated Robins during the breeding season in a mosaic landscape in Costa Rica. Journal of Field Ornithology 76: 279-286.

 

Del Hoyo, J., A. Elliot, and D. A. Christie. 2005. Handbook of the birds of the world, vol. 10. Cuckoo-shrikes to thrushes. Lynx Edicions, Barcelona, Spain.

 

Falk, J. H. 1976. Energetics of a suburban lawn ecosystem. Ecology 57: 141-150.

 

Fontana, C. S. 2004. Estrutura de uma comunidade urbana de aves: um experimento em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Ph.D. thesis, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brazil.

 

Foster, M. S. 1987. Feeding methods and efficiencies of selected frugivorous birds. Condor 89: 566-580.

 

Gotelli, N. J., and G. L. Entsminger [online]. 2001. EcoSim: Null models software for ecology. Version 7.0. Acquired Intelligence Inc. & Kesey-Bear. <http://homepages.together.net/~gentsmin/ecosim.htm> (10 December 2007).

 

Guitián, J., P. Guitián , I. Munilla, J. Guitián, T. Bermejo, A. R. Larrinaga, L. Navarro, and B. López. 2000. Zorzales, espinos y serbales: un estudio sobre el consumo de frutos silvestres de las aves migratorias en la costa occidental europea. Universidade de Santiago de Compostela, Santiago de Compostela, Spain.

 

Hasui, E., V. S. M. Gomes, and W. R. Silva. 2007. Effects of vegetation traits on habitat preferences of frugivorous birds in Atlantic Rain Forest. Biotropica 39: 502-509.

 

Hejl, S. L., J. Verner, and G. W. Bell. 1990. Sequential versus initial observations in studies of avian foraging. Studies in Avian Biology 13: 166-173.

 

Instituto Horus [online]. 2008. Lista oficial das espécies invasoras do Brasil. <http://www.institutohorus.org.br> (03 April 2008).

 

Jordano, P., C. Garcia, J. A. Godoy, and J. L. García-Castaño. 2007. Differential contribution of frugivores to complex seed dispersal patterns. Proceedings of the National Academy of Science 104: 3278-3282.

 

Levey, D. J. 1987. Seed size and fruit-handling techniques of avian frugivores. American Naturalist 129: 471-485.

 

Loiselle, B. A. 1990. Seed in droppings of tropical fruit-eating birds: importance of considering seed composition. Oecologia 82: 494-500.

 

______, P. G. Blendinger, J. G. Blake, and T. B. Ryder. 2007. Ecological redundancy in seed dispersal systems: a comparison between manakins (Aves: Pipridae) in two tropical forests. In: Seed dispersal: theory and its application in a changing world (A. J. Dennis, E. W. Schupp, R. J. Green and D. W. Westcott, eds.), pp. 179-195. CABI Publishing, Wallingford, UK.

 

Lombardi J. A., and J. C. Motta Junior. 1993. Seeds of the champak, Michelia champaca L. (Magnoliaceae), as a food source for Brazilian birds. Ciência e Cultura 45: 408-409.

 

Marzluff, J. M., R. Bowman, and R. Donnelly. 2001. A historical perspective on urban bird research: trends, terms and approaches. In: Avian ecology and conservation in an urbanizing world (J. M. Marzluff, R. Bowman, and R. Donnelly, eds.), pp. 1-17. Kluwer Academic Publishers, Dordrecht, The Netherlands.

 

Matarazzo-Neuberger, W. M. 1995. Comunidades de aves de cinco parques e praças da Grande São Paulo, Estado de São Paulo. Ararajuba 3: 13-19.

 

Mckinney, M. L. 2002. Urbanization, biodiversity, and conservation. Bioscience 52: 883-890.

 

Morellato, L. P. C., and C. F. B. Haddad. 2000. Introduction: the Brazilian Atlantic Forest. Biotropica 32: 786-792.

 

Peach, W. J., M. Denny, P. A. Cotton, I. F. Hill, D. Gruar, D. Barritt, A. Impey, and J. Mallord. 2004. Habitat selection by Song Thrushes in stable and declining farmland populations. Journal of Applied Ecology 41: 275-293.

 

Pianka, E.R. 1973. The structure of lizard communities. Annual Review of Ecology and Systematics 4: 53-74.

 

Pizo, M. A.  2007. Frugivory by birds in degraded areas of Brazil. In: Seed dispersal: theory and its application in a changing world (A. J. Dennis, E. W. Schupp, R. J. Green, and D. W. Westcott, eds.), pp. 615-627. CABI Publishing, Wallingford, UK.

 

Ralph, C. P., S. E. Nagata, and P. H. Ralph. 1985. Analysis of droppings to describe diets of small birds. Journal of Field Ornithology 56: 165-174.

 

Reichard, S. H., L. Chalker-Scott, and S. Buchanan. 2001. Interactions among non-native plants and birds. In: Avian ecology and conservation in an urbanizing world (J. M. Marzluff, R. Bowman, and R. Donnelly, eds.), pp. 179-223. Kluwer Academic Publishers, Dordrecht, The Netherlands.

 

Rosenberg, K. V., and R. J. Cooper. 1990. Approaches to avian diet analysis. Studies in Avian Biology 13: 80-90.

 

Ruszczyk, A., J. J. S. Rodrigues, T. M. T. Roberts, M. M. A. Bendati, R. S. Del Pino, J. C. V. Marques, and M. T. Q. Melo. 1987. Distribution patterns of eight bird species in the urbanization gradient of Porto Alegre, Brazil. Ciência e Cultura 39: 14-19.

 

Scheibler, D. R., and T. A. Melo Jr. 2003. Frugivory by birds on two exotic Ligustrum species (Oleaceae) in Brazil. Ararajuba 11: 89-91.

 

Snow, B., and D. Snow. 1988. Birds and berries. T. & A. D. Poyser, Carlton, UK.

 

Traveset, A. 1998. Effect of seed passage through vertebrate frugivore’s guts on germination: a review. Perspectives in Plant Ecology, Evolution and Systematics 1/2 : 151-190.

 

Wheelwright, N.T. 1986. The diet of American Robins: an analysis of U. S. Biological Survey records. Auk 103: 710-725.

 

Winemiller, K.O. and E.R. Pianka. 1990. Organization in natural assemblages of desert lizards and tropical fishes. Ecological Monographs 60: 27-55.

 

Wunderle, J. M., Jr. 1997. The role of animal seed dispersal in accelerating native forest regeneration on degraded tropical lands. Forest Ecology and Management 99: 223-235.

 

Yabe, R. S., and E. J. Marques. 2001. Deslocamento de aves entre capões no Pantanal Mato-grossense e sua relação com a dieta. In: Ornitologia e conservação: da ciência às estratégias (J. L. Albuquerque, J. F. Cândido, Jr., F. C. Straube, and A. L. Roos, eds.), pp. 103-123. Editora Unisul, Tubarão, Brazil.

 


GABRIEL GASPERIN
RS - SAO LEOPOLDO

Indique este Artigo enviando o Link:
http://www.crbiodigital.com.br/portal?txt=387739


 retorna

 

  :: Pesquisa Artigos
contenha a palavra 
Regional 
Nome do(a) Biólogo(a) 


pesquisar



Copyright 2007  -   contatocrbiodigital@crbiodigital.com.br  -   privacidade