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  Aspectos clínicos da Leucemia, uma breve revisão bibliográfica
06/06/2016

MARCONI MARTINS JOSE
MG - BELO HORIZONTE
Leucemia Eritroide Aguda é uma forma de apresentação de neoplasia do sistema hematopoético é classificada como uma forma de leucemia mieloide aguda Existem vários tipos de leucemias sendo dois tipos importantes que são as leucemias agudas responsávei

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Saúde
Análises Clínicas


1.        INTRODUÇÃO:

 

Leucemia eritroide aguda é uma forma de apresentação de neoplasia do sistema hematopoético em que há envolvimento de células imaturas do compartimento eritroide (Valli et al. 2002). Segundo o Grupo de Estudos Franco-Americano-Britânico (Grupo FAB) (Bennett et al. 1976) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) (Jaffe et al. 2001), que se baseia no Clinical Advisory Committee Meeting, ocorrido em Airlie House, Virginia, em Novembro de 1997 (Harris et al. 2000), leucemia eritroide aguda é classificada como uma forma de leucemia mieloide aguda (LMA M6) e subdividida em duas formas de apresentação clinicopatológicas: LMA M6A, mais frequentemente descrita em humanos (Valli 2007a), e LMA M6B, muito mais comumente relatada em animais, principalmente em camundongos (Ney & D’Andrea 2000, Moreau-Gachelin 2006) e gatos (Jain et al. 1991, Valli 2007a,b), e raramente em cães (Anderson & Johnson 1962, Groulade & Guillon 1967, Liu & Carb 1968, Tolle et al. 1977), bovinos (Watanabe et al. 1998), chimpanzés (McClure et al. 1974) e ratos (Groulade & Guillon 1967, Bird & Huggins 1971). A primeira, também denominada de eritroleucemia, consiste em um neoplasma bilinhagem, que envolve mieloblastos e eritroblastos (Bennett et al. 1976, Jain et al. 1991, Harris et al. 2000). A segunda, também chamada mielose eritrêmica (Bennett et al. 1976, Valli 2007a,b), leucemia eritroide pura (Harris et al. 2000, Jaffe et al. 2001), eritroleucemia com predominância eritroide (Jaffe et al. 2001), LMA M6Er (Jain et al. 1991) e eritremia aguda (Jarret & MacKey 1974), é um distúrbio que afeta unicamente a linhagem eritroide (Bennett et al. 1976, Jain et al. 1991).

 

A Leucemia Linfoide Aguda (LLA) apresenta baixas taxas de cura em países pobres, o mesmo não ocorrendo em países desenvolvidos. Esta disparidade é justificada devido ao alto número de crianças que abandonam o tratamento por falta de condições financeiras, culturais e estruturais; além da toxicidade do tratamento. Enquanto alguns hospitais focam seus programas de tratamento em melhorar a qualidade de vida para os sobreviventes. A leucemia infantil é uma doença rara; sua incidência é estimada em três a quatro casos novos para cada 100.000 crianças com menos de 15 anos de idade.

 

Existem vários tipos de leucemias sendo dois tipos importantes que são as leucemias agudas responsáveis pela variável que produz o tipo de Leucemia que pode ser tratada com quimioterapia que são as Leucemias Linfoblásticas Agudas e Leucemias Mieloblásticas Agudas. Existe mais um tipo de Leucemia que pode ser utilizado como tratamento o transplante medular que possui as duas variáveis Leucemia Linfoblásticas Crônicas e Leucemias Mieloplásticas Crônicas. Tenta-se-a através do presente trabalho fundamentar tal hipótese teórica.

 

O presente trabalho tem como objetivo conceituar leucemia e identificar qual tipo de leucemia deve ser adotado a quimioterapia, radioterapia ou transplante medular, além de descrever os tipos de leucemias; apresentar principais parâmetros da leucemias; parâmetros laboratoriais e identificar qual a melhor conduta para o tratamento da leucemia.

 

2.        METODOLOGIA:

 

Para realização do presente trabalho foi realizado revisão bibliográfica em revistas brasileiras e estrangeiras nos idiomas português e inglês sendo traduzidas para o português, livros nacionais utilizados nas academias médicas no período de 2000 a 2015. Optou-se pela busca na plataforma SciELO (Scientific Eletronic Library Online), portal da CAPES, e livros nacionais, plataforma LICACS (Biblioteca de saúde). Buscou-se coletar os dados e artigos científicos. Após esta coleta, foi selecionado os que melhor encaixavam no perfil do trabalho e em seguida realizado a compilação das informações e a construção do texto.

 

3.        REFERENCIAL TEÓRICO:

 

As leucemias são cânceres das células do sangue e estas podem acometer toda a medula óssea, chegando ao ponto de impedir a produção de células normais do sangue (falência medular), o que levaria a quadros variáveis de sangramento, infecção e anemia. As leucemias são divididas em agudas e crônicas.

 

O grupo das leucemias agudas é dividido em mieloblástica e linfocítica, sendo que essa diferenciação é feita na célula de origem de cada grupo. De forma geral as leucemias agudas apresentam uma evolução muito rápida, sendo necessário o diagnóstico precoce e o tratamento rápido. Apesar de ser um tipo raro de câncer, a leucemia aguda apresenta um elevado índice de morte em pessoas coma idade inferior a de 35 anos. A incidência das leucemias é semelhante por todo o mundo, sendo que, dentre as leucemias agudas, a mieloblástica tem ligeira predominância sobre a linfocítica. São mais predominantes nos homens, sendo maior o número de casos nos de raça branca. A idade de acometimento difere enormemente entre dois grupos, sendo a leucemia linfocítica aguda (LLA) muito comum até os 10 anos de idade e a leucemia mielóide aguda (LMA) muito comum na média de 65 anos de idade. O tratamento entre os dois grupos também é muito diferente. Além disso a leucemia mielóide aguda tem um pior prognóstico que a crônica.

A leucemia é um câncer que atinge os leucócitos produzidos pela medula óssea. É uma doença que se caracteriza pelo acúmulo de leucócitos anormais na medula óssea, prejudicando ou impedindo a produção de hemácias, leucócitos e plaquetas. Essas células anormais, chamadas de células leucêmicas ou células cancerosas, podem invadir outros órgãos, como fígado, baço, linfonodos, rins e cérebro. A leucemia é classificada de acordo com o tipo de leucócitos que afetam, e por isso são chamadas de leucemia linfocítica, linfoblástica, ou linfoide, quando atinge os linfócitos; e leucemia mieloide, quando atinge os mielócitos.  Além disso, pode se apresentar de duas formas, aguda e crônica. Na forma aguda, as células são imaturas, não desempenham seu papel como deveriam e se reproduzem aceleradamente; enquanto que na forma crônica, as células são maduras, e podem manter algumas de suas funções, além de se reproduzirem de forma lenta.

 

 

A Leucemia Linfóide Aguda é mais comum em crianças, mas pode atingir pessoas com idade acima de 65 anos, enquanto que a leucemia mielóide aguda é mais comum em adultos. A leucemia linfóide crônica geralmente afeta adultos com idade acima de 55 anos e raramente acomete crianças, sendo que a leucemia mielóide crônica afeta principalmente adultos.

 

Danos à medula óssea resultam na falta de plaquetas no sangue, as quais são importantes para o processo de coagulação. Isso significa que pessoas com leucemia podem sangrar excessivamente. Os leucocitos, que estão envolvidas no combate a agentes patogênicos, podem ficar suprimidas ou sem função, colocando o paciente sob risco de infecções.

 

Já a deficiência de eritrócitos ocasiona anemia, a qual pode causar falta de ar e fadiga. Pode ocorrer dor nos ossos ou articulações por causa da extensão do câncer a essas áreas. Dor de cabeça e vômito podem indicar que o câncer disseminou até o sistema nervoso central. Em alguns tipos de leucemia pode os nódulos linfáticos ficar dilatados. Todos esses sintomas podem também ser atribuídos a outras doenças. Para o diagnóstico é preciso fazer exames que são o exame físico (alterações dos gânglios linfáticos, do baço e do fígado) e análises laboratoriais.

Os exames utilizados para o diagnóstico são: hemograma, teste de coagulação sangüínea, testes químicos de rotina (eletrólitos, creatinina, etc.), esfregaço do sangue e da medula óssea e, em algumas vezes, a biópsia da medula óssea. Os estudos mais avançados como fenotipagem, citogenética e biologia molecular estão indicados. Com relação aos fatores de risco, já citamos anteriormente os quimioterápicos, radioterapia e o próprio tratamento da LLA. Acrescentam-se a esses os fatores bem definidos como: exposição às radiações ionizantes e ao benzeno, além do hábito de fumar. Um vírus (HTLV 1) tem sido identificado como causa de leucemia/linfoma. O vírus Epstein-Barr também tem sido relacionado com alguns tipos de leucemia. Deve-se lembrar as síndromes que também aumentam o risco como a de Down, anemia de Fanconi e ataxia-telangiectasia.

 

Nas análises laboratoriais é possível perceber: a) Grande elevação da contagem dos glóbulos brancos, ou diminuição dos mesmos; b) níveis baixos de plaquetas e hemoglobina, e c) Em pacientes já diagnosticados com leucemia linfoide aguda, estes exames podem ajudar na detecção de problemas de fígado ou rins, causados por células de leucemia ou efeitos colaterais de certos medicamentos quimioterápicos.

 


 

Exames complementares são realizados a saber:

 

·                      Biópsia: verificar a existência de células cancerígenas. A biópsia é o único método seguro de saber se as células tumorais se encontram na medula óssea.
Existem dois processos para obter medula óssea:

a)    Aspiração da medula óssea - realizados para dizer se a leucemia está respondendo ao tratamento;

b)    Biópsia da medula óssea - observam o tamanho, forma e outras características dos glóbulos brancos nas amostras classificando-os em tipos específicos.importante é saber se as células parecem maduras (parecidas com células sanguíneas normais) ou imaturas (sem características de células sanguíneas normais). As células mais imaturas são denominadas linfoblastos. determinar a porcentagem de células na medula óssea que são blastos. Um diagnóstico de leucemia linfoide aguda requer, geralmente, que pelo menos, 20% a 30% das células na medula óssea sejam blastos. Em circunstâncias normais, os blastos nunca são mais do que 5% das células da medula óssea. Entretanto, às vezes são necessários outros exames de laboratório para ter um diagnóstico definitivo.

 

·                     Citogenética: Análise dos cromossomas de células colhidas de amostras de sangue periférico, de medula óssea ou de gânglios linfáticos. Consiste na aplicação de corantes bioquímicos às células do sangue e medula óssea, de maneira a mostrar sua composição sem modificar apreciavelmente sua morfologia. As colorações citoquímicas auxiliam no diagnóstico de leucemias e de outras doenças hematológicas.

 

·                     Citometria de Fluxo e Imunohistoquímico - A citometria de fluxo é feita com um aparelho que consegue fazer medidas individuais de milhares de células, numa contagem exata que é essencial para a eficiência do tratamento da doença. Essa técnica é muitas vezes usada para examinar as células da medula óssea, gânglios linfáticos e amostras de sangue, para o diagnóstico das leucemias. São analisadas por meio de anticorpos monoclonais marcados com substâncias fluorescentes.

 

 

·                     Citogenética - Neste exame, os cromossomos das células leucêmicas são analisados para detectar qualquer anormalidade. Em alguns casos de leucemia, as células apresentam alterações cromossômicas visíveis sob o microscópio. A maioria das alterações cromossômicas em adultos com leucemia linfoide aguda é do tipo de translocação. As informações sobre o tipo translocação podem ser úteis para prever a resposta terapêutica de um paciente.

 

·                     Hibridização Fluorescente In Situ (FISH) - Este é outro tipo de exame que avalia os cromossomos, usando corantes fluorescentes que só se ligam a partes específicas de cromossomos específicos. O teste FISH detecta a maioria das alterações cromossômicas (translocações), visíveis ao microscópio em exames citogenéticos, bem como alterações pequenas não visualizadas em exames de citogenética.

 

·                     Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) - Este é um exame do DNA bastante sensível, que permite encontrar cromossomos pequenos, não visíveis ao microscópio, mesmo quando poucas células leucêmicas estejam presentes na amostra. Assim como o teste FISH, é usado para diagnosticar alterações genéticas específicas. Na leucemia linfoide aguda, é muitas vezes utilizada para diagnosticar o gene produzido pelo cromossomo Filadélfia.

·                     Punção lombar: Analise do líquido cefalo-raquidiano.

·                     Radiografia ao tórax: os raios-X são importantes para avaliar indirectamente os pulmões e o coração.

 

Muitas vezes há uma demora no diagnóstico da LLA, pois os primeiros sintomas são geralmente vagos, inespecíficos ou silenciosos; além disso, pode haver uma história prévia de infecção viral respiratória ou exantemática que não resolveu totalmente. No entanto, pela sua progressão rápida, alguns são diagnosticados mais precocemente. Com a evolução, os sinais e sintomas clínicos refletem a falência medular em prover a hematopoiese devido a substituição dos elementos hematopoiéticos normais pelas células leucêmicas (blastos), resultando em anemia, neutropenia e plaquetopenia (CORNACCHIONI,2004). Geralmente estes são os sinais que levam os médicos a solicitar exames laboratoriais diagnósticos. O envolvimento extramedular pode ocorrer principalmente no sistema nervoso central, testículos, fígado, rins, baço, ovários e olhos. Os locais de predileção na recaída da leucemia linfocítica aguda são o SNC e os testículos. A leucemia, quando acomete o SNC, tem o diagnóstico estabelecido através do encontro de blastos no líquido cefalorraquidiano. Já o envolvimento testicular é principalmente revelado pelo aumento indolor, uni ou bilateral(CRIST,2002).

 

A LLA é subclassificada de acordo com as características morfológicas, imunológicas, citogenéticas e genéticas moleculares das células leucêmicas (CRIST,2002). As formas clínicas do LLcTA caracterizam-se em quatro subtipos: leucêmico agudo, linfoma, crônico e smoldering (forma oligo-sintomática). Além destes subtipos bem definidos por critérios clínico-laboratoriais, existe um estado limítrofe entre indivíduos assintomáticos e LLcTA, que é denominado como fase pré- LLcTA. Nesta fase assintomática existe a presença de linfócitos atípicos circulantes que podem desaparecer espontaneamente e a doença é definida pela monoclonalidade da inserção proviral do HTLV-I no linfócito T CD4+( Silva, 2002).

 

 Assim, o diagnóstico é sugerido através da presença de células blásticas no esfregaço do sangue periférico, mas é confirmado através da morfologia (classificação FAB - proposta pelo grupo Franco Americano Britânico), de reações de citoquímica, de citogenética e da imunofenotipagem dos blastos da medula óssea ou sangue periférico.

 

A classificação morfológica (FAB) subdivide os linfoblastos em L1 (85% dos casos), L2 (14%) e L3 (1%), mas como não define a linhagem e o grau de maturação é fundamental a realização da imunofenotipagem e citogenética para a complementação do diagnóstico. As anormalidades citogenéticas são importantes para a resposta ao tratamento e o prognóstico da doença, visto que os blastos hiperploides têm prognósticos favoráveis e as translocações t (9;22), t (4;11) e t (1;19) estão associadas a mau prognóstico. As reações de imunofenotipagem avaliam antígenos celulares expressos nos blastos leucêmicos, através da citometria de fluxo; permitem a classificação, a determinação das linhagens e dos estádios de diferenciação linfoide e ainda possibilitam a diferenciação entre as linhagens linfoide e mieloide e fenótipos aberrantes, úteis no acompanhamento do tratamento (doença residual mínima)( SILVA, 2004)

 

Algumas características clínicas e laboratoriais dos pacientes com LLA têm valor prognóstico, por isso são estratificados, ao diagnóstico, subgrupos com evolução favorável e desfavorável, orientando o tratamento. A contagem leucocitária inicial é o fator de maior significado quanto ao prognóstico, evoluindo desfavoravelmente aqueles casos com leucócitos > 50.000/mm3. Crianças com idade inferior a 18 meses ou maiores que dez anos, igualmente têm pior prognóstico. Devido à facilidade na avaliação, a contagem leucocitária e a idade ao diagnóstico se tornaram bases confiáveis na estratificação de risco para pacientes portadores de LLA. Com relação a características cromossômicas, destaca-se o melhor prognóstico condicionado pela hiperdiploidia. Por outro lado, determinadas translocações cromossômicas são associadas a altas taxas de falência terapêutica e recaída precoce, tais como: t (8,14), t (4,11), t (4,19) e t (11,22) (Cornacchioni,2004).

 

Vale lembrar os casos de leucemia que ocorrem de forma secundária, ou seja, possuem uma causa bem definida que a promoveu, sendo esses a minoria. Na maioria das vezes não existe uma causa bem definida para a doença. Nos casos de leucemia secundária, podemos destacar, como fatores de risco, o tratamento anterior da doença de Hodgkin, uso de alguns quimioterápicos e tratamento da própria LLA. A apresentação clínica desses tumores é inespecífica, mas pela história clínica e os achados ao exame físico, o diagnóstico é realizado na maioria das vezes. Geralmente, o paciente apresenta-se com uma queixa de fraqueza há cerca de 1 a 3 meses, pequena perda de peso, febre, dor óssea e abdominal, falta de ar e, mais importante, o sangramento e formação de hematomas de forma fácil. Ao exame físico pode-se notar a presença de sinais de sangramento (hematomas e petéquias) e a palidez condizente com a anemia e o sangramento. O aumento do tamanho do fígado, do baço e dos gânglios linfáticos são achados pouco comuns na leucemia aguda. Já os testes laboratoriais, demonstram uma diminuição das plaquetas e das células vermelhas. As células da série branca do sangue podem variar muito em quantidade.

 

As leucemias crônicas também apresentam a forma mielóide e linfocítica. A leucemia linfocítica crônica (LLC) é a mais comum das leucemias. Apesar de todos os avanços nos conhecimentos sobre a doença e na forma de tratamento, atualmente mais avançadas, não houve nenhuma mudança na sobrevida destes pacientes. A leucemia linfocítica crônica apresenta-se habitualmente no paciente com idade acima de 60 anos, motivo pelo qual muitas vezes o tratamento quimioterápico agressivo não é utilizado, atingindo-se assim índices de cura próximos de zero. Outro motivo que leva o tratamento a ser feito de forma paliativa é a característica da doença que, muitas vezes, não requer uma intervenção terapêutica, vivendo o paciente por volta de 20 anos sem maiores problemas.

 

O importante é diferenciar o paciente que necessita daquele que não necessita do tratamento. Esta decisão é tomada baseando-se em resultados de exames de sangue e exame físico do paciente (estadiamento da doença). O diagnóstico é realizado basicamente da mesma forma que nas leucemias agudas; o que chama a atenção é que o acometimento do baço, fígado e de gânglios linfáticos é mais comum na leucemia crônica. Outras formas de leucemias devem ser lembradas como a leucemia pró linfocítica, a leucemia linfocítica crônica de células T e a leucemia de células cabeludas. Resta comentar sobre a leucemia mielóide crônica, o­nde ocorre uma substituição gradativa das células da medula óssea por células mielóides maduras, que são insensíveis ao controle de proliferação celular, podendo evoluir com anemia severa, diminuição das plaquetas e acometimento de praticamente todos os órgãos do corpo (crise blástica).

 

Segundo literatura pesquisada, os resultados são promissores necessitando mais estudos para aprofundar na matéria bem como melhorar tratamento. Os exames são vários porem há necessidade de conhecimento do corpo clinico para melhor atuar na escolha e agilizar os resultados e saber qual exame solicitar. O conhecimento do medico auxiliar sobre os exames a serem solicitados, sua aplicação e os resultados a obter são primordiais para um tratamento eficiente. Não basta solicitar exames que onde se desconhece os resultados ou a sua aplicação. Muitos exames são evasivos e causam sofrimento ao paciente e devem ser avaliados antes da sua solicitação. Os tratamentos são bons mais necessita primeiro da adesão do paciente ao tratamento devido o seu custo elevado e a eficácia do tratamento está indexado a sua continuidade. Existem exames simples como hemograma como também existe os mais complexos e mais caros como os biomoleculares necessitando de recursos para a sua realização e muitas vezes são recursos próprios haja vista que os planos de saúde não os cobrem.

 

4.        TRATAMENTO

Exceto pelos casos de indicação de transplante, o tratamento da LMC continua sendo um desafio.

O INCA orienta que se aplica ao tratamento da LMC o segundo esquema:

· Alopurinol na dose diária de 300mg - VO (adulto) e 300mg/m2 em crianças até 40kg, e com hidratação abundante.

· Leucoferese em caso de gravidez, para evitar o uso de quimioterapia, e de sinais e sintomas de leucostase - por exemplo, o priapismo - para uma rápida redução do volume tumoral.

· Controle hematológico com Hidroxiuréia

Adulto: iniciar 2g/dia - VO e manter 1-2g/dia. Doses iniciais de 3 a 4g/dia podem ser usadas por períodos curtos nos pacientes com leucometria muito elevada. A dose de manutenção é ajustada conforme a leucometria, devendo ser interrompida se o número de leucócitos ficar abaixo de 2.500/mm3 e o de plaquetas, de 100.000/mm3 voltando-se à dose de manutenção quando as ontagens tenderem aos valores normais.

Criança: na criança com menos de 30kg, a Hidroxiuréia é prescrita na dose de 50mg/kg/dia; e, naquela com mais de 30kg, de 2g/m2/dia. Em ambos os casos, a dose de manutenção é de 10-30mg/kg/dia, ressalvada a interrupção da tomada se o número de leucócitos ficar abaixo de 2.500/mm3 e o de plaquetas, de 100.000/mm3, voltando-se à dose de manutenção quando as contagens tenderem aos valores normais.

Exame de tipificação HLA-DR para pesquisa de doador aparentado (doente com idade igual ou menor que 55 anos) ou não aparentado (doente com idade igual ou menor que 50 anos).

· Transplante de medula óssea alogenéico (aparentado ou não aparentado): indicado para pacientes em fase crônica ou acelerada, com idade inferior a 55 anos (aparentado) ou com até 50 anos de idade (não aparentado).

· Alfa-Interferon - com aumento gradativo da dose, até atingir 5.000.000 U/m2/dia - SC. Não havendo toxicidade Grau 3 ou 4, conforme os parâmetros mensuráveis do National Cancer Institute (NCI), de uso internacional, 10 associar Citarabina - 20mg/m2/dia - SC (dose diária máxima de 40mg) durante 10 dias a cada mês.

· Mesilato de Imatinibe - Doentes com mais de 18 anos.

É sugerido pelo INCA Paracetamol para prevenir ou controlar os efeitos colaterais do Alfa-Interferon é prescrita de acordo com o peso e a idade da criança. Não exceder 2,6g ao dia. Ou, no caso de adulto, na dose de 750mg - VO, de 3 a 4 vezes ao dia. Não ultrapassar 4g/dia. Segundo o INCA tanto no uso de Alfa-Interferon como no de Mesilato de Imatinibe, a ocorrência de intolerância (toxicidade de graus 3 e 4) indica a suspensão temporária do medicamento em uso, dando-se o retorno a ele, com menor dose do que a anteriormente utilizada.

Em caso de toxicidade do Mesilato de Imatinibe, a dose diária pode ser reduzida ao mínimo de 300mg, pois doses abaixo desta não apresentam efeito terapêutico. Se o grau de toxicidade impuser a suspensão temporária do medicamento, pode-se, superado o efeito tóxico, reiniciá-lo com a dose diária mínima (300mg) e, progressivamente, aumentá-la até a dose diária que o doente tolere, no limite da respectiva dose diária preconizada. Se esta dose menor ou a dose máxima tolerável ficarem aquém da mínima dose efetiva terapêutica, deve-se suspender definitivamente qual seja dos dois medicamentos citados.

Para controle e saber a evolução clínica do paciente, deve-se fazer segundo o INCA exames em todas as fases - semanalmente, até a estabilização dos índices hematológicos: exame físico, hemograma completo, contagem de plaquetas, desidrogenase láctica, ácido úrico, uréia, creatinina e provas funcionais hepáticas.

• LMC em FC - hemograma de 1/1 mês e mielograma de 6/6 meses ou à suspeita de recaída pós-remissão, com exame de citogenética (inclusive com percentual de células com o cromossoma Philadelphia).

• LMC em FA - hemograma de 1/1 mês e mielograma de 3/3 meses ou à suspeita de recaída pós-remissão, com exame de citogenética (inclusive com percentual de células com o cromossoma Philadelphia).

LMC em FB - hemograma semanal até a remissão hematológica; depois, mensal. Mielograma de 3/3 meses ou à suspeita de recaída pós-remissão, com exame de citogenética (inclusive com percentual de células com o cromossoma Philadelphia), se mantiver remissão hematológica.

A Resposta Hematológica corresponde à redução de 50% da leucometria inicial, mantida pelo menos durante duas semanas. A Resposta Hematológica Completa dá-se quando a leucometria fica abaixo de 10.000/mm3, ausência de pró-mielócitos ou mieloblastos, menos dos que 5% de mielócitos ou metamielócitos e a plaquetometria em torno de 450.000/mm3, mantidas por pelo menos quatro semanas.

Já a Resposta Citogenética pode ser Ausente (>90% de células com cromossoma Ph positivo), Menor (35% a 90% de células com cromossoma Ph positivo); Parcial (5% a 34% de células com cromossoma Ph positivo); Completa (0% de células com cromossoma Ph positivo) e Maior, que corresponde à soma de Completa mais Parcial, isto é, com <35% de células com cromossoma Ph positivo.

O INCA alerta que deve ser modificado o tratamento sempre que ocorrer as seguintes circunstancias:

• Graus de toxicidade 3 e 4 do NCI - Critério de suspensão tanto de Alfa-Interferon como de Mesilato

de Imatinibe.

• Ausência de resposta hematológica completa dentro de três meses, na vigência do uso de Alfa-Interferon ou de Mesilato de Imatinibe.

• Ausência de resposta citogenética completa ou maior, após, no mínimo, 12 meses de uso de Alfa-Interferon (LMC em fase crônica).

• Progressão hematológica sem mudança de fase da LMC, na vigência do uso de Alfa-Interferon ou de Mesilato de Imatinibe.

• Progressão citogenética sem mudança de fase da LMC, na vigência do uso de Alfa-Interferon.

•Progressão de fases da LMC com ou sem recaída hematológica, na vigência do uso de Alfa-Interferon.

•Progressão de fases da LMC com recaída hematológica, na vigência do uso de Mesilato de Imatinibe.

Todo e qualquer tratamento que fugir ao exposto em suas normatizações, segundo ao INCA, é considerado experimental e irregular.

 

5.        CONSIDERAÇÃO FINAL

 

Algumas publicações mostraram que as pesquisas no campo da oncologia está crescendo. Pode-se verificar que há avanços a cada dia e a divulgação dos resultados e experiências internacionalmente é cada vez mais frequente. Os exames e técnicas no diagnostico são cada dia mais exatos, precisos o que reduz o custo do tratamento, agilidade e sobrevida do paciente e qualidade. As informações do presente trabalho são análises descritivas do que existe publicado no momento em periódicos e orientações do INCA. Apesar de leucemia ser um câncer de diagnostico laboratorial, é necessário ao médico um bom domínio da semiotécnica e semiologia para um diagnóstico físico rápido e início do tratamento o mais rápido possível para a recuperação paciente ou melhora na qualidade de vida e identificar rapidamente qualquer sinal de intoxicação ao tratamento para o seu correto ajuste. Observou-se em artigos a existência de grande efeito toxico dos fármacos usados e sugeridos pelo INCA o que torna agressivo e pesado o tratamento. Esta revisão bibliográfica tentou juntar o conhecimento de vários autores para auxiliar nas pesquisas futuras.

 

6.        AGRADECIMENTOS:

Primeiramente а Deus qυе permitiu qυе tudo isso acontecesse ао longo dе minha vida, е nãо somente nestes anos, mаs que еm todos оs momentos é o maior mestre qυе alguém pode conhecer. Meus agradecimentos аоs amigos Tec. Patologia Evandro de Souza Nascimento, Ronaldo Antônio da Silva, Tec. Patologia Magno Eduardo Ferreira, Tec. em Farmácia Samia Alessandra Abade Aleixo e todos os amigos do Centro Farmacêutico da PMMG que acreditaram em mim A universidade UNA, sеυ corpo docente, direção е administração qυе oportunizaram а janela qυе hoje vislumbro υm horizonte superior, eivado pеlа acendrada confiança nо mérito е ética aqui presentes em especial ao Dr. Gustavo Oliveira Gonçalves, orientador que esteve presente na fase difícil de minha vida que passei com a morte de meu pai, mostrando-me que além de profissional possuem qualidades humanas inexorável.

 

7.        BIBLIOGRAFIA:

·                TOCHETTO, Camila; SOUZA, Tatiana M.; Barros, CLAUDIO S.L.; FIGHERA,  Rafael A. Aspectos epidemiológicos, clínicos, hematológicos e anatomopatológicos da leucemia eritroide aguda (LMA M6) em gatos. Pesq. Vet. Bras. V. 31, n.7:610-619, julho 2011

·                VERAS, Geni Lourdes de Resende Ramos; ARAGÃO, Vânia Maria de Farias; DOS SANTOS , Alcione Miranda. Leucemia linfoblástica aguda em São Luís. Aspectos clínicos e terapêuticos. RBM Jul 12 V 69 N 7

·                KA AS, Imbert P; MOREIRA C, Niang A; BAUJAT G, Seye MM; GUYON P. Epidemiology and prognosis of childhood cancers in Dakar, Senegal. Med Trop (Mars); v. 63:p.521-526, 2003.

·                SILVA DB, Pires MMS; NASSAR SM. Câncer pediátrico: análise de um registro hospitalar. J Pediatr; v.78, n.5: p.409-514, 2002.

·                SHOCHAT SJ et al. Childhood Cancer: patterns of protocol participation in a national survey. CA Cancer Journal for Clinicians; v.51, n.2:p.119-130, 2001.

·                CORNACCHIONI ALB; CRISTÓFANI LM, Almeida MTA; MALUF Júnior PT, ODONE Filho V. Recidivas extramedulares em leucemia linfocítica aguda: impacto da quimioterapia e definição de um grupo particularmente favorável. Pediatria; v.26: p.27-33, 2004.

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Condutas do INCA Leucemia mielóide crônica. Leucemia Mielóide Crônica. Revista Brasileira de Cancerologia, n.49, v.1: p.


MARCONI MARTINS JOSE
MG - BELO HORIZONTE

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