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  Gestão Ambiental e Agronegócio no Brasil
01/12/2015

LICIENI SILVA DE OLIVEIRA
MT - PRIMAVERA DO LESTE
A associação da gestão ambiental,trabalhando com a sustentabilidades e compromisso, resulta em uma grande demanda pelo aumento da produtividade agrícola de grande rentabilidade na agricultura do Brasil.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Meio Ambiente e Biodiversidade
Gestão Ambiental


      Gestão Ambiental e agronegócio no Brasil

 

  

 

Licieni Silva de Oliveira

Email: licieni_lee@hotmail.com

Graduação: Biologia

Pós graduação Lato Sensu em  Gestão Ambiental e Gestão de Agronegócio

 

 

 

 

Resumo

 

Gestão ambiental é um sistema de administração empresarial que dá ênfase na sustentabilidade. Desta forma, a gestão ambiental visa o uso de práticas e métodos administrativos que reduzir ao máximo o impacto ambiental das atividades econômicas nos recursos da natureza. Vários autores afirmam que o agronegócio é um conjunto de atividades ligadas a todos os setores da economia e da sociedade, envolvendo todas as cadeias produtivas desde a produção, a distribuição de insumos até a comercialização, e às enormes possibilidades que estão se abrindo aos negócios internacionais no atual processo de globalização, desta forma exige-se uma melhora continua no desempenho da produção, com isto promovendo o desenvolvimento sustentável comprometido com a legislação ambiental vigente, e incentivando a preservação do meio ambiente, estimulando a interação entre pequenas, médias e grandes empresas, fomentando a pesquisas para estimular o desenvolvimento do agronegócio, além de valorizar os assuntos voltados aos ecossistemas naturais e sociais do agronegócio.

 

Palavras Chaves: Gestão Ambiental. Impacto Ambiental. Agronegócio, Desenvolvimento Sustentável .

 

 

 

 

 

 

 

 

Resume

 

Environmental management is a business management system that places emphasis on sustainability. Thus, environmental management aims to use practices and management methods to minimizing the environmental impact of economic activities on the resources of nature. Several authors argue that oagronegócio is a set of activities related to all sectors of the economy and society, involving all supply chains from production, distribution of inputs to marketing, and to the enormous possibilities that are opening up to international business in current globalization process thus requires is a continuous improvement in production performance, thus promovendoo sustainable development committed to environmental regulations, and encouraging the preservation of the environment, stimulating interaction between small, medium and large companies, encouraging the research to stimulate the development of agribusiness, and value the issues facing the natural and social ecosystems agribusiness.

 

KeyWords: Environmental management. Environmental impact. Agribusiness, Sustainable Development.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

A soja é reconhecidamente um dos grandes componentes do agronegócio, cuja cultura teve inicio no Brasil por volta da década 60 e 70.

A produção se desenvolveu com ótimo índice de produtividade, principalmente pelo apoio das pesquisas desenvolvidas pelos órgãos governamentais e pela iniciativa privada. Atualmente o Brasil é destaque mundial na área do agronegócio.

Ao longo do tempo o país tornou-se o segundo maior exportador de soja do mundo, atrás somente dos Estados Unidos, sendo importante destacar que a área plantada dos Estados Unidos é maior que a brasileira.

A safra brasileira de grãos 2014/2015 alcançou 209,5 milhões de toneladas, com mais um recorde sobre os números passados. O aumento é de 8,2%, ou 15,9 milhões de toneladas, sobre da produção de 2013/14, de 193,62 milhões de toneladas. 

Os números do IBGE indicam que a área a ser colhida será 1,5% maior, atingindo 57,2 milhões de hectares. Em 2014, a área colhida foi 56,3 milhões de hectares. Entre os três principais produtos, o maior crescimento na área a ser colhida foi a soja, 3,9% maior do que em 2014. A área a ser colhida pelos dois produtos diminuiu: a do arroz deverá ser 1,8% menor e a do milho, 1%.

Mesmo apresentando redução de 2,8% em relação à produção do ano passado, a Região Centro-Oeste concentra o maior volume de produção de cereais, leguminosas e oleaginosas, com 80,6 milhões de toneladas; seguida da Região Sul, com 75,7 milhões de toneladas; do Sudeste, com 18,8 milhões de toneladas; Nordeste, com 18,9 milhões de toneladas, e da Região Norte, com 5,5 milhões de toneladas. 

O  estado de Mato Grosso é o maior produtor de grãos, com uma participação de 23,3% do total nacional, seguido do Paraná (18,4%) e Rio Grande do Sul (16,2%), que, somados, representaram 57,9% do total nacional.

Em números absolutos, o incremento mais significativo entre as safras 2014/2015 ocorreu na produção de soja, que vai superar em 1 milhão de toneladas a safra do ano passado, atingindo 8,4 milhões.

O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola é uma pesquisa mensal de previsão e acompanhamento das safras dos principais produtos agrícolas. As informações são obtidas por meio das comissões municipais e regionais; consolidadas em nível estadual pelos grupos de Coordenação de Estatísticas Agropecuárias e posteriormente, avaliadas, em nível nacional, pela Comissão Especial de Planejamento Controle e Avaliação das Estatísticas Agropecuárias, constituída por representantes do IBGE e do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento.

A soja é um dos grandes componentes do agronegócio como fonte geradora de renda e de equilíbrio da balança comercial, aparecendo em primeiro lugar na lista de exportação dos componentes do agronegócio do país.

Sendo o Brasil um país extremamente agrícola, deve incorporar as inovações tecnológicas nas atividades voltadas para o campo. O sucesso neste processo de modernização deve-se aos investimentos públicos e privados, efetuados na melhoria contínua dos equipamentos e máquinas, e na especialização dos recursos humanos, principalmente no treinamento dos técnicos na área agrícola.

O treinamento e a formação é importante para a capacitação do profissional rural, assim,  busca-se as informações para equacionar a produção do agronegócio, poiso conhecimento é o grande desafio das organizações atualmente, transformando o agronegócio sustentável em melhoria na condição de vida do ser humano, degradando menos o meio ambiente, gerando a capacidade de diferenciar os produtos dentro do mercado e abrindo novas oportunidades para agricultores e produtores.

Para estabelecer uma relação entre o desenvolvimento sustentável e o agronegócio, discute-se exauridamente a preservação do meio ambiente, dos diversos programas de biotecnologia e recursos genéticos, gestão de recursos hídricos, conservação de solos na agricultura, florestas e agro florestas, conservação de parques e áreas de proteção ambiental.

O conceito de desenvolvimento sustentável no agronegócio está diretamente interligado às condições de vida da população, atual e futura, por isso existe a preocupação de superar a pobreza respeitando os sistemas ecológicos e sociais.

 

CONTEXTUALIZAÇÃO DO AGRONEGÓCIO

 

Historicamente, a economia brasileira teve implicações sociais, políticas e culturais com fortes raízes junto ao agronegócio. Pode-se salientar que a exploração iniciou-se com a madeira, o Pau-brasil, que deu nome definitivo ao nosso país.

O processo de colonização e crescimento do Brasil está ligado diretamente aos vários ciclos agroindustriais, como o da cana-de-açúcar, com grande desenvolvimento no Nordeste, o da borracha, que trouxe pujança à região amazônica no início do século, e mais recentemente o do café, que tornou-se a mais importante fonte de poupança interna e o principal financiador do processo de industrialização.

Na década de 30, o Brasil já era auto-suficiente na forma de produzir alimentos, devido à maior mecanização e especialização da mão-de-obra na agricultura e à necessidade de uma visão sistêmica de produção e comercialização, buscando a eficácia, de forma a favorecer a relação custo/benefício do agronegócio.

A melhoria das condições socioeconômicas da população brasileira, sobretudo com as novas tecnologias, diferenciou totalmente as propriedades rurais, principalmente nos últimos 50 anos.

Assim, a produção brasileira de grãos vem batendo sucessivos recordes graças ao incremento das produtividades médias obtidas. Não houve um aumento considerável na área plantada, porém a tecnologia aplicada ao campo levou o Brasil a ter um aumento gradual nos índices de produtividade.

 

 

Agronegócio é um conceito que se iniciou na década de 1980, e, para alguns autores, é um ponto de vista para a construção de uma ideologia de mudança do sistema latifundiarista da agricultura capitalista. No Brasil, o sentido de latifúndio traz a imagem da exploração, do trabalho escravo e braçal, da extrema concentração da terra, do atraso político e econômico. É, portanto, um espaço que pode ser ocupado para o desenvolvimento do país com tecnologia e sustentabilidade (FERNANDES, 2005).

A proposta do agronegócio é focada nos fornecedores de bens e serviços para a agricultura, os produtores rurais, os processadores, os transformadores e distribuidores e todos os envolvidos na geração e fluxo dos produtos de origem agrícola até o consumidor final. A idéia é que estes produtos possam ser apresentados ao agricultor de forma massificada, podendo ser em feiras ou stands (EMBRAPA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Projeto de implantação do desenvolvimento sustentável no plano plurianual 2000 a 2003).

Outra característica do agronegócio é que ele proporcionará, a curto e médio prazo, grandes resultados, devido à troca de conhecimentos e teorias. Um evento desta natureza tem a intenção de juntar a prática secular com o estado da arte da agropecuária.

Os órgãos públicos federais, estaduais e municipais têm a sua participação, questionando e sendo questionados, com o efetivo suporte dos futuros técnicos do agronegócio.

De acordo com Rufino(1999)

 

O agronegócio se refere a produtos rurais com alta tecnologia que se utilizam das técnicas de produção intensiva, como a mecanização da terra e o uso de fertilizantes aumentando consideravelmente a produtividade.

 

Por outro lado, os produtores que não utilizam estas técnicas modernas de produção obtêm uma baixa produtividade, porém, o resultado esperado é a produção em massa de produtos e serviços e a conseqüente diminuição de seu preço ao consumidor final.

Contudo, não se deve pensar que o agronegócio é algo apenas para os grandes produtores rurais. Deve haver a participação dos agricultores altamente competitivos até os agricultores familiares. A principal diferença está na escala de produção, e os pequenos só sobreviverão caso participem ativamente do processo de cooperação entre diversos atores que formam a cadeia produtiva, principalmente entre os próprios agricultores familiares.

É importante destacar que só resistirão os agricultores, pecuaristas e agroindustriais que se adequarem às novas exigências do mercado, o que significa incorporarem inovações tecnológicas e conhecimentos que os tornem mais competitivos. Desta forma, destaca-se a importância dos investimentos em Ciência & Tecnologia.

            A agricultura, ou o setor primário, que antes não dependia de outros setores, na visão do agronegócio passa a depender de muitos serviços, máquinas e insumos. Portanto, destacamos a pós-produção, quando se necessitam de armazéns, mercado atacadista, mercado varejista, exportação e toda a infra-estrutura, tais como estradas, portos, etc.

De acordo com ARAÚJO,( 2005).

 

 O agronegócio passa a ser encarado como um sistema de elos, abrangendo itens como pesquisa, insumos, tecnologia de produção, transporte, processamento, distribuição e preço. Com relações intersetoriais a montante e a jusante à unidade produtiva agrícola, formando o sistema do agribusiness ou agronegócio

 

Os negócios agropecuários propriamente ditos (ou de "dentro da porteira") que representam os produtores rurais, sejam eles pequenos, médios ou grandes, constituídos na forma de pessoas físicas (fazendeiros ou camponeses) ou de pessoas jurídicas (empresas).

De acordo com Plano Plurianual PPA 2012-2015 - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA temos os seguintes objetivos: Incentivar o desenvolvimento da agricultura orgânica e de outros sistemas sustentáveis, de forma a agregar valores ambientais, sociais e econômicos aos sistemas produtivos, melhorando a sua eficiência, a qualidade e competitividade dos produtos e a equidade na distribuição dos benefícios e renda. Unidade responsável: Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo – SDC / MAPA

Metas:

1. Implantar a Comissão Nacional da Produção Orgânica e garantir o funcionamento das Comissões da Produção Orgânica nas Unidades da Federação (regionalizada).

2. Elaborar ou atualizar 45 regulamentos técnicos para produção orgânica.. (regionalizada)

3. Tornar acessível 250 tecnologias apropriadas aos sistemas orgânicos de produção para os produtores rurais. (Regionalizada)

4. Consolidar a formação de 800 bancos comunitários de sementes e/ou mudas com ênfase em variedades crioulas, espécies florestais nativas e aquelas utilizadas como adubos verdes (regionalizada)

5. Ampliar de 26 para 90 o número de núcleos de estudos em agroecologia na rede federal de educação científica e tecnológica (regio0nalizada).

6. Ampliar de 8.000 para 28.000 o número de unidades de produção adotando sistemas orgânicos de produção sob controle oficial.

 7. Capacitar 40.000 produtores e 20.000 técnicos do setor em tecnologias apropriadas aos sistemas orgânicos e/ou mecanismos de controle da qualidade orgânica.

8. Instituir a Política Nacional de Agricultura Orgânica.

 9. Publicar 15 normas técnicas específicas de produção integrada agropecuária e 3 manuais bem estar animal.

10. Capacitar 8.000 técnicos e produtores em bem-estar animal, 40.000 em produção integrada agropecuária e 80.000 em qualidade e segurança do leite e da carne. 14

11. Implantar 100 unidades comparativas entre produção integrada agropecuária (regionalizada)

12. Elaborar Projeto de Lei (PL) sobre Produção Agropecuária Sustentável.

 

Estratégias em agronegócio

 

As novas ordens estabelecidas (paradigmas da administração do final do século XX) remetem ao uso do pensamento estratégico, voltado à gestão deresultados, o que conduz as empresas à inovação e aprendizagens contínuas, suportados pelo uso da informação aplicada de forma estratégica nas cadeias de agronegócios.    

Importante destacar que as cadeias de agronegócios são os contratos que precedem a unidade de produção, permitindo a transferência dos produtos até o consumidor final. São fatores ligados as estratégias para captam as informações de forma a interagir e atender as necessidades do consumidor.

Na década de 90, observou-se a tendência de abertura comercial do país. Houve uma mudança nas estratégias empresariais, principalmente no setor de agronegócios, tanto nas empresas nacionais como as multinacionais, que ampliaram sua participação no mercado nacional e internacional.

Nos últimos anos, o agronegócio mantem os importadores tradicionais, e ganhou novos mercados e ampliou os itens de sua pauta de exportação. Atualmente os produtos agropecuários brasileiros chegam a mais de 220 países, melhorado o perfil das exportações brasileiras.

Dentro das estratégias de mercado buscou-se o aumento da produtividade e a melhoria da qualidade dos produtos, incorporando a inovação tecnológica.

Segundo BELLAVER, 2006, ”as empresas buscaram dentro das estratégias de mercado a otimização da eficiência empresarial”.

 

           

Ao longo de toda a cadeia produtiva do mercado consumidor até o produtor, as características e qualidade dos produtos devem resultar em soluções cooperativas entre os diversos agentes econômicos, assim incentivando os ganhos de competitividade, e melhorando o desempenho e o crescimento econômico.

 

 

Planejamento baseado em informações locais e globais

 

O desempenho das propriedades agrícolas, tradicionalmente, baseia-se no método contábil associando-se a questão técnica à econômica. Por ser um processo lento, cansativo e complexo torna-se inútil sua utilização em grandes empreendimentos, para subsidiar a pesquisa e principalmente programas de formação de agricultores.

Para Lima et al. (1995), “na atividade agrícola recomenda-se a realização de um diagnóstico, pois sua análise é muito mais ágil, sendo o método de observação a enquête”

. Este método inicia com a coleta de dados e de informações, que pode ocorrer por meio de entrevistas conduzidas por técnicos junto ao agricultor, valorizando os valores locais e regionais em detrimento aos globais.

Alguns aspectos passam a ter destaque no planejamento (LIMA ET AL., 1995):

a)  A identificação e inserção da unidade produtora no meio físico e socioeconômico, que podem ser realizadas avaliando os agentes externos à atividade que influenciam no seu desenvolvimento, como por exemplo, o mercado consumidor, acesso ao mundo externo e programas públicos de desenvolvimento regional;

b)  Meio agroecológico, que atualmente está sendo cada dia mais valorizado, onde não só as questões econômicas das atividades são levadas em conta, mas também o seu impacto ao ambiente, como solo, água, ar, plantas e animais nativos;

c)  A estrutura da unidade produtora, que é constituída por terra, mão-de-obra, instalações, máquinas, equipamentos e animais (de tração, matrizes, de engorda), que devem ser bem discriminados, quantitativa e qualitativamente;

d)  As atividades dependem das decisões a serem realizadas em comum acordo com o proprietário e o administrador seguindo os passos do P-O-D-C;

e)  Os aspectos econômicos e financeiros passam a ter maior peso quanto maior for a produção do excedente, e devem ser acompanhados desde um caderno com receitas e despesas, até um fluxo de caixa com balanço.

 

 

 Início da produção de soja no Brasil

           

A cultura de soja no Brasil é um fenômeno comparado a cultura da cana de açúcar e do café na época do Brasil Colônia, Império e República, porém gerando benefícios a toda a cadeia produtiva do agronegócio.           

No ano de 1882 a soja foi introduzida no Brasil, sendo o responsável direto pelos primeiros estudos o professor Gustavo Dutra, da Escola de Agronomia da Bahia. Por volta de 1992, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), no Estado de São Paulo, iniciou uma série de estudos sobre a cultura.

Nesta época a soja era usada como forrageira e na rotação das culturas, onde os grãos colhidos destinavam-seà alimentação dos animais, não sendo ainda utilizado pelas indústrias oleaginosas. Segundo Bonato (1987), registra-se que a cultura de soja teve inicio no ano de 1914, no município de Santa Rosa, Rio Grande do Sul, onde a cultura encontrou condições ideais para o seu desenvolvimento.

De acordo com Bonato (1987), somente a partir dos anos 40 que a cultura de soja adquiriu importância econômica, aparecendo os primeiros registros sobre a cultura de soja na estatística nacional em 1941, o Anuário Agrícola do Rio Grande do Sul informa que a área cultivada foi de 640 ha, com produção de 450 toneladas e rendimento de 700 kg/ha. No inicio da década de 40 instalou-se a primeira indústria processadora de soja do Brasil, também na cidade de Santa Rosa no estado do Rio Grande do Sul.

Ainda de acordo com Bonato (1987), a cultura da soja encontrou condições ideais para o seu desenvolvimento, devido a similaridade das condições climáticas da região Sul do Brasil com as condições climáticas dos Estados Unidos, de onde vieram as primeiras sementes da soja.    

No ano de 1960, o governo brasileiro passou a subsidiar a produção do trigo, buscando auto-suficiência do país nesta cultura. Porém, nesta mesma década, a soja se estabelece definitivamente como cultura no país, onde os estados da Região Sul eram os principais produtores, sendo o trigo plantado no inverno e soja no verão, com alta produtividade e novas tecnologias.

 

Apesar do significativo crescimento da produção no correr dos anos 60, foi na década seguinte que a soja consolidou-se como a principal cultura do agronegócio brasileiro, passando de 1,5 milhões de toneladas (1970) para mais de 15 milhões de toneladas (1979). Esse crescimento deveu-se, não apenas ao aumento da área cultivada (1,3 para 8,8 milhões de hectares), mas, também, ao expressivo incremento da produtividade (1,14 para 1,73t/ha), graças às novas tecnologias disponibilizadas aos produtores pela pesquisa brasileira. Mais de 80% do volume produzido na época ainda se concentrava nos três estados da Região Sul do Brasil. (Fonte www.cisoja.com.br)

 

Soja no mundo em números ( Safra 2014/2015)

Produção: 317,253 milhões de toneladas

Área plantada: 118,135 milhões de hectares

Fonte: USDA

 

Soja nos EUA (maior produtor mundial do grão)

Produção: 108,014 milhões de toneladas

Área plantada: 33,614 milhões de hectares

Produtividade: 3.213 kg/ha

Fonte: USDA

 

Soja no Brasil (segundo maior produtor mundial do grão)

Produção: 95,070 milhões de toneladas

Área plantada: 31,573 milhões de hectares

Produtividade: 3.011 kg/ha

Fonte: CONAB

 

Mato Grosso (maior produtor brasileiro de soja)

Produção: 27,868 milhões de toneladas

Área plantada: 8,805 milhões de hectares

Produtividade: 3.165 kg/ha

 

 

  Soja Convencional


               No plantio de soja convencional a preparação do solo não é importante, podendo ser no sistema plantio direto, que visa oferecer condições para o desenvolvimento da cultura, conforme salienta SFREDO et al (1999):

 

Visando à nutrição da planta, faz uso de adubos químicos altamente solúveis, utiliza produtos químicos para o controle de pragas e doenças, como inseticidas, fungicidas e nematicidas, utiliza herbicidas para o controle de ervas daninhas. O sistema convencional apresenta a possibilidade de contaminação das águas por agroquímicos e não exige certificação. SFREDO etal. (1999).

           

Destaque-se que o preparo do solo é condição básica para revolver a terra e destruir os torrões por meio de aração ou duas gradeações, possibilitando a plantação e uma rápida e uniforme germinação da semente e também o desenvolvimento das raízes devido a umidade e os nutrientes, controle das ervas daninhas e uniformidade do terreno plantado, possibilitando assim a otimização da colheita pelas máquinas agrícolas.

Ainda segundo Sfredoet al. 1999, alguns agricultores tem por costume nivelar o solo utilizando a grade niveladora ou um tabuão de madeira preso à grade comum, para eliminar ondulações da superfície, aumentando assim a eficiência da semeadura, bem como de outras máquinas e implementos empregados. 

A colheita da soja é feita após a queda das folhas, com haste e vagens bem secas, com umidade próximo de 14% nos grãos, entretanto quando a produção é efetuada para produção de sementes, os grãos são colhidos com um pouco mais de umidade.

 

  Soja orgânica

 

A plantação de soja orgânica é o equilíbrio da produção agrícola na forma de manejar o solo e os recursos naturais, como plantas, animais, insetos e água, preservando a harmonia da natureza com o meio ambiente e incentivando o consumo de produto saudáveis.         

A Instrução Normativa nº 7, de 17 de maio de 1999, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, estabelece a seguinte definição para produto orgânico:

                     

Produto orgânico é aquele em que se adotam tecnologias que otimizem o uso de recursos naturais e socioeconômicos, respeitando a integridade cultural e tendo por objetivo a auto-sustentação no tempo e no espaço, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energias não renováveis e a eliminação do emprego de agrotóxicos e outros insumos artificiais tóxicos, organismos geneticamente modificados - OGM/transgênicos ou radiações ionizantes em qualquer fase do processo de produção, armazenamento e de consumo, e, entre estes, privilegiando a preservação da saúde ambiental e humana, assegurando a transparência em todos os estágios da produção e da transformação.

 

A soja orgânica tem o custo de produção mais elevado se comparada à soja convencional ou a transgênica. Este produto atualmente agrega um valor de 50% na sua comercialização, e sua produção cresce ano a ano.

A produção é praticamente toda exportada para a Europa e Estados Unidos, gerando bons resultados para os agricultores. A soja orgânica não é um produto de commodity, e não é comercializada nas normas da Bolsa de Chicago.    

Os principais produtores da soja orgânica são dos estados do Paraná, Rio grande do Sul, São Paulo e Goiás, sendo produzida por pequenos agricultores, porém este setor esta em expansão progressiva por ser altamente atrativo e alternativo.

Importante destacar que o produto para se orgânico deve ter um selo de garantia, emitido por uma empresa certificadora. As principais certificadoras no Brasil são Instituto Biodinâmico, a Associação de Agricultura Orgânica e o Ecocert.

 

  Soja Transgênica

 

A soja transgênica ou organismo geneticamente modificado foi obtida a partir de vários estudos até o seu completo desenvolvimento.Atualmente, está no mercado disponibilizada para o plantio, sendo uma planta mais resistente a pragas, doenças e com mais teor de proteína.

Essa resistência foi alcançada pela introdução de um gene que é extremamente resistente ao glifosato, obtido de um espécie de bactéria comum no solo de todo o mundo, Agrobacteriumsp., e implantado no genoma da soja, segundo SFREDO et al (1999):

 

O herbicida mata a planta por inibir a síntese de vários compostos importantes à planta. Essa bactéria possui um gene capaz de resistir ao fungicida e foi esse gene que foi inserido na soja. Assim, o agricultor pode utilizar o glifosato para a capina química sem risco de que as plantas de soja sejam eliminadas junto às daninhas. (SFREDO et al 1999).

 

As ervas daninhas competem por nutrientes e luz com a soja, sendo necessária a eliminação desta praga. Existe relato de agricultores que já estão plantando e que o uso do herbicida proporciona uma economia de R$ 200,00 por hectare (segundo relato de agricultores da região dos Campos Gerais do Paraná, que preferem manter-se no anonimato).

Os Estados Unidos foi o primeiro país do mundo a plantar a soja transgênica, em 1996. Já no ano seguinte a Argentina teve inserido no seu contexto agrícola esta cultura. Em 1998, os agricultores brasileiros iniciaram o plantio clandestino da soja transgênica ou geneticamente modificada, atualmente existem vários processos judiciais e uma série de resoluções por parte o governo brasileiro.  

Em 24 de março de 2005 o Governo Brasileiro editou a Lei nº 11.105 (conhecida como “nova Lei da Biossegurança”), tornando inconstitucional a plantação de soja transgênica no Brasil, porém a Lei ainda não foi regulamentada pelo congresso brasileiro, a lei estabelece como segue:

 

Art. 1o Esta Lei estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização sobre a construção, o cultivo, a produção, a manipulação, o transporte, a transferência, a importação, a exportação, o armazenamento, a pesquisa, a comercialização, o consumo, a liberação no meio ambiente e o descarte de organismos geneticamente modificados – OGM e seus derivados, tendo como diretrizes o estímulo ao avanço científico na área de biossegurança e biotecnologia, a proteção à vida e à saúde humana, animal e vegetal, e a observância do princípio da precaução para a proteção do meio ambiente. Lei nº 11.105 - Biossegurança

 

Saliente-se que na verdade não existe uma legislação em vigor que autoriza ou proíbe a plantação de soja transgênica dentro do território brasileiro, sendo que até o momento não há regulamentação.

 

 

 

 

 

 

 

 

Desenvolvimento sustentável e conceitos de sustentabilidade

 

Desde os tempos mais remotos até meados do século XVIII, quando surgiram as primeiras indústrias na Europa, não existia a preocupação com as questões ambientais.

Segundo Andrade (2000), as preocupações com o futuro da humanidade, com vista na expansão populacional, a limitação dos recursos naturais e a insegurança alimentar já existiam desde os tempos mais remotos, mas começaram a ser equacionados no início da década de 70, quando iniciou-se o debate envolvendo os limites do desenvolvimento sustentável.

O desenvolvimento sustentável é a inter-relação do homem ao meio ambiente, segundo MADRUGA et al. (2006):

 

Em síntese, estes elementos implicam na necessidade de reintegração de todas as manifestações do homem e da natureza nas suas várias dimensões em termos de tempo e espaço. Assim, o entendimento sobre o “homem” quanto a sua própria sustentabilidade ao longo do tempo, deve estar inter-relacionado ao “meio” ambiente como um todo, a partir de um entendimento sobre a interconexão e a interdependência dos fatores ecológicos, sociais e econômicos. Eles orientam para a racionalidade na distribuição dos recursos entre as gerações, ou seja, recriminam o exagero no suprimento das necessidades da sociedade atual em detrimento da disponibilidade futura. Além disso, atentam para a precaução e a manutenção das atividades, ponderando as influências em maior abrangência possível, de forma a assegurar a saúde e a qualidade de vida de todas as gerações, evitando a possibilidade de incertezas quanto aos danos irreversíveis para o ecossistema (MADRUGA et al, 2006).

 

De acordo com Kraemer (2006), as questões ambientais assumem importância fundamental nos problemas globais, tais como: crescimento da população, quantidade de água potável, resíduos tóxicos e radioativos, diminuição da biodiversidade, esgotamento de recursos energéticos, mudanças climáticas, aquecimento global, erosão dos solos, desastres naturais, etc.

A sustentabilidade do agronegócio brasileiro só será alcançada a partir do momento em que as empresas assumirem as novas regras do tripé desta auto-suficiência, que são econômico, social e ambiental.

Para muitos autores, tais como Andrade (2000), Araújo (2005) e Madruga et al. (2006), o conceito de sustentabilidade é um modelo de desenvolvimento econômico desequilibrado para a construção dos diversos subsistemas existentes, a exemplo dos sociais, econômicos, culturais e ambientais, pois é baseado amplamente nos aspectos econômicos e de produção (capitalista). Assim, os fatos exigem uma mudança drástica no sentido de uma profunda análise, passando de uma visão extremamente econômica, para uma visão múltipla que privilegie o social e ambiental.

Outro fator que deve ser observado para a excelência na sustentabilidade é a necessidade de se avançar em ações no combate à poluição, um dos responsáveis pela queda da posição brasileira no ranking do Índice de Competitividade.

Para a Agenda 21 (1996), o conceito da sustentabilidade surge com a necessidade de desenvolver atividades de longo prazo, se auto-mantendo, abastecendo o presente e visando a conservação e preservação dos recursos naturais para as gerações futuras.

O agronegócio se encaixa perfeitamente neste cenário, pois trata-se de uma atividade tão ampla que, ao mesmo tempo em que é essencial à sociedade e à economia, demonstra  também que o setor deve ser tratado de maneira a dar continuidade no processo.

Dentro da economia de mercado, o agronegócio no Brasil tem enorme potencial de crescimento pelos próximos anos, desde que a produção seja fundamentada na preservação e conservação dos recursos hídricos e do solo.

Destaca-se que as atividades de manejo, conservação e preservação florestal vinculam-se ao potencial de desenvolvimento do segmento de turismo histórico ou ecológico, que pode vir a ser explorado nos espaços definidos como reservas florestais ou parques de preservação ambiental no Brasil.

Para o desenvolvimento sustentável alguns fatores são importantes para a manutenção da vida na terra, e devem ser considerados de forma integrada e dinâmica. Salientamos que o desenvolvimento sustentável, segundo a AGENDA 21 (1996), é a integração e o fator básico para viabilizar os programas no meio rural.

O Ministério do Meio Ambiente (1997) estabelece políticas voltadas para desenvolver programas centrados à realidade brasileira, porém existe a necessidade de focalizar a níveis regional e municipal.

De acordo com a EMBRAPA (2005), a implantação do desenvolvimento sustentável deve identificar e avaliar a melhoria contínua do processo de gestão de projetos de PD&I, por meio de programas voltados para esta área.

 

 

O agronegócio e o Desenvolvimento Sustentável

 

Trata-se de desenvolvimento sustentável rural, o principal fator que apresenta-se como de importância na atualidade é a agregação de valor econômico aos produtos agrícolas. A produção de alimentos orgânicos (biodinâmicos ou ecológicos) representa uma forma efetiva de valorizar os produtos do meio rural, porque tem como base a saúde da população.

Segundo Zylbersztajn (2000), a agricultura orgânica é uma forma sustentável de produção, pois promove e estimula a biodiversidade, os ciclos biológicos e a atividade biológica do solo,baseia-se no uso mínimo de insumos externos e em métodos que recuperam, mantêm e promovem a harmonia ecológica.

Alguns princípios devem nortear o agronegócio quanto à sustentabilidade:

a) Conservação dos recursos naturais – a produção agropecuária deve ser obtida com o uso racional de recursos naturais e com a conservação da biodiversidade;

b) Qualidade ambiental – as atividades no espaço rural devem ser planejadas e executadas de forma a garantir a qualidade e promover a recuperação ambiental;

c) Sustentabilidade – a exploração e o uso do espaço rural pelas atividades agrícolas devem ser feitos respeitando as potencialidades ecológicas, a viabilidade econômica, a inclusão e eqüidade social.

 

 

Linhas de atuação executadas pelo governo federal

 

As diretrizes básicas para o desenvolvimento sustentável de atividades econômicas nas regiões produtoras são ditadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA, que é responsável por integrar as ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação dentro das políticas públicas executadas pelo Governo Federal. Algumas linhas de pesquisa desenvolvidas são:

a) Ordenamento, Monitoramento e Gestão em Territórios – suporte às políticas públicas de ordenamento territorial e aos projetos de gestão territorial e de gestão de recursos hídricos;

b) Manejo, Valorização e Valoração da Floresta – conservação dos recursos florestais nativos, manejo florestal madeireiro e não madeireiro, cadeia de produção florestal, criação de indicadores e valoração de serviços ambientais, visando apoiar a implementação da nova Política Florestal Brasileira. Ações voltadas à redução das mudanças globais, incluindo geração de tecnologias para seqüestro de carbono e desmatamento evitado, manejo de várzeas e criação de indicadores para validar cientificamente o conceito de “produtores de água” e apoiar a implementação da nova Política Nacional de Recursos Hídricos;

c) Produção Agropecuária e Florestal Sustentável – geração de tecnologias para produção agropecuária e florestal sustentável em áreas alteradas, recuperação de áreas degradadas, áreas legalmente destinadas para atividades produtivas e cadeias de produção associadas.

 

 

As organizações e o desenvolvimento sustentável

 

Para Bialoskorski Neto (2001), o direcionamento das organizações para um modelo gerencial sustentável depende da interação permanente com outras entidades. Neste caso, inclui as estratégias e valores como peças fundamentais para auxiliar os sistemas na criação de mecanismos voltados para a integração eficiente, ou seja, a união de esforços de todos os agentes envolvidos na organização em busca de um objetivo comum, neste caso a sustentabilidade.

Para Carrion (2005), existem diversas dificuldades neste processo. Os objetivos organizacionais que acabam sendo definidos devem atender aos interesses dos vários stakeholders (proprietários/acionistas, membros do conselho de administração, administradores, funcionários, fornecedores, credores, distribuidores e clientes).

Como cada stakeholder possui uma expectativa diferente em relação à organização, restaaos gestores a difícil tarefa de conciliar e satisfazer cada um deles, e ao mesmo tempo perseguir o seu próprio conjunto de objetivos, de modo a garantir a permanência de todos os agentes.

Apesar destes interesses, as organizações são completamente dependentes do meio ambiente e enfatizam a necessidade de divisão igualitária na priorização de interesses (ALMEIDA, 2002). Coelho et al. (2002) criticam o envolvimento exagerado da alta administração organizacional voltada para os seus próprios valores e desejos, ignorando freqüentemente os demais stakeholders, a exemplo dos colaboradores tratados freqüentemente como variáveis controláveis pela gerência tradicional.

Coelho et al. (2002) alertam, inclusive, que não somente as satisfações dos interesses devem ser foco de atenção dos administradores, mas chamam a atenção para os riscos que as organizações vêm impondo aos seus diversos stakeholders, além da distribuição destes riscos ao longo de diferentes setores da sociedade. Aumentar a produtividade, os lucros e os empregos, por exemplo, não são suficientes no gerenciamento dos objetivos de uma organização.

As organizações devem incorporar nos seus planos gerenciais as chamadas variáveis de risco, como a produção de resíduos, a poluição, a limitação de recursos naturais, o uso de tecnologias perigosas, a segurança dos colaboradores e da sociedade em geral.

Portanto, para Sales et al.(2002) é plausível que o ambiente organizacional seja visto como uma biosfera econômica, o que incluiria não só o viés econômico, mas o social, o tecnológico, o político, o biológico, o geológico e o atmosférico. Em termos de produção e consumo, a organização deveria considerar a emissão potencial de riscos, não apenas os riscos financeiros e econômicos, mas também os riscos ambientais, provenientes da adoção de certas tecnologias.

Padrões insustentáveis de consumo não deveriam ser estimulados. Tudo isso só é possível, porém, se houver o abandono de valores antropocêntricos, que dão indiretamente ao homem o direito de explorar a natureza sem preocupar-se com a manutenção da integridade da mesma, a menos que a preservação atenda aos seus próprios interesses.

Estas questões só passaram a ser tratadas no âmbito dos agronegócios por volta das décadas de 50 e 60, nos Estados Unidos e na Europa, sugerindo a busca da integração sistêmica entre diferentes níveis, ou seja, entre a exploração dos recursos naturais, o desenvolvimento tecnológico e a mudança social (ALMEIDA, 2002).

Este movimento ocorreu em função dos riscos impostos pela agricultura, principalmente em países subdesenvolvidos, visto que os mecanismos tecnológicos orientados para incremento da produção geralmente são acompanhados de sérios riscos ambientais.

Para Fernandes (2005), tanto a atividade agropecuária quanto a atividade agroindustrial estão sujeitas a diversos fatores de risco. O autor divide os riscos que englobam os agronegócios em quatro grupos: de produção, operacionais, financeiros e de mercado.

Logo, é possível supor que os agentes envolvidos nos agronegócios necessitam ter uma atitude positiva diante destes fatores, pois estão inseridos em uma atividade cujo risco, que é inerente a todas as atividades produtivas, assuma proporções ainda maiores se comparadas a outros segmentos. Isso devido ao fato de que no agronegócio, além das influências das forças competitivas, os produtores estão submetidos ao ciclo vital de plantas e animais, e aos riscos relacionados às variáveis climáticas e biológicas, como excesso de chuva e pragas.

Segundo Almeida (2002), a habilidade de um agroecossistema em manter a produção ao longo do tempo, diante desses distúrbios ecológicos e de pressões socioeconômicas, é determinada a partir da sua condição em sobreviver às forças de stress, como a erosão, salinização e preços declinantes, e de choque, ou seja, pestes, secas, inundações, etc.

 

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Atualmente as perspectivas do agronegócio brasileiro são promissoras, pois o Brasil detém terras abundantes, planas, dispondo de produtores rurais experientes e capazes de transformar essas potencialidades em produtos comercializáveis, e que detém conhecimentos e tecnologias nas áreas de pecuária e da agricultura, transformadoras de recursos em produtos.

O agronegócio é importantíssimo na geração de renda, fomentando a riqueza do País. Saliente-se que participação da agricultura e da pecuária na economia tem uma elevada participação direta no valor significativo no PIB.

Em relação aos objetivos propostos, todos foram atingidos. O primeiro objetivo específico, “Explicitar a importância da administração rural no agronegócio”, foi alcançado a partir da extensa revisão da literatura por meio de consulta em livros, jornais, revistas, periódicos, boletins técnicos, trabalho acadêmicos e sites na Internet, consolidando-se uma base conceitual para o início dos trabalhos.

Destaca-se também o cooperativismo como alavanca para atuar neste mercado competitivo, devido às várias características de mercado, um cooperativismo atuando com a ajuda dos profissionais administradores rurais, sendo propulsor para a competitividade em um mercado globalizado e cada vez mais acirrado.

Com um planejamento bem feito, o agronegócio tende a ser rentável em um mercado especialista, e cada vez mais competitivo, servindo de base para o desdobramento por área e visão de resultados.

Ressalte-se que algumas contribuições são percebidas, no que diz respeito à ”tecnologia como fator chave para a gestão das propriedades rurais”. Considerando a globalização como ponto importante, qualquer ganho em produtividade traduz-se imediatamente em fator diferencial para ganhar novos mercados, promovendo a inserção de novos produtos. As melhorias tecnológicas trazem o diferencial de custo que representa ganho de competitividade.

Conclui-se que as inovações tecnológicas são extremamente importantes em qualquer setor produtivo. Analisando o caso específico do agronegócio, verifica-se que sem estas inovações tecnológicas não há aumento de produtividade e melhoria na competitividade.

 “Comparar o comprometimento do agronegócio com o desenvolvimento sustentável”, percebe-se que é importantíssimo no desenvolvimento sustentável do agronegócio, pois integra simultaneamentecondições de vida adequada para a população atual e futura, com a preservação do meio ambiente. Este conceito pressupõe a manutenção da produtividade agrícola e da superação da pobreza, mas com respeito aos sistemas ecológicos e sociais.

É imperativo que os produtores rurais tenham consciência desta necessidade de sustentabilidade, para que as gerações futuras possam usufruir os recursos naturais de uma maneira completa, como nós mesmos usufruímos até hoje. Este é o nosso legado para nossos filhos e netos.

Independentemente do porte da organização rural, as tendências de consumo indicam excelentes perspectivas para a produção rural. O mercado interno apresenta significativo potencial de crescimento, com as exportações mundiais tendendo a se especializar e aumentar consideravelmente, e há significativa diversidade de oportunidades agropecuárias ainda não suficientemente exploradas.

Como regra geral observa-se que o grande valor para viabilizar a propriedade rural está na qualidade gerencial. Isto significa que a administração ao efetuar as compras de insumos transforma-se em fator primordial para a produção, pois a condução dos processos de produção e comercialização dos produtos agregam valores a organização rural, e o uso das informações dos pecuaristas e agricultores nos processos de inovação e aperfeiçoamento tecnológico eleva substancialmente a produtividade da mão-de-obra rural.

A demanda pelo aumento da produtividade agrícola implicou o desenvolvimento de novas tecnologias.

Hoje, a produção agrícola é um investimento de grande rentabilidade, controlado por poderosos grupos empresariais. Passamos assim da agricultura familiar para o agronegócio.

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

 

 

 

BARRETO, Margarita. Turismo e legado cultura. Campinas: Papirus, 2000.

 

BATALHA, M. O. (Coord.). Gestão Agroindustrial. GEPAI: Grupo de Estudos e Pesquisas Agroindustriais. São Paulo: Atlas, 1997.

 

BIALOSKORSKI NETO, S. Agronegócio Cooperativo. In: BATALHA, M.O. Gestão Agroindustrial. 2. ed, São Paulo: Ed. Atlas, 2001

 

CALZAVARA, O. Planejamento da atividade agrícola na dinâmica da mudança. IN: Congresso Brasileiro de Soja, Londrina: Embrapa, 1999

 

CHIAVENATO, I. Administração: teoria, processo e prática. São Paulo: McGraw-Hill, 1985, 381p.

Ministério do Meio Ambiente. Secretaria Executiva. A caminho da Agenda 21 Brasileira: princípios e ações 1992/97. Brasília: MMA, 1997. 228p.


Ministério do Meio Ambiente. Assessoria Internacional. Implementaçãodas convenções multilaterais no Brasil. Brasília: MMA, 1997 (mimeo). 38p.
PNUD. Relatório sobre o desenvolvimento humano no Brasil. Resumo. 1996

 

MINISTÉRIO DE ESTADO DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO. Instrução Normativa nº 007, de 17 de maio de 1999.Normas para a produção de produtos orgânicos vegetais e animais.

 

OCDE-MANUAL DE OSLO. Proposta de diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação tecnológica.Finep – tradução português, 2004

 

PETROCCHI, Mario. Turismo Planejamento e Gestão – 7. ed. São Paulo: Futura, 1998.

 

REIS, D. R. Gestão da inovação tecnológica. Barueri – SP.:Mamole, 2004

 

RUFINO, José L.S. Origens e conceitos do agronegócio. Informe Agropecuário, Belo horizonte: Epamig, v.20, nº 199, Jul./Ago. 1999.

 

CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento. Balança comercial do agronegócio – Disponível em http://www.conab.gov.br/conabweb/index.php?PAG=215 – acesso às 22hs00 de 03/10/2015

 IEA – Instituto de Economia Agrícola – Portal do Governo do Estado de São Paulo, Disponível emhttp://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=7909 – acesso as 18h00s do dia 15/10/2015.

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AGENDA 21. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992: Riode Janeiro). Brasília: Senado Federal, Subsecretaria de Edições Técnicas, 1996. 585 p.

 

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http://www.projetosojabrasil.com.br/acessoem 30/11/2015

https://www.embrapa.br/soja/cultivos/soja1/dados-economicos acesso em 28/11/2015

 

 

 


LICIENI SILVA DE OLIVEIRA
MT - PRIMAVERA DO LESTE

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