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  Escarificação mecânica de sementes de Dimorphandra mollis Benth (FABACEAE) em liquidificador caseiro
06/07/2015
atualizado em: 07/07/2015

PEDRO LOBAS NETO
SP - CARAPICUIBA
Escarificação mecânica de sementes de plantas nativas.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Meio Ambiente e Biodiversidade
Gestão de Jardins Botânicos


Faculdade de ciências da saúde de São Paulo

Escarificação mecânica de sementes de Dimorphandra mollis Benth (FABACEAE) em liquidificador caseiro

Pedro Lobas Neto

Monografia Orientada por: Dra. Linda Lacerda da Silva

Resumo: Dimorphandra mollis, falso barbatimão ou faveiro é uma arvore de 8 a 14 metros de altura, as sementes  apresentam dormência do tipo impermeabilidade dos tegumentos à água. Esta dormência é quebrada por meio de escarificação mecânica com o uso de lixas de parede. Devido ao pequeno tamanho das sementes, este processo torna-se demorado. Por isso, o objetivo deste trabalho foi o de encontrar-se um método rápido e fácil de escarificação mecânica. O experimento montado consistiu nos seguintes tratamentos: Sem escarificação que chamamos de CONTROLE; escarificacão mecânica das sementes com lixa de parede número 60, que chamamos de LIXA; escarificacão mecânica das sementes em liquidificador caseiro, acrescido de 500 mL. de água destilada estéril, nos tempos de 4, 6 e 8 segundos, chamados respectivamente de L4, L6 e L8. Foram utilizadas 90 sementes em tubos de ensaio de 10 mL com areia. Após a escarificação, as sementes foram distribuídas em 2 bandejas plásticas contendo areia, seguindo o delineamento estatístico de 2 blocos ao acaso, cada um contendo 225 sementes distribuídas em 5 repetições com 45 sementes de cada tratamento, em extrato arenoso, acompanhando-se as variações médias das temperaturas máxima e mínima. As plântulas foram transferidas para o ar livre, colocadas em sacos de muda, contendo uma mistura de terra vegetal e húmus de minhoca na proporção de ½: ½. Os parâmetros avaliados foram a porcentagem de sementes trituradas, porcentagem de germinação germinação e índice de velocidade de emergência do hipocótilo. A porcentagem de sementes trituradas nos tratamentos de escarificação mecânica de sementes, em liquidificador caseiro, foi de 5% para os tratamentos de escarificação por quatro e seis segundos e 8% para o tratamento de escarificação em liquidificador por oito segundos. O tratamento de escarificação mecânica com o uso da lixa de parede foi o que obteve a maior porcentagem de germinação seguido pelos tratamentos de escarificação mecânica em liquidificador caseiro por 4 segundos (L4), seis segundos (L6) e oito segundos (L8). O tratamento controle, sem nenhum tipo de escarificação mecânica, não apresentou sementes germinadas. Os índices de velocidade de emergência do hipocótilo foram maiores para os tratamentos de escarificação mecânica em liquidificador caseiro por seis segundos (L6), seguido pelos tratamentos de escarificação mecânica por lixa de parede e escarificação mecânica em liquidificador caseiro por quatro segundos e oito segundos. No tratamento controle o índice foi zero, pois não ocorreu a germinação das sementes. O uso de liquidificador caseiro para a escarificação mecânica e quebra da dormência das sementes de Dimorphandra mollis é um método viável, rápido e prático. Palavras chaves: Escarificação mecânica, Liquidificador, Dormência, Dimorphandra mollis.

 

Abstract: Dimorphandra mollis, false barbatimão or faveiro is a tree of 8 and 14 meters of height, the seeds presents dormâncy of the type impermeability of the teguments to the water. This dormâncy is broken by means of mechanics escarification with the use of wall sandpapers. Had the small size of the seeds, this process becomes delayed. Therefore, the objective of this work was to meet a method fast e easy of mechanics escarification. The mounted experiment consisted of the following treatments: Without escarification that we call CONTROL; mechanics escarification of the seeds with wall sandpaper number 60, that we call SANDPAPER; mechanics escarification of the seeds in liquidificator caretaker, increased of 500 ml. of distilled water, in the times of 4, 6 and 8 seconds, called L4, L6 and L8 respectively. 90 seeds in pipes of assay of 10 had been used ml with sand. After the escarification, the seeds had been distributed in 2 plastic trays contend sand, following the statistical delineation of 2 blocks to perhaps, each one contend 225 seeds distributed in 5 repetitions with 45 seeds of each treatment, in arenaceous extract, being accompanied by the average variations of the temperatures maximum and minimum. Plants had been transferred to the outdoors, placed in change bags, contends a vegetal land mixture and húmus of earthworm in the ratio of ½: ½. The evaluated parameters had been the percentage of triturated seeds, percentage of germination, germination and index of speed of emergency of hipocótilo. The percentage of seeds triturated in the treatments of mechanics escarification of seeds, in liquidificator caretaker, was of 5 _ for the treatments of escarification per four and six seconds and 8 _ for the treatment of escarification in liquidificator per eight seconds. The treatment of mechanics escarification with the use of the wall sandpaper was what it got the biggest percentage of germination followed for the treatments of escarificação mechanics in liquidificator caretaker per 4 seconds (L4), six seconds (L6) and eight seconds (L8). The treatment has controlled, without no type of mechanics escarification, did not present germinated seeds. The indices of speed of emergency of hipocótilo had been bigger for the treatments of mechanics escarification in liquidificador caretaker per six seconds (L6), followed for the treatments of mechanics escarification for wall sandpaper and mechanics escarification in liquidificator caretaker per four seconds and eight seconds. In the treatment it has controlled the index was zero, therefore it did not occur the germination of the seeds. The use of liquidificator caretaker for the escarificação dormâncy mechanics and in addition of the seeds of Dimorphandra mollis is a viable method, fast practical e. Words keys: Mechanics escarification, Liquidificator, Dormâncy, Dimorphandra mollis. 

1. Introdução.

A grande maioria das sementes de árvores pertencentes à família Fabaceae, apresenta dormência devido à impermeabilidade do tegumento à água. (POPINIGIS,1977; MARGARIDO,1977). A dormência é quebrada por processos mecânicos, químicos e físicos onde os tegumentos da semente são rompidos, ocorrendo assim, a entrada de água. (IPEF 1997).

O processo mecânico de quebra de dormência das sementes, conhecido como escarificação mecânica, tem sido o método mais utilizado em viveiros de produção de mudas devido à sua praticidade e por não oferecer perigo ao manuseio (SILVA et al, 2002). Escarificação mecânica, portanto, é a abrasão das sementes sobre uma superfície áspera (lixa), utilizada para facilitar a absorção de água pela semente, pois, entre outros fatores do ambiente, a água é o fator que mais influencia no processo de germinação.

Frente à necessidade urgente da reposição da vegetação nativa ou recuperação de áreas desmatadas, a compreensão da reprodução (modo como as espécies se reproduzem na natureza) das essências nativas (espécies da flora brasileira) é de fundamental importância, para que esta recomposição florestal possa ser feita de forma racional. Dentre os vários fatores estudados, existe um em especial que atinge diretamente a produção de mudas, que é o processo de dormência das sementes. (IPEF 1997). 

Segundo Margarido (1977) foi necessário utilizar hipoclorito 20% e água para se amolecer o tegumento rígido de Dimorphandra mollis Benth (Fabaceae), para se fazer cortes histológicos.  Na semente foram encontrada substâncias que existem em todas sementes mas que quando em  maiores quantidades são indicadores de rigidez no tegumento  como é o caso da lignina.  

2. Objetivos

Melhorar a eficiência de métodos de escarificacão mecânica em sementes de Dimorphandra mollis (Fabaceae), num custo baixíssimo, visando a quebra de dormência das sementes,  com pouca ou sem perdas. 

3.  Justificativa

A escarificação mecânica de sementes, normalmente é feita com o uso de lixas de parede, escarificando-se individualmente cada semente. Todavia, este método é lento e no caso da Dimorphandra mollis, cujas sementes são pequenas, seu manuseio quando da escarificação é bastante demorado. Neste sentido, pretendese neste trabalho realizar testes para a escarificação mecânica das sementes, utilizando-se liquidificadores domésticos. SILVA et al (2002) obtiveram sucesso na escarificação mecânica de até 1640 sementes de Cassia leptophylla (FABACEAE) em liquidificador caseiro, obtendo porcentagens de germinação superiores a 50% e 0% de sementes trituradas pelo liqúidificador. Os aparelhos para escarificação mecânica são importados e geralmente são pequenos, não estando adaptados para a escarificação mecânica de um grande número de sementes. Por serem importados, estão as empresas fabricantes, impossibilitadas de participarem de licitações públicas, ficando assim, indisponíveis para viveiros de órgãos públicos.

4.  Revisão de Literatura

4.1  Dormência

A dormência de sementes é um processo caracterizado pelo atraso da germinação, quando as sementes mesmo em condições favoráveis (umidade, temperatura, luz e oxigênio) não germinam. Cerca de dois terços das espécies arbóreas, possuem alguma dormência, cujo fenômeno é comum tanto em espécies de clima temperado (regiões frias), quanto em plantas de clima tropical e subtropical (regiões quentes). O fenômeno de dormência em sementes advém de uma adaptação da espécie as condições em que ela se reproduz, podendo ser de muita ou pouca umidade, incidência direta de luz, baixa temperatura, ela é, portanto um processo utilizado pelas plantas para germinarem na estação mais propícia ao seu desenvolvimento, buscando através disto a perpetuação da espécie (garantia de que alguns indivíduos se estabeleçam) ou colonização de novas áreas. Portanto, quando nos deparamos com o fenômeno há necessidade de conhecermos como as espécies superam o estado de dormência em condições naturais, para que dele possamos buscar alternativas para uma germinação rápida e homogênea, este processo é chamado de DORMÊNCIA. O fenômeno da dormência em sementes pode ser dividido em dormência primária e dormência secundária:

Dormência primária é aquela que já se manifesta quando a semente completa seu desenvolvimento, ou seja, quando maduras, as sementes já apresentam dormência.

Dormência secundária é quando as sementes maduras, não apresentam dormência, ou seja, germinam normalmente, mas expostas a fatores ambientais desfavoráveis são induzidos ao estado de dormência. (http://www.ipef.br/tecsementes/dormencia.asp)

Segundo MOTT (1978) algumas plantas possuem como mecanismo de sobrevivência, a capacidade de adiar sua germinação até que as condições lhe sejam favoráveis. Desta forma, as sementes após atingirem uma maturidade fisiológica, passam por um período de repouso ou latência, apresentando pequena atividade metabólica, à espera de condições favoráveis para a germinação. Determinadas plantas, mesmo em condições favoráveis não germinam, mantendose em estado de repouso. Estas sementes são denominadas dormentes.

Esta dormência constitui um grande problema ao agricultor. O fenômeno da dormência não é peculiar às sementes  mas as outras partes da planta também como gemas, rizomas, bulbos, tubérculos, sendo governado por determinados fatores específicos, que ocasionam a paralisação do desenvolvimento, durante certo período de tempo, à espera de melhores condições.

A dormência é comum principalmente nas sementes das espécies de zona temperada, apesar de ser também observada nas zonas sub-tropical e tropical. Desta maneira, a necessidade de baixa temperatura apresentada pelas sementes de muitas espécies da zona temperada, garante que a germinação e o desenvolvimento da plântula somente ocorra quando as condições ambientais se tornem mais favoráveis, na primavera. Outras, como as espécies de gramíneas nativas Themeda australis (R. Br.) que se desenvolvem em regiões de savanas, necessitam que suas sementes recebam secagem, para quebra de dormência, o que é conseguido por ocasião do período de seca, que precede ao das chuvas (MOTT, 1978).

A dormência em algumas sementes é observada durante a maturação, sugerindo a presença de inibidores de germinação; em outras durante a deiscência da semente. O período de duração ou de persistência da dormência pode, dependendo da espécie, ser de dias ou milênios (TAYLORSON & HENDRICHS, 1977). As espécies de plantas cultivadas há longo tempo, apresentam, de maneira geral, pouca dormência, em contraste às domesticadas há pouco tempo ou às espécies silvestres. Isto porque o homem tem procurado, na domesticação das espécies, selecionar aquelas que apresentam menor problema de dormência. Entretanto, uma curta dormência, é desejável em certas espécies, em determinadas situações, por prevenir a germinação das sementes no campo, antes da colheita.

Em contraste, as espécies silvestres apresentam em muitos casos, sementes com longos períodos de dormência, porque estas sementes se mantêm enterradas no solo. Assim, observou-se que de 23 espécies mantidas enterradas durante 90 anos, apenas uma espécie (Verbascum blattaria L.) apresentou germinação (20%) (KIVILAAN & BANDURSHHI, 1973). Para o caso das sementes enterradas, o que mantém a viabilidade da semente parece ser os tegumentos duros e a ausência de luz (MOTT, 1978).

Além desta dormência natural, provida do período em que a semente esteve ligada à planta mãe, denominada de dormência primária, há a dormência secundária, que é induzida em sementes não dormentes, ou que já tenham perdido a dormência primária (SACCO, 1963).

Quanto aos tipos de dormência, NICOLAEVA (citado por VILLIERS, 1972) sugeriu uma classificação detalhada, com quatro classes de dormência devido: l) as propriedades da cobertura envolvente do embrião; II) a imaturidade do embrião; III) a condição fisiológica do embrião; IV) a combinação dos tipos; havendo ainda uma subdivisão dentro das classes. Uma classificação mais simples e generalizada foi a apresentada por CROCKER, em 1916, que descreveu a dormência como resultante: a) da imaturidade do embrião; b) da impermeabilidade do tegumento à água; c) da resistência mecânica do tegumento ao crescimento do embrião; d) da baixa permeabilidade do tegumento aos gases; e) de um bloqueio metabólico no embrião (necessidade de luz e pré-esfriamento; f) da combinação de dois ou mais tipos dos anteriores; g) dormência secundária.

Um dos mecanismos de dormência mais conhecidos entre as espécies cultivadas é o da impermeabilidade do tegumento à água, dando origem às chamadas sementes duras. Esta característica de impermeabilidade é mais comum em espécies da família Fabaceae (Leguminosas), bem como em algumas espécies das famílias Cannaceae, Chenopodiaceae, Convallariaceae, Convolvulaceae, Geraniaceae, Malvaceae, Solanaceae, Anacardiaceae e Rhamnaceae (ROLSTON, 1978). A impermeabilidade do tegumento à água é devida à testa, pois com a ruptura desta camada, segue-se uma rápida absorção da água, iniciando a germinação. Dentro de um lote de sementes, observa-se que há uma variação no grau de impermeabilidade à água, havendo uma certa quantidade de sementes que absorvem água e outras que se mantém sem absorver, por um período de tempo variável.

A estrutura da testa, que em muitos casos não permite a absorção à água, parece ser uma camada de células paliçádicas macroesclerídeos, que, apresentam-se com as paredes celulares da face externa, particularmente, espessas, apresentando uma camada de cera. 

A impermeabilidade pode ser causada ainda pela deposição de várias substâncias impermeáveis à água na testa, no pericarpo ou na membrana nuclear. Em muitas sementes de leguminosas bem como de outras espécies que apresentam sementes duras, ocorrem deposição de suberina, lignina, cutina, tanino, pectina e derivados de quinona.

As diferentes estruturas do tegumento controlam a absorção de água. Desta maneira, o hilo age como uma válvula higroscópia que impede a absorção de água, mas permite que a perda de água em umidade relativa baixa, em algumas espécies; enquanto o estrofíolo em algumas espécies da família Papilionoideae, bem como a região da chalaza em Pisum e Gossypium, são considerados locais de fácil entrada de água (ROLSTON, 1978).

Esta característica de impermeabilidade à água, apresentada pelo tegumento, é governada geneticamente, sendo que relativamente poucos genes parecem estar relacionados a esta herança de sementes duras. DONNELLY et all (1972), constataram que em Vicia, a herança era governada por dois genes. LEE (1975) observou que um simples par alélico explicava a expressão da impermeabilidade em uma linhagem experimental, com evidências para um segundo par alélico de menor efeito.

Foram utilizados vários tratamentos para induzir a germinação das sementes, tendo-se utilizado produtos químicos, tais como: ácido sulfúrico, solventes (álcool, acetona, éter de petróleo); altas pressões (500 a 2000 atm); escarificação mecânica (BIANCHETTI, 1989; BONNER,1989; POPINIGIS,1977); baixas temperaturas (ar líquido, -190°C; hidrogênio líquido, -185°C); calor, tanto água quente, como secagem; radiação gasplasma e ultra frequência (microondas 2450 MHz) (ROLSTON, 1978).

A escarificação mecânica normalmente é feita realizando-se pequeno corte no tegumento da semente ou lixando-se determinado ponto da semente com lixa de parede. Eventualmente, em laboratório de análises de sementes, a escarificação mecânica é feita utilizando-se escarificadores importados, escarificando-se uma pequena quantidade de sementes para realização de testes de germinação (SILVA et al, 2002). O uso de liquidificador para o beneficiamento de semente foi feito por CAMPOS (1982) apud NOVAES & CÂNDIDO (1992), que avaliou três métodos de extração de frutos de Muntingia calabura L ., entre os quais o método por diluição, usando um liquidificador, apresentou o maior número de sementes germinadas. NOVAES & CÂNDIDO (1992) utilizaram o liquidificador para despolpar os frutos do alfeneiro (Ligustrum japonicium Thunb.) obtendo os melhores resultados de germinação e vigor no tempo de 60 segundos e relação volumétrica de 4 partes de água para uma parte de frutos. SILVA et al (2002) fizeram uso do liquidificador caseiro para escarificar mecanicamente as sementes de Cassia leptophylla obtendo porcentagens de germinação superiores a 50% nos tratamentos, não tendo sido observada morte por trituração das sementes. As plântulas oriundas dos tratamentos de escarificação mecânica em liquidificador não apresentaram deformações. 

4.2 Características botânicas, distribuição, importância econômica e sinônima botânica de Dimorphandra mollis. 

Dimorphandra mollis, falso barbatimão ou faveiro, pertence à família Fabaceae. É uma árvore de 8 a 14 metros de altura, seu tronco tem de 30 a 50 cm de diâmetro, folhas bipinadas compostas com 6 a 19 folíolos, com 2-3 cm cada , flores sésseis,  dispostas em espigas de cor ferrugínea, florescem no final de outubro até janeiro . A emergência é de 10 a 30 dias, apresenta 3700 sementes por kg, vagem de 15cm, achatada com mesocarpo farináceo adocicado, mas de sabor desagradável (LORENZI 2002). As dimensões da semente em média são de 12,1± 0,4 (mm) de comprimento, 5,7 ± 0,4 (mm) de largura e peso fresco de 0,22 g (SIVERO MAYWORM 1994).

A semente madura de Dimorphandra mollis possui forma oblonga e é lateralmente comprida. O hilo localiza-se na borda da semente e na extremidade distal oposta, localiza-se a chalaza. O bordo seminal é percorrido ao longo da linha rafe-antirafe por dois finos sulcos que constituem o pleurograma (MARGARIDO 1977). Ecologicamente Dimorphandra mollis é uma planta heliófila, pioneira, seletiva, xerófita de cerrado e campo. È encontrada em SP,MG,MS,GO e MG ( LORENZI 2002). 

A madeira é utilizada na produção de caixas, tábuas, forros, móveis, brinquedos e carvão vegetal, madeira essa de peso moderado e média resistência (LORENZI, 2002).

A extração de flavonóides glicosilados, principalmente da rutina dos frutos prematuros é destinada à indústria farmacêutica. A rutina tem ação vitamínica porque possui a capacidade de normalizar a resistência e permeabilidade dos capilares sanguíneos, assim como outros bioflavonóides, especialmente quando associada a vitamina C, além de ser antioxidante. O teor é de 6 a 8% (LORENZI 2002). 

Os extratos dos folíolos em testes com cobaias (ratos, camundongos e rãs), causam ação antiespasmódica no intestino e no útero de rata, estimulante de coração de rã e redução da atividade motora de camundongos (LORENZI 2002). 12

5.  Materiais e Métodos

As sementes das árvores de Dimorphandra mollis foram compradas já com a identificação, em 2007, no Instituto Florestal de São Paulo (Horto Florestal), no setor de sementes, localizado no município de São Paulo.

O experimento montado consistiu nos seguintes tratamentos: Tratamento 1 – Sem escarificação que chamamos de CONTROLE . Tratamento 2 - Escarificacão mecânica das sementes com lixa de parede número 60, que chamamos de LIXA. Tratamentos 3, 4 e 5  - Escarificacão mecânica das sementes em liquidificador caseiro de marca Wallita, acrescido de 500ml de água destilada, nos tempos de 4, 6 e 8 segundos, que chamamos de L4, L6 e L8.

Foram utilizadas 90 sementes por tratamento. Após a escarificação mecânica, as sementes foram distribuídas em 2 bandejas plásticas contendo areia, seguindo o delineamento estatístico de blocos ao acaso. Foram montados dois blocos, cada um contendo 225 sementes distribuídas em 5 repetições com 45 sementes de cada tratamento. As sementes foram colocadas em tubos de ensaio de 10 mL, contendo areia. Os parâmetros avaliados foram a porcentagem de germinação de sementes, índice de velocidade de emergência do  hipocótilo (POPINIGIS, 1997) e seu comprimento. Para se avaliar o índice utilizou-se a fórmula acima, que apresenta os seguintes parâmetros: 

N1 = número de dias para a primeira contagem; G 1= número de plântulas emergidas na primeira contagem; N2 = número de dias para a segunda contagem; G2 = número de plântulas emergidas na segunda contagem;

Nn = número de dias para a última contagem; Gn = número de plântulas emergidas na última contagem.

Após trinta dias do plantio, as plântulas foram transferidas para o ar livre, colocadas em sacos de muda contendo uma mistura de terra vegetal e húmus de minhoca  na proporção de 1:1.

As médias de porcentagem de germinação foram transformadas em arco seno da raiz quadrada da porcentagem e em seguida comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade (PIMENTEL GOMES,1977). As médias dos índices de velocidade de emergência nos diferentes tratamentos, também foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. O teste de Tukey foi feito utilizando-se o programa de análise estatística SISVAR, da Universidade Federal de Lavras, Minas Gerais.  

6.  Resultados e Discussão

A porcentagem de sementes trituradas nos tratamentos de escarificação mecânica de sementes de Dimorphandra mollis, em liquidificador caseiro foi menor que 10% sendo 5% para os tratamentos de escarificação por quatro e seis segundos e 8% para o tratamento de escarificação em liquidificador por oito segundos.

Verifica-se pela figura 4 que o tratamento de escarificação mecânica com o uso da lixa de parede foi o que obteve a maior porcentagem de germinação seguido pelos tratamentos de escarificação mecânica em liquidificador caseiro por 4 segundos (L4), seis segundos (L6) e oito segundos (L8). O tratamento controle, sem nenhum tipo de escarificação mecânica, não apresentou sementes germinadas, indicando que as sementes de Dimorphandra nobilis realmente necessitam de escarificação mecânica para germinar. Segundo Margarido (1977) foi necessário utilizar hipoclorito 20% e água para se amolecer o tegumento rígido de Dimorphandra mollis, para se fazer cortes histológicos.  Na semente foram encontrada substâncias que tem em todas sementes mas que quando em  maiores quantidades são indicadores de rigidez no tegumento  como é o caso da lignina.  

Os índices de velocidade de emergência do hipocótilo (figura 5) foram maiores para os tratamentos de escarificação mecânica em liquidificador caseiro por 6 segundos (L4), seguido pelos tratamentos de escarificação mecânica por lixa de parede e escarificação mecânica em liquidificador caseiro por 4 segundos e oito segundos. No tratamento controle o índice foi zero, pois não ocorreu a germinação das sementes. Os índices de velocidade de emergência demonstram que as plântulas surgiram rapidamente em todos os tratamentos onde houve escarificação mecânica, não havendo intervalos entre a emergência e os hipocótilos das plântulas, isto é, a germinação ocorreu com uniformidade, gerando  posteriormente mudas com idades semelhantes, facilitando assim o manejo em viveiro. 

O comprimento do hipocótilo, após 30 dias, obteve a média de 3,5 cm para o tratamento com lixa e 2cm para os demais tratamentos. Estes apresentavam coloração verde clara.  

As médias de temperatura máxima e mínima no período foram de 27,7ºC e 17,7ºC, respectivamente.

A germinação das sementes foi do tipo fanerocotiledonar-epígea e aos trinta 15

dias as plântulas oriundas dos tratamentos de escarificação mecânica em liquidificador caseiro apresentavam-se normais possuindo cotilédones e três pares de eófilos.

Os resultados mostram que o liquidificador caseiro pode ser um equipamento a ser utilizado para a escarificação mecânica de sementes de Dimorphandra mollis. A esta conclusão também chegaram Silva et al, (2002) e Tabarin (2002), ao trabalharem com a escarificação mecânica, em liquidificador caseiro, de sementes de Cassia leptophylla e Senna macranthera (Cassia speciosa), ambas pertencentes à família FABACEAE. Estes autores verificaram que a porcentagem de trituração das sementes foi inferior a 10% e as porcentagens de germinação foram superiores a 50%. As plântulas produzidas também não apresentaram nenhuma alteração morfológica em função do método de escarificação utilizado.

             

7.  Conclusões

Nas condições em que os testes foram conduzidos pode-se concluir que:

- O tratamento de escarificação mecânica com o uso da lixa de parede foi o que obteve a maior porcentagem de germinação seguido pelos tratamentos de escarificação mecânica em liquidificador caseiro por 4 segundos (L4), seis segundos (L6) e oito segundos (L8). 

- Os índices de velocidade de emergência do hipocótilo foram maiores para os tratamentos de escarificação mecânica em liquidificador caseiro por seis segundos (L4), seguido pelos tratamentos de escarificação mecânica por lixa de parede e escarificação mecânica em liquidificador caseiro por seis segundos e oito segundos. - O uso de liquidificador caseiro para a escarificação mecânica e quebra da dormência das sementes de Dimorphandra mollis  é um método viável e mais rápido.  

8.  Referências Bibliográficas 

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9.  Anexos

Procedência das sementes

Secretaria do Meio Ambiente Coord. de Infor. Tecn. Documentação e Pesquisa AmbientalInstituto Florestal Rua do Horto, 931 - 02377-000   - Fone (11) 6231-8555 Espécie:  Dimorphandra mollis Benth. Nome Vulgar: Faveiro; falso-barbatimão; ferrugeira Procedência: F. E. de Assis Município:  Assis Pedido n.°2675 Classe da Semente:   Nativas - Secundaria Inicial Lote N.° 184/06 Data Colheita:   4/8/2006 Peso Líquido/Kg: 0,500 N.° Sementes/Kg:3.774Pureza (%):  100 Germinação (%): 77 Validade do Teste: 30/12/07

 

Principais causas de dormência das sementes: Tegumento  impermeável:   as   sementes  com   estas  características,   são chamados   de  sementes  com   casca  dura, não conseguirem absorver água e/ou oxigénio. Embrião fisiológicamente imaturo ou rudimentar: no processo de maturidade da semente o embrião não está  formado, sendo necessário dar condições favoráveis para o seu desenvolvimento. Substâncias inibidoras: são substâncias existentes nas sementes que podem impedir a sua germinação. Embrião dormente: o próprio embrião se encontra em estado de dormência, geralmente nesse caso a dormência é quebrada com um super choque térmico ou luz. Combinação de causas: necessariamente as sementes não apresentam somente um tipo de dormência, podendo haver na espécie mais de uma causa de dormência.

Processos para quebra de dormência das sementes:

Escarificação química: é um método químico, feito geralmente com ácidos (sulfúrico, clorídrico etc.), que possibilita  executar trocas com o meio, água e/ou gases. Escarificação mecânica: é a abrasão das sementes sobre uma superfície áspera (lixa, piso áspero etc.). É utilizado para f absorção de água pela semente. Estratificação: consiste num tratamento úmido à baixa temperatura, auxiliando as sementes na maturação do embrião, com trocas gasosas e embebição por água. Choque de temperatura: é feito com alternância de temperaturas variando em aproximadamente 20°C, em períodos rápidos. Água quente: é utilizado em sementes que apresentam impermeabilidade do tegumento e consiste em imersão das semente água na temperatura de 76 a 100°C, com um tempo de tratamento específico para cada espécie.

 


PEDRO LOBAS NETO
SP - CARAPICUIBA

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