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  Histoquímica e anatomia da Zeyheria montana Mart.
18/03/2012
O presente trabalho teve como objetivo caracterizar anatomicamente as folhas de Zeyheria montana Mart. e identificar por meio de testes histoquímicos as principais classes de compostos químicos produzidos e acumulados nas folhas.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Meio Ambiente e Biodiversidade


Introdução A família Bignoniaceae possui cerca de 120 gêneros e 800 espécies. No Brasil ocorrem cerca de 50 gêneros e 350 espécies, sendo a Zeyheria montana Mart. um de seus representantes com ocorrência relativamente comum nos cerrados (Souza e Lorenzi, 2005). Trata-se de uma espécie nativa do cerrado brasileiro, conhecida pelo nome popular de bolsa de pastor e pelas suas utilidades medicinais. Na medicina popular, é utilizada a casca do caule em chás como anti-sifilítico e a infusão das raízes para moléstias epidérmicas (Almeida et al, 1998). Suas raízes são ainda usadas para a fabricação de medicamentos no tratamento de tumores e suas folhas em processos inflamatórios. Devido à exploração do cerrado, sua coleta excessiva e a baixa taxa germinativa, essa espécie corre o risco de ser extinta, sendo essencial o desenvolvimento de métodos para sua propagação e preservação (Bertoni,2003). Aliado às pesquisa de propagação e preservação e sobretudo em função da grande importância das plantas medicinais, torna-se fundamental o estudo histoquímico e anatômico de seus órgãos vegetativos, pois a correta identificação e a caracterização morfoanatômica das plantas são necessárias para o controle da qualidade da matéria prima utilizada na elaboração de fitoterápicos, garantindo desta forma, a confiabilidade dos mesmos (Martins e Appezzato-da-Gloria, 2006). Os testes histoquímicos permitem detectar a presença de diferentes metabólitos, que poderão ser quantificados, em função da intensidade da coloração observada. Muitos desses compostos, como a antocianina, carotenóides e óleos essenciais podem influenciar na polinização, na dispersão de frutos e sementes e na simbiose radicular com bactérias (Martins et al, 1994). Além da importância dos estudos histoquímicos e anatômicos para se garantir a qualidade dos fitoterápicos, a análise qualitativa dos parâmetros morfoanatômicos vem sendo utilizada na determinação da sensibilidade das espécies vegetais a poluentes atmosféricos (Sant'Anna-Santos et al., 2007). Em função do exposto acima e da carência generalizado de informações no que diz respeito à anatomia e localização das principais classes de compostos químicos, em especial, os metabólitos secundários, o presente trabalho tem como objetivo caracterizar anatomicamente as folhas de Zeyheria montana Mart. e identificar por meio de testes histoquímicos as principais classes de compostos químicos produzidos e acumulados nas folhas. Material e métodos Foram utilizadas folhas frescas e fixadas de Zeyheria montana Mart. coletadas em uma área de Cerrado da Universidade de Rio Verde – Goiás. As amostras foram fixadas em FAA70 por 24h e posteriormente cortadas em micrótomo LPC para anatomia vegetal, com navalha de aço descartável, obtendo-se cortes transversais bem finos. Para a análise estrutural os cortes foram submetidos à coloração com Azul de Toluidina (O’Brien & McCully, 1981), desidratados em série etílica crescente e as lâminas montadas Bálsamo do Canadá. Para o estudo da superfície foliar, amostras de 0,25 mm2 do terço médio das folhas foram submetidas à dissociação de epiderme com solução de Jeffrey (ácido nítrico 10%: ácido crômico 10%) (Johansen 1940), coradas com violeta cristal 1% e montadas em Bálsamo do Canadá. Para caracterização histoquímica os cortes obtidos de folhas frescas foram submetidos à coloração de Sudan Red B para compostos lipídicos; Reagente de Lugol para amido; Floroglucina ácida para lignina; Cloreto Férrico (Johansen, 1940) e Dicromato de Potássio (Gabe, 1968) para compostos fenólicos; Xilidine Ponceau para proteínas totais (O’Brien & McCully, 1981); Vanilina Clorídrica para taninos (Mace & Howell, 1974); e Reagente de Wagner para alcalóides (Furr e Mahlberg, 1981). As imagens foram obtidas em Microscópio biológico binocular marca Leica modelo DM500 com Câmera de vídeo digital Leica ICC50, do Laboratório de Anatomia Vegetal do Instituto Federal Goiano – Campus Rio Verde. Resultados e discussão As folhas de Zeyheria montana Mart. são hipoestomáticas e apresentam feixe vascular do tipo colateral envolvido por bainha de fibras com paredes espessas. O parênquima de preenchimento apresenta de 4 a 8 camadas de células com paredes finas e formato isodiâmetro. Logo abaixo a epiderme da nervura principal ocorre o colênquima do tipo anelar e angular. A epiderme apresenta cutícula espessa e é formada por células de formato retangular com alta densidade de tricomas tectores do tipo estrelado e tricomas glandulares. O mesofilo é dorsiventral, sendo constituído por um a dois estratos de parênquima paliçádico voltados para a face adaxial, e várias camadas de parênquima esponjoso voltadas para a face abaxial do mesofilo foliar. Figura 1 (A até D). No presente trabalho, os testes histoquímicos realizados revelaram grãos de amido no parênquima clorofiliano, em algumas células do parênquima de preenchimento e no floema. Ocorreu mistura de óleos essenciais e ácidos resínicos no parênquima clorofiliano e em algumas células da epiderme, além de óleos essenciais presentes nos tricomas glandulares. Além das fibras e elementos de vaso, apresentaram paredes lignificadas algumas células do parênquima fundamental e tricomas tectores. Cutícula e óleo em algumas células do parênquima de preenchimento coraram com Sudan. Proteínas foram encontradas no floema, parênquima clorofiliano e em algumas células do parênquima de preenchimento. Para os demais testes aplicados, os resultados foram negativos. Figura 1 (E até J). Devido às condições ambientais do cerrado, as características morfo-anatômicas predominantes apresentadas pela espécie são consideradas como escleromorfismo oligotrófico (Ferri 1980). Várias características xeromórficas são evidentes na lâmina foliar, como mesofilo dorsiventral, tecido vascular desenvolvido e acompanhado por fibras, abundância de tricomas, estômatos restritos à face abaxial da folha e cutícula espessa. Conclusões Os resultados apresentados a partir dos testes histoquímicos indicam que a espécie estudada apresenta composição química complexa, incluindo óleos essenciais e ácidos resínicos presentes no parênquima clorofiliano de suas folhas, já os estudos anatômicos indicam que características morfo-anatômicas apresentadas são consideradas como escleromorfismo oligotrófico. Referências bibliográficas ALMEIDA, S.P.; PROENÇA, C.E.B.; SANO, S.M.; RIBEIRO, J.F. Cerrado: espécies vegetais úteis. Planaltina: Embrapa-CPAC, 1998. BERTONI,B.W. Propagação, variabilidade genética e química de Zeyheria montana Mart. Jaboticabal,SP: 2003. CHAGAS JUNIOR ,J.M. das; CARVALHO, D.A. de; MANSANARES,M.E. A familia bignoniaceae juss. (Ipês) no município de Lavras, Minas Gerais. Cerne, Lavras, v.16, n.4, p.517-529, out/dez.2010. DOUSSEAU,S.; ALVARENGA,A.A.de; CASTRO,E.M.de; et al. Superação de dormência em sementes de Zeyheria montana.Cienc. Agrotec.: Lavras, v.31, n.6, p. 1744-1748, nov./dez.2007. 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