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  Brachycera: entomologia, patogenia e controle na indústria de alimentos.
01/02/2011
The Brachycera infestation in the food industry is extremily worrying touching the pathogenic and control; regarding these preoccupation, the techniques developed to reduce use of the chemicals aggressive agents and stimulate profilatics actions ensu

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Saúde Pública
Biologia sanitária


São Paulo/SP 2001.
Brachycera: patogenia e controle na indústria de alimentos no estado de São Paulo.

João Brogotá Perdigão Garcia
Professor e Biólogo Pós-graduado em Vigilância Sanitária de Alimentos pela Faculdade de Saúde Pública/USP.

Resumo
A infestação de Brachycera na indústria de alimentos é extremamente preocupante no tocante a patogenia e controle; pertinente a esta preocupação as técnicas desenvolvidas para minimizar a utilização de agentes químicos agressores e maximizar as medidas profiláticas, garantem a segurança, a qualidade de vida com eficiência ecologicamente correta. A entomologia econômica e médica interagem para observar a relação saúde do homem, dos animais domésticos, agricultura, silvicultura e indústria de alimentos. O objetivo deste trabalho é identificar a patogenia e controle de Brachycera na indústria de alimentos, evitando organismos patogênicos e sua infestação através de processos preventivos de controle, sempre preocupado em minimizar as intervenções químicas.
Summary
The Brachycera infestation in the food industry is extremily worrying touching the pathogenic and control; regarding these preoccupation, the techniques developed to reduce use of the chemicals aggressive agents and stimulate profilatics actions ensures securrity and life quality with correct ecological efficiency. The physic and economic entomology interact to observe the relationship between human’s health, domestics animals, agriculture, forestry and food insdustry. The object of this work is to identify a pathogenic and control of the Brachycera in food industry, to avoid pathogenic organism and yours infestation by preventive process of control, always be worried in reduce chemicals interventions.
1. Introdução
Desde os primórdios da humanidade, as moscas têm-se constituído num dos maiores e mais incômodos problemas ainda não resolvidos pelo homem. Depois que esses insetos alados passaram a freqüentar e viver no mesmo meio ambiente da espécie humana, ou seja, sinantrópicos, as moscas têm contaminado seu alimento, sugando seu sangue, transmitindo diversas doenças, incomodando muito e roubando sua paz. As moscas acompanharam, literalmente, o desenvolvimento e o movimento das civilizações; foram a todos os lugares onde o homem já pisou, exceto a Lua.
Estão entre as quatro maiores ordens de insetos, totalizando mais de 110.000 espécies diferentes. Podem ser encontradas vivendo e reproduzindo-se em todos os continentes, salvo na Antártida. Algumas espécies são urbanas, outras instalam-se confortavelmente na zona rural buscando as criações de animais de produção, outras vivem internadas nos campos e florestas.
Como demonstram documentos históricos, situações de calamidade como as guerras trazem entre suas conseqüências intensa proliferação de moscas, velhas conhecidas da humanidade. Existe um selo da Mesopotâmia, período de Uruk III, cerca de 3.000 anos AC em que se pode ver um desenho nítido de uma mosca. As moscas estão citadas em documentos (blocos de argila), escritos em caracteres cuneiformes, datados da época de Hammurabi (há cerca de 3.600 anos atrás). Estão desde há muito tempo associados à imundície, da qual se acreditava fossem originárias (GREENBERG, 1973).
No Talmud, coletânea de livros sagrados (Mishna e Gemara) escrito entre os anos 200 e 500 da nossa era, afirma-se que é repugnante a presença de moscas no alimento. Sua persistência, que as faz voltar após serem repelidas, simboliza maus desejos. O Velho Testamento fala dos males causados por grande proliferação de moscas (ÊXODO, 8:21,24). Ao longo do tempo foi surgindo a suspeita de serem as moscas, além de obviamente inconvenientes, disseminadoras de doenças, por causa de seus padrões de alimentação e comportamento.
Antes de tudo, é preciso esclarecer que na natureza, as moscas desempenham um papel vital: são elas o início de diversas cadeias alimentares que sustentam inúmeras espécies animais e até de plantas. Algumas moscas alimentam-se de fezes animais, atuam fortemente na reciclagem desses produtos e sua incorporação ao solo; outras contribuem decisivamente na decomposição de carcaças animais e cadáveres humanos. Há ainda algumas espécies de moscas que são polinizadoras, desempenhando assim papel importante na perpetuação da biocenose.
Lamentavelmente, contudo, muitas espécies de moscas adaptaram-se perfeitamente bem à convivência com o ser humano e passaram a viver em estreita dependência conosco.
Em torno de 1577, o médico italiano MERCURIALIS proferiu a famosa asserção: "Não há nenhuma dúvida de que as moscas, saturadas com o suco dos mortos ou dos doentes, visitam casas vizinhas e infectam o alimento; as pessoas, quando forem comer, estarão infectadas". PAULLINUS, em Observationes Medico-Physicae (1706) expressa a opinião, baseada em caso observado, de as moscas poderem, tendo pousado sobre excrementos ou cadáveres de indivíduos com disenteria, transportar "fluido contagioso" para pessoas que não tiveram contato com aqueles doentes (GREENBERG, 1973).
Antes do desenvolvimento da microbiologia, as idéias predominantes sobre as causas dos vários sinais e sintomas clínicos identificados pelos médicos tornavam difícil demonstrar, de modo inequívoco, o transporte de agentes etiológicos de infecções e o papel de insetos sinantrópicos em geral e de moscas em particular. Isso possivelmente explica porque, embora expressas de modo que atualmente nos parece claro, as observações dos médicos citados não desencadearam, na época, a realização de experimentos que esclarecessem o problema.
À medida que os conhecimentos técnico-científicos sobre os insetos em geral avançavam, as moscas despertaram particular interesse dos pesquisadores em virtude de sua estreita convivência com o homem e, assim, desde o começo do século XX elas passaram a ser vistas como importantes agentes na transmissão de diversas infecções entéricas como disenterias, diarréias infantis, febre tifóide, intoxicações alimentares, cólera e helmintoses; foram ainda acusadas de participar da transmissão da lepra, da poliomielite e em certas doenças da pele.
Algumas doenças nas quais as moscas participam como transmissoras: a shiguelose (disenterias), salmonelose (disenteria, febre tifóide), disenteria amebiana, certas verminoses (Enterobius, Ascaris, Trichiuris, Ancylostoma, Necator, Taenia e Dipylidium), a poliomielite, certas riquetsioses, o tracoma, a lepra, a difteria, etc..
De certa forma fica até fácil compreender como as moscas puderam assumir papel tão triste na disseminação de doenças, se lembrarmos que muitas espécies de mosca demonstram uma marcada preferência por alimentar-se de matéria orgânica em decomposição. Isso faz com que sejam facilmente observadas alimentando-se de excreções e secreções como lágrimas, corrimentos nasais, fezes, vômitos e escarros, além de outros materiais em putrefação, onde eventualmente colhem certos agentes patogênicos causadores de doenças ao homem e a outras espécies animais (fungos, vírus, bactérias e riquétsias), transportam-nos e depositam-nos diretamente sobre esses hospedeiros ou sobre os alimentos que serão por eles ingeridos.
As modificações ambientais produzidas pelo homem, podem criar condições favoráveis à proliferação de várias espécies de moscas. Ao armazenar ou preparar alimentos, acumular resíduos ou excrementos, o homem fornece alimentação suficiente para manter densas populações de moscas. Esses materiais, que possibilitam também o desenvolvimento das larvas, são depositados freqüentemente nas proximidades das casas, o que as torna facilmente acessíveis às formas adultas originárias desses criadouros.
Adaptada aos demais climas e quase tão onívora quanto o homem, podendo encontrar algum alimento em matérias orgânicas em decomposição, a mosca tem alguns predadores naturais, como por exemplo: pássaros, lagartos e principalmente aranhas (apesar de seus formidáveis olhos compostos, sua abrangente visão não é capaz de ver detalhes sem estrutura e cores definidas como a teia de aranha).
No meio rural, os sistemas de produção confinada de animais como aves, suínos, bovinos, equinos, caprinos, coelhos e outros animais estão se tornando cada vez mais comuns em todo mundo. Esses modernos sistemas são capazes de gerar uma eficiência muito maior na produção animal a custos progressivamente mais baixos. Mas, ao mesmo tempo, esses sistemas geram um aumento dos problemas de manejo e disposição dos dejetos desses animais e, consequentemente, problemas das infestações de moscas as quais, encontrando excelentes condições de proliferação no esterco não adequadamente manejado e recolhido, acabam por prejudicar os próprios animais ali criados e causam grandes distúrbios ao homem que trabalha ou vive nas cercanias. Elas tem inegavelmente um efeito psicológico, não somente porque incomodam, mas ainda porque sua presença é sinal de condições insalubres.

1.1. Entomologia
Filo Arthropoda - animais de "pés articulados".
Classe Insecta (lat. seccionado, em partes distintas); gafanhotos, moscas, besouros, baratas e etc..
Borboletas, besouros, abelhas e uma legião de pequenas criaturas semelhantes que constituem essa classe, perfazem mais de 900.000 espécies. São as mais abundantes e espalhados de todos os animais terrestres, sendo os mais importantes invertebrados que podem viver em ambientes secos e os únicos capazes de voar. Estes hábitos tornaram-se possíveis graças ao revestimento quitinoso do corpo, que protege os órgãos internos contra danos e perda de umidade, pelas extensões deste revestimento que formam as asas e pelo sistema de tubos traqueais que possibilitam aos insetos respirar ar. A capacidade de voar auxilia-os a encontrar alimento, parceiros e escapar de predadores. Como seus ciclos vitais são geralmente curtos, eles podem multiplicar-se rapidamente em condições favoráveis. Os insetos abundam em todos os tipos de habitats, exceto no mar; vários tipos vivem em águas doces e salobras, no solo, em plantas de todos os tipos e sobre ou dentro de outros animais.
A entomologia (gr. entomon, inseto) é a ciência que se ocupa dos insetos. Devido ao número e às muitas relações biológicas dos insetos, eles são de grande significação econômica; alguns são úteis e muitos são prejudiciais aos interesses do homem (BARNES,1984).
Entre todos os artrópodes, de um modo geral e em particular as moscas, obtiveram sucesso devido a natureza da quitina, que impermeabiliza, protege e, acima de tudo, torna possível a evolução de muitos apêndices finamente articulados, a alta especificidade da dieta e de outras necessidades, segundo a espécie. Outra razão para o sucesso é o seu sistema nervoso, capaz de fino controle sobre os diferentes apêndices e os muitos órgãos sensoriais extraordinariamente sensíveis. O órgão sensorial mais evidente nas moscas é o olho composto. A unidade estrutural básica é o omatídio. Uma mosca tem cerca de 20.000 omatídios, cada um coberto por uma córnea, que apresenta superfície quadrada ou hexagonal; com baixo aumento, esses omatídios são visíveis como facetas individuais do olho. Abaixo da córnea há um grupo de oito células retinais, circundadas por células pigmentares. A porção sensível a luz é o rabdoma, que é a parte central do omatídio. Fibras nervosas transportam o estímulo de cada omatídio para o cérebro. As células pigmentares funcionam como isolantes de luz, impedindo que a luz passe de um omatídio para outro. Um omatídio é muito maior que um fotorreceptor de vertebrado e, portanto, há um número bem menor deles em espaço equivalente. Assim a imagem tem resolução menor (CURTIS, 1977). Embora o olho composto seja menos eficiente em agudeza e ofereça menos detalhes do que o olho do vertebrado, ele é melhor para detectar movimento, porque cada omatídio é estimulado separadamente, e desse modo tem um campo visual separado. Ademais, o omatídio responde a estímulos com maior rapidez do que o fotorreceptor do vertebrado. A capacidade de detectar movimento pode ser medida com acuidade no laboratório, pela observação de um fenômeno chamado fusão de intermitência (flicker fusion).
Neste teste a freqüência de uma luz descontínua é progressivamente aumentada até que o observador a perceba como um feixe ininterrupto. O feixe é percebido como contínuo porque a estimulação de qualquer célula retinal persiste durante um breve período, mesmo depois de ter desaparecido o estímulo. Portanto o teste da fusão de intermitência é uma medida de rapidez com que a célula fotorreceptora se recupera depois de um estímulo e se torna sensível a outro. É possível fazer esses testes em animais, por meio de experiências de treinamento nas quais o animal aprende a associar a intermitência luminosa com um prêmio (em geral, alimento) e um feixe contínuo com a falta dessa recompensa. Tais testes provaram que, nesse ponto, o olho composto é muito melhor que o globo ocular.
Uma mosca é capaz de ver nitidamente uma figura em movimento que, para nós, pareceria tremida; e se a mosca fosse ao cinema, o filme, que nos parece contínuo, a ela pareceria uma sucessão rápida de quadrados separados. A capacidade de perceber movimentos é de extrema importância para o inseto, porque ele deve ser capaz de perceber objetos durante vôos em alta velocidade (situação que, no que toca no aparelho visual, eqüivale a seguir um objeto em movimento rápido) (CURTIS, 1977).
Ordem dos Dípteros; são insetos que apresentam aparelho bucal sugador e somente um par de asas. Estas são membranosas e inseridas no mesotórax; em cada lado do mesotórax, em lugar da asa posterior, se encontra um pequeno apêndice espatuliforme, que funciona como órgão de equilíbrio, chamado halter ou balancim. Todos os Dípteros nutrem-se sugando líquidos; ao conjunto tubuliforme das peças bucais dá-se o nome de probóscida. O aparelho bucal, funcionando sempre como órgão sugador, pode ser pungitivo e não pungitivo. Quando pungitivo, o alimento é recolhido com a perfuração da pele de outros animais; estão neste caso os Dípteros sugadores de sangue de vertebrados (Dípteros hematófagos) e os sugadores da substância líquida interna dos insetos que capturam (Dípteros predadores ou entomófagos).
Os Dípteros de aparelho bucal não pungitivo nutrem-se com a sucção de diversas substâncias fluidas: néctar que retiram do ovário das flores, seiva vegetal extravasada, sucos fermentados, exsudatos de matéria orgânica em decomposição, suor etc.. A mosca doméstica regorgita uma gotícula de saliva para dissolver o alimento sólido que pretende sugar, um torrão de açúcar, por exemplo. Existem Dípteros com aparelho bucal atrofiado e, neste caso, certamente não se nutrem; a mosca do berne, algumas moscas parasitas de aranhas e de besouros não podem se alimentar por essa razão. Via de regra, os insetos têm no período larval a fase de vida mais ativa e de mais intenso metabolismo. Deve ser este o caso dos Dípteros que não se nutrem na forma adulta.
Outros caracteres gerais, morfológicos, das moscas e mosquitos, são as seguintes: cabeça quase inteiramente ocupada pelos olhos compostos, separados na frente por uma placa de quitina, no meio da qual se inserem as antenas e, bem no alto, três ocelos. As antenas fornecem caracteres muito importantes para a divisão dos Dípteros; elas podem ser longas, filiformes e com numerosos artículos, ou curtas e com reduzido número de artículos. O segmento mais desenvolvido do tórax é o mesotórax, a parte do corpo onde se encontram músculos que dão às asas a vibração necessária para o vôo. As nervuras não são numerosas, predominando as nervuras longitudinais; poucas são as nervuras transversais (BRODSKY,1994). No ápice do abdome das fêmeas encontra-se o ovopositor, que ora é curto, ora é longo e telescopado.
Os Dípteros são insetos essencialmente ovíparos, mas em algumas famílias de Muscóideos encontram-se espécies que são vivíparos, pois depositam larvas, às vezes bastante desenvolvidas, e não ovos. Alguns Muscídeos e Califorídeos depositam ovos já maduros, com o embrião desenvolvido, libertando-se as larvas quase em seguida à postura. Não raro as larvas deixam o ovo antes deste ser posto e a fêmea, então, fica repletas de formas imaturas, sendo estas eliminadas pelo ovopositor. De qualquer maneira verifica-se que o embrião se desenvolve no interior do organismo materno e a larva fora dele. Mas, em certos Dípteros ectoparasitas de aves e de morcegos, bem como na famosa "tsé-tsé", a mosca do sono, o embrião e a larva se desenvolvem no útero da fêmea, nutrindo-se a larva com a secreção de glândulas especiais aí existentes.
Estas moscas depositam larvas já bem desenvolvidas, prestes a se transformarem em pupas.
O habitat das larvas é bastante variado. As aquáticas são encontradas em águas de grande correnteza ou em águas salobres, estagnadas, em água salgada, em água fria, gelada, em águas termais, quentes, em líquidos fermentados, na urina, na lama petrolífera e etc.. As larvas terrestres vivem em excrementos, em matéria orgânica, vegetal ou animal, em decomposição, no solo úmido ou seco, no interior dos frutos, entre as duas películas das folhas, no interior das galhas sobre as plantas, nas raízes, nas galerias que cavam no interior dos troncos de árvores vivas e etc.
Existem larvas que vivem no queijo, nas carnes em conserva e, como inquilinas, nas câmaras de lixo dos sauveiros, no interior dos formigueiros e dos cupinzeiros.
Os insetos respondem a muitos estímulos que provocam sensações ao homem, incluindo luz, estímulos químicos (cheiro, gosto), tato e som, mas suas percepções diferem em tipo e magnitude. Eles percebem estímulos químicos excessivamente fracos para o nariz ou língua humanos e alguns reagem aos raios ultravioleta, mas não ao vermelho ou infravermelho.
O tipo de resposta invariável pelo qual um animal se orienta na direção de um estímulo ou dele se afasta é conhecido como uma taxia. Uma mosca é guiada pelos seus órgãos olfativos para uma fruta passada, que contém os fermentos dos quais a mosca se alimenta, por uma quimiotaxia positiva a certos álcoois e ácidos orgânicos da fruta em fermentação. Muitos insetos encontram o parceiro por uma taxia semelhante aos delicados odores (feromônios) emitidos pelo sexo oposto.
Classificação e Identificação dos Dípteros (moscas)
Subordem Brachycera- dípteros com antenas formadas por 3 artículos (em algumas espécies até 10 artículos); palpos maxilares com um ou dois artículos. Cabem aqui todos os dípteros que melhor conhecemos com a denominação de moscas.

2. Patogenia
Praticamente todas as pessoas entram em contato com alguns insetos, desde os moradores de apartamentos que comem mel, usam seda e lutam com moscas até os aborígenes que são atormentados por piolhos, pulgas e moscas e em casos extremos comum gafanhotos. A entomologia econômica ocupa-se dos vários milhares de espécies de insetos de importância para agricultura, silvicultura e indústria de alimentos e a entomologia médica com aqueles que afetam a saúde do homem e dos animais domésticos (STORER; USINGER; STEBBINS; NYBAKKEN, 1986).
As “motucas” (Tabanidae), acusadas de transmitirem o agente infeccioso da tularemia e certas espécies de filárias ao homem; aos cavalos transmitem o Trypanosoma equinum, “causador do mal-de-cadeiras”; o Stomoxys calcitrans (Muscidae) é um Díptero hematófago suspeito de transmitir o agente da paralisia infantil; a mosca de “tsé-tsé”, Glossina palpalis (Glossinidae), felizmente inexistente na América do Sul, mas constituindo sempre um perigo de vir ela aqui se aclimatar, dada a rapidez das comunicações aéreas, é a responsável pela transmissão do microorganismo da moléstia do sono que grassa em certas regiões africanas (CURTIS,1993). Além dos males causados pelas moscas sugadoras de sangue, há a mencionar ainda os danos que, acidentalmente, podem nos advir de certas moscas não hematófagas. A mosca doméstica, por exemplo, pousando em tudo que é imundície, transporta em suas pernas, ou em suas peças bucais, os germes causadores de várias enfermidades (tifo, disenterias e etc.); estes germes são depois colocados sobre os alimentos que ingerimos.
Os Hippelates, gênero de mosquinha da família Chloropidae, não são insetos picadores, mas sugam exsudatos de tecidos lesados e necrosados, levando assim em suas peças bucais germes infecciosos; sugando a pústula de um doente de “bouba” pode essa mosquinha transmitir de uma pessoa para outra a mesma enfermidade.
Os Hippelates são ainda acusados de provocar a “dor d’olhos”, uma conjuntivite que tem sua origem nas minúsculas escoriações produzidas no canto dos olhos pelas pequeninas farpas das peças bucais dessa mosquinha, quando aí procuram sugar secreção lacrimal. Bem lhe cabe pois o nome vulgar de “lambe-olhos”.
Muitas moscas são daninhas às plantas; muitas larvas encontradas no interior de certos frutos são de moscas (Trypetidae, Lonchaeidae) que aí se localizaram, atravessando a casca do fruto.
Nem todas as moscas são maléficas, de muitas retiramos grande proveito.
Benefícios imperceptíveis, mas de capital importância, nos prodigalizam as legiões de larvas de certas moscas que consomem, em tempo relativamente curto, matéria orgânica em decomposição proveniente de carcaças de animais que morrem e ficam abandonadas. A polinização das flores, realizadas por moscas florícolas, e benefício de proporções enormes, pois daí provêm as sementes e, em conseqüência, os frutos e a perpetuação das espécies vegetais. Úteis são as moscas da família Tachinidae, cujas larvas parasitam as lagartas de borboletas e mariposas destruidoras de plantas cultivadas. Substância antigangrenosa, estudada para o tratamento de feridas de difícil cicatrização, tem sido obtida com macerado de larvas da mosca das “bicheiras”.
2.1. Famílias patogênicas de moscas
Família Tabanidae – “mutucas”, em geral sua picada é dolorosa, e o animal atacado as espanta antes que tenham terminado seu repasto. Esta interrupção é a causa da mosca alimentar-se em vários animais em pouco tempo, facilitando assim a transmissão de germes patogênicos de um animal a outro. Incriminam-se as “mutucas” de veicularem a bactéria causadora da tularemia o bacilo do antraz e a filária da “loa-loa” que grassa no Congo. Aos cavalos elas transmitem um protozoário flagelado – Trypanosoma equinum – causador do mal-de-cadeiras.
Família Choropidae – algumas espécies do gênero Hippelates são responsáveis pela transmissão ao homem do Treponema pertenue, espiroqueta causador da “bouba”, “franboesia tropica” ou “piam”; também são elas as causadoras diretas de uma conjuntivite aguda, a conhecida “dor d’olhos”. Nenhum Cloropídeo possue aparelho bucal pungitivo. As espécies Hippelates sugam sangue, pus e exsudatos que vertem dos tecidos feridos ou necrosados. Elas transportam o germe da “bouba” nas pernas e nas peças bucais, que passam depois para o organismo do homem quando a mosquinha pousa em sua pele, eventualmente ferida. Também pelo regurgitamento de saliva infectada ou pelas fezes, elas podem contaminar. Os Hippelates costumam pousar no canto dos olhos para sugar secreção lacrimal, advindo daí a denominação popular de “lambe-olhos”. No aparelho bucal destas mosquinhas se acham minúsculas peças cortantes, que produzem escoriações nas conjuntivas e a conseqüente infecção chamada “dor-d’olhos”.
Família Cuterebridae – Dermatobia hominis, sua larvas vivem no interior dos tecidos subcutâneos de certos vertebrados, conhecido como “berne”. Os bovinos são os mais atacados, sendo o cão e o homem parasitados com menos freqüência. Os muares raramente abrigam o “berne”. O “berne” é a larva da Dermatobia hominis, causa a diminuição da quantidade de leite que normalmente uma vaca produziria, desvalorizando o couro pelas cicatrizes que aí deixam.
No homem, as lesões localizam-se, sobretudo, nas mãos, pulsos, artelhos, pescoço e face. Forma-se uma pequena bolha com sensação de prurido; o local torna-se inflamado e a superfície muito distendida, de onde resulta intenso incômodo (FAUST; BEAVER; JUNG, 1967).
Família Calliphoridae – “mosca-varejeira”, seus ovos são depositados na matéria orgânica animal, viva ou em decomposição. Assim uma ferida constitui ótimo campo para a subsistência das larvas destas moscas, produzindo a bicheira, é o que ocorre no cordão umbilical dos bezerros recém-nascidos. Quando as larvas se nutrem de tecidos sãos, temos os casos que a medicina chama de miíases e que se verificam nas fossas nasais ou em outras cavidades naturais do corpo; são elas freqüentes nos indivíduos que inadvertidamente se deitam e dormem descobertos pelos matos. A Chrysomya putori e a Chrysomya megacephala são as mais preocupantes em virtude do grande número que podem alcançar. As formas adultas são encontradas em abatedouros, aviários, lixo doméstico, feiras livres, curtumes, aterros sanitários e lixões a céu aberto. São de grande importância epidemiológica, pois podem veicular poliovirus, bactérias enteropatogênicas tais como Salmonella, Shigella e Escherichia coli, além de ovos de helmintos parasitas como os da Taenia. A Callitroga hominivorax através de suas larvas, afetam os animais domésticos e o homem, atravessam a pele escaraficada, contuso, inflamada ou mesmo intacta, podendo penetrar profundamente nas vísceras. Infestam, também, a vagina, os seios nasais e frontais, olhos, ouvidos e boca. As lesões furunculosas que produzem são extremamente dolorosas; é característica a infecção secundária, que determina, usualmente, extensas mutilações. Os casos humanos mais graves terminam em óbito (FAUST; BEAVER; JUNG, 1967).
Família Muscidae - Musca domestica, a mosca doméstica freqüenta toda a sorte de imundícies, e com hábitos quase estritamente caseiro, é a responsável pelo transporte de numerosos germes patogênicos que, presos em suas pernas ou em seu aparelho bucal, são deixados sobre nossos alimentos quando a mosca aí pousa (CARRERA,1988). Stomoxys calcitrans – mosca dos estábulos, essa espécie, ao que tudo indica, não tem um papel maior na patogenia. Contudo, preocupa sua atuação na transmissão da temível anemia infecciosa eqüina, causado por um vírus que afeta eqüinos, muares e asinino.
Família Hippoboscidae – são moscas hematófagas transmitindo às aves certos microorganismos causadores de moléstias.
Família Gasterophilidae – Gasterophilus intestinalis, Gasterophilus haemorrhoidalis e
Gasterophilus nasalis, infestam a pele ou mucosas humanas, provocando intumescimento no local da penetração e, depois, um canal serpiginoso, proeminente, até o estado germinativo, onde percorrem vários milímetros por dia, durante vários meses; esta lesão causa prurido intenso. A infestação humana localiza-se, em geral, nos membros, mas registra-se um caso de miíase interna de olho, devido a G. intestinalis (FAUST; BEAVER; JUNG, 1967).
Família Sarcophagidae – Sarcophaga haemorrhoidalis, a fêmea deposita as larvas nos meios de cheiro fétido, e, por vezes, no ânus dos indivíduos que se servem de latrinas ao ar livre. Podem ser ingeridas na carne crua contaminada. Provocam perturbações gastrointestinais graves, com dores abdominais intensas, náuseas, vômitos e febre, devido a ulceração produzida pelas larvas que se fixam na parede intestinal. O desenvolvimento larval pode completar-se inteiramente no interior do trato intestinal humano. A Wohlfahrtia vigil deposita as larvas em massa, sobre as superfícies intactas do corpo, mas em geral, migram a certa distância, antes de penetrarem na pele sã. A infestação humana está limitada às crianças pequenas deixadas ao ar livre, em berços não protegidos com tela. Uma vez introduzida sob a epiderme, a larva produz um pequeno abcesso nos tecidos subcutâneos, com comunicação para a superfície, causando irritação, febre, desidratação e perda de peso. Não devem deixar as crianças desprotegidas ao ar livre, durante os meses de verão, época em que as moscas eliminam as larvas (FAUST; BEAVER; JUNG, 1967).
As moscas, com certa freqüência, podem estar contaminadas com Salmonella. Estudos realizados demonstraram que cerca de 1% de 202 moscas apanhadas em armadilhas estavam contaminadas com a espécie Salmonella typhimurium. Também já foi demonstrado que as larvas das moscas são potenciais veículos para a contaminação de aves. Isso porque as aves ingerem as larvas contaminadas que passam incólumes pelo aparelho digestivo, devido ao efeito protetor produzido pela sua membrana. Assim, as moscas atuam como veículos e vetores da Salmonella.
2.2. Miíases
As miíases consistem no parasitismo do homem ou dos animais por larvas de moscas ou de outros dípteros, que acometem tecidos vivos ou em decomposição, podendo levar ao desenvolvimento de lesões as mais diversas, às vezes amplamente destrutivas (LEÃO, 1997).
Do ponto de vista biológico, existem duas categorias bem diversas entre os parasitos desse grupo: a)Espécies biontófagas – parasitos obrigatórios na fase larvária, que acometem tecidos vivos, não necrosados, podendo, por conseguinte, comprometer a saúde do organismo parasitado; são exemplos típicos: a Cochliomya hominivorax e a Dermatobia hominis. b)Espécies necrobiontófagas – parasitos exclusivos de tecidos já necrosados ou em decomposição, habitualmente mais conhecidas como componentes da fauna cadavérica; raras vezes iniciam uma miíase, como agente causal primário; com alguma freqüência podem ser encontradas como saprófagas de lesões determinadas por espécies do grupo anterior; exemplos: Cochliomya macellaria, Musca domestica e espécies da família Sarcophagidae (LEÃO, 1997).

3. Métodos de controle
As técnicas desenvolvidas para o controle integrado de pragas, neste caso a mosca, visa um programa completo, ecologicamente correto, garantindo a segurança, a qualidade de vida com eficiência. O controle visa assegurar junto as instalações de produção, armazenagem, transporte, distribuição e comercialização de alimentos como também seus fornecedores uma margem tolerável de infestação de moscas, minimizando a utilização de agentes químicos agressores (inseticidas). A metodologia se resume na somatória de ações, que juntos irão proporcionar a eficiência do controle. O controle é implementado de acordo com as características de cada unidade, instalação e ambiente, determinando ações específicas a seu tempo.
Controle mecânico - controle que auxilia diretamente na minimização das intervenções químicas, através da utilização de equipamentos para prevenção da entrada (barreira), de abrigo (repelência) ou mesmo de captura (armadilhas). Tecnicamente recomenda-se como equipamentos para o controle mecânico de moscas, a cortina de ar, flex door, light trap, placas adesivas, armadilhas mecânicas, feromônios sexuais ou de aglutinação e outros.
Controle físico - medidas adotadas que visam impedir a entrada, o abrigo e a proliferação de moscas dentro de uma unidade, utilizando recursos físicos como; vedação de portas, telamento de janelas e portas, instalação correta de painéis e equipamentos, acondicionamento de lixo, e a perfeita higienização.
Conscientização dos recursos humanos – através de cursos e treinamentos fornecidos para os colaboradores de uma unidade fabril, releva a importância do programa desenvolvido, enfatizando o controle higiênico, educacional e conhecimento de hábitos e controle da mosca.
O treinamento é um dos subsistemas da área de recursos humanos.
Atualmente, a maioria das empresas/instituições, acompanhando uma tendência internacional buscando diminuir custos e maximizar produtividade/lucros, preferem compartilhar a responsabilidade do treinamento entre todos os setores da empresa/instituição; e, em casos especiais, contratar terceiros para atividades específicas de treinamento. Lembre-se, o treinamento é uma atividade fundamental, chave da produtividade e da qualidade (GERMANO; GERMANO, 2001).
Controle químico – complementação das medidas corretivas (controle físico, mecânico e educacional), utilizando equipamentos e EPI’S devidamente regulamentados nos órgãos competentes e produtos específicos e registrados para o uso na indústria de alimentos, possuindo os mais rígidos padrões de segurança ao homem e ao meio ambiente. Seus ingredientes ativos são monitorados para evitar assim o efeito de resistência das moscas, adequando o trabalho de controle dentro da normatização específica dos ambientes a serem controlados.
Auditoria – para informar possíveis falhas ou mudanças estruturais que deverão ser executadas visando eliminar da unidade todos os pontos de alojamento ou entrada de moscas.
As mudanças sugeridas serão acompanhadas de relatórios dos pontos críticos, contendo as não conformidades e a ação corretiva, conforme exemplo abaixo:


Local - Setor Não conformidade Ação corretiva
Câmara de lixo Acúmulo de resíduos alimentares. Melhorar a higienização do local.
Embalagem Fresta na porta principal. Instalar borracha de vedação na porta.
Recebimento Latas de refrigerantes acondicionadas sobre os containers. Manter melhor organizado segundo os conceitos de housekeeping/5S.


Monitoramento – avaliação dos resultados quanto a população de infestantes. Medidas preventivas ou curativas devem ser tomadas, quando for registrado sinais e situações atípicas ao controle (sazonalidade).
Relatório técnico – toda e qualquer ação ou intervenção efetuada em uma unidade é seguida de relatórios técnicos informativos, como também as apresentações gráficas do nível de infestação e controle. Como exemplo Gráfico 1.
3.1. Controle
Legislação Pertinente
Portaria CVS 6/99 de 10 de março de 1999 (Regulamento técnico sobre os parâmetros e critérios para o controle higiênico-sanitárias em estabelecimentos de alimentos).
Item 7 – Controle integrado de pragas.
Devem ser implantados procedimentos de boas práticas de modo a prevenir ou minimizar a presença de insetos e roedores.
A aplicação de produtos só deve ser realizada quando adotadas todas as medidas de prevenção, só podendo ser utilizados produtos registrados no Ministério da Saúde.
Portaria MA 368/97 de 04 de setembro de 1997 (Regulamento técnico sobre as condições higiênico-sanitárias e de boas práticas de fabricação para estabelecimentos elaboradores/industrializadores de alimentos de origem animal).
Item 5.7 – Sistema de combate às pragas.
Item 5.7.1 – Deverá ser aplicado um programa eficaz e contínuo de combate às pragas. Os estabelecimentos e as áreas circundantes deverão ser inspecionadas periodicamente, de forma a diminuir ao mínimo os riscos de contaminação.

Item 5.7.2 – Em caso de alguma praga invadir os estabelecimentos, deverão ser adotadas medidas de erradicação. As medidas de combate, que compreendem o tratamento com agentes químicos e/ou biológicos autorizados, e físicos, só poderão ser aplicadas sob supervisão direta de pessoas que conheçam profundamente os riscos que estes agentes podem trazer para a saúde, especialmente se estes riscos originarem-se dos resíduos retidos no produto.
Item 5.7.3 – Somente deverão ser empregados praguicidas se não for possível aplicar-se com eficácia outras medidas de precaução.
Antes da aplicação de praguicida se deverá ter o cuidado de proteger todos os alimentos, equipamentos e utensílios contra a contaminação. Após a aplicação dos praguicidas autorizados, deverão ser limpos, minuciosamente, o equipamento e os utensílios contaminados, a fim de que, antes de serem novamente utilizados sejam eliminados todos os resíduos.
Portaria CVS 9/00 de 16 de novembro de 2000 (Norma técnica para empresas prestadoras de serviço em controle de vetores e pragas urbanas).
Item 3.8 – Controle integrado de pragas ou gerenciamento integrado.
É um sistema que incorpora ações preventivas e corretivas destinadas a impedir que vetores e as pragas ambientais possam gerar problemas significativos. Visa minimizar o uso abusivo e indiscriminado de praguicidas.
É uma seleção de métodos de controle e o desenvolvimento de critérios que garantam resultados favoráveis sob o ponto de vista higiênico, ecológico e econômico.
Medidas preventivas: compreendem as boas práticas de fabricação, operação e os trabalhos de educação e treinamento, visando evitar infestações.
Controle químico: é aquele que visa eliminar as pragas a partir da utilização de praguicidas (desinsetização e desratização). O controle químico, apesar da ênfase maior em ações preventivas, também está presente, mas tem papel coadjuvante, complementar às orientações de limpeza e higiene.
Medidas corretivas: compreendem a implementação de barreiras físicas e armadilhas, sendo que tais medidas, são complementadas pelo controle químico.
Item 5.5 – Na execução de serviços de desinsetização e descupinização, a empresa controladora de vetores e pragas urbanas deverá adotar as medidas necessárias para minimizar o impacto ambiental, considerando:
· Regiões onde o lençol freático for muito próximo do nível do solo (particularmente regiões litorâneas).
· Áreas de preservação ambiental.
· Áreas de mananciais.
· Áreas onde há tratamento de esgoto individual, utilizando fossas sépticas.
Os demais itens da portaria CVS 9/00 deverão ser observados e seguidos a rigor, para uma correta contratação da empresa controladora de pragas. Qualquer esclarecimento complementar deverá ser feito junto à APRAG (Associação Paulista de Controladores de Pragas) entidade de classe que regulamenta as empresas controladoras de pragas no estado de São Paulo e a vigilância sanitária de sua cidade.
3.2.Controle biológico
Este controle se faz presente em aviários industriais, criadouros de bovinos, caprinos e suínos – partindo-se do pressuposto de um controle de moscas na origem da matéria-prima para a indústria de alimentos (produtos cárneos, embutidos, enlatados, laticínios e outros).
No sistema de produção onde o esterco é acumulado, uma fauna diversificada de artrópodes benéficos ali desenvolve-se, entre os quais alguns coleópteros (besouros, Carcinops troglodytes) e certos ácaros (Macrocheles muscadomesticae) úteis que são importantes e ativos predadores de ovos e das larvas de moscas, conseguindo ingerir cerca de vinte ovos por dia; daí o seu importante papel no controle biológico da Musca domestica. Além deles há ainda algumas espécies de himenópteros parasitóides (vespas; Spalangia endius, Spalangia cameroni, Muscidifurax raptoroides e Pachycrepoideus vindemiae) que visitam o esterco e ovipõem no interior dos pupários, onde suas larvas matam as pupas da mosca.
Não podemos esquecer, igualmente, a presença no esterco das importantes espécies de tesourinhas (Euborellia annulipes, Labidura riparia e Strongylopsalis mathurinii), vorazes predadores dos temidos ácaros vermelhos das galinhas (Dermanyssus gallinae).
O efeito máximo desses inimigos naturais verifica-se no esterco seco; no esterco muito úmido estes não conseguem mover-se o suficiente para capturar os ovos e larvas das moscas em grandes números. Dessa forma, manter o esterco seco, além de diminuir as chances de criar moscas, contribui substancialmente para o desenvolvimento das populações de predadores e parasitóides das moscas, favorecendo o controle biológico natural. A presença dessa fauna é também muito importante para manter o esterco seco, já que esses inimigos naturais das moscas ali fazem túneis e escavam galerias que facilitam a passagem de correntes de ar pelo interior desse material (aeração).
3.3. Controle físico
São medidas adotadas para minimizar a entrada e a proliferação de insetos dentro de uma unidade fabril através de: telamento de portas e janelas com malha de 2 mm, CVS 6/99 item 9.5; as janelas e outras aberturas deverão ser construídas de forma a evitar o acúmulo de sujidades, aquelas que se comuniquem com o exterior deverão estar providas de proteção contra insetos. As proteções deverão ser de fácil limpeza e boa conservação, MA 368/97 item 4.1.3.7.4; acondicionamento de lixo dispostos em recipientes com tampas e ou local fechado isento de insetos e roedores (câmara de lixo com temperatura inferior a 20ºC), CVS 6/99 item 9.10; armazenamento de resíduos e materiais não comestíveis: deverão existir meios para o armazenamento dos resíduos e materiais não comestíveis, antes de sua eliminação pelo estabelecimento, de forma que se impeça a presença de pragas nos resíduos de materiais não comestíveis e se evite a contaminação das matérias primas, do alimento, da água potável, do equipamento, dos prédios e vias internas de acesso, MA 368/97 item 4.1.3.19; e sobretudo uma perfeita higienização do ambiente, CVS 6/99 item 16 e MA 368/97 itens 4.1.3.6 e 5.3.
3.4. Controle mecânico
Controle que auxilia diretamente na minimização das intervenções químicas, utilizando equipamentos para prevenção da entrada (barreiras), de abrigo (repelência) ou mesmo de captura (armadilhas).
Entre os muitos equipamentos existentes, chamamos atenção para a eficiência do Flex Door, Cortinas de Ar e Light Trap’s. Todos esses equipamentos devem acompanhar um projeto para dimensionamento, quantificação e posicionamento além da perfeita higienização e manutenção, pois caso contrário, sua eficiência será totalmente comprometida.
Flex door (barreira) – porta contínua ou em tiras, de material plástico flexível e translúcido, instalado em locais onde há comunicação com o meio externo da edificação. Dificulta a entrada de insetos alados quando bem utilizado.
Cortinas de ar – equipamento instalado acima da porta onde se deseja manter total isenção de insetos alados. É acionado automaticamente quando a porta se abre, expelindo uma forte cortina de ar de cima para baixo com ângulo de inclinação de 45º. O seu alto custo de aquisição e manutenção se torna inviável para algumas indústrias.
Light trap’s (armadilha) – É o controle mais usado dentro da indústria de alimentos, composta de lâmpada ultravioleta que atrai as moscas e outros insetos alados, possui placa adesiva ou descarga elétrica (ROZENDAAL,1997). Descarga elétrica – sistema de eletrocussão de insetos, ocorre uma descarga elétrica no inseto ao entrar em contato com a grade provocando cheiro, fumaça ou a fragmentação do inseto em alguns casos. Portanto, seu uso na indústria de alimentos, deve ser realizado com muita cautela, mantendo a limpeza e manutenção do equipamento, instalando-o em locais indicados por profissionais capacitados no controle integrado de pragas. Placa adesiva – os insetos são capturados em placa adesiva descartável escondida no interior do equipamento, recomendada para higienização de ambientes sem provocar cheiro, fumaça ou fragmentação de insetos. Porém seu uso deve ser acompanhado de limpeza e manutenção constante.
O uso deste equipamento não está previsto em legislação pertinente, entretanto, faz-se uso das Boas Práticas de Fabricação(GMP/BPF) e Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle(HACCP/APPCC).
As lâmpadas de luz ultravioletas que atraem as moscas e outros insetos alados, são providas de um filme plástico policarbonado que as envolvem, mantendo-as virtualmente intactas caso venham a se quebrar, eliminando os riscos de contaminação dos alimentos com estilhaços de vidro que poderiam cair na ocorrência de uma explosão das lâmpadas (CVS 6/99 item 9.6 e MA 368/97 item 4.1.3.17).




Desenho esquemático
de um light trap




3.5. Controle químico
A crescente utilização de inseticidas, especialmente dos de ação residual, despertou, entretanto, preocupações a respeito de seus efeitos a longo prazo, tanto sobre as espécies que devem ser controladas quanto sobre o ambiente em geral.
O uso indiscriminado dos inseticidas, apesar de sua importância, se constitui, em alguns casos, em fator de risco para a saúde e para o meio ambiente, podendo causar a contaminação do solo, das águas superficiais e subterrâneas, a extinção de insetos úteis, o aparecimento de insetos resistentes, a intoxicação dos aplicadores e a contaminação das cadeias alimentares. Com o conhecimento desses problemas é possível ajustar a prática do uso de inseticidas para maximizar os benefícios e minimizar os efeitos indesejáveis (PIMENTEL, 1981).
Tais preocupações se manifestam nos projetos de síntese desses produtos para que satisfaçam condições de segurança cada vez mais rigorosos.
Um inseticida comercialmente viável era selecionado, em 1956, entre 1.800 compostos; entre 7.400 em 1970 e entre mais de 12.000 em 1977. Este processo de produção passou então a ser denominado “roleta molecular” (BUSVINE, 1989).
A utilização desses inseticidas químicos continua, entretanto, sendo a principal medida para provocar o controle rápido e tão completo quanto possível de um vetor ou praga (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1984).
Em condições ideais, um inseticida deve ter toxicidade muito elevada para os insetos que constituem seu alvo e nula para o homem, animais domésticos e silvestres. Os resultados de pesquisas recentes têm-nos aproximado deste objetivo (GARDNER & PLAPP, 1977).
Organofosforados (classe toxicológica II) – (clorpirifós, diclorvós e azametifós) atuam no sistema nervoso central como inibidores irreversíveis da acetilcolinesterase, provocando o bloqueio da ação dessa enzima, interferindo com a transmissão de impulsos entre as células nervosas e causando a morte rápida do inseto. Todos os organofosforados são exclusivamente aplicados nas áreas externas da indústria de alimentos.
Piretróides (classe toxicológica III) – (deltametrina, alfacipermetrina, lambdacialotrina e cipermetrina) causa uma despolarização das membranas nervosas e um bloqueio na condução de impulsos, devido a uma corrente de sódio extremamente prolongada, provocam seus efeitos principalmente no sistema nervoso do inseto.



A intoxicação do inseto se dá em primeiro por uma fase de intensa agitação e em seguida por descoordenação e convulsões, levando a uma imediata ação excitante e conseqüente choque (knock down) e morte do inseto. Os produtos inseticidas usados na indústria de alimentos estão descritos na Tabela 1.
Conforme o anexo IV do Decreto nº 98.816 de 11 de janeiro de 1990, os produtos inseticidas devem apresentar uma faixa que, de acordo com a cor, indica a classe toxicológica do produto.


Classificação Toxicológica
Classe I Faixa vermelha Extremamente tóxico
Classe II Faixa amarela Altamente tóxico
Classe III Faixa azul Medianamente tóxico
Classe IV Faixa verde Pouco tóxico


3.6. Misturas químicas
De acordo com o parágrafo único do artigo 1º da Portaria-SDA nº 67, de 30 de maio de 1995, “entende-se por mistura em tanque, a prática de associar, imediatamente, antes da aplicação, agrotóxicos ou afins, necessários ao controle de alvos biológicos que ocorrem simultaneamente, para os quais não se obtenha eficiência desejada com um único produto”.
Os insetos em geral apresentam uma grande diversidade genética e um curto ciclo de reprodução, que os capacita para uma rápida acomodação aos inseticidas utilizados, dando origem a gerações de insetos resistentes ou tolerantes aos produtos utilizados.
Existem duas formas alternativas de impedir a acomodação dos insetos e eliminar as populações que apresentam eventual resistência a determinado inseticida: uma é a contínua busca de novos produtos para substituir os que perderam a sua eficiência; a outra consiste na utilização das misturas de inseticidas, preferentemente de grupos químicos diferentes, que agindo de maneira fulminante (knock down), não dá chance de sobrevivência aos insetos que eventualmente estejam em processo de acomodação.

4. Considerações relevantes comportamentais das moscas
A mosca apresenta, com freqüência, relativa rapidez em adquirir resistência aos produtos químicos, no entanto, existem meios para retardar o surgimento dessa resistência. Trata-se principalmente, no emprego adequado desses inseticidas: a aplicação do produto mais apropriado; a época correta de aplicação; o tipo de aplicação e a menor dose ou concentração eficiente para reduzir substancialmente as populações dos insetos alvo.
As moscas mais comuns são ativas durante o dia ou sob luz artificial; à noite ou no escuro descansam ou andam vagarosamente. Sob a luz, os lugares de pouso para os curtos períodos de descanso que entremeiam as atividades de alimentação ou reprodução localizam-se próximos às fontes de alimentos ou seus criadouros. Abaixo de 25ºC e acima de 40ºC, as moscas diminuem sua movimentação a qual é fortemente influenciada por fatores climáticos e ambientais.
Evitam exposição ao vento direto e ao ar seco. Nos ambientes fechados (onde a luz ultravioleta é praticamente inexistente), geralmente preferem superfícies escuras como o preto e particularmente o vermelho escuro; não demonstram atração, pelo azul e evitam a luz. A céu aberto, evitam as superfícies refletoras de luz e as superfícies brilhantes; exibem atração por vermelho, amarelo e branco, mas evitam o preto. Em geral, a mosca doméstica (Musca domestica), exibem pouca atração por lâmpadas, ainda que coloridas, até mesmo lâmpadas ultravioleta. Contudo, a temperatura do ar muda esse comportamento: em temperaturas mais baixas, por exemplo a 18ºC, são atraídas por lâmpadas vermelhas ou amarelas que sugerem alimentos, e em temperaturas mais altas, por exemplo a 28ºC, o azul e a ultravioleta atuam como atrativos.
As moscas são ótimos voadores e deslocam-se a velocidade entre 6 e 8 Km/h, embora não pratiquem vôos muito longos e não migrem.
Encontrando fontes de alimento disponíveis, permanecem num raio de 100 a 500 metros de seus criadouros de origem. Todavia, sob certas condições e em casos de superpopulação, as moscas podem atingir de 1 a 5 Km de distância de seus nascedouros; excepcionalmente já foram localizadas até 20 Km do criadouro, embora não se saiba se ali chegaram por seus próprios meios ou se levados passivamente pousadas em animais ou veículos, daí a necessidade de realizar monitorações de até 5 Km do ponto de infestação.



5. Considerações pertinentes ao controle e proliferação de moscas
O começo de tudo é o conhecimento das informações relevantes sobre a biologia e o comportamento das principais espécies à serem controladas, obtendo níveis de controle satisfatórios. A identificação da espécie se faz necessário para um manejo adequado e um resultado satisfatório.
A densidade da população de moscas, assim como de outros insetos, pode ser afetada por dois grupos de fatores: os abióticos (são fatores ambientais, tais como a temperatura, umidade do substrato de criação, umidade do ar e etc.) e os bióticos (inimigos naturais como predadores, parasitóides e patógenos).
O clima da região é um indicador geral do potencial reprodutivo das moscas naquela área, a alta temperatura ambiente favorece a procriação das moscas em geral, diminuindo seus ciclos (de ovo a adulto). Este fato sugere um comportamento sazonal nas regiões onde ocorre uma clara distinção entre os meses quentes e os frios, como é o caso do sul do país, uma região de clima temperado (abaixo do trópico de Capricórnio que passa em São Paulo); nessa região, pode-se perceber facilmente a influência da temperatura na abundância de moscas, que são substancialmente mais numerosas nos meses quentes. Em compensação, nas regiões norte e nordeste de nosso país, onde, devido à proximidade com a faixa de clima equatorial, as temperaturas são sempre elevadas, a sazonalidade das moscas não é tão marcante e o fator umidade passa a desempenhar papel mais relevante. Quando as temperaturas são mais altas ou a estação quente mais longa, gerações de moscas sucedem-se com rapidez, de tal sorte que é possível até a convivência de três gerações no mesmo período, em que pese a curta vida da mosca; em média de 17 dias para machos e 30 dias para fêmeas.
Ao lado da temperatura ambiente, o microclima dos substratos criatórios de moscas é de grande importância na determinação das taxas de reprodução e na abundância de moscas. O material orgânico de origem animal ou vegetal, acumulado e outros meios propícios de criar moscas, geram calor considerável em virtude da fermentação, de forma que a temperatura do substrato de criação das moscas é usualmente mais alta do que a temperatura ambiente (dentro das instalações ou a céu aberto). Quanto maior for o acúmulo de material orgânico, mais alta será a temperatura do composto favorecendo a proliferação e desenvolvimento das larvas nas camadas mais superficiais (restos de alimentos, esterco, vísceras, embalagens com vestígios de sangue/açúcar/ração/leite e etc.).
O manejo correto e adequado de resíduos de material orgânico, impedindo seu acúmulo, contribui bastante para impedir a proliferação das larvas de moscas. O lixo deve estar devidamente acondicionado, de modo que não represente riscos de contaminação, preferencialmente em câmara refrigerada a temperatura inferior a 20ºC.
Todo e qualquer monitoramento de infestação de moscas, deve ser feito até 5 Km de distância de seu criadouro, e todos os veículos de transporte afins de obter um controle mais satisfatório possível.
Portaria CVS 6/99 - item 7: Devem ser implantados procedimentos de boas práticas de modo a prevenir ou minimizar a presença de insetos e roedores;
Portaria MA 368/97 – item 4.1.3.4: Os prédios e instalações deverão ser de tal maneira que impeçam a entrada ou abrigo de insetos, roedores e/ou pragas e de contaminantes ambientais, tais como fumaça, poeira, vapor e outros.
Portaria CVS 6/99 - item 9.5: As entradas principais e os acessos às câmaras devem ter mecanismos de proteção contra insetos e roedores. Janelas com telas milimétricas limpas, sem falhas de revestimento e ajustadas aos batentes. As telas devem ter malha de 2mm e serem de fácil limpeza e em bom estado de conservação;
Portaria MA 368/97 – item 4.1.3.7.4: As janelas e outras aberturas deverão ser construídas de forma a evitar o acúmulo de sujidades; aquelas que se comuniquem com o exterior deverão estar providas de proteção contra insetos. As proteções deverão ser de fácil limpeza e boa conservação.
Portaria CVS 6/99 - item 9.6: ...As lâmpadas e luminárias devem estar limpas e protegidas contra explosão e quedas acidentais...;
Portaria MA 368/97 – item 4.1.3.17: ...As fontes de luz artificial que entejam suspensas ou aplicadas e que se encontrem sobre a área de manipulação de alimentos, em qualquer fase da produção, devem ser do tipo inócuo e estar protegidas contra rompimentos....(estes itens são aplicados as lâmpadas dos Light Trap’s).
Portaria CVS 6/99 - item 16: Remover o lixo diariamente, quantas vezes necessário, em recipientes apropriados, devidamente tampados e ensacados, tomando-se medidas eficientes para evitar a penetração de insetos, roedores ou outros animais; seguir um programa de controle integrado de pragas;
Portaria MA 368/97 – item 4.1.4.2.2: Os recipientes para matérias não comestíveis e resíduos deverão estar construídos de metal ou qualquer outro material não absorvente e resistente, que facilite a limpeza e eliminação do conteúdo, e suas estruturas e vedações terão de garantir que não ocorram perdas nem emanações. Os equipamentos e utensílios empregados para matérias não comestíveis ou resíduos deverão ser marcados com a indicação do seu uso e não poderão ser usados para produtos comestíveis.

6. Conclusões
O monitoramento se faz presente para detectar possíveis falhas que estejam servindo de fonte de alimentação, esconderijo e trânsito das moscas, evitando que estes se transformem em hospedeiros, causando eventuais ataques ou infestações.
A realização de um perfeito trabalho depende da conscientização da indústria de alimentos; é necessário a implantação de medidas preventivas e corretivas, minimizando assim o uso desnecessário ou abusivo de inseticidas.
Com base nos conhecimentos dos hábitos das moscas, verifica-se sua preferência por locais os quais propiciem o seu acesso, que contenham resíduos de alimentos, acúmulo de sujidades e outros, condições estas que posteriormente servirá de fonte de alimentação e reprodução, favorecendo que o ambiente se torne mais suscetível às infestações.
Ressalta-se a grande importância de deixar organizadas, limpas e conservadas todas as áreas (higienização), contribuindo para uma melhor implantação do programa de controle integrado de moscas. O manejo adequado de resíduos de origem orgânica, animal e vegetal, impedindo o seu acúmulo é bastante considerável, pois impede a proliferação de moscas. Adequando o lixo em condições ideais de armazenamento e transporte, evita-se assim o risco de contaminação e proliferação de agentes patogênicos oriundos das moscas em seu produto final.
A qualidade total e principalmente a conscientização de todos os colaboradores, devem ser prioridades para obtenção do resultado almejado, pois as intervenções químicas não serão suficientes.
Com o avanço tecnológico e uma maior exigência de padrões de qualidade imposta pelo mercado, faz-se necessário a adequação a sistemas que visam melhorias contínuas, tais como: housekeeping/5S, GMP/BPF e HACCP/APPCC. Consequentemente todos esses conceitos caminham atrelados ao controle integrado de pragas, portanto torna-se necessário a sua incorporação à todas etapas de processamento, visando sempre a prevenção e a utilização de medidas corretivas, quando necessário. Enfatizamos que estes sistemas de qualidade não são restritos somente ao controle de moscas e sim de todo tipo de pragas urbanas (baratas, moscas, ratos, pombos, morcegos, formigas e outros).
Definidas as metas de controle de moscas, estas devem ser lembradas pelos colaboradores, através da implantação de procedimentos que deverão ser seguidos com a mesma prioridade dos de segurança, higiene e qualidade. Estes procedimentos devem ser seguidos por todos os funcionários, prestadores de serviços e terceiros que passem longos períodos dentro da indústria de alimentos, fazendo-se necessário a utilização de um sistema de avaliação, monitorando as condições higiênico sanitárias dos veículos de transporte de matéria prima e produtos acabados, pois o grande índice de contaminação dos alimentos ocorrem em veículos que não observam o asseio, higienização e controle de pragas no seu interior, independentemente de serem veículos refrigerados, isotérmicos ou simples veículos do tipo “baú”.
Com o intuito de minimizar a utilização de inseticidas, é necessário a implementação de medidas preventivas e corretivas, porém deve ser dado muita atenção nas especificações e maneiras corretas de instalação; estes devem passar por um sistema de revisão periódico para que não acabem por atraírem as moscas, surtindo um efeito contrário ao esperado (light trap’s, cortinas de ar, armadilhas e outros).
O uso indiscriminado dos inseticidas, que chegam até levar a uma redução aparente dos focos de infestação, podem acabar gerando efeitos colaterais. Concentrações dos produtos abaixo ou acima do recomendado pelos técnicos acarretam a médio prazo resistência das moscas aos efeitos tóxicos. Isso também ocorre quando não há um rodízio tecnicamente planejado de princípios ativos.
Dentre os cuidados propostos pelo controle de pragas, deve-se observar: a instalação de barreiras físicas para dificultar o acesso das moscas; a periodicidade mais indicada para o tratamento; o uso de produtos legalmente permitidos de acordo com sua toxicidade e indicação; a seleção correta de empresas controladoras; a permanência do princípio ativo nas áreas, o descarte das embalagens usadas; a utilização de equipamentos de proteção individual (EPI’s) e até a influência do clima no controle das moscas. O controle químico, apesar da ênfase maior em ações preventivas, também está presente, mas com papel secundário, complementar às orientações de limpeza e higiene.
Os programas de controle de moscas devem ser sustentáveis por determinados períodos de tempo, não sendo, entretanto, possível eliminá-las completamente. Apenas o uso de inseticidas permite a eliminação do inseto por curtos espaços de tempo, de forma rápida e segura. Os inseticidas têm um papel importante na humanização de determinados locais e situações, contribuindo para eliminar a transmissão de vários tipos de patogenias. Em áreas residenciais, os programas intensivos para o controle de moscas não podem ser mantidos por longos períodos uma vez que tal situação poderia levar os insetos a tornar-se resistentes aos inseticidas. Entretanto, nos locais onde há a manipulação de alimentos, como indústrias, frigoríficos, matadouros e entre outros, o controle de moscas deve ser realmente efetivo para promover a redução das condições propícias à transmissão de inúmeras patogenias.
As boas práticas de fabricação, BPF/GMP, se tornam fundamentais para eliminar ou amenizar quaisquer infestação de moscas, pois sua total ou parcial não observância pode gerar pequenos problemas que se tornam grandes quando não corrigidos a contento.
Documento 1: quando as recomendações de não conformidades são efetuadas, o resultado obtido é muito satisfatório, ou seja, o nível de qualquer infestação em determinadas situações pode atingir a zero.
A incidência de 1,5% de Musca domestica na câmara de lixo é considerável, pois é vetor de numerosos agentes patogênicos que presos as suas pernas e aparelho bucal, proliferam quando em contato com matéria orgânica, alimentos.
Documento 2: a necessidade de uma postura mais efetiva, pertinente as condições higiênico sanitárias do descarte, devem ser imediatas, pois a disseminação de qualquer patógeno por este inseto é bastante evidente. A área de descarte não deve ser tratada com desleixo e sempre observá-la como foco principal de qualquer infestação e proliferação de moscas.
Com a identificação de larvas de Piophila casei, mosca do queijo, a instalação de telas de 2mm foram suficientes para suprimir qualquer infestação futura, mantendo o monitoramento constante do local.
Documento 3: após o décimo terceiro dia, as ações corretivas de não conformidades do refeitório não foram tomadas, ou seja, instalação de tela e light trap. A simples intervenção química não foi satisfatório, as barreiras mecânicas e físicas são fundamentais para o controle da Musca domestica.
A presença da Cochliomya hominivorax é extremamente preocupante devido aos patógenos causados aos animais e aos homens. Seu monitoramento se faz necessário após dez dias da intervenção química, onde fica evidente o decréscimo da infestação, porém uma nova intervenção se faz necessário para obtermos incidência tolerável da Cochliomya hominivorax, salvaguardando a saúde dos funcionários do frigorífico.
Documento 4: a correta higienização e limpeza da câmara fria deram excelente resultado, porém no tanque de resíduos nenhuma providência foi tomada para correção das não conformidades. Após doze dias da intervenção química a infestação não aumentou e não diminuiu, permanecendo inalterada.
A colaboração da indústria alimentícia com atitudes imediatas de correção é fundamental para um resultado satisfatório, dificultando qualquer contaminação no processo fabril, independentemente da espécie de mosca em questão.
Documento 5: seis dias após a intervenção química, a redução de 50% da infestação de Musca domestica nos vestiários e banheiros já é percebido, porém o controle nos depósitos é preocupante, redução de 6%, pois todas as não conformidades não foram corrigidas: não houve a reposição da cortina de ar e o light trap não teve seu posicionamento corrigido, persistindo em atrair as moscas de fora para dentro do depósito, surtindo efeito contrário ao esperado. Pois seu objetivo, quando corretamente posicionado, é capturar as moscas que por ali passam.
Os bons resultados obtidos nas indústrias alimentícias para o controle das infestações de moscas, se deve ao trabalho conjunto da indústria e empresa controladora de pragas, corrigindo falhas de não conformidades e cooperando com quaisquer informações relevantes ao controle de moscas. As medidas corretivas das não conformidades e BPF/GMP são essenciais para o sucesso do controle de qualquer praga, pois a simples intervenção química terá sua eficiência comprometida sem as devidas correções das não conformidades e aplicação das BPF/GMP.

7. Observações
Os relatórios das indústrias alimentícias onde foram observadas a presença de moscas, estão anexo a este trabalho através dos documentos 1, 2, 3, 4 e 5, sendo suas verdadeiras razões sociais suprimidas afim de salvaguardar a ética profissional da empresa controladora de pragas e bem como seus respectivos clientes.
Todos os resultados aqui obtidos são exclusivamente para fins acadêmicos e científicos.

Referências Bibliográficas

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