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  SUBSÍDIOS ANTI-DISSEMINAÇÃO DE AEDES AEGYPTI EM USINA DE CO-PROCESSAMENTO DE PNEUS
30/03/2012

GERALDO MAJELA PINTO
MG - ITAU DE MINAS
O artigo aborda a questão do consumo de pneus associado ao elevado passivo ambiental destes resíduos, o co-processamento em fornos de cimento é uma alternativa más pode tornar-se um grave problema de saúde pública, dentre estes, o Aedes Aegypti.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Meio Ambiente e Biodiversidade
Controle de Vetores e Pragas
Educação Ambiental
Fiscalização/Vigilância Ambiental
Treinamento e Ensino na Área de Meio Ambiente e Biodiversidade
Saúde
Controle de Vetores e Pragas
Saúde Pública/Vigilância Ambiental
Saúde Pública/Vigilância Epidemiológica


FINOM – FACULDADE DO NOROESTE DE MINAS

GERALDO MAJELA PINTO

 

 

 

 

 

 

SUBSÍDIOS ANTI-DISSEMINAÇÃO DE AEDES AEGYPTI EM USINA DE CO-PROCESSAMENTO DE PNEUS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Coronel Fabriciano

2011

FINOM – FACULDADE DO NOROESTE DE MINAS

GERALDO MAJELA PINTO

 

 

 

 

 

 

SUBSÍDIOS ANTI-DISSEMINAÇÃO DE AEDES AEGYPTI EM USINA DE CO-PROCESSAMENTO DE PNEUS

 

 

 

 

 

 

Artigo Científico encaminhado à Faculdade de Educação da FINOM, como parte dos requisitos para obtenção do título de Especialista em Gestão de Saúde Pública.

 

 

 

 

 

 

Coronel Fabriciano

2011


 

SUBSÍDIOS ANTI-DISSEMINAÇÃO DE AEDES AEGYPTI EM USINA DE CO-PROCESSAMENTO DE PNEUS

 

 

Geraldo Majela Pinto[1]

resumo

o artigo aborda a questão do consumo de pneus associado ao elevado passivo ambiental destes resíduos e o compromisso com a logística reversa imposta pelas legislações ambientais é que surgem novas tecnologias visando uma destinação correta aos pneus inservíveis. A utilização como combustível em fornos rotativos da indústria cimenteira é um exemplo. Os pneus inservíveis são utilizados na geração de energia térmica para a produção do cimento. O co-processamento em fornos de cimento é uma alternativa para a destruição térmica com o aproveitamento energético dos resíduos, que passam a ser utilizados como matérias-primas (subprodutos) e fontes de energia no processo de fabricação de cimento. Este processo tem as vantagens de eliminar definitivamente os resíduos e substituir os recursos energéticos não renováveis por fontes alternativas de energia de forma ambientalmente segura. No entanto, esse processo demanda uma grande quantidade de pneus, que devem ser tratados com a devida importância. Caso contrário, podem tornar-se um grave problema para a saúde pública, pois se torna uma fonte de disseminação de pragas, dentre elas o Aedes Aegypti, vetor de importância epidemiológica.

 

Palavras-chave: Dengue, Co-processamento, Minas Gerais

 

 

Introdução

 

A constante procura das empresas por redução de custos e também pela diferenciação de seus produtos e serviços, e em decorrência das constantes pressões relacionadas à proteção do meio ambiente, está havendo uma preocupação cada vez mais constante pela reciclagem e/ou reaproveitamento de produtos como os pneus, devido a sua dificuldade de decomposição.

 “Tais atividades requerem todo um planejamento específico, visando gerenciar o fluxo de materiais do ponto de consumo até o ponto de origem. Esse processo “invertido” é chamado de Logística de Reversa”. (RAMOS e FILHO, 2008, p. 92).

Ainda de acordo com os autores:

Como tudo que é utilizado pelo homem, os pneus depois de usados se tornam um resíduo, devendo assim receber tratamento e disposição adequados, visando não causar danos à população e ao meio ambiente. As conseqüências mais comuns de descartes inadequados de pneus são: o assoreamento dos rios e lagos, o risco de incêndio, a ocupação de grandes espaços em aterros e a proliferação de insetos que podem, inclusive, transmitir doenças graves. (RAMOS e FILHO, 2008, p. 99).

 

Na superfície, segundo Filho (2005), se estocados sem a devida precaução em relação a sua proteção, existe a possibilidade deles acumularem água das chuvas, tornando-se assim reservatórios de água parada, o que pode propiciar a proliferação de insetos causadores de doenças, com destaque ao Aedes Aegypti, transmissor da dengue, doença endêmica no Brasil, e ambiente propício para proliferação de roedores que, entre inúmeras doenças, transmitem a leptospirose.

Na tentativa de dar uma solução ambientalmente correta para os pneus inservíveis, e que se torna muitas vezes uma questão de saúde pública, é que, segundo Andrade (2007), surge às iniciativas empresariais bem sucedidas, fruto de pesquisas e experiências diárias, que surte efeitos positivos. Como exemplo pode-se citar o co-processamento de pneus, utilizados como excelente fonte de energia.

O Co-processamento é uma técnica de destruição térmica usando-se alta temperatura de pneus, em que ele se torna matéria-prima do cimento. Onde ao mesmo tempo em que ocorre a destruição do resíduo, existe aproveitamento térmico. Assim, resíduos cujo descarte exige cuidados específicos, são destruídos termicamente nos fornos cimenteiros e suas cinzas incorporadas à matriz do clínquer, sem alterar a qualidade do produto final e gerar novos resíduos. Este processo reclassifica os resíduos, dando valor como subproduto. Porém alguns fatores precisam ser levados em consideração, para que a alternativa para os pneus inservíveis não passe de uma solução ambiental para problema de saúde pública, observando a quantidade de pneus que se utiliza no processo.

Diante da grande quantidade de pneus utilizados neste processo, deve-se, portanto, levar em consideração outros fatores, a saber: vulnerabilidade do desenvolvimento e disseminação de vetores, o perfil epidemiológico, índices de infestação, prevalência e incidência de doença das localidades de onde são encaminhados os pneus, a forma de transporte dos pneus até a usina e acondicionamento desses pneus dentro da usina.  Fatores estes que podem ser preponderantes no desenvolvimento de pragas e vetores de doenças, e que se pode agravar levando a um surto ou epidemia em uma localidade, devido à magnitude de locais favoráveis á proliferação.

Diante dessas circunstâncias faz-se necessário a implantação de um programa de manejo integrado de pragas. Com o propósito de controlar as possíveis pragas que possam se beneficiar da condição para seu desenvolvimento, proliferação e consequentemente a transmissão de doenças. Neste contexto foi desenvolvida esta pesquisa, com o objetivo de apresentar um diagnóstico e diretriz antidisseminação do Aedes Aegypti em usinas de co-processamento de pneus, empregando princípios de tecnologia ambiental.

A pesquisa será do tipo bibliográfico com respaldo em autores como Mendes e Silva.

 

 

Desenvolvimento

 

A dengue

A palavra dengue tem origem espanhola e quer dizer "melindre", "manha". O nome faz referência ao estado de moleza e prostração em que fica a pessoa contaminada pelo arbovírus (abreviatura do inglês de arthropod-bornvirus, vírus oriundo dos artrópodes). (MS, p.3. 2011).

A dengue tem se tornado uma preocupação para as autoridades sanitárias e a também para a população em geral.  A re-emergência de dengue no Brasil, segundo Costa et al (2008) é resultado da re-infestação do país pelo mosquito Aedes (Stegomyia) aegypti Linnaeus, que é principal transmissor da doença da dengue e que também é responsável pela transmissão da febre amarela urbana. O Estado de Minas Gerais está entre os estados do Brasil, um dos que apresentam maior índice de infestação do mosquito transmissor da dengue.

De acordo com Varella (2011) trata-se de uma doença infecciosa causada por um arbovírus. Existem quatro tipos de vírus diferentes que podem provocar a dengue, que são; DEN-1, DEN-2, DEN-3 e o DEN-4. Esses vírus aparecem especialmente em áreas tropicais e subtropicais do mundo. No Brasil a infestação atingiu índices alarmantes.

O dengue clássico se inicia de maneira súbita e podem ocorrer febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores nas costas. Às vezes aparecem manchas vermelhas no corpo. A febre dura cerca de cinco dias com melhora progressiva dos sintomas em 10 dias. Em alguns poucos pacientes podem ocorrer hemorragias discretas na boca, na urina ou no nariz. Raramente há complicações. (MS, p. 3, 2011).

 

Existe também a dengue hemorrágica, forma mais grave da doença. Inicialmente os sintomas se assemelham ao dengue clássico, mas “após o 5º dia da doença alguns pacientes começam a apresentar sangramento e choque. Os sangramentos ocorrem em vários órgãos”. (MS, p. 3, 2011). A dengue hemorrágica pode levar a pessoa à morte. A pessoa com dengue hemorrágica necessita de avaliação e cuidados médicos, e devem procurar uma unidade de saúde mais próxima.

O vírus da dengue tipo 4 vem avançando no Brasil representa e se tornando uma verdadeira ameaça à saúde pública do país. Este tipo de vírus não é mais perigoso que os demais tipos, mas ele se torna perigoso em decorrência da ação de variações do microorganismo causador da doença.

Existem quatro tipos do vírus da dengue: O DEN-1, o DEN-2, o DEN-3 e o DEN-4. “Causam os mesmos sintomas. A diferença é que, cada vez que você pega um tipo do vírus, não pode mais ser infectado por ele. Ou seja, na vida, a pessoa só pode ter dengue quatro vezes”, explica o consultor de dengue da Organização Mundial da Saúde (OMS), Ivo Castelo Branco.

“Em termos de classificação, estamos falando do mesmo tipo de vírus, com quatro variações”, explica Marcelo Litvoc, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. “Do ponto de vista clínico, são absolutamente iguais, vão gerar o mesmo quadro”, esclarece o médico.

A explicação do problema provocado pelo vírus 4 está no sistema imunológico do corpo humano. Quem já teve dengue causada por um tipo do vírus não registra um novo episódio da doença com o mesmo tipo. Ou seja, quem já teve dengue devido ao tipo 1 só pode ter novamente se ela for causada pelos tipos 2, 3 ou 4. (MS, p. 3, 2011).

 

Ou seja, as possibilidades de uma pessoa ser infectada aumentam nas mesmas proporções da existência do vírus da dengue. A re-incidência da doença torna-se mais grave a situação do paciente. A dengue tipo 4 é a última, e também que apresenta maior perigo.

 

 

 

Formas de transmissão da doença

 

A dengue é transmitida através da picada da fêmea do mosquito do vetor, pois necessita do sangue humano para que possa tornar viável a maturação dos ovos.

Embora a biologia deste mosquito seja razoavelmente bem conhecida, peculiaridades regionais e locais relacionadas ao clima e às modificações do ambiente feitas pelo ser humano interferem na dinâmica populacional do mosquito ao longo do ano. Assim, o conhecimento dessas particularidades é fundamental para a aplicação de medidas de controle mais efetivas regional e localmente. (COSTA, et al, 2008).

 

A transmissão se dá apenas pela picada do inseto, a doença não é transmitida pelo contato direto ou pela manipulação dos mesmos objetos. A dengue é uma doença que pode ser transmitida por duas espécies de mosquito, o Aëdes aegypti e Aëdes albopictus.

O mosquito Aedes aegypti possui as seguintes características; “mede menos de um centímetro, tem aparência inofensiva, cor café ou preta e listras brancas no corpo e nas pernas”. (MS, p. 5, 2011).

O mosquito da dengue geralmente costuma picar de manhã ou nas últimas horas da tarde, evitando assim o sol forte, no entanto, mesmo nas horas de sol forte ele pode atacar à sombra, tanto dentro quanto fora de casa.

 

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       Fonte: SESMG, 2009 - Ciclo de infecção no mosquito e no homem

 

Segundo o MS (2011) o indivíduo não percebe a picada, pois na hora da picada não dói e também não coça.

A fêmea do Aedes aegypti tem maior atividade durante o dia e adquire o vírus ao picar uma pessoa doente. Assim se inicia o chamado período de incubação extrínseco, que dura de 8 a 10 dias. O mosquito infectado transmite o vírus ao picar uma pessoa sadia, quando se inicia o período de incubação intrínseco, que dura de 3 a 15 dias. Uma pessoa infectada passa a transmitir o vírus para outros mosquitos um dia antes de apresentar os primeiros sintomas até o desaparecimento da febre (normalmente no 5º ou 6º dia – período de viremia), reiniciando o ciclo. (SESMG, 2009, p. 18).

 

O MS (2011) afirma que a fêmea ao picar uma pessoa doente, mantém o vírus na saliva, retransmitindo-o, é o chamado ciclo homem-Aedes aegypti-homem.

 

 

Ciclo do Mosquito

 

O ciclo do Aedes aegypti é composto por quatro fases, a saber: ovo, larva, pupa e adulto. “As fêmeas de Aedes aegypti põem em média de 300 a 400 ovos no decorrer de suas vidas. Entretanto, o número de posturas depende fundamentalmente da quantidade de sangue por elas ingerido”. (COSTA, et al, 2008).

As larvas se desenvolvem em água parada, podendo ser limpa ou suja. “O seu controle é difícil, por ser muito versátil na escolha dos criadouros onde deposita seus ovos, que são extremamente resistentes, podendo sobreviver vários meses até que a chegada de água propicia a incubação” (MS, p. 6, 2011). Os ovos emersos em água se desenvolvem rapidamente em larvas, originando as pupas, das quais dá origem ao inseto adulto.

 

 

A situação da Dengue em Minas Gerais

 

A incidência de dengue no Estado de Minas Gerais tem aumentado drasticamente.  A primeira epidemia de dengue em Minas Gerais ocorreu no ano de 1998 e atingiu principalmente a região metropolitana de Belo Horizonte, que respondeu por 87% dos casos notificados, de acordo com as informações da Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SESMG).

Segundo a SESMG no ano de 2002 houve novo pico de epidemia no Estado. Nos anos de 2003 a junho de 2006, houve redução do número da doença no Estado. O ano de 2006, quando comparado aos índices de 2005, houve novo aumento do número de casos, especialmente nas regiões do Triangulo Mineiro, da capital do Estado e do Norte de Minas. 

Atribuiu-se esse fato à introdução e circulação do sorotipo 3, à desmobilização político-administrativa dos programas municipais ocorrida após as eleições de 2004, à descontinuidade das ações de controle vetorial e à desinformação da população sobre a necessidade de ações permanentes de prevenção. (SESMG, 2009, p. 20).

 

Esse aumento levou o Estado a promover uma atualização no Plano Estadual de Controle da Dengue de 2002. Mas os casos de dengue continuaram a aumentar no Estado, como foi verificado no ano de 2007. “Alguns fatores podem ter influenciado este aumento, entre eles as condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento vetorial ocorridas no verão de 2006/2007, caracterizado por ter sido muito chuvoso e quente”. (SESMG, 2009, p. 20). Devido a este constante aumento do número de casos de dengue no Estado, a SESMG mapeou os municípios mineiros por maior ou menor risco de acordo com a transmissibilidade da dengue.

A classificação foi da seguinte forma: “os municípios coloridos em vermelho considerados de alto risco; em amarelo, médio risco; em verde, baixo risco; e em branco, municípios que não possuem o vetor e, portanto, têm risco muito baixo ou nulo para transmissão de dengue”. (SESMG, 2009, p. 20).

Os municípios de do Estado que apresentam risco alto ou médio devem ter prioridade no controle a doença. A classificação é de acordo com a Densidade Demográfica e População Absoluta. “A densidade demográfica é considerada como fator de risco associado ao critério populacional, devido à aglomeração das pessoas no espaço geográfico habitado elevar a probabilidade de ocorrência da transmissão da dengue”. (SESMG, 2009, p. 21).

A classificação pode ser ainda pelo Índice de Infestação Predial “hoje o indicador para medição de risco e predição da ocorrência da dengue”.  (SESMG, 2009, p. 21). E também pelo Número de Casos registrados nos últimos anos, que revela as localidades em que a doença ocorre de forma endêmica com picos epidêmicos, bem como aquelas localidades onde a ocorrência é totalmente esporádica ou nula. (SESMG, 2009, p. 21).

Esses critérios são considerados pouco imutáveis, portanto a classificação de risco de transmissibilidade é tida como estável. O mapa mostra a classificação de cada município mineiro:

 

 

FONTE: SESMG (2009). Mapa com os cenários epidemiológicos do estado de Minas Gerais

Ações de combate ao vetor da Dengue

 

Não existe ainda uma vacina eficaz que previna contra a dengue, apesar de todos as pesquisas então realizadas. Enquanto não se pode contar com uma forma mais eficaz é necessário se tomar medidas de prevenção, combatendo os vetores transmissores da doença.

As ações de antivetoriais são realizadas em três situações:

... um de vigilância sanitária de borracharias, cemitérios, depósitos de ferro velho, terrenos baldios; um de inspeção predial e eliminação ou tratamento de reservatórios potenciais ou atuais de larvas de mosquito e aplicação de inseticida em locais com transmissão ativa da doença; um terceiro componente relativo à informação, educação e comunicação sobre a doença e seus meios de prevenção. (Tauil, 2001).

 

Em relação às medidas de controle do vetor da doença da dengue a mobilização comunitária é fundamental para a redução destes vetores. “A vigilância epidemiológica, com estímulo aos profissionais de saúde para detecção precoce de casos suspeitos, pode evitar epidemias de grandes dimensões”. (Tauil, 2001).

O combate aos vetores transmissores da doença da dengue deve estar diretamente relacionado à eliminação dos criadores potenciais, ou seja, lugares em que a água fica parada, como; “pneus usados expostos ao ar, depósitos de ferro velho descobertos, latas, garrafas e plásticos abandonados e limpeza de terrenos baldios; aplicação de larvicida em depósitos de água de consumo” (Tauil, 2001). É recomendado ainda o uso de inseticidas para o mosquito adulto nos períodos de transmissão.

Sabe-se que uma das maneiras mais eficazes para o combate à Dengue é o combate ao Vetor da dengue. A participação popular no combate ao mosquito Aedes aegypti e Aedes albopictus, é essencial em qualquer município que queira reduzir o número de casos. Faz-se necessária então, uma intervenção educativa na população local, a fim de se implantar conceitos, de se discutir e de combater a doença, além da construção de uma mudança de atitudes em relação à Dengue. (TOMAZ, 2008, 77).

 

É necessária ainda a incorporação de determinados hábitos no cotidiano das pessoas, procurando formas de evitar que a água fique reservada em lugares que possam a se tornar criadores do vetor da doença.

Algumas ações podem evitar que o mosquito da dengue prolifere como; troca periódica da água das plantas aquáticas, manutenção de piscinas, fazendo uso de água tratada. A ação de prevenção da dengue necessita de mobilização social, envolvendo setor público e sociedade, promovendo a melhoria da qualidade de vida através de serviços de coleta regular de lixo, destino final adequado as embalagens que podem se tornar criadouros do mosquito e educação escolar.

 

 

A problemática envolvendo a destinação final dos pneus e co-processamento em indústrias cimenteiras

 

 

Segundo a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), a indústria brasileira de pneus produziu, em 2008, o total de 61,5 milhões de unidades. Como tudo que é utilizado pelo ser humano, os pneus depois de usados se tornam resíduos, devendo assim receber tratamento e disposição adequados, visando não causar danos à população e ao meio ambiente (FILHO, 2005).

Mesmo classificados no grupo de resíduos inertes – os que, em tese, representariam menor grau de periculosidade ambiental – os pneus ocupam papel de destaque na discussão dos seus impactos reais sobre o meio ambiente e a sobre saúde pública (NOHARA et al., 2006).

No caso específico dos pneus inservíveis se apresenta como sendo um problema para toda a sociedade e agora mais especificamente, por força de legislação, para as empresas que o fabricam ou que o reutilizam. A quantidade desses pneus espalhadas em todo o território nacional não é conhecida, mas estima-se que 100 milhões deles estejam em terrenos baldios ou nos lixões, tomando tais lugares propícios para a proliferação de insetos e outros animais responsáveis pela disseminação de doenças. A situação se agrava ainda mais, dadas as estimativas que dão conta do fato de serem necessários 600 anos para um pneu se decompor. (RAMOS e FILHO, 2008, p. 102).

 

Os pneus abandonados em terrenos baldios ou então aqueles que estão à espera de um destino final acabam por acumular água e se tornam criadouros potenciais do mosquito Aedes aegypti transmissor da dengue. A água parada representa um perigo para a proliferação do mosquito.

O surto de dengue que vem preocupando as autoridades sanitárias e a população levou a Secretaria Estadual do Meio Ambiente a autorizar a disposição de pneus usados em aterros sanitários, desde que devidamente retalhados ou triturados e previamente misturados com resíduos domiciliares, de forma a garantir a estabilidade dos aterros. (Serenza, 2001).

 

Esta preocupação tem fundamento devido ao aumentado de casos de dengue tipo 2,3 ou 4, sendo esta a mais grave de todas e que pode levar a pessoa a óbito.

O Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA em decorrência do aumento de casos de doenças no país e com a constante preocupação com os pneus inservíveis publicou a Resolução nº 258/99 “determinando que os fabricantes e importadoras passassem a dar destinação final ao produto”.  De acordo com esta Resolução “... os pneumáticos inservíveis abandonados ou dispostos inadequadamente constituem passivo ambiental, que resulta em sério risco ao meio ambiente e à saúde pública”. (CONAMA, 1999).

Seu volume e peso tornam o transporte e o armazenamento caros e difíceis. Quando compactados e enterrados inteiros tendem a voltar à sua forma original e retornam à superfície, causando uma movimentação no solo do aterro (GOMES et al., 1993) e adicionais problemas com eventual combustão. Uma vez na superfície, tornam-se vetores de proliferação de insetos transmissores de doença tropicais – com destaque ao Aedes aegypti, transmissor da dengue, doença endêmica no Brasil - e ambiente propício para proliferação de roedores que, entre inúmeras doenças, transmitem a leptospirose. (NOHARA et al., 2006, p. 14).

 

O uso de pneus como fonte de energia alternativa nas indústrias cimenteiras que necessitam de temperaturas elevadas para o processamento das matérias-primas que são necessárias para a formação do cimento, tem sido cada vez mais usado.

Os pneus são excelentes fontes de energia, principalmente quando utilizados como combustíveis secundários. As condições favoráveis para sua queima são: alta temperatura, elevado tempo de residência, ambiente alcalino para neutralização do enxofre e a incorporação das cinzas geradas ao clínquer. (NOHARA et al., 2006, p. 23).

 

O uso do pneu como forma de energia alternativa se constitui também uma forma de diminuir o uso de combustíveis não renováveis. “No Brasil, as empresas fabricantes de pneumáticos apostam no co-processamento de pneus em fornos para a produção de clínquer, como uma das melhores alternativa para equacionar o problema desses resíduos no País”. (NOHARA et al., 2006, p. 23).

A estocagem destes pneus em indústrias cimenteiras necessita de atenção, pois eles acumulam água e se tornam criadouros em potenciais do vetor transmissor da dengue, o que acaba disseminando a doença em toda região em torno onde a cimenteira está instalada.

 

 

Considerações Finais

 

O aumento crescente do número de pessoas infectadas com a Dengue no Brasil tem exigido medidas cada vez mais drásticas por parte das autoridades, no sentido de destruir o vetor causador da doença.

O aumento da dengue tipo 2, 3 ou 4 tem preocupado as autoridades e as pessoas, pois cada um só pode ter um tipo de dengue, e cada vez que uma pessoa tem um tipo de dengue diferente os sintomas são mais fortes, o que coloca a vida da pessoa em risco.

De acordo com a pesquisa realizada, imprescindível é a participação da sociedade para acabar com os criadouros do vetor transmissor da dengue.

Uma preocupação também é em relação ao destino final dos pneus, pois é um resíduo de difícil decomposição, representando, portanto um risco ao meio ambiente e também um depósito de água parada, tornando-se criadouros do vetor transmissor da dengue.  O seu uso como forma alternativa de energia em indústrias cimenteiras tem representado uma alternativa para dar um fim adequado a este resíduo. É imprescindível dar tratamento adequado a este resíduo nos depósitos destas indústrias cimenteiras, uma vez que eles acumulam água da chuva, onde o mosquito da dengue se desenvolve.

A dengue é uma doença grave e necessita que cada um faça a sua parte para acabar com os criadouros do mosquito transmissor da doença, inclusive nas indústrias cimenteiras do Brasil e em especial de Minas Gerais que possui índices elevados da doença.

 

Referências Bibliográficas

 

ANDRADE, H. S. Pneus inservíveis: alternativas possíveis de reutilização. Florianópolis: 2007. Disponível em: <http://tcc.bu.ufsc.br/Economia293475> Acesso em: 21/12/2011.

 

Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, 2002. Disponível em: <http://www.mp.pe.gov.br/uploads/n1JY6cgKv6IzTa9ZvyzPQ/Resoluo_CONAMA_258.pdf> Acesso em: 19/12/2011.

Costa, Fernanda Silva, et al. Dinâmica populacional de Aedes aegypti (L) em área urbana de alta incidência de dengue. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 41(3): 309-312, mai-jun, 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rsbmt/v41n3/a18v41n3.pdf> Acesso em: 05/12/2011.

 

FILHO, L. S. N. R. A Logística Reversa de Pneus Inservíveis: O Problema da Localização dos Pontos de Coleta. 2005. 99f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. Disponível em: <http://sare.unianhanguera.edu.br/index.php/anudo/article/viewFile/454/445> Acesso em: 19/12/2011.

 

MS. Ministério da Saúde. Tudo o que você precisa ficar sabendo sobre a Dengue. 2011. Disponível em: <http://www.dengue.org.br/dengue.html> Acesso em: 18/12/2011.

 

NOHARA, J. J. et. al. GS-40 – Resíduos sólidos: passivo ambiental. THESIS, São Paulo, ano I, v.3, p. 21-57, 2º Semestre, 2005. Disponível em: <http://scholar.googleusercontent.com/scholar?q=cache:KnNUFAOitYIJ:scholar.google.com/+Res%C3%ADduos+s%C3%B3lidos:+passivo+ambiental&hl=pt-BR&as_sdt=0&as_vis=1> Acesso em: 20/12/2011.

 

RAMOS, Karin Cristina Siqueira; FILHO, Leonardo Sohn N. Ramos. A logística reversa dos pneus inservíveis. Vol. XII. Nº 2, ano 2008. Disponível em: < http://sare.unianhanguera.edu.br/index.php/anudo/article/viewFile/454/445> Acesso em: 21/12/2011.

 

Serenza, Eli. Resolução estadual permite disposição de pneus em
aterros para reduzir focos de mosquitos da dengue. 2001.
Disponível em: <http://www.ambiente.sp.gov.br/destaque/pneus_aterros.htm> Acesso em: 17/12/2011.

 

SESMG- Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. Linha-guia de atenção à saúde Dengue. Belo Horizonte, 2009. 1ª Edição. Disponível em: <http://www.saude.mg.gov.br/publicacoes/linhaguia/linhasguia/dengue/LINHA%20GUIA%20DENGUE.pdf> Acesso em: 05/12/2011.

 

Tauil, Pedro Luiz.  Urbanização e ecologia do dengue. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 17(Suplemento): 99-102, 2001. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2001000700018> Acesso em: 19/12/2011.

 

TOMAZ, Rodrigo Victor Viana. Educação Ambiental voltada para controle e manejo dos vetores da dengue em Paraty/RJ. REVISTA - Educação Ambiental BE-597 / Volume 1 – 2008. Disponível em: <http://www2.ib.unicamp.br/profs/eco_aplicada/revistas/be597_vol1_5.pdf> Acesso em: 19/12/2011.

 



[1]Graduado em Ciências Biológicas e atualmente fazendo pós-graduação em Gestão de Saúde Pública pelo Instituto Prominas/FINOM.


GERALDO MAJELA PINTO
MG - ITAU DE MINAS

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