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  Breve relato sobre os Sirênios no Brasil
12/01/2012

VANIRA MORAIS DOS SANTOS
MG - SANTA VITORIA
Breve relato sobre os Sirênios no Brasil.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Meio Ambiente e Biodiversidade
Inventário, Manejo e Conservação da Fauna


Breve relato sobre os Sirênios no Brasil

 

Vanira Morais dos Santos

 

   O peixe-boi ou manati é um dos mamíferos aquáticos mais antigos do mundo, existindo há cerca de 60 milhões de anos. Resulta da evolução dos Sirênios (do período EOCENO). Esses seres aquáticos são responsabilizados pelas seculares lendas sobre a sereia, a encantadora mulher-peixe dos mitos de tantos povos. Isso por causa da vaga semelhança entre seu corpo e o corpo feminino, área do tórax: como as mulheres, os manatis têm duas mamas peitorais. Esse é o motivo pelo qual esses seres receberam o nome de Sirenia, que vem de sereia.

    No Brasil existem dois tipos distintos da espécie: o marinho Trichechus manatis, que pode ser encontrado no litoral nordestino e o amazônico Trichechus inungis que vive nos rios da região amazônica. O peixe-boi da Amazônia é parecido com marinho, pois ambos apresentam corpos robustos e pesados, cauda achatada, larga e disposta de forma horizontal, dentadura reduzida a molares, que se degeneram constantemente, nadadeira peitoral desenvolvida, um focinho móvel e expressivo e um único par de glândulas mamárias. Mas o amazônico se diferencia do marinho por não apresentar unhas em suas nadadeiras e por possuir um tamanho menor.

    O peixe-boi é um animal lento, que gosta das águas pouco profundas, onde a sedimentação forma prados flutuantes, ricos em capim, arroz selvagem entre outros tipos de vegetação aquática. Sua alimentação é essencialmente herbívora, chega a comer entre 16 e 30 quilos de plantas por dia e consegue armazenar até 50 litros de gordura como fonte energética para a época da seca ,quando as gramíneas de que se alimentam, diminuem de disponibilidade.

   O peixe-boi tem grande importância no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos. Dessa forma atua como controlador do crescimento exagerado das plantas aquáticas e algas. Além disso, fertilizam com suas fezes as águas contribuindo com a produtividade pesqueira.

   O ciclo reprodutivo desse animal é bastante demorado e complexo (segundo Barnes).Após um ano de gestação ,a fêmea dá a luz a apena um filhote o qual irá amamentar durante os dois anos seguintes. Dessa forma a fêmea só poderá gerar outra cria após 3 ou 4 anos. Além disso, os filhotes correm o risco de não sobreviverem por ficarem expostos as correntezas e hélices de barcos.

   Os peixes-boi foram durante séculos caçados para a utilização de sua carne, gordura e couro. Sua caça está proibida oficialmente pelo IBAMA desde 1971,o método de caça é muito cruel: o peixe é caçado no momento em que vem até a superfície para respirar. Neste momento os caboclos usam rolhas para entupir suas narinas e sufoca-los até a morte. Com a rolha no nariz, o animal assustado mergulha para fugir e morre afogado; se fica na superfície é morto a pauladas.

   Apesar da diminuição da caça predatória, o número desses animais vem diminuindo muito, devido à caça indiscriminada que ainda ocorre em algumas cidades do interior da Amazônia, apesar da proibição do IBAMA. Muitas vezes os peixes-boi se aproximam das redes de pesca e ficam enredeados nelas e morrem afogados ou nas mãos de pescadores; o peixe-boi é um animal que se mantém perto da superfície e em águas pouco profundas, isso o transforma em vítima frequente dos barcos, e há também a contaminação das águas costeiras que contribuem e muito com essa redução no número atual desses animais.

   Ameaçados de extinção no Brasil, são protegidos desde 1990 pelo Centro Nacional de Conservação e Manejo de Sirênios. Desde 1985, já existia o Centro Peixe-boi marinho mas em 1990,o IBAMA criou o Centro Nacional que estendeu seus estudos e ações de preservação também ao peixe-boi da Amazônia. O Projeto Peixe-boi   é sediado em Itamaracá, estado de Pernambuco .É um projeto muito bem estruturado com quatro unidades executoras na região   nordeste e uma base de apoio na Amazônia. Este projeto atua junto às escolas e as comunidades ribeirinhas num processo de conscientização da conservação dos peixes-boi, além de realizar o acompanhamento do animal em cativeiro.

   Ao final percebe-se que a melhor opção é a conscientização  de preservação que é muito importante em todas as espécies, pois no caso do peixe-boi ,tanto o marinho quanto o amazônico ,se encontram na lista dos animais em riscos de extinção.

 

 

Referência Bibliográfica

STORER Tracy; Usinger Rober; Stebbins Robert; Nybakker James .Zoologia Geral. São Paulo. Companhia Editora Nacional, 2002.

VILLEE, Claude A.Júnior; Warren; Barnes, Robert. Zoologia Geral. Rio de Janeiro. Guanabara,1988.

www.saudeanimal.com.br/peixe-boi.htm

www.ecosolidaridade.com.br/por/peixe-boi.htm.

 


VANIRA MORAIS DOS SANTOS
MG - SANTA VITORIA

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