retorna
  :: Artigo selecionado
  Análise da Educação Ambiental dos alunos do Ensino Fundamental nas escolas particulares e públicas no estado do Rio de Janeir
16/01/2013

CLAUDIO FIGUEIREDO DUARTE
RJ - RIO DE JANEIRO
Analisar o conhecimento sobre educação ambiental de crianças regularmente matriculadas em colégios públicos e privados de Magé, São João de Meriti e Nova Iguaçu, cursando do 6° ao 9° ano do ensino fundamental.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Meio Ambiente e Biodiversidade
Educação Ambiental


1 – INTRODUÇÃO O homem tem causado modificações nos recursos naturais acarretando grandes problemas ambientais. A situação atual é tão grave que requer uma modificação urgente na forma de agir visando equalizar a capacidade de recuperação da natureza. A inflexibilidade cultural característica nos adultos não favorece as mudanças de atitude necessárias para a reversão dos problemas ambientais causados pela intervenção humana. Já as crianças, se corretamente orientadas, colaborarão no combate e prevenção aos danos ambientais no futuro e influenciarão os adultos no presente, já que ainda não incorporaram vícios culturais. 1.1– JUSTIFICATIVA DO TEMA Frente a problemática, a educação ambiental para as crianças preenche lacunas culturais enraizadas nos adultos, minimizando os impactos dos vícios e costumes prejudiciais a natureza. É necessário formar novos cidadãos com competências e habilidades no que diz respeito à preservação e manutenção do Meio Ambiente tornando-se sujeito participativo e disseminador da causa. 1.2 – OBJETIVO Analisar o conhecimento sobre educação ambiental de crianças regularmente matriculadas em colégios públicos e privados de Magé, São João de Meriti e Nova Iguaçu, cursando do 6° ao 9° ano do ensino fundamental. CAPÍTULO I – CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS CONCEITUAIS NUMA ANÁLISE DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL E NO MUNDO. 1.1 – REFERENCIAL TEÓRICO Para, Zanine ( 2001 ), a atual crise é mais uma crise de uma sociedade do que, a crise de “ gerenciamento da natureza”. Foram somente nos últimos 20 a 30 anos, que as questões ambientais têm sido problematizadas em termos globais. Até meados da década de 60, as preocupações globais com a saúde do planeta terra eram praticamente inexistentes. Após esse período, começam a surgir movimentos ambientalistas em várias partes do mundo, no entanto a ideia predominante era de que a chamada “crise ambiental” devia-se, sobretudo, à exaustão dos recursos naturais e a poluição. A visão sobre o meio ambiente até então, apresentava fortes traços de uma concepção “Naturalista” de meio ambiente. O homem e os aspectos sociais, culturais e econômicos que o envolvem ficam bastante negligenciados. Segundo Odum ( 1987 ), as atividades humanas evoluíram de tal ponto que mudaram para sempre nossa visão de Terra e o papel que desempenham nela os diversos povos que habitam. O desafio educacional do momento é aprender a ver o ambiente e a sociedade como um sistema único. Um dos grandes problemas enfrentados pela Ecologia na luta pela preservação do meio ambiente é o desconhecimento por grande parte das pessoas das relações de causa e efeito que caracterizam ações cotidianamente exercidas pelos homens e que de algum modo acabam por trazer prejuízos aos ecossistemas. Sendo um dos aspectos significativos da Ecologia o estudo dos ecossistemas (Idem,2001). Para, Dias ( 2004 ) a chave para o desenvolvimento é a participação, a organização, a educação e o fortalecimento das pessoas. O desenvolvimento sustentado não é centrado na produção, é centrado nas pessoas. Deve ser apropriado não só a recursos e ao meio ambiente, mas também a cultura, a história e a sistemas sociais do local onde ele ocorre. Para Jacob ( 2003 ), o desenvolvimento sustentável somente pode ser entendido como um processo no qual, as restrições mais relevantes estão relacionadas com a exportação dos recursos naturais, a orientação do desenvolvimento tecnológico e o marco institucional. De outro, o crescimento deve enfatizar os aspectos qualitativos, notadamente os relacionados com a equidade, o uso de recursos, em particular da energia, e a geração de resíduos e contaminantes. Alem disso, a ênfase no desenvolvimento deve fixar-se na superação dos déficits sociais, nas necessidades básicas e na alteração de padrão de consumo, principalmente nos países desenvolvidos, para poder manter e aumentar os recursos bases, sobretudo os agrícolas, energéticos, bióticos, minerais, ar e água. Parafraseando Jacob ( 2003 ) a sustentabilidade constitui um conceito dinâmico, que leva em conta as necessidades crescentes das populações, num contexto internacional em expansão constante. O desenvolvimento sustentável não representa um estado estático de harmonia, mas, um processo de mudanças, no qual a exploração de recursos, a dinâmica dos investimentos, e a orientação das inovações tecnológicas e institucionais são feitas de forma consistentes face às necessidades atuais e futuras. Para, Tundisi ( 2006 ) o conceito de desenvolvimento sustentado implica que a exportação dos recursos naturais deve ser feita em condições tais que as futuras gerações possam utilizar esses recursos e beneficiar-se de um processo contínuo e equilibrado, no qual a redução das desigualdades econômicas e sociais e a diminuição da pobreza sejam metas fundamentais. Além disso, a preservação e restauração dos ecossistemas naturais, a reciclagem de materiais e o deslocamento das prioridades de um crescimento quantitativo para um crescimento qualitativo têm papel importante. Para Vieira ( 1998 ) a sustentabilidade apresenta quatro dimensões principais: 1 – Sustentabilidade social é o estabelecimento de um processo de desenvolvimento que conduza um padrão estável de crescimento; 2 – Sustentabilidade econômica, tornada possível graças ao fluxo constante de investimentos públicos e privada; 3 – Sustentabilidade ecológica, mediante a intensificação dos usos do potencial de recursos existentes nos diversos ecossistemas, intensificação esta, tornada compatível com o nível mínimo de deterioração deste potencial. 4 – Sustentabilidade cultural, que, talvez constitua a dimensão mais difícil de ser concretizada, na medida em que implica que o processo de modernização deveria ter raízes endógenas, buscando a mudança por meio da educação e da formalização de novos hábitos. Com confronto inevitável entre o modelo de desenvolvimento econômico vigente, que valoriza o aumento da riqueza em detrimento da conservação dos recursos naturais, e a necessidade vital de conservação do meio ambiente, surge a discussão sobre como promover o desenvolvimento das nações de forma a gerar o crescimento econômico, mas explorando os recursos naturais de forma racional e não predatória. ( Ibidem,1998 ) Desenvolvimento sustentável foi definido pela comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento ( 1991 ), como o “desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”. Por isso, todo desenvolvimento não será possível se não considerarmos as necessidades das gerações futuras, ameaçadas por agressões constantes ao meio ambiente. A ideia de sustentabilidade parte da premissa de que é preciso definir limites às possibilidades de crescimento e delinear um conjunto de iniciativas que levem em conta a existência de interlocutores e participantes sociais relevantes e ativos por meio de práticas educativas e de um processo de diálogo informado, o que reforça um sentimento de corresponsabilidade e de constituição de valores éticos, também implica que uma política de desenvolvimento para a sociedade sustentável não pode ignorar nem as dimensões culturais nem as relações de poder existente e muito menos o reconhecimento das limitações ecológicas, sob pena de manter um padrão predatório de desenvolvimento. ( Idem,2003 ) 1.2 – HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO MUNDO Uma visão panorâmica da educação ambiental internacional é essencial para que possamos nos situar cronologicamente na trajetória que atravessa esta especialidade do conhecimento humano. Segundo Almeida ( 1990 ) a educação ambiental não pode ser abordada apenas em sua dimensão local. O ambiente pode ser compartilhado por diferentes povos e nações. Por exemplo, se um lençol freático for contaminado em um bairro de uma cidade e dele aflorar um riacho em outra localidade a contaminação química, por exemplo, se expandirá. Por isto mesmo é que existem acordos internacionais, pois a degradação ambiental não obedece às fronteiras políticas. Almeida ( 1990 ), ressalta que a degradação do meio ambiente em grandes extensões de nosso planeta vem afetando massas populacionais de todos os setores da sociedade e é de abrangência internacional. A autora reforça que as fronteiras nacionais não impedem a poluição atmosférica, a poluição fluvial ou marinha, a destruição de florestas, a desertificação, erosão dos solos, etc. Fica clara a necessidade de ações coordenadas intergovernamentais e o exemplo das sociedades como um todo. Yearley ( 1992 ) afirma que no passado, quando a devastação ambiental planetária não era preocupação permanente da opinião pública e dos governos, havia pessoas denunciando-a. O cacique indígena norte-americano Seattle, em 1854, foi um destes casos. Atestou que os índios sabiam viver saudáveis e felizes sem destruir os recursos naturais, demonstrando conhecer profundamente as leis da natureza. O autor previu intuitivamente o que o homem deste século fez com auxílio de técnicas complicadas. Outra pessoa que denunciou a desatenção ao meio ambiente foi Raquel Carson ( 1962 ) autora de uma obra clássica na história do ambientalismo mundial “Primavera Silenciosa”, atingiu em cheio o publico dos países que tinham tradição de crescer à custa da destruição dos recursos naturais de países subdesenvolvidos e pobres. A seguir serão apresentados alguns dos eventos que marcam a trajetória da educação ambiental contemporânea. A CONFERÊNCIA DE ESTOCOLMO O marco inicial de interesse para a educação ambiental foi a conferência da Organização das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano – a Conferência de Estocolmo. Este tratado é um marco histórico internacional na emergência de políticas ambientais em muitos países, inclusive no Brasil. Pela primeira vez, a educação ambiental foi reconhecida como essencial para solucionar a crise ambiental internacional, enfatizando a priorização em reordenar suas necessidades básicas de sobrevivência na terra. A CONFERÊNCIA DE BELGRADO O encontro de Belgrado, em 1975, congregando especialistas de 65 países, gerou a carta de Belgrado. Esta preconizava uma nova ética planetária para promover a erradicação da pobreza, analfabetismo, fome, poluição, exploração e dominação humana. Censurava o desenvolvimento de uma nação à custa de outra, buscando-se um consenso internacional. Surgiu também a criação de um programa mundial em educação ambiental. A CONFERÊNCIA DE TBILISI A conferência internacional de educação ambiental de Tbilisi promovida pela UNESCO foi a mais marcante de todas, pois revolucionou a educação ambiental. Trata-se da primeira conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental em Tbilisi ( Geórgia ) em 1977. Nela constam os objetivos, funções, estratégias, características, princípios e recomendações para a educação ambiental. A CONFERÊNCIA DE MOSCOU A conferência de Moscou, em 1987, reuniu cerca de trezentos educadores ambientais de cem países, esta conferência não governamental reforçou os conceitos consagrados pela de Tbilisi. A educação ambiental deveria preocupar-se tanto com a promoção da conscientização e transmissão de informações, como o desenvolvimento de hábitos e habilidades, promoção de valores, estabelecimento de critérios, padrões e orientações para a resolução de problemas e tomada de decisões. Portanto, objetivar modificações comportamentais nos campos cognitivos e afetivos. A CONFERÊNCIA DO RIO DE JANEIRO A conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento ( CNUMAD ), oficialmente denominada de conferência da “Cúpula da Terra”, reuniu 103 chefes de estado num total de 182 países. Aprovou cinco acordos oficiais internacionais: 1 – Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento; 2 – Agenda 21 e os meios para sua implementação; 3 – Declaração da floresta; 4 – Convenção – Quadro sobre mudanças climáticas; 5 – Convenção sobre diversidade biológica. Durante esse megaevento o governo brasileiro, através do Ministério da Educação (MEC,1992) organizou um workshop paralelo a Rio-92, no qual foi aprovado um documento denominado de “Carta Brasileira para a Educação Ambiental”. Este documento enfoca o papel do estado, estimulando em particular a estância educacional como as unidades do Ministério da Educação(MEC) e o conselho de Reitores das universidades brasileiras(CRUB) para a implementação imediata da educação ambiental em todos os níveis. Concluindo, a educação ambiental internacional tem como marcos codificadores do seu corpo de conhecimento as Declarações Internacionais (D I) específicas derivadas das reuniões promovidas pela UNESCO e PNUMA. São marcantes as de Belgrado, Tbilisi e Moscou, além da Rio-92. CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL – (CNUDS) – RIO + 20 Conhecida também como Rio+20 foi uma conferência realizada entre os dias 13 e 22 de junho de 2012 na cidade brasileira do Rio de Janeiro, cujo objetivo era discutir sobre a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável. Considerado o maior evento já realizado pela Nações Unidas, a Rio+20 contou com a participação de chefes de estados de cento e noventa nações que propuseram mudanças, sobretudo, no modo como está sendo usados os recursos naturais do planeta. Além de questões ambientais, foram discutidas, durante a CNUDS, questões relacionadas à questões sociais, como a falta de moradia, por exemplo. O evento ocorreu em mais de dez locais diferentes, tendo o Riocentro sido o principal local de debates e discussões da Rio+20. Além deste, o evento foi realizado, oficialmente, no Aterro do Flamengo, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e em mais de cinco outros locais. 1.3 – A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL A educação ambiental no Brasil não traçou um caminho linear. Passou e tem passado muitos percalços para a sua implantação e desenvolvimento no ensino formal, não-formal e informal. “Segundo Pedrini(1997), a trajetória da educação ambiental no Brasil parece corrente no discurso técnico, embora se apoie, via de regra numa postura política de Estado mínimo e submissão da Sociedade às barbáries das regras do mercado econômico. S sua prática se mostra confusa, quando conhecida em poucos relatos de eventos ou em documentos acadêmicos.” A educação ambiental não é uma atividade recente no Brasil. Ela recebeu várias denominações, no entanto, o seu conceito geral de meio para a preservação ambiental ou da natureza é anterior à Conferência de Estocolmo. Anteriormente, a educação ambiental, sob conceito amplo, era citada como Educação Conservacionista ( Vallejo et al,1989), sanitária, ecológica, etc. A educação ambiental foi formalmente instituída no Brasil, pela Lei Federal de n°6.938, sancionada em 31 de Agosto de 1981, que criou a política Nacional do Meio Ambiente (PNMA). Essa lei foi o marco histórico na institucionalização da defesa da qualidade ambiental Brasileira, tendo como objetivo a formação de uma consciência pública dirigida para a preservação da qualidade ambiental, teria também três linhas básicas de ação. Formação de quadros técnicos; Ensino formal de 1º,2º e 3º graus; Formação de comunidade. Portanto é a partir dos anos de 1980 que se intensifica o processo de institucionalização da educação ambiental no Brasil. Depois da institucionalização da educação ambiental através da lei nº6.938/81, a Constituição da República de 1988, decidiu o capítulo VI ao Meio Ambiente: No artigo 225, inciso VI determina ao “poder público, promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino.” Em 1994, foi aprovado o Programa Nacional de Educação Ambiental (PRONEA), com a participação do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ministério da Educação (MEC), Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e o Ministério da Cultura (MINC). As trajetórias da educação ambiental no Brasil, nos três níveis de governo são marcadas por desencontros e quase total desarticulação operativa, a despeito da existência de políticas expressas para sua realização, mesmo que falhas e incipientes. CAPÍTULO II – EDUCAÇÃO AMBIENTAL: DEFINIÇÕES E FORMAS DE ATUAÇÃO. 2.1 – EDUCAÇÃO AMBIENTAL: DEFINIÇÕES A educação ambiental tem sido discutida em vários e diferentes contextos, primeiramente pelos movimentos ambientalistas, no final dos anos de 1960 e início dos anos 1970, nas duas Américas. Na década de 1980 o termo se popularizou mundialmente, passando a fazer parte do dia a dia dos mais diversos movimentos sociais – mais que realidade passou a ser uma necessidade. Em alguns casos a temática é abordada de forma equivocada, embora quase sempre vinculada à formação da cidadania, à reformulação de valores éticos frente à exploração da natureza, como forma de continuidade da vida no planeta ou como forma de encarar a relação Homem/Natureza e Homem/Homem. (Fontanela,2001) A educação ambiental é ação educativa permanente pela qual a comunidade tem a tomada de consciência de sua realidade global, do tipo de relações que os homens estabelecem entre si e com a natureza, dos problemas derivados dessas relações e suas causas mais profundas. Ela desenvolve, mediante uma prática que vincula o educando com a comunidade, valores e atitudes que promovem um comportamento dirigido à transformação superadora dessa realidade, tanto em seus aspectos naturais como sociais desenvolvendo nos jovens as habilidades e atitudes necessárias para a dita transformação. “A educação ambiental é um processo de reconhecimento de valores e clarificações de conceitos, objetivando o desenvolvimento das habilidades e modificando as atitudes em relação ao meio, para entender e apreciar as inter-relações entre os seres humanos, suas culturas e seus meios biofísicos. A educação ambiental também esta relacionada com a prática das tomadas de decisões e a ética que conduzem para a melhora da qualidade de vida”. (Conferência Intergovernamental de Tbilisi,1977apud MMA,2005). Entende-se por educação ambiental os processos por meio dos quais os indivíduos e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial a sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade ( Art.1º. da Lei nº 9.795 de Abril de 1999). “Processo em que se busca despertar a preocupação individual e coletiva para a questão ambiental, garantindo o acesso a informação em linguagem adequada, contribuindo para o desenvolvimento de uma consciência crítica e estimulando o enfrentamento das questões ambientais e sociais. Desenvolve-se num contexto de complexidade, procurando trabalhar não apenas a mudanças culturais, mas também a transformação social, assumindo a crise ambiental como uma questão ética e política.” ( Mousinho,2003 apud MMA,2005 ). 2.2 – FORMAS DE ATUAÇÃO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL O principal eixo de atuação da educação ambiental compreende a solidariedade e igualdade e o respeito às diferenças através de formas democráticas de atuação, que se baseiam em práticas interativas e dialógicas, com o objetivo de criar novas atitudes e comportamento diante das sociedades de consumo e de estimular a mudança de valores individuais e coletivos. ( Jacob,1997 ) “A educação ambiental deve ser trabalhada de modo a contribuir para repensar a sociedade em seu conjunto e não apenas como reforço para conservar e proteger a natureza nas perspectivas dos atuais modelos de desenvolvimento. O que se deseja é construir novas representações sociais e novos estilos de desenvolvimento, que permitam a manifestação da diversidade no social e no natural, e o desenvolvimento de potencialidades individuais e coletivas”. ( Fonseca,2003) “A educação ambiental, como um enfoque crítico e integrador da educação, constitui-se numa importante variável na procura do desenvolvimento sustentável, baseado na racionalidade ambiental e reconhecendo os limites dos ecossistemas naturais. Pretende, por meio de múltiplas sínteses, recuperarem os elementos valiosos do passado e do presente, para a construção de um futuro socialmente justo e ambientalmente sustentável. Nesse caso, vale como preventivo contra os problemas ambientais que os outros centros urbanos estão sofrendo, devido à omissão dos administradores, à incúria no planejamento e na educação das crianças”. Segundo Sato, (1997) “Internacionalmente, a abordagem educativa que considerava os aspectos ambientais, incorpora três grandes domínios: A educação para o cognitivo, o afetivo e o participativo; A Educação sobre o ambiente, favorece a aquisição de experiências e conhecimentos na área ambiental e seus problemas correlatos ( cognitivos ); Educação no ambiente: despertam valores e motivações que considerem um ambiente mais adequado (afetivo); e Educação para o ambiente: Promove a aquisição de habilidades e competências para agir e resolver os problemas ambientais (participativo). Obviamente, ao assumirmos a educação ambiental como processo educativo, vale questionar qual é a base pedagógica que orienta as nossas ações. Como observa Sauvé(1996), o ideal seria que a educação ambiental considerasse os conhecimentos em uma perspectiva cumulativa, através de uma cuidadosa orquestra de intervenção. Cabe aos educandos e educadores refletirem sobre diversos paradigmas, dentro de uma visão crítica, e sobremaneira, agir para a transformação necessária. 2.3 – A EDUCAÇÃO AMBIENTAL E OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS Segundo Zanini, (2001) o MEC publicou em 1997 o volume IX dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), sob o título Meio Ambiente e Saúde – temas transversais. A colocação do tema Meio Ambiente, como conteúdo a ser trabalhado pela Educação formal desde as séries iniciais indica a importância que essa temática vem ganhando no Brasil. Os novos PCN enfatizam a ideia de que, “fome, miséria, injustiça social e baixa qualidade de vida da população, são fatores relacionados com o modelo de desenvolvimento adotado, vem daí a importância de enfocar questões referentes ao bem estar e ao equilíbrio social na ótica ambiental, fundamentada em inter-relações e interdependências entre o homem e o meio. A escola auxilia no processo de transformação equilibrada da vida, por intermédio da participação ativa da comunidade escolar e, com envolvimento de outras parcelas da sociedade, de forma a alcançar melhorias da infraestrutura comunitária, dos serviços públicos, e consequentemente, a valorização da qualidade de vida (Reis,Jr,2003). Se a escola pretende formar indivíduos para o exercício da cidadania, ela não pode ignorar a realidade social. Sendo assim, os PCNs incorporam o processo educativo a discussão de questões sociais relevantes e presentes na vida cotidiana do país, Zanini, (2001). Essas tendências foram integradas à proposta dos PCNs, nos quais as problemáticas sociais em relação a ética, saúde, pluralidade cultural, orientação sexual, trabalho e consumo, e meio ambiente aparecem como temas transversais, fazendo parte integrante das diferentes disciplinas, permeando as diferentes áreas do conhecimento, seus objetivos, conteúdo e metodologias. Esses temas envolvem problemáticas sociais e culturais, de abrangência local, nacional e, até mesmo mundial (PCN,1997). Os temas transversais não são como áreas nem devem ser tratados como tal. Não é o caso de criar espaço no currículo para aulas de ética ou meio ambiente, por exemplo, muito menos de dar uma prova sobre tais temas. Na verdade os temas transversais devem fazer parte das áreas de trabalho educativo. Os novos Parâmetros Curriculares Nacionais propõem o trabalho com o meio ambiente de forma transversal. Os temas transversais são considerados como o eixo norteador, isto é, aparecem em todas as matérias, permeando a concepção, os objetivos, os conteúdos e as orientações didáticas de cada área, no decorrer de toda a escolaridade obrigatória. A palavra “transversal” indica essa característica do tema: eles estão presentes, em maior ou menor grau, em todas as áreas, ou seja, a sua problemática atravessa as diferentes áreas de estudo e o convívio escolar. “Nenhuma das áreas previstas consegue, isoladamente, tratar todas as questões referentes ao meio ambiente, por exemplo. Mais questões sobre o meio ambiente estão presentes na geografia, nas ciências, na educação física e nos relacionamentos entre pessoas e natureza, dentro e fora da escola”. (Zanini,2001) A transversalidade pressupõe um tratamento integrado das áreas e um compromisso das relações interpessoais e sociais escolares com as questões que estão envolvidas nos temas, a fim de que haja uma coerência dos valores experimentados na vivência que a escola propicia aos alunos e o contato intelectual como tais valores. As questões referentes ao meio ambiente devem receber tratamento diferenciado, segundo a localidade ou escola, os seus interesses e particularidades, para que os alunos compreendam as noções básicas sobre meio ambiente; percebam as relações que condicionam a vida, dominem métodos de manejo e conservação ambiental e possam se posicionar de forma crítica diante do mundo, contribuindo com ações efetivas. A questão ambiental, como também outros temas contemporâneos, deverá ser tratada num contexto que haja interação com as outras áreas do conhecimento convencional, a fim de estar presente em todas elas, relacionando-se com as questões da atualidade, tais como: o desenvolvimento sustentável, mudanças no padrão de consumo, a preservação, conservação e recuperação ambiental, ressaltando-se que os bens naturais do planeta pertencem a toda humanidade e que não será possível preservá-los por meio de políticas isoladas (Reis Jr.,2003). Em termos legais, convém ressaltar que a Lei Federal nº 9.394 de 20/12/1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional conhecida como Lei Darcy Ribeiro, estabelece que a “ educação, dever da família e do estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Enfim, a transversalidade diz respeito à possibilidade de estabelecer novos paradigmas, na prática educativa, uma relação entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados e as questões sociais da vida, importantes para o desenvolvimento individual e coletivo, bem como a forma de sistematizar esse trabalho. Assim, pensamos que na ótica da transversalidade e interdisciplinaridade, a própria Educação Ambiental poderia ser o “tema transversal”, e a partir dela resultar uma orientação e articulação curricular na abordagem de conceitos pelas diferentes disciplinas (em termos de conhecimento, habilidades, competências, valores e relação), facilitando assim a construção de uma visão da problemática ambiental mais sistêmica. Fazendo a transformação dessas ideias para o campo educacional convém apresentar a seguir, a proposta metodológica deste trabalho. Voltada para o entendimento de como as chamadas dimensões do conteúdo escolar (conhecimentos, habilidades, competências, atitudes e valores), se aplicariam. As áreas convencionais devem acolher as questões dos temas transversais de forma que seus conteúdos as explicitem e que seus objetivos sejam contemplados. Por exemplo, a área de Ciências Naturais inclui comparações entre um bairro que faz seleção do lixo, separando já nas próprias residências vidros, plásticos e papel e outro bairro que não faz e nem dispõe de sistema de coleta seletiva pública regular. Assim, não se trata que os professores das diferentes áreas devem parar sua programação para trabalhar os temas, mas sim de que explicitem as relações entre ambos e as incluam como conteúdos de sua área, articulando a finalidade do estudo escolar com as questões sociais, possibilitando aos alunos o uso dos conhecimentos escolares em sua vida extraescolar. Não se trata, portanto, de trabalhá-los paralelamente, mas de trazer aos conteúdos e à metodologia da área a perspectiva. ( Zanini,2001) O PAPEL DA BIOLOGIA NA EDUCAÇÃO AMBIENTAL Na visão de Castro, R.S (2003), “a relação particular da Biologia e a Educação Ambiental, a primeira vista, poder-se-ia pensar numa abordagem reducionista, limitando o campo da Educação Ambiental ao da Biologia. Na realidade, pretende-se, justamente, o oposto, ou seja, a partir da análise da evolução do pensamento biológico, ou da teoria do conhecimento, objetiva-se ultrapassar esse pensamento e alcançar aquele tão defendido pelos educadores ambientais – O holismo ou integrador, capaz de transcender nossa lógica de pensar o mundo, a natureza”. Desde a realização de conferências que marcaram a necessidade de se desenvolver a Educação Ambiental em vários âmbitos e níveis, especificamente a de Tbilisi, organizada pela UNESCO em 1997, houve um grande avanço qualitativo quanto às propostas e iniciativas nessa área, que não corresponde ao aprofundamento teórico-reflexivo. Como possível consequência dessa assincronia, percebe-se haver um maior distanciamento entre a teoria e a prática, tendência essa que é absorvível no campo da educação de modo geral. Como resultado, pode-se constatar uma nítida de visão em “correntes” da Educação Ambiental. Os teóricos de um lado acadêmicos e os que fazem a Educação Ambiental – os práticos. É justamente a partir dessa observação que se constata a necessidade de se repensar essa fragmentação defendendo uma postura mais dialética, ao se pensar nesse campo do conhecimento. Nesse sentido, tenta-se buscar alguns pressupostos da área, através da análise da evolução do pensamento biológico, em especial. A visão integradora, evolucionista e dialética da biologia prevê que o organismo não constitui simplesmente algo dissociável em seus constituintes, mas que estes são elementos pertinentes a um sistema de ordem superior. Segundo esta concepção, a biologia interessa-se pela coletividades, pelas relações que os organismos mantém entre si e com o meio. “O biólogo integrador baseia-se na análise da realidade, levando em consideração a inter-relação de todos os fenômenos, sejam eles físicos, biológicos, sociais e culturais, transcendendo, consequentemente, as limitações disciplinares, acarretando a compatibilidade entre teorias e modelos, o que pode ser viabilizado através de uma concepção sistêmica de mundo, em termos de interações”. Capra (1982) CAPÍTULO III – METODOLOGIA Este estudo trata-se de uma pesquisa de campo, de natureza quantitativa. Foram avaliadas 24 turmas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental de três colégios públicos e três privados, localizados em Magé, São João de Meriti e Nova Iguaçu, por meio de questionários contendo onze questões objetivas e discursivas sobre Meio Ambiente. A pesquisa transcorreu por todo mês de setembro e a primeira quinzena de outubro de 2011. As perguntas foram elaboradas de forma avaliar os conceitos pertinentes a Meio Ambiente, a capacidade de análise e interpretação das questões socioambientais e as práticas efetivas a favor do Meio Ambiente. As respostas obtidas foram avaliadas com os seguintes critérios: insuficiente, incoerente, satisfatório através de explicações ou exemplos confundiu com outros conceitos, ou deixou em branco. RESULTADOS Dos 573 alunos das redes pública e privada convidados a participar da pesquisa todos responderam ao questionário. As respostas foram analisadas e transformadas em dados percentuais. Os participantes apresentaram idade 11 e 17 anos de idade, onde 32,8% eram do sexo masculino e 67,2% do sexo feminino. Figura 1: Distribuição das respostas obtidas através da pergunta 6: Quando esta em casa, onde joga o lixo por você produzido? Figura 2: Distribuição das respostas obtidas através da pergunta 7: Quando esta na rua, onde joga o lixo por você produzido? Na rede pública, 1% marcou a opção outros, onde 0,8% desse percentual afirmaram que nos casos em que há dificuldades em encontrar uma lixeira na rua guardariam seu lixo na mochila e jogaria na lata de lixo de sua residência, e o restante do percentual não soube definir sua resposta. Na rede privada 2,2% marcou a opção outros, e em sua totalidade afirmaram que nas mesmas condições guardariam seu lixo na mochila e jogaria na lata de lixo de sua residência. Figura 3: Totalização, em percentual, dos alunos que conceituaram de forma satisfatória: reciclagem, importância de reciclagem, poluição, Meio Ambiente e lixo orgânico. Dos alunos da rede pública que afirmaram dominar os conceitos do questionário apenas uma média de 61,2% conceituaram de uma forma satisfatória, sendo 34,3% através de explicações e 26,9% citando exemplos. Dos 38,8% restantes receberam as seguintes avaliações: insuficiente, incoerente, em branco ou confundiu com outro conceito. Dos alunos da rede privada que afirmaram dominar os conceitos do questionário apenas uma média de 77,5% conceituaram de forma satisfatória, sendo 56,2% através de explicação e 21,3% citando exemplos. Dos 22,5% restantes receberam as seguintes avaliações: insuficiente, incoerente, em branco ou confundiu com outros conceitos. Figura 4: refere-se a questão 5: “os materiais como: vidro, metal, plástico e outros poluem o meio ambiente? Figura 5: refere-se a questão nove: apenas uma gota de óleo é capaz de poluir um rio? Não houve diferença significante nas justificativas entre os alunos de colégios públicos e privados, sendo demonstrado em percentual equivalente aos 573 alunos participantes. A penas na questão 11 ( você concorda que a água que utilizamos para quase tudo acabará se continuarmos com o desperdício? ), os alunos da rede pública, responderam não 3,7% e ainda assim 5,8% destes economizam água; Não sabiam que a água pode acabar 10,8% e sim sabem que pode acabar 85,4% dos quais 56,7% afirmam não evitar o desperdício. Os alunos da rede privada, responderam não 10,1% e ainda assim 5,4% destes economizam água; Não sabiam que a água pode acabar 12,2%, e sim sabem que pode acabar 77,7% dos quais 45,2% afirmam não evitar o desperdício. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Como reflexo cultural de nosso País, as propostas pedagógicas em nossas escolas estão voltadas para a formação de indivíduos capazes de disputar posições de destaque no seguimento social, não se atendo as questões ambientais, que dentro dos programas educacionais se apresentam apáticas e inertes. Observamos, entretanto, que as propostas educacionais para o meio ambiente têm em geral enfatizadas os aspectos técnicos e biológicos da educação e da questão ambiental, em detrimento de suas dimensões políticas e éticas. Consideramos essa uma compreensão redutora e equivocada do problema que merece ser debatida e explicitada, já que se reflete na formação e na ação dos indivíduos e grupos envolvidos com o tema e, por extensão, com toda a realidade socioambiental. Apenas uma escola pesquisada neste trabalho apresentou uma proposta pedagógica que efetivamente trabalha a Educação Ambiental, escola esta localizada no município de Nova Iguaçu da rede Estadual de Ensino, iniciou em 2009 um projeto de Educação Ambiental, cujo objetivo principal é mostrar que ações básicas relacionadas com Educação impactam diretamente na degradação do Planeta, estando relacionadas com problemas sociais como doenças, enchentes, queimadas, construções irregulares e tec. Esta escola tem como preocupação mostrar que o desenvolvimento sustentável representa a possibilidade de garantir mudanças sociopolíticas que não comprometem os sistemas ecológicos e sociais que sustentam as comunidades. De acordo com os dados obtidos conclui-se que a ausência e/ou deficiência de práticas pedagógicas com o tema Meio Ambiente em colégios públicos e privados, pode provocar atraso no desenvolvimento social em suas competências e habilidades referentes à preservação e manutenção dos recursos naturais, elevando gastos públicos com a limpeza urbana e aumentar as chances de problemas como enchentes provocadas por entupimentos de bueiros, aumentando os focos de mosquitos da dengue dentre outros. A rede pública apresentou maior índice de alunos com o conhecimento do tema em questão, entretanto, apresentaram maior dificuldade em expressar os conceitos pela escrita em comparação com a rede privada. A conscientização é um ato particular posterior ao conhecimento apreendido. Chegou uma fase na história da humanidade em que ficou evidente o vazio do conhecimento pelo conhecimento. Portanto, urge novos padrões e recursos no ensino brasileiro. A realidade atual exige uma reflexão cada vez menos linear, isto se produz na inter-relação dos saberes e das práticas coletivas que criam identidades e valores comuns e ações solidárias diante da reapropriação da natureza, numa perspectiva que privilegia o diálogo entre saberes. Precisamos de Educadores comprometidos com a causa, pois atualmente, o avanço para uma sociedade sustentável é permeado de obstáculos, na medida em que existe uma restrita consciência na sociedade a respeito das implicações do modelo de desenvolvimento em curso. Pode-se afirmar que as causas básicas que provocam atividades ecologicamente predatória são atribuídas às instituições sociais, ao sistema de informação e comunicação e aos valores adotados pela sociedade. O caminho a ser desenhado passa necessariamente por uma mudança no acesso à informação e por transformações institucionais que garantam acessibilidade e transparência nas informações.

CLAUDIO FIGUEIREDO DUARTE
RJ - RIO DE JANEIRO

Indique este Artigo enviando o Link:
http://www.crbiodigital.com.br/portal?txt=3677333133


 retorna

 

  :: Pesquisa Artigos
contenha a palavra 
Regional 
Nome do(a) Biólogo(a) 


pesquisar



Copyright 2007  -   contatocrbiodigital@crbiodigital.com.br  -   privacidade