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  Falhas na biosegurança no Hospital Universitário São José, visita realizada em Abril de 2011
15/04/2011

MARCONI MARTINS JOSE
MG - BELO HORIZONTE
Foi observado que no HUSJ, há falhas na biosegurança o que coloca em risco os usuários/pacientes adquirirem infecção hospitalar. Buscou-se fazer analise das falhas de forma imparcial e responsavel para tentar orientar os profissinais evitarem-las

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Saúde


RELATÓRIO TÉCNICO

 

1.      Título

Visita Técnica ao Hospital Universitário São José

2.      Solicitante:

Enfermeira Janaína Soares Tizzoni, COREN nº159.866/D

3.      Equipe

Marconi Martins José – CRBio 37.821/04-D, Biólogo, Esp. em microbiologia médica pela PUC/MG, acadêmico de Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais – 4º Período (Adaptação de curso – Obtenção de novo título).

4.      Introdução

O Ministério da Saúde, em conjunto com outros órgãos oficiais internacionais, define infecção hospitalar como aquela adquirida após a admissão do paciente e cuja manifestação ocorreu durante a internação ou após a alta, podendo ser relacionada com a internação ou a procedimentos hospitalares (SOUZA, 2007)

As doenças infecciosas podem ser divididas em duas categorias: aquelas adquiridas no interior do hospital, como também em outras dependências médicas, denominadas infecções nosocomiais e, por segundo, aquelas adquiridas fora das dependências hospitalares, chamadas infecções adquiridas na comunidade podendo o paciente ter um ou outro tipo de infecção. (SOUZA, 2007)

Conforme os Centros de Controle e Prevenção de Doenças CDC (Centers for Disease Control and Prevention) órgão norte-americano responsável pela fiscalização de medicamentos e controle de infecções e doenças (STEIN, 2004), as infecções adquiridas na comunidade são aquelas presentes ou incubadas no momento da admissão hospitalar, porem, todas as outras infecções associadas a hospitais são consideradas nosocomiais, inclusive as que surgem no período de 14 dias após a alta hospitalar. (SOUZA, 2007)

O Enterococo resistente à vancomicina (VRE) é um dos principais patógenos causadores de infecções hospitalares, e atualmente sua presença é notável em infecções urinárias, infecções de sítio cirúrgico, sepses neonatal, endocardite infecciosa e bacteremias. São habitantes normais do trato gastrintestinal, ele pode ser encontrado com menos freqüência na cavidade oral, vesícula biliar, uretra e vagina (MURRAY, 1990; MOELLERING, 1992).

As fezes de adultos saudáveis contêm altas concentrações de E. faecalis (>106 UFC/gr), enquanto que o E. faecium é encontrado em concentrações menores nas fezes, de aproximadamente 25% dos adultos saudáveis (HAYDEN et al, 1993). Dentre as espécies de enterococos, o E. faecalis costumava ser responsável por aproximadamente 80 a 90% das infecções, enquanto que o E. faecium era responsável por menos de 5% das infecções enterocócicas (RUOFF et al., 1990).

Porém, nos últimos anos, a prevalência do E. faecium tem aumentado muito, especialmente em locais onde há alta prevalência de resistência a vancomicina. Atualmente são conhecidas dezesseis espécies: E. avium, E casseliflavus, E. cecorum, E. columbae, E. dispar, E. durans, E. faecalis, E faecium, E. gallinarum, E. hirae, E. malodoratus, E. mundtii, E. pseudoavium, E. raffinosus, E. saccharolyticus, e E. sulfureus. Nos Estados Unidos são considerados a segunda causa de infecções hospitalares (10 a 20 %). O gênero Enterococcus apresenta resistência intrínseca a vários antimicrobianos e também progressiva resistência adquirida a antimicrobianos comumente utilizados para tratar infecções enterocócicas (ex. ampicilina, aminoglicosídeos). A resistência à vancomicina é bem mais recente e tem sido descrito a partir do final da década de 80, aonde se vem observando progressivo aumento das infecções e colonizações por VRE. O que ocorre basicamente pela produção de precursores de peptideoglicano na parede celular que se ligam pobremente à vancomicina, impedindo assim sua ação no bloqueio da síntese de parede celular. (FIQUEIREDO, 2007)

Desde seu isolamento inicial no Brasil em 1996, o enterococo resistente à vancomicina vem se tornando preocupação freqüente dos epidemiologistas hospitalares pelo seu potencial de disseminação pelo contato, fazendo com que sejam implementadas medidas para evitar sua disseminação em ambiente hospitalar. (FIQUEIREDO, 2007)

A multi-resistência bacteriana tem crescido significativamente nos últi­mos anos. Entre os gram-negativos a P. aeruginosa demonstra maior facilidade de desenvolvimento de re­sistência aos antibióticos. (FIQUEIREDO, 2007)

As amostras a serem estudado no controle da infecção hospitalar são unidades da UTI e outras alas, inclusive a pediatria, e se pesquisado nos materiais fecto-contaminados do hospital (sangue, urina, secreção traqueal, secreção de feridas operatórias, ulcera de pele, ponta de cateter, dentre outros). (FIQUEIREDO, 2007)

Apesar de muito utilizado, nem sempre os agentes antimicrobianos são empregados de maneira apropriada. Seu uso adequado não se limita à escolha do medicamento, mas a outros aspectos, como dose diária, via de administração, intervalo entre as doses e tempo de duração do tratamento. (AGUIAR, 2003).

O objetivo do presente trabalho é caracterizar a prevalência de infecções nosocomiais provocadas por microbiotas patológicas no Hospital Universitário São José, localizado em Belo Horizonte, analisando-se as possibilidades de contaminação por microbiotas através da análise de estudo prospectiva observativo.

5.      Objetivos

4.1 Geral

·        Identificar as falhas no hospital que poderiam causar contaminação por microbiotas patológicas;

6.      Metas

·        Identificar as possibilidades de contaminação, falhas na biosegurança do hospital Universitário São José.

7.      Metodologia

Puramente observativo

 

8.      Da visita

Em 23 de Março de 2011, foi realizado visita no Hospital Universitário São José, localizado na Rua Aimorés, 2.896 - Santo Agostinho, Belo Horizonte - MG. Foi realizado visita no 4º Andar, onde observou-se que não há lixo diferenciado de comum (de cor púrpura, azul ou verde) de lixo biológico (plástico de cor branca).

Nas enfermarias, foi observado resto de curativos, material cirúrgico e resíduos biológicos (sangue) no chão, o que facilita a contaminação do ambiente, quem freqüenta e dos próprios pacientes (contaminação cruzada);

Os técnicos de enfermagem faziam os seus procedimentos sem lavar as mãos e tocavam em vários pacientes o que facilita a contaminação cruzada. Neste caso, o técnico de enfermagem é veiculador de contaminação. O que deve ser destacado e corrigido para que não ocorre algo grave.

Havia duas enfermarias de isolados. Os técnicos que estavam responsáveis por este setor, não usavam jaleco, toca, luva de procedimentos, pro-pé, capote, jaleco descartável ou qualquer outro material de biosegurança seguro e confiável homologado pela ANVISA e testado pela e homologado pela SBM (Sociedade Brasileira de Microbiologia).

Os acompanhantes dos isolados permaneciam o tempo todo junto com os pacientes contaminados, o que propicia a contaminação da acompanhante. Em alguns casos, os técnicos usavam luvas e jaleco porem os acompanhantes não usavam nenhum equipamento de proteção, reforçando a contaminação e a re-infecção do paciente uma vez que por estar debilitado, encontra imuni-suprimido e deve ter mais cuidado com o mesmo.

Havia telas de plástico na janela, porem elas não impediam a entrada de mosquitos que são veiculadores de contaminação. Principalmente em Minas Gerais, o Aedes aegypti é presente e deve-se tomar muito cuidado com este animal e suas contaminações.

O hospital possui um grande numero de pessoas circulando, o que possibilita contaminação via aerossol e ar. Não há uma ventilação adequada para os pacientes e seu conforto.

Em termos de estrutura, o hospital é bem estruturado porem deficiente em sua administração de material contaminado e do controle de biosegurança.

Os alunos que freqüentam o hospital não possuem base cientifica ou não levam a serio no tocante a contaminação. Alguns alunos de medicina não usam o branco completo. As moças usam maquiagem, unhas pintadas e batom o que facilita a impregnação de microbiotas e veiculação de doenças. Os técnicos de enfermagem saem do hospital com o jaleco e muitos chegam de suas casas já usando jaleco.

Os futuros profissionais de saúde (acadêmicos de enfermagem e acadêmicos de medicina) devem conscientizar da necessidade de trabalhar em equipe e dos cuidados necessários ao bom conforto e cuidado com a biosegurança.

Alguns professores, não usavam roupa branca, jaleco e usavam sapato aberto. O que foi observado também em algumas alunas. Muitas moças estão preocupadas com a beleza visual, usavam tênis branco, sandálias, sapatos semi-abertos, sapatos salto alto o que facilita a contaminação. O calçado deve ser impermeável, fechado e de couro. Em relação aos cabelos, todas as mulheres presentes, pacientes, visitantes, acompanhantes, acadêmicos (medicina e enfermagem) e profissionais (técnicas de enfermagem, enfermeiras e médicas) usavam cabelo solto. O que facilita a contaminação dos cabelos e a sua possível contaminação dos parentes e amigos que fizerem contato com este cabelo bem como caso algum fio de cabelo caia em paciente ou alimentos. Os cabelos se contaminam com grande facilidade com Stafilococos Áureos, microbiota que causa choque tóxico em hospital e contaminação de alimentos e feridas abertas.

Nos quartos, havia restos de alimentos, o que facilita a entrada de formigas e insetos. As formigas são veiculadores de microbiotas patológicas, entre elas a proteus, staficolocos áureos, streptococos coagulase positiva e outros. O que deve ser evitado. Caso não venha a alimentar, deve ser desprezado o alimento ou a sua sobra.

Muitos pacientes compartilhavam a mesma garrafa de água, o que facilita a contaminação cruzada. Havia o compartilhamento também de causados (chilenos), cosméticos nas alas femininas.

Observou-se descaso com a biosegurança por parte dos acadêmicos de medicina, em especial das mulheres que carregavam bolsas e aonde iam, levavam e colocavam na cabeceira do paciente, fazendo com que se contaminasse com microbiotas do paciente bem como traziam microiotas de outros locais que esteve facilitando a contaminação cruzada.

Não havia biólogos no hospital o que fragiliza a biosegurança do hospital. Falha que acarreta na infecção hospitalar e na perca de vidas, o que deve ser priorizado.

 

9.      Conclusão

Há falhas no comitê de Controle de Infecção Hospitalar do hospital ou não existe no caso do Hospital Universitário São José. Deve sempre ser composta por um biólogo/biomédico, médico, enfermeiro e farmacêutico e devem todos participar e devem ter consciência da sua necessidade para que funcione. É necessário que haja reuniões periódicas de no mínimo 15/15 dias. O hospital pode ser responsabilizado civil, penal e criminalmente por falhas na biosegurança e na contaminação de pacientes por falha dos profissionais no hospital ou na sua má formação. Não há biólogos no hospital, o que compromete o Comitê de Biosegurança e Controle de Infecções Hospitalar.

Deve-se priorizar o treinamento dos profissionais do Hospital, em especial os técnicos de enfermagem. Profissionais estes que tem maior contato com o paciente e família do mesmo.

O CRBio deve ser mais presente nos hospitais para evitar desvio de funções e verificar se há biólogos, garantindo um aconselhamento eficiente do hospital bem como garantir ao usuário/paciente uma qualidade no tratamento e a certeza de que não será contaminado por profissionais desavisados ou despreparados. No caso especifico de instituição de ensino, os alunos estão em formação e necessitam ter contato mais intimo com profissionais de diversas áreas para solidificar o conhecimento necessário na sua vida profissional futura bem como adquirir o respeito por demais profissionais.

 

 

10.  Referencias bibliográficas

·        MOREIRA, Leila Beltrami. Principles for rational use of anti-microbials – Simpósio de Atualização em Antibióticos. Revista AMRIGS: Porto Alegre, v.48, n. 2, p.118-120, 2004.

·        BARRETO, Nero A. et al. Caracterização Fenotípica e Molecular de Neisseria Gonorroeae isoladas no Rio de Janeiro, 2002-2003. J. Brasileiro de Doenças Sexualmente Transmissíveis. Rio de Janeiro, p.32-42, 2004.

·        FIGUEIREDO, Eduardo Andrada Pessoa de, et al. Pseudomonas Aeroginosa: Frequência de Resistências a Múltiplos farmacos e Resistência cruzada entre antibióticos o Recife/PE. Revista Brasileira de Terapia Intensiva: Recife, v. 19, n. 4, p,421-427, 2007.

·        AGUIAR, Eurico. Agentes antimicrobianos com inibidores de Betalactamases: associações, mecanismos de resistências, uso adequado. Brasiliamed: Brasília, v.40, n.1. p.27-32, 2003.

·        STEIN, Airton; BEHAR, Paulo; CUNHA, Carlos RH; PELLEGRIN, Lilian; FERREIRA, Jorge Alberto Santiago. Revista AMRIGS, Porto Alegre – Uso Racional de antibióticos. V.48, n.2, p.126-145, 2004.

·        Biossegurança em laboratório biomédicos e de microbiologia. Ministério de Saúde: Brasília, p. 34, 2004.

·        AMARAL, Sueli Andrade; SOUZA, Anne Fátima da Silva; RIBEIRO, Saadia Oliveira; OLIVEIRA, Marluce Alves Nunes. Acidentes com material perfurocortante entre profissionais de saúde em hospital privado de vitória da conquista – BA. SITIENTIBUS, Feira de Santana, n.33, p.101-114, 2005.

·        MACHADO, Giovanna Lucy; KATHER, Jane Mathias. Estudo do controle da infecção cruzada utilizada pelos cirurgiões-dentistas de taubaté. Revista. biociências.Taubaté, v.8, n.1, p.37-44, 2002.

·        BATISTA, Margarete Ártico; SANTOS, Márcio Antonio dos; PIVATELLI, Flávio Correa; LIMA, Aparecida Rodrigues da Silva; GODOY, Moacir Fernandes de. Eventos adversos e motivos de descarte relacionados ao reuso de produtos médicos hospitalares em angioplastia coronária. Braz J Cardiovasc Surg 2006.

·        FERRAZ, Álvaro Antônio Bandeira; FERRAZ, Edmundo Machado. Infecção latente de sítio cirúrgico: Hipótese ou Realidade? Rev. Col. Bras. Cir. v.30, n 2: p.148-152, 2003.

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·        MOREIRA, Ana Cristina Azevedo; CARVALHO, José Luiz Moreira de. Ocorrência de Klebsiella pneumoniae e outros coliformes em sabão neutro líquido utilizado em um berçário de hospital. Revista Ciências médicas e bioogicas. Salvador, v.5, n. 3, p.245-252, 2006.

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·        SCREMIN, Natali. Responsabilidade civil dos hospitais e os índices de controle de infecção hospitalar. Revista Eletrônica do Curso de Direito da UFSM. v. 3 n.1, p.34-50, 2008.

·        CRUZ, Fernanda Rodrigues; LEMOS, Rafael Acosta; BRONDANI JUNIOR, Davi Antônio; POZZER, Luana ; RIBEIRO, Gladis Aver. Sensibilidade de Staphylococcus aureus da microbiota nasal e mãos dos profissionais de enfermagem do hospital escola. Congresso de Iniciação Cientifica. 2007.


MARCONI MARTINS JOSE
MG - BELO HORIZONTE

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