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  A SUSTENTABILIDADE NO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E A PARTICIPAÇÃO DA SOCIEDADE NA GESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
13/10/2015

MATHEUS AUGUSTO DE OLIVEIRA ALVES
RJ - ANGRA DOS REIS
O presente trabalho pretende analisar a questão da sustentabilidade no desenvolvimento econômico e a participação da sociedade neste processo.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Meio Ambiente e Biodiversidade
Educação Ambiental
Gestão Ambiental
Gestão e Tratamento de Efluentes e Resíduos


Introdução

 

 

A geração de resíduos é tão remota quanto à civilização humana e foi aumentando gradativamente com o passar do tempo e com o aumento da população e intensificou-se na revolução industrial do século XVIII, sendo sempre caracterizada por uma filosofia altamente esbanjadora, sendo assim, o resíduo das atividades de industriais, apresenta-se, ainda nos dias atuais, como sendo um dos principais problemas nas áreas urbanas.

Antes da primeira revolução industrial, as diferenças existentes entre as regiões do planeta eram, basicamente, geográficas e culturais. Com o surgimento da industrialização relacionada à evolução tecnológica, algumas outras diferenças acabaram por surgir. A evolução dos países hoje considerados desenvolvidos foi alcançada por meio de países vítimas do imperialismo e colonialismo.

A Grã-Bretanha foi pioneira no trajeto para controlar os produtos primários de economias dependentes, com o intuito de processá-las em seu território e reexportá-las para mercados exteriores. Mesmo que os países em desenvolvimento tenham o objetivo de atingir o nível dos países desenvolvidos, é nítido que estão partindo com uma base já dissipada de recursos não-renováveis.

Por fim, atualmente, surge a questão de se valorizar os recursos naturais, pois, estes são vistos como fator determinante de “riqueza” de uma nação, não somente por seu valor monetário, mas, sobretudo, em função da qualidade de vida que eles podem propiciar em determinado país, porém, caso eles sejam de forma correta gerenciados.

O engajamento de cidadãos em prol de um desenvolvimento em bases sustentáveis se dá através da práxis democrática, procurando-se soluções que viabilizem uma sociedade que identifique suas carências e corrija seus problemas, enfim, uma sociedade que se auto sustente, realizando um crescimento econômico com conservação ambiental. Esta proposta acaba por pressupor mudanças de parâmetros técnicos, de ideais filosóficos, de ações político-governamentais, que não se restringem a compromissos em um Estado, mas, num real e sério envolvimento político, entre todas as nações.

 

 

O Desenvolvimento Sustentável

 

 

Caldwell (1979, p. 23) diz que “a riqueza de uma comunidade se baseia em sua renda de energia disponível para os objetivos da vida”. Não obstante essa aparentar um ponto de vista simplista com relação a “riqueza”, hoje, se a energia disponível que uma nação possui não for empregada para suprir a objetivos considerados, essencialmente, vitais, ocorrerá a médio e longo prazos o comprometimento da vida do próprio homem.

É importante ressaltar que a ação do Estado teve relevância vital para o início do processo de desenvolvimento, pois, fixou uma proteção dos interesses das potências emergentes na época contra as outras potências rivais, e também por empregar necessário poder militar e influência diplomática para afiançar o livre acesso econômico em todo o mundo. O desenvolvimento econômico que ocorreu em determinados países acabou por traz um relevante aumento no nível de vida de suas respectivas populações, porém, naqueles países onde o desenvolvimento não foi possível em virtude de inúmeros fatores, atualmente, ainda se predomina o desemprego, a fome, a violência urbana, dentre outros infortúnios sociais. 

A questão é que o desenvolvimento de alguns países tendo como fundamento a exploração de outros, seja através de via comercial ou de via financeira (empréstimos), acabou por gerar uma série de problemas que tendem a se elevar à medida que o atual processo econômico se desenvolve num mundo onde as desigualdades são cada vez mais marcantes. Seja qual for o nível de desenvolvimento econômico dos países, este deverá estar relacionado à sustentabilidade ecológica, sendo que foi este conceito de associar desenvolvimento econômico com preservação do meio ambiente.

Widmer (1997, p. 4) ressalta que:

A ideia de desenvolvimento sustentável teve origem no começo da década de 1980, através da publicação, em 1980, do documento “Estratégia de Conservação Mundial: Conservação dos Recursos Vivos para o Desenvolvimento Sustentável”, organizado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), pelo Fundo Mundial de Vida Selvagem (WWF) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

 

No ano de 1985, a Assembleia Geral das Nações Unidas requereu ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, a criação de estratégias ambientais para serem colocadas em prática a partir do ano 2000.

Foi criada a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento que, por sua vez, desenvolveu um relatório sobre o meio ambiente global, sendo denominado “Relatório Brundtland”, publicado no ano de 1987, que fixou o conceito de desenvolvimento sustentável.

O modelo de desenvolvimento sustentável surge no cenário internacional, derivado de inúmeros relatórios elaborados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, que, desde o ano de 1990, tem buscado realizar o diálogo entre nações sobre o tema. O Relatório de Desenvolvimento Humano – RDH tem sido desenvolvido por economistas e cientistas independentes, tendo por intuito a procura de novel ênfase para o desenvolvimento, ao introduzir novos indicadores para se mensurar a qualidade de vida e o progresso humano em nível mundial. 

Estes novos indicadores empregados para mensurar o desenvolvimento humano, compõem o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, que engloba o logaritmo do produto interno bruto (PIB) por habitante, as taxas de alfabetização, a expectativa de vida ao nascer e o bem-estar geral, ou seja, o IDH é medida instituída por especialistas para o PNUD com o objetivo de avaliar o progresso mundial, empregando-se outros indicadores mais amplos que a dimensão econômica, comumente, aferida através do Produto per capita.

Estudos realizados têm revelado que o aumento na renda per capita não se traduz, essencialmente, em qualidade de vida. Os indicadores financeiros e econômicos devem ser analisados em conjunto com indicadores humanos para conferir se o desenvolvimento econômico tem se traduzido no desenvolvimento humano, na ampliação de opções e capacidades humanas.

Por meio dos dados obtidos e aferição do desenvolvimento humano através do IDH, pode-se dizer que este novo paradigma tem por objetivo o distanciamento do crescimento econômico como opção basilar para se alcançar o progresso de uma nação. O IDH não seria parâmetro capaz para caracterizar este conceito que se denomina “desenvolvimento sustentável”. Entende-se que algo mais amplo, deveria ser levado em consideração para que o desenvolvimento em bases econômicas levasse a uma produtividade racional, com mínima degradação ambiental e redução considerável na geração de resíduos, das diferenças e desigualdades econômicas, sociais e políticas que existe entre cidadãos e entre países.

Cavalcanti (1997, p. 79) ressalta que:

Para a consecução do desenvolvimento econômico em bases sustentáveis se faz vital a integração das dimensões econômica, política, social, cultural, levando-se em consideração o ambiente natural de forma a propiciar ao ser humano bases eficientes para sua evolução e aprimoramento enquanto ser social e cidadão.  

 

Há o objetivo de se reduzir a exclusão social, expressa pela pobreza de considerável parte da população mundial, que sequer tem acesso aos bens de consumo vitais, tampouco educação e saúde. Esta população excluída, mesmo com o grande crescimento econômico mundial e da concentração de riquezas e capitais, ainda está fora dos parâmetros vistos como dignos de sobrevivência humana.

 

 

O Desenvolvimento Econômico e Desenvolvimento Sustentável

 

 

O termo “necessidade” ao ser inserido no conceito de desenvolvimento sustentável deveria ser aquele que supre todas às funções consideradas básicas de cada indivíduo, isto é, não àquelas instituídas pela propaganda, pela mídia que, inevitavelmente, induz ao consumo excessivo de bens.

Morin (1995, p. 113), ao abordar a noção de desenvolvimento difundida pelo planeta, diz que:

O conceito de desenvolvimento, tal como se impôs, acata à lógica da máquina artificial e a difunde pelo planeta, assim, entende-se que se racionalizar a sociedade em prol do homem, racionaliza-se o homem para adaptá-lo à racionalização da sociedade. Os objetivos do desenvolvimento estão sujeitos a imperativos éticos, sendo assim, o econômico deve ser controlado e finalizado através de normas antropoéticas, pois, o real objetivo do desenvolvimento deveria ser “viver melhor”, viver com compreensão, solidariedade, compaixão, sem ser houvesse exploração, insulto e desprezo.

 

O anseio de que o padrão de consumo de indivíduos que vivem hoje nos países desenvolvidos seja ampliado aos países em desenvolvimento é uma ilusão. Segundo Furtado (1996, p. 8), “esse conceito configura uma expansão do mito do progresso, elemento vital na ideologia diretora da revolução burguesa, dentro da qual se instituiu a atual sociedade industrial”.

A aquisição e utilização do automóvel pela maioria da população do planeta, com certeza, supriria os anseios de cada indivíduo, porém, acabaria por gerar um grave impacto de se consumir incríveis quantidades de energia disponíveis limitadamente (ou não) na natureza, matérias-primas diferenciadas como, por exemplo, metais, couros, vidros, borrachas, dentre outros, além da poluição atmosférica gerada pelo uso dos combustíveis e a geração de resíduos industriais de todo o processo produtivo e pós-consumo.

Atualmente, os elevados índices de poluição revelam-se como sendo um dos grandes causadores de doenças respiratórias, sem falar nos constantes congestionamentos nas rodovias – corriqueiros nas grandes cidades – que reduzem o objetivo principal do produto que é de se diminuir o tempo da trajetória realizada. Nesse exemplo, há um conflito entre a satisfação de um anseio, com a desejada qualidade de vida para todos, indistintamente.

Furtado (1996, p. 10) alerta para o fato de que, se o desenvolvimento econômico chegasse aos povos dos países em desenvolvimento, “a pressão sobre os recursos não renováveis e a poluição do meio ambiente seriam de tal ordem ou, alternativamente, o custo do controle da poluição seria tão elevado que o sistema econômico mundial entraria necessariamente em colapso”. Inclusive com gastos enormes no processo de destinação correta dos resíduos gerados pelas atividades industriais.

Entende-se que é por isso que o estilo de vida empregado nos países desenvolvidos sempre será privilégio de uma minoria da população do planeta, isso não só em função do próprio sistema capitalista industrial que realizou e ainda realiza, uma divisão internacional do trabalho, das exportações; mas, também pelo fato de que a elevação excessiva do consumo ocasionaria uma degradação de tal nível que a Terra viraria um caos.

Uma saída para amenizar essa situação seria a concreta alteração nos padrões de consumo dos países desenvolvidos, sobretudo, uma alteração radical em seus modos de vida, a realização de ações proativas na adoção de uma novel postura com relação a esse enorme problema.

Lang e Hines (1994, p. 248) sustentam que:

O consumismo verde, o qual relega estas mudanças para os caprichos do mercado, não é suficiente, sendo que os padrões de consumo – e aquilo que se encontra disponível para se consumir terão de ser alterados, para que se evite arruinar a base dos recursos a nível mundial. O excesso de consumo pelos mais abastados terá de diminuir, encorajado por meio de impostos sobre a riqueza e a poluição.

 

O principal objetivo é que haja um consumo de qualidade, acentuando a durabilidade e um bom entendimento, de maneira a suprir as necessidades reais. Serviços de melhor qualidade, como, por exemplo, a gestão de resíduos sólidos industriais e domésticos; habitações, transportes e serviços sociais ecologicamente mais apropriados melhorariam, consideravelmente, a qualidade de vida para todos.

As economias dos países desenvolvidos estão cada vez mais dependentes dos recursos naturais dos países em desenvolvimento, sobretudo, dos recursos não renováveis, por isso, a abertura comercial é extremamente benéfica para aqueles países, assim, acaba havendo uma exploração de recursos naturais em escala planetária por um grupo de países em detrimento de outros.

Nos dias atuais, o mais indicado nessa circunstância seria o emprego de uma postura preventiva frente ao problema do desequilíbrio ecológico; num processo em que os recursos naturais sejam utilizados, levando-se em consideração as necessidades potenciais das futuras gerações. Deve haver um limite a evolução, já que inúmeros recursos naturais são escassos ou, mesmo os mais abundantes, em face de tamanho grau de contaminação, revelam-se inutilizáveis.

 

O Engajamento da Sociedade na Proteção do Meio Ambiente na Gestão de resíduos

 

 

Ao se analisar qualquer questão que envolva o meio ambiente se estará analisando o homem em sua existência, devido à natureza que o cerca e aqui não se abarcam apenas os elementos naturais, mas, também, todos os demais, como os artificiais e culturais, já que todos estes estão englobados no desenvolvimento equilibrado de toda a sociedade humana, tendo-se como principal objetivo a preservação desta.

O ambiente ao ser elevado à categoria de bem jurídico vital à vida, à saúde e à felicidade do homem, integra-se, na realidade, de um aglomerado de elementos naturais, artificiais e culturais e o detalha como composto do meio ambiente natural, meio ambiente cultural e meio ambiente artificial.

É evidente que os bens ambientais são comuns e essenciais a toda a humanidade, suas funções são de suma importância para todos e, sendo assim, a sua preservação e o seu melhor uso devem ser realizadas em conjunto por todo o planeta. A questão ambiental deve ser voltada não somente à proteção destes bens de uso comum, mas, também ter por intuito à recuperação daquilo que já sofreu os efeitos da degradação.

O termo “ética” vem do grego ethos que significa: maneira de ser, caráter como forma de vida do homem. Ética é a maneira de agir ou de se comportar do ser humano no seu meio social, sendo um elo intersocial do homem, onde seus parâmetros são as condutas acatadas no meio social. Já a ética ambiental é a conduta comportamental do ser humano em relação à natureza, derivada da conscientização ambiental e pacto personalíssimo preservacionista, tendo como intuito a conservação da vida global.

Siqueira (1990, p. 8) explica como deveria ser a ética ambiental.

Uma ética do meio ambiente deveria ser baseada em soluções técnicas, jurídicas e educacionais, fixando princípios científicos essenciais de uma educação para com o meio ambiente e defendendo-o com um eficiente aparato jurídico, pois, talvez seja este o espírito daqueles que criam a moderna e avançada Constituição Federal, no que diz respeito ao meio ambiente.

 

O fato de solicitar-se uma ética universalmente válida não quer dizer que se precisa de uma ética que prescreva um estilo uniforme de como reparar o ambiente, mas, sim, de como deve ser tratado para não ser degradado, sendo que esse entendimento está ligado com a mudança das condições físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, gerada pela intervenção de atividades comunitárias e industriais, que pode colocar em risco todas as formas de vida do planeta.

A ética ambiental está defendida pela Constituição Federal, ao consignar que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo e para presentes e futuras gerações (art. 225, caput, da CF).

O desempenho efetivo da cidadania pode solucionar parte dos grandes problemas ambientais do mundo por meio da ética transmitida pela educação ambiental e para se compreender os motivos da degradação ambiental é importante compreender os problemas socioeconômicos e político-culturais, assim, através desses conhecimentos, tentar mudar as posturas comportamentais dos indivíduos na sua fase inicial por meio de uma mudança de valores.

De acordo com Sirvinskas (2003, p. 8):

Essa ética deve ser atingida através de uma consciência ecológica que se baseia, fundamentalmente, na educação ambiental, pois, é o exercício efetivo da cidadania que irá proporcionar a melhoria de vida do ser humano.

 

Toda a sociedade é responsável pela degradação ambiental, já que o rico polui com sua atividade industrial, comercial etc., o pobre polui por não ter condições econômicas de viver condignamente e por falta de informações, já o Estado polui por falta de informações ecológicas de seus administradores, o que gera uma política desvinculada dos compromissos com o meio ambiente.

Nos dias atuais, os indivíduos devem ter a compreensão de que são o centro de toda atividade do planeta, que vivem um novo tempo, num momento de constantes alterações de paradigmas, com novas ideias, novas metas e que se deixou de ter uma visão individualista, para ter uma visão coletiva, levando em consideração que o homem não vive mais isolado já faz séculos.

A constante busca por soluções para os problemas urbanos e o anseio de se melhorar os espaços urbanos com a correlata instituição de padrões de vida dignos à sobrevivência humana estão refletidas em ordenamentos jurídicos, em inúmeras legislações que objetivam qualidade de vida, proteção ambiental, justiça social nas cidades. A maioria da população mundial tem sua moradia em espaços urbanos, assim, a qualidade de vida é elemento de importante consideração, já que os espaços urbanos se apresentam diversos e não propiciam de forma equânime os serviços e infraestrutura básicos aos cidadãos.

As desigualdades acabam por se expressar na forma, na regularidade e na qualidade de prestação de serviços públicos, na existência e na escassez de políticas públicas que tenha por intuito melhorar a qualidade de vida e a concretização de outros direitos dela derivadas. A busca por soluções para estes problemas deve considerada, objetivando um novel paradigma para o tratamento e resoluções dos problemas que atingem toda a população, sendo que esta proposta, nova forma de perceber a cidade e seus habitantes, pretende um tratamento de forma mais igualitária aos cidadãos através de políticas públicas que façam efetivos diversos direitos humanos.

O modelo de desenvolvimento empregado pela sociedade atual, sobretudo, depois da Revolução Industrial e o conceito positivista de progresso em que o homem deveria dominar a natureza, leva a uma evidente constatação de crise ambiental, ao passo em que a exploração incontrolada dos recursos naturais, aliada ao crescimento desordenado dos centros urbanos e às formas de gestão econômica da sociedade, que têm de forma gradativa impelido a vislumbrar um considerável comprometimento da vida no planeta.

É inegável que, atualmente, está-se vivendo uma ampla crise ambiental, derivada de uma sociedade de risco, deflagrada, sobretudo, a partir da constatação de que as condições tecnológicas, industriais e formas de organização e gestões econômicas da sociedade estão em conflito com a qualidade de vida, sendo assim, parece que esta falta de controle da qualidade de vida tem muito a ver com a racionalidade do desenvolvimento econômico do Estado, que acabou por marginalizar a proteção do meio ambiente.

Estudos revelam alarmantes situações desse comprometimento, tais como, por exemplo, aquecimento global, extinção de espécies, acidentes e desastres ambientais com elevados índices abióticos, poluição dos recursos hídricos, edáficos, atmosféricos etc., ou seja, as previsões em face da manutenção do atual modelo de desenvolvimento não são nada positivas.

Na voz de Condesso (2001, p. 35):

O Século XXI será irreversivelmente o século das cidades, onde 70 a 80% da população mundial, vive em aglomerados urbanos. Falar do homem e da preservação da sua vida e saúde em face dos fatores ambientais, ou seja, falar do ambiente em relação ao homem, é, cada vez mais, falar de cidades. Deve-se avançar no trajeto de um desenvolvimento que resolva o problema dos resíduos, líquidos e sólidos e da poluição resultante dos produtos da sua extinção.

Atualmente, a participação da sociedade nos processos decisórios de políticas públicas ambientais é de suma importância para o desenvolvimento sustentável e para o Estado de direito democrático.

Segundo Arruda (1997, p. 245-246):

A Constituição Federal de 1988 adotou como conceito de desenvolvimento sustentável aquele que não propicia a privatização do meio ambiente, visando-se priorizar a democratização do controle sobre o meio ambiente ao definir meio ambiente como ‘bem de utilização comum do povo’, requer o controle do capital sobre o meio através de instrumentos do EIA, e muitos outros, que chamam a comunidade a decidir.

 

A Constituição Federal abre espaço para a participação do povo na gestão ambiental, em processos legislativos, administrativos e judiciais, para que as decisões sobre o meio ambiente sejam tomadas com base no interesse público, pois, a cidadania é um dos fundamentos do Estado de direito democrático.

Há garantias da participação da coletividade nas decisões da Administração Pública, como o direito de: informação, petição, certidão, compelir os órgãos públicos a prestarem informações individuais ou gerais, exceto frente as hipóteses excepcionais de sigilo; ações judiciais ambientais como: ação popular, ação civil pública, mandado de segurança coletivo para a obtenção de informações e certidões, mandado de injunção, quando, na falta de lei, possa ocorrer dano ao ambiente, ação declaratória de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo; participação no processo legislativo por meio de leis ambientais propostas pelo povo ou o referendo ou o plebiscito popular.

A Lei n. 6.938/81 disciplina, ainda, o direito às informações relacionadas ao ambiente, impondo ao Poder Público o dever de prestá-las e de produzi-las quando não existirem. O art. 10 trata do dever de informar à coletividade, por exemplo, o pedido de licença e a respectiva decisão administrativa devem ser publicados na imprensa oficial ou periódico de grande circulação.

O Princípio 10 da Declaração do Rio, de 1992, instiga a participação dos cidadãos na proteção ambiental, seja de indivíduos como de associações sem fins lucrativos e a Convenção sobre o Acesso à Informação e Participação do Público no Processo Decisório e o Acesso à Justiça em Matéria de Meio Ambiente, Aarhus-Dinamarca, de 25.06.1998, promovida pelo Comitê de Políticas de Meio Ambiente da Comissão Econômica para a Europa das Nações Unidas, em vigor a partir de 30.10.2001, diz no art. 2º, item 3: “A expressão ‘informações sobre meio ambiente’ designa toda informação disponível sob forma escrita, visual, oral ou eletrônica ou sob qualquer outra forma material, sobre: (...)”, passando a explicitar os aspectos relativos ao assunto, até mesmo que “público interessado” significa participação das organizações não-governamentais.

A Convenção de Johannesburg, de 2002, no item 23, afirma:

O desenvolvimento sustentado supõe uma perspectiva de longo prazo e uma larga participação na criação de políticas, na tomada de decisões e na implementação em todos os níveis. Como parceiros sociais, continua-se na ação em prol de parcerias estáveis, que reúnam principais grupos interessados, acatando sua independência, tendo cada uma importante função a desempenhar.

 

No Brasil, os Estados através de seus ordenamentos jurídicos e meios de ação, acabaram por pressentir o anseio de dar uma resposta a essa novel e imperativa demanda social e é, assim, que o direito ao meio ambiente, ao nascer como direito humano, começa, gradualmente, a ser positivado nas Cartas Constitucionais, com ou sem a qualificação expressa de direito fundamental.

 

 

Conclusão

 

 

É de conhecimento que a produção de resíduos sólidos acompanha o homem desde o início de sua história. No início, de maneira imperceptível, já que os resíduos gerados pelo homem eram absorvidos de forma fácil pela natureza, em razão de sua qualidade e quantidade. Com o considerável aumento da quantidade de resíduos e com a evolução da complexidade de sua qualidade, encontra-se à situação atual, na qual toneladas de resíduos gerados de forma cotidiana representam grande ameaça para a natureza e para a vida no Planeta.

O problema é tão grave que, somente, no Brasil se estima que por dia são geradas mais de 125 mil toneladas de resíduos sólidos, assim, com o intuito de se adotar soluções sustentáveis para minimizar a produção de resíduos e de se destinar de maneira mais adequada o que for gerado, inúmeros países estão adotando a responsabilidade ambiental pós-consumo, onde se imputa aos produtores e fornecedores a responsabilidade pelo ciclo total de suas mercadorias e embalagens, do “surgimento” a sua “morte”, sendo dever deles promover a sua disposição final de forma ambientalmente correta.

Nos dias atuais, é vital que a responsabilidade pós-consumo seja empregada de forma irrestrita e que se requer a sua observância, transferindo-se para os produtores e importadores uma parcela de responsabilidade pela destinação adequada dos resíduos sólidos gerados devido aos produtos e embalagens por eles colocados no mercado, já que não é possível que a destinação correta dos resíduos sólidos seja suportada única e exclusivamente pelo Poder Público municipal e pelos cidadãos, assim, não é aceitável que os produtores/fornecedores ainda continuem a internalizar lucros cada vez maiores baseados pela socialização dos custos ambientais para o Poder Público e para a sociedade.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

ALBUQUERQUE, A. J. P. C. A reciclagem de resíduos sólidos na construção civil. 2004, 72 p. Monografia (Especialização em Meio Ambiente) - COPPE / UFRJ, Rio de Janeiro, 2004.

 

BESEN, G. R. et al. Resíduos sólidos: vulnerabilidades e perspectivas. In: SALDIVA P. Meio ambiente e saúde: o desafio das metrópoles. São Paulo: Ex Libris, 2010.

 

JARDIM, Niza Silva et al. Lixo Municipal: manual de gerenciamento integrado. São Paulo: IPT: CEMPRE, 1995.

 

LACOMBE, Francisco J. Masset. Administração: princípios e tendências. São Paulo: Saraiva, 2006.

 

LOPES, J. R. M.; MATTOS, U. A. O. Sistema de Gestão Ambiental Integrada - SGAI: uma análise econômica estrutural. In: 1º Congresso Acadêmico sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CADMA). Rede Acadêmica de Meio Ambiente e Desenvolvimento (RADMA). Rio de Janeiro, 2004. Anais.

 

MONTEIRO, J. H. P. et al. Manual de gerenciamento integrado de resíduos sólidos. Rio de Janeiro: IBAM, 2001, 193 p.

 

OLIVEIRA, A. A. Gestão de resíduos sólidos: o caso das lâmpadas fluorescentes. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Administração da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, novembro, 2001.

 

RITZMAN, Larry P.; KRAJEWSKI, Lee J. Administração da produção e operações. São Paulo: Prentice Hall, 2004.

 

 

SILVA, João Martins da. O ambiente da qualidade. Belo Horizonte: Fundação Christiano Ottoni, 1996.


MATHEUS AUGUSTO DE OLIVEIRA ALVES
RJ - ANGRA DOS REIS

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