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  Apresentando as recém-descobertas bio-sentinelas de 2012: figueira-lacerdinha, dracena-tricolor, hibisco e pingo-de-ouro
07/02/2013
Bio-monitor e bio-sentinela são termos biológicos com definições parecidas, sendo o segundo mais aplicado em plantas. Foi descoberto que algumas espécies podem servir de bio-sentinelas indicadoras da poluição ambiental por HPAs.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Meio Ambiente e Biodiversidade
Biomonitoramento
Diagnóstico, Controle e Monitoramento Ambiental
Paisagismo


Apresentando as recém-descobertas bio-sentinelas de 2012: figueira-lacerdinha, dracena-tricolor, hibisco e pingo-de-ouro

William Roberto Luiz Silva Pereira

Plantas são capazes de remover COPs (Compostos Orgânicos Voláteis) do ar e agir como depuradoras naturais. Essa propriedade foi descrita inicialmente por WOLVERTON (1980) num artigo intitulado “Higher plants for recycling human waste into food, potable water and revitalized air in a closed life support system” (“Plantas superiores para reciclar resíduos humanos em alimento, água potável e ar revitalizado num sistema fechado para suportar a vida) em estudos financiados pela NASA. Depois de obter bons resultados, WOLVERTON (1997) sintetizou todo o conhecimento desenvolvido em seu laboratório junto com estudos de outros cientistas e lançou o livro “How to grow fresh air-50 house plants that purify your home or office“ (“Como aumentar o ar fresco com 50 espécies de plantas domésticas que purificam sua casa ou escritório”).

Os estudos avançaram e foi demonstrado que as plantas conseguem remover formaldeído, xileno, amônia, benzeno, tolueno, octano, tricloroetileno, α-pineno e ozônio.

Até 2011 foi possível contabilizar 129 espécies de plantas ornamentais de interiores capazes de remover tais compostos, sendo que alguns artigos revelam a velocidade de remoção (capacidade depurativa) da planta em análise.

Essa linha de pesquisa tende a continuar.

Azliyana Binti Azhari, da Faculty of Technology Management, Business and Entrepreneurship Universiti Tun Hussein Onn, Malásia, defendeu a tese de mestrado intitulada “Polycyclic aromatic hydrocarbons (PAHs) in air and vegetation: case study at three selected toll stations along north south expressway in Johor, Malaysia”(“Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPAs) no ar e na vegetação: caso de estudo de três estações de pedágio selecionada ao longo da via expressa norte-sul em Johor, Malásia”).

Azhari encadeou quatro passos para seus estudos:

·         Determinou a concentração de HAPs no ar da área amostrada;

·         Determinou a concentração de HAPs na vegetação;

·         Determinou a correlação de HAPs nas plantas e no ar da área amostrada;

·         Analisou as diferentes composições de HAPs em diferentes espécies de plantas para determinar o possível agente potencial de biomonitoramento.

A pesquisadora encontrou 7 HAPs no ar atmosférico e nas folhas das plantas: acenaftaleno, fenantreno, fluoreno, pireno, criseno, benzo[a]antraceno e benzo[a]pireno, cujos resultados aumentaram a gama de compostos depurados e plantas depuradoras. Além do mais encontrou correlação positiva (R2) de 0,622, 0,643, 0,680 e 0,608 (sendo que a correlação máxima ocorre quando R2 = 1) para Ficus microcarpa, Cordyline fruticosa, Hibiscus spp. e Ixora coccinea (figueira-lacerdinha, dracena-tricolor, hibisco e pingo-de-ouro) famosas e comuns nos ambientes urbanos e domésticos.

Esse resultado é importante. Algumas plantas podem efetivamente servir como bio-sentinelas, ou em outra definição, servir como “um tipo de instrumento biológico” (http://www.cambia.org/daisy/bioforge_bioindicators/3192.html) no qual ajudam a entender algumas restrições na nossa base de recursos naturais, que, no caso de ambientes urbanos, seria o ar inalado. Além de remover tais compostos do ambiente, essas espécies são capazes de indicar a qualidade do ar do entorno do micro-ambiente (monitoramento) e estudos posteriores podem revelar os mecanismos fisiológicos que a bio-sentinela realiza ao interagir com o meio monitorado (ecologia). E tais conceitos podem ser aplicados diretamente na preservação e manutenção da qualidade do ar de ambientes de interiores (ver o artigo Decoração de ambientes de interior com plantas: plantas com capacidade natural de depurar o ar http://www.crbiodigital.com.br/01/williamroberto?txt=3277323739).

Com isso a utilização de plantas na ornamentação e paisagismo deixe de ter uma aplicação apenas estética e passa a adquirir um caráter funcional: que tal chamar de Paisagismo Funcional?

Paisagismo Funcional

O Paisagismo Funcional não é novo, mas possui uma conotação diferente. Jason Hirst, Jonathan Morley e Katie Bang aplicaram o Functional Landscapes (http://www.seattle.gov/dpd/cms/groups/pan/@pan/@permits/documents/web_informational/dpdp016505.pdf ) no qual utilizam uma medida chamada de Green Factor, que consiste em uma série de passos que devem ser levados na elaboração de uma planta de uma construção: quando maior a soma das notas, maior o Green Factor e mais sustentável é o empreendimento.

O Green Factor leva em conta alguns atributos: solo, facilidade de bioretenção, área plantada, árvores, teto verde, paredes verdes, funcionalidade da água, pavimentação permeável, e um bônus que compreende as plantas, o calçamento, a visibilidade e o cultivo de alimentos. Cada atributo possui um intervalo de pontuação e quanto mais atributos são alcançados, maior o Green Factor.

No contexto desse artigo a utilização de plantas bio-depuradoras adquire uma função bastante diferenciada do Functional Landscapes de Hirst e colaboradores. As plantas assumem uma postura estritamente funcional e esse atributo depurador pode contribuir com o aumento do Green Factor.

É um campo a explorar!


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