retorna
  :: Artigo selecionado
  Distribuindo parasitos
13/01/2012
atualizado em: 14/01/2012
Trata-se de uma abordagem geral sobre o padrão de distribuição de parasitos.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Meio Ambiente e Biodiversidade


Distribuindo parasitos
André Flávio Soares Ferreira Rodrigues

A maneira como os indivíduos de uma população se distribuem espacialmente no ambiente pode apresentar diversos padrões.  De forma mais simplificada poderemos considerar dois padrões extremos, a distribuição uniforme e a distribuição agregada. Talvez, do ponto de vista teórico, faça mais sentido interpretarmos o padrão de distribuição espacial como um contínuo que varia do máximo teórico de uniformidade ao máximo teórico de agregação, e que os padrões observados na natureza tendem a um ou outro extremo desse contínuo.
Para entendermos como poderíamos determinar como uma população estudada se comporta em relação a essa tendência, vamos imaginar uma situação hipotética. Supondo uma área sobre a qual os indivíduos da população ocorram, poderíamos criar parcelas padronizadas nessa mesma área para quantificar os indivíduos. Se obtivermos uma média do número de indivíduos por parcelas poderíamos obter consequentemente a variância.  A tendência de uma distribuição, onde os indivíduos estão distribuídos mais igualitariamente sobre as parcelas, é de apresentar uma variância menor entre os dados do que uma distribuição onde possamos encontrar algumas parcelas com muitos indivíduos e outras com poucos ou nenhum indivíduo. Assim a variância dos dados obtidos nas parcelas em relação à média pode ser um recurso matemático (mas não o único) para determinar se o padrão de distribuição dos indivíduos no ambiente tende a uniformidade ou a agregação.
Independente de como mensurar a tendência do padrão de distribuição, talvez a pergunta mais interessante seja por que uma população tem um padrão de distribuição que tende a uniformidade ou a agregação? Um princípio interessante da ecologia mostra que os indivíduos tendem a se distribuir mais uniformemente em relação a um recurso, amenizando assim os efeitos da competição, num modelo de distribuição livre Ideal (veja mais em Krebs e Davies, 1996 e Begon et al., 2010). A distribuição livre ideal, por si não explica o padrão de distribuição espacial, pois em termos energéticos o recurso pode estar espacialmente concentrado em um local e suportar vários indivíduos com um mínimo de competição intraespecífica (dependendo, logicamente, da qualidade do recurso e da capacidade de suporte). Outro princípio importante é da distribuição em função do recurso. Nesse caso podemos considerar que os indivíduos, na maioria das vezes, acompanham o padrão de distribuição da sua principal fonte de recurso. Fatores comportamentais inerentes as espécies também podem ser determinantes nos padrões de distribuições . Espécies que vivem em grupo terão padrão de distribuição mais agregado que espécies solitárias que defendem territórios.
Em relação aos parasitos os padrões de distribuições podem ser vistos sob três diferentes óticas. Primeiramente pode-se estudar como as populações de parasitos se distribuem no corpo de seus hospedeiros (Como exemplo de estudo dessa natureza, para ectoparasitos, sugiro Santos–Prezoto et al.2003 Rev.Bras. Zoociências  5(1):129-135). A distribuição no corpo do hospedeiro pode ser determinada por vários fatores tais como competição entre os parasitos, disponibilidade do recurso e a resposta do hospedeiro ao parasitismo que não é necessariamente apenas fisiológica. O grooming, por exemplo, pode ser uma resposta comportamental de grande influência na distribuição dos ectoparasitos sobre seus hospedeiros (Parasite mais em Rodrigues et al.,2001, tabela 4) .
A segunda maneira de se estudar o padrão de distribuição de parasitos e a mais usualmente estudada, é a distribuição de uma população de parasitos na população de hospedeiros. Um parâmetro qualitativo frequentemente utilizados em estudos da parasitologia, a prevalência, pode dar uma ideia da padrão de distribuição. Outro parâmetro pode ser o indicie de discrepância (D) de Poluin (Poluin,1993 International Journal for Parasitology,.23: 937-944). Uma grande vantagem da utilização do indice de discrepância é que ele apresenta um piso e um teto. Assim os valores podem oscilar entre 0 e 1, sendo estes o máximo teórico de unifomidade e agregação respectivamente.
Por fim pode-se estudar o  padrão de distribuição espacial dos parasitos no ambiente (obviamente daqueles parasitos que passam alguma parte do seu ciclo fora dos seu hospedeiro). Para isso qualquer ferramenta matemática usada na ecologia de populações para determinar o padrão de agregação pode ser adotado. O indicie de discrepância (D) de Poulin também pode ser útil. Caso a opção seja pelo o Indicie de discrepância (D) é preciso encarar as parcelas no ambiente como "hospedeiros", apenas para efeito de cálculo. Se o população dos parasitos estiver igualmente distribuída entre as parcelas o valor de D calculado se aproximará de 0. É interessante ressaltar que em qualquer um dos casos apresentados a interpretação e análise dos dados fará mais sentido quando estiverem comparando situações distintas, o que permitirá uma análise mais relativa do valor de D. Sobre a distribuição de parasitos no ambiente, a tendência é que os mesmos sigam, como as espécies não parasitas, a premissa da hipóteses da distribuição em função do recurso. Em outras palavras, a distribuição dos parasitos no ambiente, na maioria das vezes, seguirá o padrão de distribuição dos seus hospedeiros. Exceções podem ocorrer com parasitos eurixenos ou variações no tipo de ambiente como por exemplo entre campos e áreas florestadas (Parasite mais em Rodrigues et al., 2009).


Indique este Artigo enviando o Link:
http://www.crbiodigital.com.br/portal?txt=3577323234


 retorna

 

  :: Pesquisa Artigos
contenha a palavra 
Regional 
Nome do(a) Biólogo(a) 


pesquisar



Copyright 2007  -   contatocrbiodigital@crbiodigital.com.br  -   privacidade