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  VIABILIDADE ECONÔMICA DA PRODUÇÃO DO JUNDIÁ CINZA (Rhamdia quelen) EM TANQUES-REDE NA REGIÃO DE VACARIA-RS
11/05/2011

ODILON MANSKE
RS - VACARIA
Viabilidade econômica e técnicas de manejo para a espécie Rhamdia quelen na região de Vacaria-RS.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Meio Ambiente e Biodiversidade
Gestão de Recursos Pesqueiros


VIABILIDADE ECONÔMICA DA PRODUÇÃO DO JUNDIÁ CINZA (Rhamdia quelen) EM TANQUES-REDE NA REGIÃO DE VACARIA-RS



Odilon Manske
25/06/2009


RESUMO


O objetivo do presente trabalho foi avaliar a viabilidade econômica do jundiá cinza na produção em tanques-rede na região de Vacaria-RS. O projeto de pesquisa foi desenvolvido num açude com 7,8 ha de lâmina de água na localidade de Passo do Carro, município de Bom Jesus-RS. O procedimento neste estudo compreendeu dois períodos, um para a recria e outro para a engorda. Para o primeiro ciclo foram estocados 2.400 alevinos de jundiá com um peso médio de 7,5 g/indivíduo em um tanque-rede medindo 2 x 2 x 1,5 m, com capacidade útil de 5,2 m³ de água e alimentados com ração comercial extrusada contendo 42% de PB. Para o ciclo de engorda 2.280 indivíduos foram estocados em três tanques-rede na proporção de 800 peixes para os tanques 1 e 2 e 680 para o tanque 3, todos com a mesma capacidade útil de 5,2 m³ de água. Neste período foi administrada ração comercial extrusada com 32% de PB. Os resultados apontam para um ganho de peso, compreendendo os dois períodos, de 681,94 kg, conversão alimentar de 1,3/kg e taxa de sobrevivência de 92,3%. Mediante os resultados, sugerimos o procedimento de recria para o Rhamdia quelen, como forma eficiente de controle, possibilitando ainda a administração diferenciada de alimento. A viabilidade econômica foi avaliada segundo o desempenho do jundiá cinza e os custos para a implantação e manutenção do projeto. Os resultados obtidos indicam a viabilidade do cultivo desta espécie para a região.

Palavras-chave: Jundiá cinza; Tanques-rede; Recria; Engorda; Desempenho.



1 INTRODUÇÃO
O Brasil possui condições extremamente favoráveis para o incremento da produção de pescado cultivado. São 10 milhões de hectares de lâmina d’água em reservatórios de usinas hidrelétricas e propriedades particulares no interior do país, (SEAP/PR, 2006).
Neste contexto, a produção de pescado em tanques-rede é uma alternativa para os produtores que possuem reservatórios de água, na forma de açudes, que normalmente são utilizados para outros fins, ou, que apresentam dificuldades para a prática da piscicultura convencional, vindo a desempenhar função marginal dentro de suas propriedades.

A produção do jundiá cinza no município de Vacaria-RS e região vêm ocorrendo de forma incipiente, geralmente consorciado com outras espécies como as carpas e em sistemas extensivos e semi-intensivos. Os resultados de produção nestes sistemas se encontram aquém do esperado para esta espécie.
A pouca disponibilidade de alimento artificial, a competitividade entre as espécies, a depredação por predadores de toda ordem e a fuga de grande parte dos indivíduos dos açudes que não possuem um sistema de controle na saída de água, podem ser apontados como os fatores principais pelo desempenho insignificante desta espécie nestes sistemas de produção.
Assim, surgiu a necessidade de se encontrar alternativas para sua produção na região de Vacaria-RS, uma vez que a demanda pelo consumo do jundiá é maior do que a de outras espécies produzida, tais como: carpa comum (Cyprinos carpio), carpa capim (Ctenopharyngodon idella), carpa prateada (Hypophthalnichthys molitrix) e carpa cabeça-grande (Aristichthys nobilis).

Na instalação do projeto percebemos algumas vantagens em relação ao sistema convencional de produção, pois existe a conveniência do produtor utilizar os reservatórios de água já existentes, não sendo necessário aporte financeiro para a sua construção.

A confecção de açudes e tanques escavados na terra geralmente envolve custos elevados, como, remoção de terra com maquinário, sistemas hidráulicos de drenagem, entre outros. Além disso, o processo de instalação muitas vezes traz consigo impactos negativos ao meio ambiente.

A outra vantagem diz respeito ao processo produtivo, que proporciona um acompanhamento e manejo mais eficiente. Uma vez que evita a ação de predadores, pois os tanques são estruturas cercadas por tela por todos os lados, reduzindo as perdas. Ajusta o uso de alimentos de acordo com a demanda dos peixes, sendo que se utiliza ração extrusada que é flutuante, permitindo a visualização do consumo.

Através deste método de criação o processo de captura é simplificado, permitindo inclusive fazer a depuração nos próprios tanques com a suspensão da alimentação na fase da despesca, medida indispensável para a qualidade do pescado.

O desempenho do Rhamdia quelen, foi avaliado durante 189 dias de cultivo, compreendendo o período entre 28 de novembro de 2008 a 05 de junho de 2009, no município de Bom Jesus-RS a 39 km da sede de Vacaria-RS. Com as seguintes coordenadas geográficas: latitude Sul 28°33’02.13” e longitude Oeste 050°39’47.45”, com altitude de 968m.

Neste período foram avaliadas as taxas de conversão alimentar, a quantidade e o custo da ração utilizada, custo de instalação do projeto, ganho de peso diário e no período, foram analisados ainda os parâmetros físico-químicos da água, como, O₂ dissolvido, pH, temperatura, transparência e amônia, através de duas medições semanais.

No entanto, é necessário alto grau de conhecimento sobre a espécie a ser cultivada, como, suas exigências nutricionais, índices de tolerância aos parâmetros físico-químicos da água, conversão alimentar e sua aceitação pelo mercado consumidor.

Estes são alguns requisitos que devem ser levados em consideração nas tomadas de decisões visando o desenvolvimento desta atividade no meio rural.

Desta forma, a elaboração de políticas públicas na área de produção de pescado, deve ter como foco o desenvolvimento rural sustentável, tendo como objetivo a diversificação na produção da agricultura familiar visando o incremento da renda, propiciando assim o desenvolvimento local.

Isto será possível através da transferência de novas tecnologias aos produtores sobre o cultivo de peixes, que permitam a produção racional de pescado, potencializando o rendimento dos ambientes aquáticos subutilizados.

Deste modo, estaremos disponibilizando ao pequeno produtor familiar e aos demais produtores rurais a possibilidade da exploração econômica do pescado como uma alternativa de renda a mais.


2 A ESPÉCIE ESTUDADA

O Rhamdia quelen tem distribuição neotropical, do sudeste ao norte do México e do centro ao sul da Argentina (SILFVERGRIP aput GOMES et al., 2000). A sistemática taxonômica do gênero Rhamdia é confusa desde que foi descrita.

Ainda de acordo com (SILFVERGRIP aput GOMES et al., 2000), após ampla revisão taxonômica concluiu que o gênero Rhamdia é formado de apenas 11 espécies dentre 100 anteriormente descritas. Segundo o mesmo autor, Rhamdia quelen pertence à seguinte divisão taxonômica: Classe: Osteichthyes, Série: Teleostei, Ordem: Siluriformes, Família: Pimelodidae, Gênero: Rhamdia, Espécie: Rhamdia quelen.

Porém, recentemente com nova revisão taxonômica a espécie Rhamdia quelen foi incluído na família Heptapteridae (BOCKMANN E GUAZZELLI aput RAIDEL, 2007).

Os adultos desta espécie são onívoros no ambiente natural, tendo preferência por peixes, crustáceos, insetos, restos vegetais e detritos orgânicos. Os organismos encontrados no conteúdo gastrintestinal do jundiá não são restritos ao habitat bentônico, indicando que essa espécie é generalista com relação à escolha do alimento (GOMES et al. aput CARNEIRO; MIKOS, 2005).

Desta forma, esta característica contribui para a adaptação deste peixe ao alimento artificial, facilitando a sua domesticação e condicionamento às condições de cultivo.

A conversão alimentar desta espécie ainda é pouco estudada, uma vez que existem poucas pesquisas publicadas a este respeito. Em tanques escavados em terra conseguiu-se uma conversão alimentar de 1,8:1, chegando a um peso final de 800 gramas em um ano (CIELO, 2000).
Em trabalhos recentes sobre a viabilidade econômica do jundiá cinza Reidel (2007) e Silva (2008) usaram diferentes rações comerciais e obtiveram o melhor desempenho com uma nutrição contendo 30% de PB e 3.250 kcal de ED/kg e 35% de PB e 3.250 kcal de ED/kg respectivamente.

Já para a fase de alevinos, Piedras et al. (2006) testaram diferentes níveis de proteína bruta e energia digestível para a fase inicial de desenvolvimento do R. quelen, e obtiveram melhores resultados com 51% de proteína bruta e 3.400 kcal/kg de energia digestível.

Entre os parâmetros físico-químicos da água, a temperatura desempenha papel significativo no desempenho do peixe cultivado. Assim Moraes, Piedras e Pouey (2005), obtiveram melhor resultado à temperatura de 23,7 ºC. Ainda de acordo com estes autores:
"A temperatura corporal dos peixes é regulada através do sangue, no processo respiratório, pois, quando o sangue passa pelas brânquias, o calor metabólico gerado é perdido para o ambiente, através da água. Animais expostos a temperaturas inferiores ao seu “ótimo” têm o consumo de alimento limitado à sua taxa metabólica basal. Quando o animal atinge a temperatura corpórea ideal, o alimento consumido é otimizado, liberando a energia necessária à multiplicação celular e ao crescimento".

Dados obtidos com este trabalho, revelaram ainda que esta espécie alimenta-se inclusive nos dias de frio intenso, com temperaturas do meio abaixo de 7 ºC, porém em uma escala menor. Esta observação caracteriza uma grande vantagem sobre as carpas cultivadas na região, uma vez que estas cessam a alimentação durante os períodos de frio intenso.


3 MÉTODOS DE MANEJO DO JUNDIÁ CINZA DURANTE O CICLO DE PRODUÇÃO
O ciclo produtivo contou com dois períodos: a recria e a engorda. O primeiro período foi entre os dias 28 de novembro de 2008 e 28 de fevereiro de 2009, totalizando 93 dias. O segundo foi iniciado no dia 01 de março de 2009 com término em 05 de junho de 2009, com 96 dias de cultivo.

Para esta pesquisa foram adquiridos, de uma piscicultura comercial, 2.400 alevinos de jundiá, com 7,5 g de peso médio por indivíduo. No dia 28 de novembro de 2008 os mesmos foram liberados em um tanque-rede com berçário removível, nas dimensões de 2 x 2 x 1,5 m, sendo a malha interna de 5 mm para impedir a fuga dos alevinos. A capacidade útil deste tanque para a recria foi de 5,2 m³ de água.

A densidade de estocagem para este procedimento foi de 461 alevinos/m³ de água. Este tanque fez parte do conjunto de três, que após a recria teve o berçário removido, servindo também para a engorda final. Desta forma, disponibilizamos três tanques-rede para este período, com as mesmas dimensões deste utilizado na recria. Para esta fase procedeu-se com uma densidade de 800 peixes para os tanques 1 e 2 e 680 para o tanque 3.

A alimentação fornecida na fase de recria foi ração comercial inicial (Supra) extrusada 2,5 mm contendo 42% de PB, 9% EE, 3800 kcal/kg de ED, 3% Ca, 1,5% P e 500 mg de vitamina C. Já para o período de engorda, foi empregada ração comercial (Supra) extrusada 5 mm a 32% de PB, 7% EE , 3500 ED kcal/kg, 2% Ca, 1% P e 300 mg de vitamina C.

Onde: PB = Proteína Bruta; EE = Extrato Etéreo (gordura total num alimento); ED = Energia Digestível; Ca = Cálcio; P = Fósforo e Vitamina C = ácido ascórbico.

Na recria a administração da ração foi prevista inicialmente a uma taxa de 10% da biomassa e na engorda a uma proporção de 2,5%. No entanto esta prática não se mostrou eficiente, uma vez que havia dias com sobras de ração e outros com falta. Assim, optou-se por fornecer a ração até o ponto de saciedade aparente dos peixes.

No local do projeto foi disponibilizado um funcionário para o fornecimento da ração. Na fase da recria este procedimento foi realizado três vezes ao dia, nos seguintes horários: 08:00, 14:00 e 20:00 horas. Para o período da engorda se procedeu com dois arraçoamentos, o primeiro às 08:00 horas da manhã e o segundo ao entardecer às 20:00 horas.


3.1 DESEMPENHO NO CICLO DE RECRIA

O período da recria mostra uma média de desenvolvimento descontínua, mas sem grandes oscilações no ganho de peso. Assim para o primeiro mês obteve-se um ganho de peso individual de 1,27 g/dia; no segundo mês houve uma queda para 0,96 g/dia e no terceiro mês uma elevação para 1,53 g/dia.

Isto pode estar relacionado às medidas de mudanças alimentares tomadas a partir da segunda quinzena do segundo mês, onde se iniciou a administração alimentar conforme a demanda da espécie, apresentando desta forma melhor desempenho no terceiro mês.

No entanto, consideramos ser de fundamental importância o procedimento da recria para esta espécie, uma vez que isto permite acompanhar de forma mais precisa a taxa de sobrevivência, possibilitando tomar medidas de precaução entre um ciclo e outro, evitando perdas desnecessárias. Facilita ainda, procedimentos de triagem por tamanho e peso, possibilitando um lote com mais homogeneidade final, cujo procedimento não foi adotado neste trabalho.

Desta forma, este método permite ao produtor administrar uma dieta alimentar mais eficiente na primeira fase do desenvolvimento desta espécie. Uma vez que, peixes com maior peso adquiridos das pisciculturas não dizem nada a respeito da idade e da dieta administrada, podendo comprometer o seu desempenho posterior.


3.2 DESEMPENHO DA ESPÉCIE NO PERÍODO DA ENGORDA

O ciclo de engorda foi iniciado dia 01 de março de 2009 com término no dia 05 de junho de 2009, com a despesca parcial dos tanques. Para tanto, foram utilizados 2.280 peixes provenientes da fase anterior. Neste período foi avaliado o desempenho no ganho de peso mensal, conversão alimentar e taxa de sobrevivência.

Para a avaliação do desempenho da espécie foram realizadas biometrias na taxa de 10% de amostragem por tanque.

Este resultado aponta para um desenvolvimento descontínuo para este ciclo. Assim, obtivemos um ganho de peso para o mês de março de 2009 de 181,48 kg significando um ganho de 2,65 g/indivíduo/dia. No mês de abril houve uma leve oscilação negativa para um ganho de 2,23 g/indivíduo/dia e para o mês de maio até o dia 05 de junho, (37 dias), quando ocorreu a despesca, houve uma queda para 1,59 g/indivíduo/dia, sendo que neste período houve um ganho de peso de 58,7 g/indivíduo.

O maior ganho de peso deste ciclo foi verificado durante o mês de março, onde a média das temperaturas esteve em torno de 23 ºC, o que corrobora com os resultados obtidos por Moraes, Piedras e Pouey (2005). Para o mês de maio até o dia 05 de junho houve um decréscimo considerável nas temperaturas com a entrada de frentes frias neste período, o que reduziu drasticamente o consumo de ração.

Na 2ª quinzena do mês de março estava-se administrando 12 kg de ração na média por dia e no final do mês de maio e inicio de junho, esta quantidade foi reduzida para 4 a 5 kg por dia, conforme a demanda.

Com exceção da temperatura, os demais parâmetros físico-químicos da água analisados durante o período da recria e engorda não apresentaram diferenças relevantes entre si e tampouco influenciaram o desempenho da espécie. Foram encontradas variações de 6,5 e 8,5 mg/L para oxigênio dissolvido, 7,1 e 7,5 para o pH, índices inferiores a 0,5 mg/L para a Amônia e 50 e 60 cm para a transparência da água.

Desta forma, o desempenho no ciclo de engorda foi influenciado fundamentalmente pela queda da temperatura d’água.

Há de se notar, que neste ciclo houve uma taxa de sobrevivência maior que na recria, na proporção de 97,15% para 95% respectivamente, que pode ter sido influenciado pela dieta diferenciada neste ciclo, fortalecendo os indivíduos para a etapa seguinte. Importante ainda, é que peixes mais jovens, na fase de recria, são mais suscetíveis a diferentes patógenos, pelo fato de não terem desenvolvido completamente o seu mecanismo de defesa.

Para chegar ao número total de peixes sobreviventes nos três tanques se procedeu com a contagem dos peixes que foram morrendo ao longo deste ciclo, uma vez que os mesmos apareciam na flor d’água dentro dos tanques. Assim foram contados 65 indivíduos que pereceram durante a engorda até a despesca parcial, sobrando teoricamente 2.215 peixes.

Já a conversão alimentar deste período foi menor ao da recria, que pode também ser explicada pela administração de dieta diferenciada. Em todo caso, o resultado obtido está acima da média para esta espécie, o que confere grandes perspectivas para sua produção comercial.

3.3 DESEMPENHO TOTAL DO CICLO PRODUTIVO
A espécie estudada, durante os dois ciclos de criação, apresentou resultados acima daqueles obtidos por diferentes trabalhos (CIELO, 2000; REIDEL, 2007; SILVA, 2008). O que pode ser explicado pelo manejo diferenciado, compreendendo dois ciclos de produção: a recria e a engorda.

No dia 05 de junho de 2009 ocorreu a despesca parcial dos tanques. Optou-se por este procedimento, uma vez que o produtor vai terminar o ciclo de produção quando os peixes atingirão uma média de 0,5 kg para a sua comercialização e também por motivos de prazo para este projeto, sendo que o mesmo teve de ser encerado nesta data.

Foram capturados 380 indivíduos aleatoriamente dos tanques 1 e 2, os quais foram pesados aferindo um peso de 120 kg, este peso por sua vez foi dividido pelos 380 jundiás resultando numa média de 316 g/peixe. Os mesmos foram comercializados in natura na peixaria do Mercado Público Municipal de Vacaria-RS, ao valor de R# 5,00 reais o kg.

Alguns indivíduos atingiram um peso de 700 g, medindo entre 37 e 38 cm, outra parcela pesou entre 450 e 500 g, com medidas entre 30 e 32 cm, sendo que a maioria permaneceu na faixa de 350g. No entanto, houve alguns peixes que pesaram 200g, apontando para uma desconformidade do lote.

As causas prováveis da heterogeneidade do lote podem ter sido: carência de classificação dos peixes no término do período de recria, alta taxa de densidade que favoreceu que alguns indivíduos se sobressaíssem sobre outros na captura do alimento e ainda a falta de melhoramento genético desta espécie.

4 VIABILIDADE ECONÔMICA

Em relação a viabilidade econômica da produção do jundiá, levamos em consideração diferentes aspectos do seu desempenho. Assim, a conversão alimentar, taxa de sobrevivência, valor do kg de peixe, ciclo produtivo, entre outros, foram analisados.

Por outro lado, os aspectos relativos à sua viabilidade econômica, como por exemplo: custo de implantação do projeto, investimento, produção, custos operacionais, custo fixo, renda bruta, lucro líquido, taxa e retorno de capital foram obtidos através da tabulação dos dados e calculados em planilhas Excel.

Os resultados econômicos deste projeto são animadores. No entanto, devemos levar em consideração que o preço de mercado para o jundiá praticado hoje no município, contribuiu para este resultado.

Para os cálculos tomaram-se por base os resultados obtidos com a despesca parcial, em que o peso médio do peixe foi de 316 g, multiplicado pelo total teórico estocado nos três tanques, ou seja, 2.215 peixes.

No entanto, se projetarmos um peso final médio de 500 g/indivíduo os indicativos econômicos seriam ainda mais positivos em virtude da elevada taxa de conversão alimentar, aumentando assim a lucratividade da produção.


5 CONCLUSÃO

Os resultados obtidos neste projeto pioneiro na região de Vacaria-RS, apontam para a possibilidade real de incrementar a produção de pescado cultivado na região no sistema de tanques-rede, utilizando-se para este fim o jundiá cinza.

O procedimento de recria mostrou-se eficiente, possibilitando a administração de dietas nutricionais diferenciadas e pode ter contribuído com o aumento da taxa de sobrevivência no período de engorda.

As densidades de 461 indivíduos/m³ de água no período da recria e 154/m³ na engorda poderão servir de parâmetro para sua produção na região, uma vez que não influenciaram no desempenho da espécie. No entanto, nesta densidade recomendamos proceder com a classificação no término do ciclo de recria, possibilitando desta forma a obtenção de um lote mais homogêneo.

Ficou evidenciado também, que esta espécie apresenta melhor desenvolvimento com uma temperatura em torno de 23 ºC. Neste sentido, deverão ser realizadas mais pesquisas visando o seu desempenho durante os meses de inverno nesta região, possibilitando desta forma o escalonamento de sua produção para o ano inteiro.

Quanto ao manejo, como, biometrias e despesca parcial, esta espécie apresentou boa tolerância às temperaturas inferiores a 10 ºC, o que corrobora com a sua rusticidade, permitindo ainda os procedimentos inerentes durante o período de inverno.

Por fim, recomendamos a repetição deste trabalho nestas condições, porém com a coleta de mais dados sobre o desempenho desta espécie.


6 REFERÊNCIAS

CARNEIRO, P. C. F.; MIKOS, J. D. Freqüência alimentar e crescimento de alevinos de jundiá, Rhamdia quelen. Cienc. Rural,  Santa Maria,  v. 35,  n. 1, fev.  2005. Disponível em: <http://www.scielo. br/scielo.php? script=sci_ arttext&pid =S01 03-8478 2005 000100 030&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 12  fev.  2009.

CIELO, G. Jundiá cinza: como um bom bagre cresce bem e encanta piscicultores do Sul. Panorama da Aqüicultura, v.10, n.58, p.14-19, 2000.

GOMES, L. C. et al. Biologia do jundiá Rhamdia quelen (Teleostei, Pimelodidae). Cienc. Rural,  Santa Maria,  v. 30,  n. 1, mar.  2000 .   Disponível em: <http://www.scielo.br/ scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010384782000000100029 &lng= pt&nrm=iso>. Acesso em: 12  fev.  2009.

MORAES, P. R. R.; PIEDRAS, S. R. N.; POUEY, J. L. O. F. Crescimento de juvenis de jundiá (Rhamdia quelen), de acordo com a temperatura da água. Disponível em: <ftpp://ftp.sp.gov.br/ftppesca/Piedras30_2.pdf>. Acesso em: 15 abr. 2009.

PIEDRAS, S.R.N. et al. Resposta de alevinos de jundiá (Rhamdia sp.) alimentados com diferentes níveis de proteína bruta e energia digestível. Revista Brasileira Agrociências, Pelotas, v.12,n.2,p.217-220, abr-jun. 2006.

REIDEL, A. Níveis de energia e proteína na alimentação do jundiá (Rhamdia quelen) criados em tanques-rede. Disponível em: <http://www.caunesp.unesp.br/Publicacoes/Dissertacoes_Teses/Teses/Tese%20Adilson%20Reidel.pdf>. Acesso em: 10 abr. 2009.

SEAP/PR. Mais Pesca e Aqüicultura. Disponível em: <http://tuna.seap.gov.br/seap/html/Plano20de20Desenvolvimento/Cartilha_SEAP_final.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2009.

SILVA, J. R. Análise da viabilidade econômica da produção de peixes em tanques-rede no reservatório de Itaipu. Disponível em: <http://www.ppgep.ct.ufsm.br/sistemas/updown.Public/arquivos/arq_Josemar_Raimundo_da_Silva_21.pdf > Acesso em: 10 jun. 2009.
















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