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  IDENTIFICAÇÃO, DESCRIÇÃO E REPRODUÇÃO DE ORQUÍDEAS ENCONTRADAS EM FRAGMENTOS FLORESTAIS DA REGIÃO NORTE DO PARANÁ.
29/06/2010
A região Norte do Paraná ainda é muito rica em diversidade de espécies de orquídeas, foram catalogas e descritas espécies de sete fragmentos florestais.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Botânica
Ecologia




INTRODUÇÃO
As orquidáceas constituem uma das maiores famílias de plantas floríferas e representam o grupo mais evoluído da super ordem Liliiflorae (CRONQUIST, 1981). A maioria das orquídeas possui hábitos epifíticos, algumas são terrestres, existem orquídeas rupícolas e ainda encontram-se orquídeas saprófitas ou micófilas que não possuem clorofila e se alimentam de restos vegetais em decomposição, essas diferentes características lhes conferem elevado poder de adaptação a diferentes ambientes (BENZING et al., 1982) e suas flores exibem particularidades marcantes que desempenham importante papel na atração de agente polinizador o que, consequentemente, favorece a polinização cruzada (DRESSLER 1993).
Por causa da sua beleza exuberante as orquídeas se tornaram um valioso produto comercial, tanto no mercado nacional como no internacional. Em 2004 apenas o setor de exportação de flores girou em torno de US$ 25 milhões, as orquídeas ainda possuem pequena participação nesse total, porém com crescimento anuais na ordem de 100% na exportação, apresentando enorme potencial, principalmente para o mercado internacional. 
As orquídeas apresentam ampla distribuição geográfica e compreende cerca de 35.000 espécies, das quais 3.500 ocorrem no Brasil (DRESSLER, 1981) e desse número cerca de 650 ocorrem no estado do Paraná.
As matas de todo o Brasil estão cada vez mais pobres em diversidade de orchidaceae, inclusive as Norte paranaense, local de foco neste trabalho, abrangendo cidades como Porecatu, Londrina, Maringá, Cornélio Procópio, entre outras cidades significativas, constituídas em sua maioria de Floresta Estacional Semi-Decidual, com uma pequena porção de Floresta Ombrófila Mista na região de São Jerônimo da Serra. É devido ao acelerado desmatamento e procura desta família que devemos aprofundar em estudos de conservação, conscientização e principalmente no processo de recolocação das espécies ameaçadas em seu habitat natural.

ÁREA DE ESTUDO

As observações, das espécies de orquidáceas, foram realizadas nas matas da região norte do Paraná que corresponde a Floresta Estacional Semi-Decidual, e uma parte de Floresta Ombrófila Densa formando um semi-circulo da cidade de Porecatu (latitude 22°45’46” S, longitude 51°22’50” W) passando por Arapongas (lat. 23°24’58” S, long. 51°25’39” W), São Jerônimo da Serra (lat. 23°43’59” S, long. 50°44’39” W), Jundiaí do Sul (lat. 23°26’82” S, long. 50°14’23” W) e Cambará (lat. 23°02’63” S, long. 50°04’77” W), dentro, encontra-se fragmentos florestais importantes como a Mata do Godoy em Londrina (lat. 23°18’41” S, long. 51°10’67” W) e a Mata São Francisco em Cornélio Procópio (lat. 23°11’70” S, long. 50°38’33” W).

Figura 01: Estado do Paraná. Área de Estudo destacada. Fonte: IAP, 2002 (modificado).


METODOLOGIA

Este trabalho foi realizado no laboratório de Biotecnologia da Universidade Estadual Norte do Paraná da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Cornélio Procópio – Campus de Cornélio Procópio e em sete fragmentos florestais na Região de Cornélio Procópio.
    Nas expedições realizadas nos fragmentos florestais, as espécies encontradas eram fotografadas e era posteriormente identificado, utilizando a experiência do Orquidário Bom Senhor e com registros bibliográficos.
Para o estudo a reprodução assimbiótica de espécies em risco de extinção, foi utilizada cápsulas doadas pelo Orquidário Bom Senhor das espécies Catasetum fimbriatum e Encyclia patens.
O meio de cultura utilizado foi o MS modificado, Murasighe e Skoog (1962), contendo a metade da concentração dos macro e micronutrientes e mantendo a concentração dos demais componentes, acrescido de 40g/L de sacarose e 10 g/L de agar. As sementes foram inoculadas no mesmo meio de cultura sendo que parte foi inoculada seca, parte foi colocada em água destilada esterilizadas por 20 minutos e tratadas com hipoclorito de sódio a 20% v/v durante 5 minutos. Foram utilizados dez repetições por tratamento.
 As sementes foram colocadas em sala de luz com fotoperíodo de 16 horas luz por 8 horas de escuro a uma temperatura média de 22±°2C.
Para a análise dos resultados foram atribuídos notas conforme o estágio das sementes de acordo com a tabela abaixo:
Notas    Estágio
0    Nenhuma semente germinada
1    Sementes com embrião verde e sementes não germinadas
2    Alguns protocormos e semente com embrião verde
3    Metade protocormos e metade das sementes com embrião verde
4    Maioria das sementes desenvolveu protocormos

RESULTADOS E DISCUSSÕES
Nos fragmentos analisados foram encontradas quatro subfamílias de acordo com a classificação de Dressler, 1993, Epidendroid, Cymbidioid, Dendrobioid. Spiranthoideae e estas eram compostas por 29 gêneros e 51 espécies. Os gêneros mais encontrados estão Pleurothallis com 11 espécies e Oncidium com 6 espécies.



Subfamílias





Nº. de gêneros





Nº. de espécies





Cymbidioid





15





24





Dendrobioid





1





1





Epidendroid





8





22





Spiranthoideae





4





4



Espécies identificadas:
Barbosella handroi Hoehne (Epidendroid)
Bifrenaria harrisoniae (Hooker) Rchb.f. (Cymbidioid)
Brassavola tuberculata Hooker (Epidendroid)
Campylocentrum neglectum (Rchb. f. & Warm.) (Dendrobioid)
Catasetum fimbriatum (C. Morr.) Lindl. & Paxton (Cymbidioid)
Cyclopogon longibracteatus (Barb. Rodr.) Schltr. (Spiranthoideae)
Cyrtopodium paludicolum Hoehne (Cymbidioid)
Encyclia patens Hook (Epidendroid)
Epidendrum densiflorum Hook (Epidendroid)
Epidendrum faustum Rchb.f. ex Cogn. (Epidendroid)
Epidendrum secundum Jacq. (Epidendroid)
Galeandra styllomisantha (Vell.) Hoehne (Cymbidioid)
Gomesa recurva Lood. (Cymbidioid)
Lankesterella ceracifolia (Barb. Rodr.) Mansf. (Spiranthoideae)
Leptotes bicolor Lindl. (Epidendroid)
Leptotes unicolor Rodrig. (Epidendroid)
Lophiaris morenoii (Dodson & Luer) Braëm (Cymbidioid)
Lophiaris pumila (Lindl.) Braëm (Cymbidioid)
Maxillaria chrysantha Barb. Rodr. (Cymbidioid)
Maxillaria juergensii Schltr. (Cymbidioid)
Maxillaria picta Hook. (Cymbidioid)
Mesadenella cuspidata (Lindl.) Garay (Spiranthoideae)
Miltonia flavescens Lindley (Cymbidioid)
Miltonia regnellii Rchb.f (Cymbidioid)
Octomeria micrantha Barb. Rodr. (Epidendroid)
Octomeria pinicola Barb. Rodr. (Epidendoid)
Oeceoclades maculata (Lindl) Lindl. (Cymbidioid)
Oncidium cruciatum Rchb.f (Cymbidioid)
Oncidium flexuosum C. Loddiges (Cymbidioid)
Oncidium longicornu Mutel (Cymbidioid)
Oncidium longipes Lindl. (Cymbidioid)
Oncidium pubes Lindl. (Cymbidioid)
Oncidium sarcodes Lindl. (Cymbidioid)
Ornithophora radicans (Linden & Rchb.f.) Garay & Pabst. (Cymbidioid)
Pleurothallis crinita Barb. Rodr. ( Epidendroid)
Pleurothallis foetens Lindl. (Epidendroid)
Pleurothallis grobyi Bateman ex. Lindl. (Epidendroid)
Pleurothallis hoffmannseggiana Rchb.f. (Epidendroid)
Pleurothallis luteola Lindl. (Epidendroid)
Pleurothallis muscicola Barb. Rodr. (Epidendroid)
Pleurothallis obovata (Barb. Rodr.) Cogn. (Epidendroid)
Pleurothallis pubescens Lindl. (Epidendroid)
Pleurothallis recurva Lindl. (Epidendroid)
Pleurothallis saundersiana Rchb.f. (Epidendroid)
Pleurothallis sonderana Rchb.f. (Epidendroid)
Quekettia micromera (Barb. Rodr.) Cogn. (Cymbidioid)
Sauroglossum nitidum (Vell.) Schltr. (Spiranthoideae)
Sophronitis cernua Lindley (Epidendroid)
Warrea warreana (Lodd. ex. Lindl.) C. Schweinf. (Cymbidioid)
Zygopetalum maxillare Lodd. (Cymbidioid)
Zygostates alleniana Kraenzl. (Cymbidioid)

Descrição das duas espécies utillizadas no experimento em laboratório:
Catasetum fimbriatum (C. Morr.) Lindl. & Paxton
 Figura 02
-Família: Orquidaceae
-Subfamília: Cymbidioid
-Tribo: Cymbidieae
-Subtribo: Catasetinae
-Gênero: Catasetum
-Espécie: Catasetum fimbriatum
-Sinonímia botânica: Catasetum cogniauxii L.Linden, Catasetum inconstans Hoehne
Catasetum negrense Schltr., Catasetum ornithorhynchum Porsch., Catasetum pflanzii Schltr., Catasetum wredeanum Schltr., Myanthus fimbriatus Morren.
-Hábito: Epífita.
-Habitat: Temperaturas entre 15°C e 35°C, altas luminosidades e boa ventilação.
-Distribuição: América Central até o sul do Brasil e norte da Argentina.
-Crescimento: Simpodial.
-Época de floração: Verão
-Inflorescências: Saem da base do pseudobulbo, podem ser eretas ou pendentes, e tem flores de aparência cerosa, masculinas, femininas, ou eventualmente hermafroditas
-Flores: As masculinas possuem cerca de 3 cm de diâmetro, pétalas e sépalas verde amareladas com leves máculas transversais avermelhadas, labelo verde amarelado em forma de leque com muitas fimbrias longas e amareladas. Flores femininas são muito carnosas, raramente com manchas avermelhadas, pedicelo torcido de modo a deixar a planta numa posição invertida, o labelo acha-se firmemente soldado a base da coluna. As flores hermafroditas é exatamente o meio termo entre as masculinas e femininas.
-Número de políneas: 2
-Pseudobulbos: Fusiformes com cerca de 15 cm de altura.
-Folhas: 2 a 4 folhas elípticas por pseudobulbo, acuminadas finas, plissadas e atingem cerca de 30 cm de comprimento.
-Curiosidades: Este gênero foi criado por Kunth em 1822 e comporta mais de 130 espécies. Estas plantas têm o interessante hábito de arremessar as polínias, das flores masculinas, sobre os polinizadores ou em distâncias de até dois metros. Normalmente alta luminosidade produz flores femininas, e mais sombra, flores masculinas. (MORAES, C.P., 2002)
Encyclia patens Hook.
 Figura 03
-Família: Orchidaceae
-Subfamília: Epidendroid
-Tribo: Epidendreae I
-Subtribo: Laeliinae
-Gênero: Encyclia
-Espécie: Encyclia patens
-Sinonímia botânica: Encyclia odoratissima (Lindl.), Encyclia serroniana (Barb.Rodr.) Hoehne, Epidendrum glutinosum C.Schweinf., Epidendrum serronianum Barb.Rodr.
-Hábito: Epífita.
-Habitat: Mata com bastante luminosidade.
-Distribuição: Regiões Sul, Sudeste e o Estado da Bahia.
-Crescimento: Simpodial.
-Época de floração: Inverno.
-Inflorescências: Ramificadas de até 1 metro de altura portando dezenas de flores.
-Flores: com cerca de 1 cm de diâmetro com pétalas e sépalas oblongo-espatuladas de cor esverdeadas, labelo trilobado, amarelado, levemente salpicado de marrom-avermelhado. Seus lóbulos laterais são alongados, obtusos e menores que o lóbulo central. As flores têm delicado perfume durante o dia.
-Número de políneas: 4.
-Pseudobulbos: Ovóides, alongados, com cerca de 10 cm de altura. (ENDESFELDZ, 1999).
-Folhas: Estreitas e lanceoladas de até 80 cm de comprimento.
-Curiosidades: Este gênero foi criado por Hooker em 1828 e seu nome refere-se ao fato dos lobos laterais do labelo envolver a coluna da flor. Estas plantas gostam de cultivo em casca de árvores, placas ou qualquer outro substrato com ótima drenagem, em temperatura intermediária com muita luz.

Para o estudo sobre reprodução assimbiótica, utilizando de sementes da espécie Catasetum fimbriatum pode-se observar que as sementes dentro do fruto não estavam contaminadas, pois nas repetições com sementes secas, nenhuma repetição apresentou contaminação por microorganismos, enquanto que sementes do mesmo fruto quando tratadas com água 100% das repetições foram contaminadas por fungo, isto indica que ocorreu um erro no procedimento, e sementes que foram tratadas com hipoclorito de sódio, que um agente utilizado para assepsia superficial de explante fungou 30% dos tratamentos.
Para a espécie Encyclia patens, as sementes foram contaminadas por microorganismos presentes no fruto, pois tanto as sementes secas e tratadas com água fungaram apresentaram 90% dos tratamentos contaminados. O tratamento com hipoclorito de sódio foi eficiente, pois nenhum dos frascos foi contaminado.
Os experimentos precisam ser refeitos, a contaminação que ocorrem em alguns tratamentos impediu avaliar qual o melhor processo de inoculação das sementes das duas espécies.
Após 75 dias da inoculação a espécie C. fimbriatum apresentou melhor taxa de germinação no tratamento em que foi utilizado sementes secas, observando protocormos mais desenvolvidos obtendo na maioria dos exemplares nota 4, comparados ao tratamento com hipoclorito.
Para sementes de E. patens o melhor desenvolvimento das sementes foram observados em tratamentos de hipoclorito obtendo a média 4, conforme escala de notas, no único exemplar de sementes secas observou-se uma menor percentagem de germinação, em tratamento com água obteve-se uma germinação esperada, porém com protocormos menores comparados as sementes tratadas com hipoclorito.

 Figura 04: O tratamento com sementes secas de C. fimbriatum A) 30 dias após a inoculação. B)  Protocormos de C. fimbriatum com 45 dias de cultivo. C) Protocormos de C. fimbriatum com 60 dias de cultivo.
 
Figura 05: Sementes E. patens tratadas com hipoclorito a 10% v/v   A) Sementes de E. patens com 30 dias após a inoculação. B) Protocormos de E. patens com 45 dias de cultivo. C) Protocormos de E. patens com 60 dias de cultivo.

CONCLUSÕES
A região Norte do Paraná é muito rica em espécies de orquídeas, porém as espécies estão restritas a pequenos fragmentos florestais sem nenhuma proteção, portanto a maioria das espécies apresenta grande risco de extinção, pelas destruições dos fragmentos ou pela coleta indiscriminada.
As sementes de C. fimbriatum apresentaram melhor desenvolvimento quando a semente foi inoculada seca, quando comparado ao tratamento com sementes tratadas com hipoclorito.
Para espécie E. patens o melhor tratamento foi quando as sementes foram tratadas com hipoclorito.

REFERÊNCIAS
CRONQUIST, A. 1981. An integrated system of classification of flowering plants. Columbia University Press, New York.

BENZING, D. H. ; FRIDMAN, W. ; PETERSON G.;RENFLOW, A. Shootless,
velamentous roots, and the pre-eminence of ochidaceae in the epifhytic biota .Americam Jornal of Botany, v70. p121-133. 1983.

DRESSLER, R.L. The orchids, natural history and classification. Cambridge: Harvard University Press, 1981, 352p.

DRESSLER, R. L. 1993. Phylogeny and classification of the Orchid family. Dioscorides Press, Portland.

ENDSFELDZ, W. F. Caracteristicas muito especiais, Natureza. v especial. P26 – 36,1999.

MORAES, C. P. Fenologia e anatomia dos órgão reprodutivos de Catasetum fimbriatum Lindley cultivados sob diferentes


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