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  FATORES QUE INFLUENCIAM A MÁ QUALIDADE DAS ÁGUAS DAS PRAIAS DO GONZAGUINHA E MILIONÁRIOS, SÃO VICENTE, SP.
27/05/2011

NORBERTO GOMES VIEIRA
SP - SAO VICENTE
O presente trabalho trata dos aspectos que influenciam a má qualidade das praias de São Vicente tendo em vista o extenso período em que as praias do Gonzaguinha e dos Milionários são classificadas como impróprias pela CETESB.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Meio Ambiente e Biodiversidade
Diagnóstico, Controle e Monitoramento Ambiental


No trabalho procurou-se entender a dinâmica dos poluentes e fatores sociais e ambientais, assim como a morfologia dessas praias influenciam nos resultados dos testes.

Levou em consideração o aspecto urbano-ambiental de uma forma mais restrita, tendo como coeficientes de análises apenas os fatores ligados à cidade de São Vicente, se abstendo dos efeitos possivelmente causados por cidades vizinhas como Santos e Cubatão.

O Objetivo foi valiar por meio de levantamento bibliográfico quais os fatores que influenciam a contaminação da água das praias do Gonzaguinha e dos Milionários, São Vicente São Paulo, Brasil.

O estudo foi fundamentado, a priori, no levantamento bibliográfico das informações disponíveis a respeito das praias e do contexto em que se insere a situação de degradação da orla marítima de São Vicente. As informações irão apontar os aspectos que influenciam na má qualidade da água das praias, utilizando as informações de maneira comparativa com relação aos estudos já realizados na região, os quais ainda não foram confrontados na busca de um prognóstico definitivo. Concomitantemente será produzido o levantamento fotográfico que auxiliará no apontamento dos problemas encontrados na bacia hidrográfica de São Vicente e na própria zona costeira.

As informações obtidas levantaram a hipótese de que, além das ligações clandestinas de esgoto da érea insular, aspecto este que vêm sendo combatido pelo programa “Caça Esgoto” da Prefeitura Municipal de São Vicente e pelo programa “Onda Limpa da SABESP”, ainda existe a possibilidade de grande parte da contaminação por matéria orgânica nessas praias estarem vindo dos três rios que formam a bacia hidrográfica de São Vicente e que possuem habitações em alguns locais de suas margens desde Praia Grande,Sp, até a região do estuário.

Apesar da hipótese de que os sedimentos seriam transportados do estuário para o canal de São Vicente não possuir uma base sólida, deve-se levar em consideração que a contaminação química e biológica, dentro deste panorama, possui maior facilidade de deposição nas praias do Gonzaguinha e dos Milionários devido à movimentação das marés, já que os rios Puabussu (São Vicente/Praia Grande), Mariana (São Vicente) e Rio Branco (São Vicente/Praia Grande) sofrem a influência dessas águas, e pela baixa movimentação das águas na orla marítima, gerando o confinamento dos poluentes e evitando a dispersão dos mesmos.

Os poluentes provenientes dos córregos vicentinos podem estar se confinando e potencializando a poluição das águas, pois além da barreira natural que é a arrebentação, existe o fator já elencado do confinamento das águas.

A mitigação do quadro de saneamento, sobretudo no que diz respeito aos córregos urbanos, tem como prioridade a adequação do sistema de fiscalização do esgoto irregular por parte da SABESP e da Prefeitura Municipal de São Vicente, visando à extinção dos pontos clandestinos de descarte. Essa ação deve levar em consideração que seria necessário o mapeamento de todos os cursos d’água superficiais ou subterrâneos que têm o mar como destino final e a intensificação da fiscalização ao longo destes córregos.

A implantação de projetos alternativos de contenção de descarte de esgoto para áreas rurais pode ser um aliado no combate a poluição em áreas de habitações irregulares como o que foi implantado pela Prefeitura Municipal de Pindamonhangaba (anexo I), interior de são Paulo que desenvolveu um método de baixo custo e fácil aplicação para o pré-tratamento de esgoto domiciliar.

Para os resíduos de indústria e pequenos comércios como as pocilgas, existem pequenos biodigestores que podem fazer o tratamento dos dejetos e proceder com a transformação do mesmo em energia térmica ou elétrica. A planta de um pequeno biodigestor, suficiente para o atendimento de pequenas empresas, tem um custo de cerca de R$ 12.000,00. Entende-se que inicialmente o custo pode parecer elevado, porém se levarmos em consideração que este tipo de atividade pode ser facilmente subsidiado parte pelo Banco do Povo Paulista e parte pela administração Pública que pode requerer verba via projetos ao BNDES que disponibiliza recursos para projetos mais abrangentes como este.

Os modelos Hidrodinâmicos discutidos nos remetem à ligação da Ilha de São Vicente com a Ilha Porchat e revelam que após o seu fechamento, sedimentos que eram trazidos do mar para deposição na faixa de areia das praias do Gonzaguinha e Milionários não chegam mais aos seus destinos e estão, ao longo dos anos assoreando o canal da Garganta do Diabo (passagem de água atrás da Ilha Porchat), aumentando neste ponto a velocidade das águas em detrimento à diminuição do fluxo próximo à zona intertidal. Além do fato de que o fechamento dificulta a dispersão dos poluentes confinando-os justamente onde a CETESB faz a coleta para as análises de I.Q.A.

Visando o retrocesso tanto no quadro de poluição quanto no quadro de transporte e dispersão de sedimentos, seria recomendável o desenvolvimento de projetos de arquitetura que possibilitem a passagem de água entre as Ilhas fazendo com que a dinâmica das marés, em conjunto com as políticas de controle habitacional, de esgoto e atividades de educação ambiental, em longo prazo, trabalhem no processo inverso ao quadro atual e que as praias de São Vicente deixem de ser uma questão de saúde pública.

Referências

Minuta de Decreto – Versão Final Grupo Setorial da baixada Santista – Santos , Março 2008

AGEM – Agência Metropolitana da Baixada Santista – Plano de Bacia Hidrográfica para o Quadriênio de 2008-2011 do Comitê de Bacia Hidrográfica da Baixada Santista – Munita do relatório final – Dezembro/2008.

CBH-BS / DAEE; Relatório de Situação dos Recursos Hidricos da Baixada Santista; Relatório I; Volume I; Caracterização e Diagnóstico; Relatório Final; 2007

P.R.I.M.A.H.D. – São Vicente – 2005

Governo do estado de São Paulo – Secretaria do Meio Ambiente – coordenadoria de planejamento Ambiental Estratégico e Educação Ambiental;

Manual para elaboração, administração e avaliação de projetos socioambientais, 2005 – Governo do estado de São Paulo

BEGHIN, Nathalie. A filantropia empresarial: nem caridade, nem direito. São Paulo; Cortez, 2005.

D.S.O., Helder – Quarentenálrio e Vila Ponte Nova: A relação socioambiental da população em área de depósito de resíduos de organoclorados –  UNISANTOS/SANTOS – 2003.

ANDRADE, Rui Otávio Bernardes; TACHIZAWA, Takeshy; CARVALHO, Ana Barreiros. Gestão Ambiental – Enfoque Estratégico Aplicado ao Desenvolvimento Sustentável. 2ª ed. São Paulo: Editora Makron Books, 2002.

Poliantéia, 450 anos de Brasilidade, 1532 – 1982; Lichti, Fernando Martins – São Vicente; SP – CAUDEX, 1982

Sites Consultados

http://www.novomilenio.inf.br/sv/svfotos/svf009z.jpg em 08/12/2009 às 13:34h.

http://www.poluicaosonora.adm.br/images/Ilha%20Porchat%20II.jpg em 08/12/2009 às 16:16h.

http://www.pindamonhangaba.sp.gov.br/noticias_0607.asp?materia=1693 em 25/01/2010 às 22:51h

http://www.saovicente.art.br/projeto/saovicente.html 01/02/10 às 16:35

http://www.ondalimpa.com.br/oPrograma.aspx 03/03/2010 às 17:45

http://www.aguasdoparaopeba.org.br/parametros.php?id=1 07/07/2010 às 13:25h

http://www.pindamonhangaba.sp.gov.br/noticias.asp?materia=4205 07/07/2010 às 14:50h

 

Legislação Consultada

 

Resolução CONAMA 357/05

 

Resolução CONAMA 274/00


NORBERTO GOMES VIEIRA
SP - SAO VICENTE

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