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  CATALOGAÇÃO CIENTÍFICA DE PLANTAS: UMA FERRAMENTA PARA EDUCAÇÃO AMBIENTAL
01/06/2010
atualizado em: 10/06/2010

JOAO AUGUSTO BAGATINI
RS - NOVA PRATA
Salvo raras exceções (agricultores, mateiros, Botânicos), a maioria das pessoas desconhece o nome das plantas, se os frutos são comestíveis ou venenosos. Com fins educativos, existe a Catalogação das plantas, um estudo da flora local para divulgação.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Botânica
Botânica aplicada
Dendrologia
Taxonomia/Sistemática vegetal
Ecologia
Meio ambiente
Gestão ambiental
Educação
Educação ambiental
Educação formal
Educação informal


   CATALOGAÇÃO CIENTÍFICA DE PLANTAS: UMA FERRAMENTA PARA EDUCAÇÃO AMBIENTAL
 (Trabalho apresentado no X Congresso Florestal Estadual, em Nova Prata, RS, Agosto/2008)


  Autores:

 João Augusto Bagatini (Biólogo, Especialista em Gestão do Turismo, Nova Prata, RS – joaobagatini@adylnet.com.br)
 Denise Tedesco (Bióloga, Nova Prata, RS -
denisetbio@yahoo.com.br)


  INTRODUÇÃO
  Diferente de um laudo florísitico, a Catalogação Científica de Plantas é um estudo de flora que é desenvolvido com o objetivo de divulgar as espécies vegetais ocorrentes em determinado local, bem como identificar os exemplares mais representativos por meio de placas com a nomenclatura oficial e família botânica das espécies.
  É marcante o desconhecimento por parte da população em geral sobre o nome das plantas que existem no seu entorno. Salvo raras exceções, como agricultores, mateiros ou estudantes da área da botânica, a maioria das pessoas sequer sabe se determinada planta produz frutos comestíveis ou venenosos. Com base nessa constatação, os autores iniciaram um trabalho de divulgação dos nomes das plantas em três locais de lazer, situados em Nova Prata, RS.
Os locais são (1) Parque de Águas Termais Caldas de Prata, (2) Sede Social da Associação Atlética Banco do Brasil e (3) Centro de Tradições Gaúchas Querência do Prata. O presente artigo apresenta os dados desses trabalhos de Catalogação Científica de Plantas.


  OBJETIVO
 O objetivo da Catalogação Científica de Plantas é destacar os recursos naturais em locais onde ocorre visitação pública com fins de lazer ou Educação Ambiental. O trabalho de identificação das plantas de parques ou sedes campestres vem ao encontro de uma necessidade do turista ou visitante, que deseja maior contato com a natureza. Ao conhecer ou confirmar o nome de uma planta, a pessoa cria ou reativa o interesse pela espécie ou vínculo, pois provavelmente a mesma faz ou já fez parte de sua vida algum dia. Assim sendo, o parque ou local turístico recebe um incremento para a prática da Educação Ambiental, que pode ser ampliado a qualquer tempo em número de espécies ou em quantidade de placas instaladas, dependendo do interesse da Administração do local de lazer. 

 METODOLOGIA
 As Catalogações Científicas de Plantas são feitas através da identificação das espécies nativas e exóticas, ocorrentes nas bordas de trilhas, caminhos e estacionamentos, bem como em locais de maior circulação de pessoas, como área de mesas, quiosques e churrasqueiras. As espécies são confirmadas com base em bibliografia especializada. Após a compilação dos dados, é gerada uma relação de espécies com a devida quantidade de exemplares catalogados, que é usada para a confecção das placas. Sugere-se que as placas sejam feitas com material resistente às intempéries visando maior durabilidade. As placas contêm o nome popular, científico e família botânica a que pertence a espécie, e são afixadas nas plantas correspondentes por meio de fio de nylon ou por meio de estacas de madeira cravadas no solo diante do vegetal. Ainda, é gerado um catálogo impresso que contêm informações resumidas de cada espécie, como uso da madeira, valor ornamental, uso dos frutos, dados fenológicos, porte máximo da espécie, usos eventuais na medicina popular, peculiaridades e relações com a fauna.


 RESULTADOS
 Os estudos apresentaram os seguintes resultados: 102 espécies catalogadas, distribuídas em 54 famílias botânicas, com 355 placas instaladas. Destas, 73 espécies são nativas e 29 são exóticas. Algumas espécies se repetem nos locais e outras são exclusivas de uma área.


Parque de Águas Termais Caldas de Prata

 Neste parque, que tem finalidade turística e de preservação ambiental, foram instaladas placas em maior quantidade. O estudo foi feito em julho de 2007, sendo catalogadas 57 espécies com 200 placas metálicas instaladas. A grande maioria foi afixada com fio de nylon diretamente no caule, visando dificultar o extravio e evitar a perda das placas pela força da correnteza na beira do Rio da Prata. A espécie com maior número de placas foi aroeira-brava (Lithraea brasiliensis) em função de seu caráter alergênico. Dentre as espécies catalogadas, a corticeira-do-banhado (Erythrina crista-galli) e a figueira (Ficus sp.) são imunes ao corte pela Lei Estadual nº 9519/92. Além disso, algumas espécies fazem parte da Lista Oficial da Flora Ameaçada de Extinção no RS, como araucária (Araucaria angustifolia), buriti (Trithrinax brasiliensis), butiá (Butia eriospatha) e xaxim (Dicksonia sellowiana).
 Considerando o caráter ecoturístico do Parque Caldas de Prata, este recurso para ações de Educação Ambiental possui grande valor e enriquece a experiência dos turistas e estudantes que visitam o local. Para este parque foi gerado o catálogo impresso com as características das espécies, que fica à disposição dos turistas e gerência para consultas. A vantagem do catálogo é compilar informações de diversas fontes bibliográficas num só lugar.


Sede Social da AABB

Esta sede é particular, e o acesso de pessoas é controlado. A Associação decidiu investir em ações ambientais, entre elas a catalogação das plantas. O estudo foi feito em novembro de 2007, sendo catalogadas 61 espécies com 119 placas de madeira instaladas. Neste local foi verificada uma proporção de espécies exóticas um pouco maior que a encontrada nos demais ambientes estudados (17 espécies de 61) em função do direcionamento que foi dado ao paisagismo no passado.
 
 Centro de Tradições Gaúchas Querência do Prata
 O CTG desenvolve o projeto “Querência do Prata Preservação Ambiental” e por isso solicitou a orientação dos autores para identificação de algumas plantas da sede. O estudo foi feito em abril de 2008 com a presença de prendas e peões mirins, na forma de oficina ao ar livre, destacando as características de cada espécie identificada. Foram catalogados 36 exemplares de 18 espécies, cujas placas de madeira foram instaladas pelas próprias crianças sob orientação dos autores, reforçando o que foi aprendido durante a oficina. 

Espécies Catalogadas

 A lista abaixo expõe todas as espécies estudadas nos três locais.

  • Abélia     (Abelia x grandiflora)    Caprifoliaceae 
  • Açoita-cavalo  (Luehea divaricata)    Tiliaceae 
  • Açucará     (Dasyphyllum spinescens)   Asteraceae

  • Álamo   (Populus deltoides)    Salicaceae 

  • Aleluia    (Senna multijuga)     Caesalpiniaceae

  • Ameixeira  (Eriobotrya japonica)   Rosaceae 

  • Angico-vermelho  (Parapiptadenia rigida)   Mimosaceae


  • Araçá-gigante  (Myrcianthes gigantea)   Myrtaceae

  • Araçá   (Psidium cattleianum)   Myrtaceae 

  • Araticum   (Rollinia rugulosa)    Annonaceae 

  • Araucária   (Araucaria angustifolia)   Araucariaceae 

  • Aroeira-brava  (Lithraea brasiliensis)   Anacardiaceae 

  • Aroeira-salsa  (Schinus molle)    Anacardiaceae 

  • Aroeira-vermelha  (Schinus terebinthifolius)   Anacardiaceae

  • Azaléia     (Rhododendron simsii)   Ericaceae 

  • Bambu-de-jardim   (Bambusa gracilis)    Poaceae 

  • Bergamoteira  (Citrus deliciosa)    Rutaceae 


  • Branquilho  (Sebastiania commersoniana)   Euphorbiaceae 

  • Brinco-de-princesa   (Fuchsia regia)    Onagraceae 

  • Buriti   (Trithrinax brasiliensis)   Arecaceae 

  • Butiá   (Butia eriospatha)     Arecaceae 

  • Buxinho     (Buxus sempervirens)   Buxaceae 

  • Cabreúva    (Myrocarpus frondosus)  Fabaceae

  • Cambará    (Gochnatia polymorpha)   Asteraceae 

  • Camboatá-branco  (Matayba elaeagnoides)   Sapindaceae 

  • Camboatá-vermelho (Cupania vernalis)    Sapindaceae 

  • Cambuí     (Myrciaria sp.)   Myrtaceae 

  • Camélia   (Camellia japonica)    Theaceae 

  • Canafístula  (Peltophorum dubium)    Caesalpiniaceae

  • Canela-amarela    (Nectandra lanceolata)   Lauraceae 

  • Canela-areia  (Cryptocarya aschersoniana)   Lauraceae 

  • Canela-do-brejo   (Machaerium paraguariense)   Fabaceae 

  • Canela-fedorenta  (Nectandra megapotamica)   Lauraceae 

  • Canela-louro    (Ocotea diospyrifolia)   Lauraceae

  • Canforeira    (Cinnamomum camphora)   Lauraceae

  • Canjerana   (Cabralea canjerana)   Meliaceae

  • Capororoca    (Rapanea umbellata)    Myrsinaceae 

  • Carne-de-vaca  (Styrax leprosus)    Styracaceae

  • Carvalho-brasileiro  (Roupala brasiliensis)   Proteaceae

  • Catiguá     (Trichilia claussenii)    Meliaceae 

  • Catiguá-ervilha    (Trichilia elegans)    Meliaceae

  • Cedro   (Cedrela fissilis)    Meliaceae 

  • Cerejeira   (Eugenia involucrata)   Myrtaceae

  • Chá-de-bugre    (Casearia sylvestris)   Flacourtiaceae 

  • Cincho    (Sorocea bonplandii)   Moraceae 

  • Corticeira-do-banhado (Erythrina crista-galli)   Fabaceae 

  • Erva-mate  (Ilex paraguariensis)    Aquifoliaceae 

  • Figueira   (Ficus sp.)    Moraceae 

  • Goiaba-serrana  (Acca sellowiana)    Myrtaceae

  • Guabiju     (Myrcianthes pungens)   Myrtaceae 

  • Guabirobeira  (Campomanesia xanthocarpa)  Myrtaceae 

  • Guajuvira   (Patagonula americana)  Boraginaceae 

  • Guamirim    (Myrcia palustris)    Myrtaceae 

  • Guamirim-ferro    (Calyptranthes concinna)  Myrtaceae 

  • Guaperê    (Lamanonia ternata)    Cunoniaceae 

  • Guapuruvu    (Schizolobium parahyba)   Caesalpiniaceae 

  • Guaçatunga  (Casearia decandra)   Flacourtiaceae

  • Hibisco     (Hibiscus rosa-sinensis)   Malvaceae 

  • Hibisco-da-síria  (Hibiscus syriacus)    Malvaceae 

  • Hortência   (Hydrangea macrophylla)   Hydrangeaceae

  • Ingá-banana  (Inga uruguensis)    Mimosaceae 

  • Inhame     (Colocasia esculenta)   Araceae 

  • Ipê-amarelo  (Tabebuia alba)    Bignoniaceae 

  • Ipê-da-várzea    (Tabebuia chrysotricha)   Bignoniaceae 

  • Iuca-elefante    (Yucca elephantipes)   Liliaceae

  • Jacarandá-mimoso   (Jacaranda mimosifolia)   Bignoniaceae 

  • Jerivá   (Syagrus romanzoffianum)   Arecaceae

  • Laranjeira  (Citrus sinensis)    Rutaceae

  • Leiteiro   (Sebastiania brasiliensis)  Euphorbiaceae

  • Ligustrinho    (Ligustrum sinense)    Oleaceae 

  • Ligustro     (Ligustrum lucidum)    Oleaceae

  • Limão-cravo    (Citrus limonia)    Rutaceae

  • Louro-pardo    (Cordia trichotoma)    Boraginaceae 

  • Magnólia-branca    (Magnolia grandiflora)   Magnoliaceae

  • Mamica-de-cadela  (Zanthoxylum rhoifolium)   Rutaceae

  • Mata-olho   (Pouteria salicifolia)    Sapotaceae 

  • Mirra   (Myrrhis odorata)    Apiaceae  

  • Murta   (Blepharocalyx salicifolius)   Myrtaceae

  • Nandina    (Nandina domestica)   Berberidaceae 

  • Olho-de-pomba  (Allophylus edulis)    Sapindaceae

  • Paineira     (Ceiba speciosa)    Bombacaceae 

  • Palmeira-leque    (Livistona chinensis)    Arecaceae

  • Pata-de-vaca  (Bauhinia variegata)    Caesalpiniaceae 

  • Pau-leiteiro  (Sapium gladulatum)   Euphorbiaceae

  • Pau-sabão  (Quillaja brasiliensis)   Rosaceae

  • Pessegueiro-bravo  (Prunus sellowii)    Rosaceae

  • Pingo-de-ouro   (Duranta repens var. Aurea)   Verbenaceae

  • Pitangueira  (Eugenia uniflora)    Myrtaceae 

  • Pitósporo   (Pittosporum tobira)    Pittosporaceae

  • Plátano   (Platanus acerifolia)    Platanaceae

  • Podocarpus   (Podocarpus lambertii)   Podocarpaceae

  • Primavera  (Brunfelsia uniflora)    Solanaceae

  • Quineira     (Coutarea hexandra)   Rubiaceae 

  • Sapopema  (Sloanea monosperma)    Elaeocarpaceae

  • Tarumã-preto  (Vitex megapotamica)   Verbenaceae 

  • Três-marias  (Bougainvillaea glabra)   Nyctaginaceae

  • Tuia     (Thuja orientalis)    Cupressaceae 

  • Umbu   (Phytolacca dioica)    Phytollaccaceae

  • Uvaia     (Eugenia pyriformis)    Myrtaceae 

  • Uva-japonesa  (Hovenia dulcis)   Rhamnaceae

  • Viuvinha    (Petrea subserrata)    Verbenaceae

  • Xaxim   (Dicksonia sellowiana)   Dicksoniaceae

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
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__________. Árvores Exóticas no Brasil: madeireiras, ornamentais e aromáticas. Nova Odessa: Editora Plantarum, 2003. 384 p.

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