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  AVALIAÇÃO DA FREQÜÊNCIA E PERFIL DE SENSIBILIDADE DE MICRORGANISMOS ISOLADOS DE UROCULTURAS
12/11/2012

CRISTIANE GUILLANDE
PR - CASCAVEL
Um estudo sobre quais microrganismo são isolados com frequência em infecções do Trato Urinário e o perfil de sensibilidade encontrado nos microrganismos.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Saúde
Análises Clínicas


A infecção do trato urinário (ITU) é um termo geral que engloba tanto a colonização microbiana assintomática da urina quanto a infecção sintomática, com invasão microbiana e inflamação das estruturas do trato urinário. Na ausência de infecção, essas estruturas são banhadas por uma corrente comum de urina estéril. O desenvolvimento de uma ITU depende dos efeitos interativos de patogenicidade da cepa, do tamanho do inoculado, do local e dos mecanismos sistêmicos de defesa do hospedeiro ( HARRINSON et al., 1998)
O processo infeccioso é causado por bactérias (microrganismos invasores mais
comuns), leveduras, fungos e vírus, podendo afetar tanto os rins como a pelve renal, os ureteres, a bexiga e a uretra, bem como as estruturas adjacentes, incluindo fáscia perinéfrica, próstata e epidídimo ( LEITE, 2000).
A ITU situa-se entre as infecções mais prevalentes no homem surgindo mais
comumente por via ascendente sendo freqüentemente causadas por microrganismos do próprio paciente e, geralmente, devido a bactérias pertencentes a microbiota do trato intestinal. Na maioria das vezes essas infecções são causadas por um número limitado de espécies bacterianas (FRANCISCO, 2000).
Segundo LENZ (1994), as infecções do trato urinário (ITU) podem ser classificadas segundo os critérios: de acordo com a patogênese, a localização anatômica, com o tipo de infecção, características da infecção e, local e ocorrência da infecção. De acordo com a patogênese são classificadas em não complicadas e complicadas. As não complicadas referem-se a bacteriúria sintomática que é caracterizada pela presença de 105 UFC/mL de urina, de uropatógenos, em amostra de urina colhida por micção espontânea (jato médio) e assintomática. Entre os fatores de risco para a ITU no paciente comprometido está a hospitalização, pois a infecção urinária é a forma mais comum de infecção hospitalar, tanto em enfermaria clínica ou cirúrgica, quanto em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O paciente cateterizado é o de maior risco (85% dos casos); outros fatores importantes para a instalação da infecção urinária são o sexo feminino, a idade acima de 50 anos e a
doença sistêmica grave. O diagnóstico preciso e precoce da ITU objetiva controlar um foco infeccioso significativo, impedindo a ocorrência de bacteremia secundária, e evitar seqüelas renais. Quanto aos métodos diagnósticos para ITU, a cultura quantitativa da urina é o método padrão comparativo utilizado para a análise e incorporação de outros exames
exploratórios, sendo que o número de UFC/mL significativo para o diagnóstico varia com o tipo de cultivo: rotina, vigilância e especial ( COMITECH 98).
O conhecimento dos microrganismos isolados com maior freqüência e o perfil de sensibilidade aos antimicrobianos em uma unidade hospitalar revela-se de extrema importância para o estabelecimento da terapia empírica inicial. Este trabalho teve com objetivo avaliar o perfil de sensibilidade aos antimicrobianos das bactérias isoladas de uroculturas realizadas em um hospital universitário.
MATERIAL E MÉTODOS
Foi realizado um estudo retrospectivo por meio de levantamento dos resultados de uroculturas realizadas, no período de julho de 2003 a junho de 2007, pelo Laboratório de Análises Clínicas- setor de microbiologia do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP). As 1049 culturas realizadas foram de pacientes internados, de ambos os sexos e com idade de 0 a 60 anos ou mais. As culturas quantitativas foram realizadas e interpretadas segundo as orientações do CUMITECH-2A-98. As bactérias isoladas foram
identificadas e realizado o Teste de Sensibilidade aos Antimicrobianos por disco difusão segundo NCCLS/ CLSI. Para os Cocos Gram Positivos (CGP) foram observados os resultados dos antimicrobianos azitromicina, ciprofloxacina, gentamicina, tetraciclina, oxacilina, nitrofurantoína e vancomicina. Para as bactérias não fermentadoras da glicose os antimicrobianos examinados foram: aztreonam, cefepima, ceftazidima, imipenem, ticarcilina/ácido clavulâmico e ampicilina/sulbactam (para Acinetobacter sp). Para enterobactérias os antimicrobianos examinados foram : aztreonam, cefepima, ceftazidima, amicacina, ciprofloxacina, imipenem e ampicilina/sulbactam e nitrofutantoina. Os resultados do teste foram expressos como Sensível (S), Intermediário (I) e Resistente ( R).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Das 1047 uroculturas 464 (44,3%) foram negativas e 583 (55,7%) positivas. Das positivas 556 (95,4%) e 27 (4,6%) apresentaram respectivamente um tipo e dois tipos de microrganismos. Nas culturas positivas foram encontradas 108 (17,7%) Cocos Gram Positivos (CGP), 429 (70,4%) enterobactérias, 60 (9,8%) bactérias não fermentadoras da glicose e 13 (2,1%) leveduras.
A distribuição em relação ao sexo foi: CGP (50% para cada sexo), enterobactérias (feminino 52,7% e masculino 47,3%), não fermentadores (feminino 48,4% e 51,6% masculino).A freqüência de S. aureus nas culturas positivas foi de 3,1%.
Em relação às leveduras, elas podem causar infecções principalmente em
pacientes imunocomprometidos. Existem vários fatores de predisposição associados ao desenvolvimento de infecções por Candida spp, tais como utilização prolongada de antimicrobianos de amplo espectro, neoplasias e diabete, terapias imunossupressoras e outros eventos que alteram os mecanismos de defesa do hospedeiro. As infecções fúngicas do trato urinário em pacientes hospitalizados tem prevalência que varia de 6,5% a 20%. Portanto, o resultado obtido é inferior ao relatado na literatura (GIUDICE (1998),. Das enterobactérias os gêneros e espécies mais encontrados foram: E. coli (n158 - 36,8%), K. pneumoniae (n69 – 16,1%), E. aerogenes (n45 – 10,5%) e P. mirabilis (n42 – 9,8%).Dos não fermentadores da glicose P. aeruginosa foi a espécie mais encontrada (35 – 58,3%) seguida de A. baumannii (22 – 36,7%). Bactérias não fermentadoras da glicose, embora ubíquas, não são achados comuns como agente causal de ITU em ambiente comunitário. Em ambiente hospitalar pode ocorrer a colonização pelas mesmas, principalmente em pacientes com cateter de alívio e imunodeprimidos ( ASSIS, 2001). A multiresistência apresentada por bactérias não fermentadoras da glicose é um fato comum quando as cepas são isoladas em ambiente hospitalar.

CONCLUSÕES
Não existe diferença significativa na freqüência de ITU quando foi analisado o sexo dos pacientes. Como o esperado, as enterobactérias tiveram maior incidência (70,4%) e destas a mais freqüente foi Escherichia coli com 36,8% dos casos. É observada, também, a nítida sensibilidade (100%) das bactérias ao imipenem


CRISTIANE GUILLANDE
PR - CASCAVEL

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