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  Contágio humano por mercúrio proveniente de três formas de contaminação – solo, água e biota.
10/01/2018
Este texto traz uma análise estrutural e conceitual de artigos escritos na área de geologia a cerca das formas de contaminação do solo, água e biota por mercúrio proveniente de atividade industrial ou mineral.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Saúde
Saneamento


Contágio humano por mercúrio proveniente de três formas de contaminação – solo, água e biota.

 

Erínea Raquel Pereira Almeida1, Aparecida Gasquez de Sousa2.

 

1Discente do Curso Superior em Licenciatura em Ciências Biológicas. IFRO Campus Colorado do Oeste. e-mail: erinea.raquel@outlook.com

 

2Professor do IFRO Câmpus Colorado do Oeste; graduada em Geografia; especialista em educação ambiental; mestre em educação em ciências. E-mail: aparecida.gasquez@ifro.edu.br

 

Área do conhecimento do CNPQ: 1.07.00.00-5 - geociências

 

Resumo: Este texto traz uma análise estrutural e conceitual de artigos escritos na área de geologia a cerca das formas de contaminação do solo, água e biota por mercúrio proveniente de atividade industrial ou mineral. Foi realizada uma pesquisa exploratória com ênfase na pesquisa bibliográfica e análise qualitativa de 3 (três) artigos disponibilizados em websites, com o objetivo de analisá-los. Apesar de serem pesquisas realizadas em pontos distintos do país, foi verificada a existência de contaminação por mercúrio proveniente de fontes indústrias, siderúrgicas, mineradoras e até pequenas lojas que manipulam este elemento químico no preparo de joias.

 

 Palavras–chave: contaminação química, mercúrio, indústria, mineração.

 

Human infection by Mercury from tree forms of dontamination – soil, water and biota.

 

Abstract: This text presents a structural and conceptual analysis of articles in the field of geology about forms of contamination of soil, water and biota by mercury from industrial or mining activity. Exploratory research with an emphasis on literature and qualitative analysis of three (3) articles available on websites, in order to analyze them was performed. Despite being surveys in different points of the country, was checked for contamination by mercury from industrial sources, steel, mining and even small shops that handle this chemical element in the preparation of jewelry.

 

Keywords: chemical contamination, industry, mining

 

Introdução

A história da colonização da região Norte do Brasil é marcada pela extração do ouro no século XVIII que se intensificou na década de 70 – Século XX – pela corrida do ouro, com a construção das rodovias Transamazônica e de Cuiabá – Santarém (SÁ, et al, 2006). Conforme dito por Azevedo (2003) apud Sá, et al (2006) “ao longo dos últimos 20 anos, anualmente, são despejados na natureza cerca de 100 toneladas de mercúrio utilizados nos garimpos de ouro na Amazônia.” Rossini et al (2000) e USEPA (1997) apud Fragomeni, Roisenberg e Mirlean (2010) afirma que são inúmeros os fatores de exposição humana ao mercúrio e seus componentes, destacando-se a ingestão de alimentos, contato por vapores que causam efeitos neurológicos, afetando ainda os tratos gastrointestinal e urinário. Como Colorado do Oeste/RO possui sua história de colonização marcada pela extração de ouro e sabendo que o elemento químico mercúrio era utilizado indiscriminadamente no processo de obtenção do mesmo, houve a curiosidade em analisar artigos publicados sobre as formas como a população humana pode ser contaminada pelo mesmo. Devido a isto, esta pesquisa teve o intuito de pesquisar no mínimo três artigos na área de geologia – mercúrio – publicados em websites, com o objetivo de analisar e escrever um resumo expandido para obtenção de nota parcial para conclusão da disciplina de NEGEOL - Geologia do Curso Superior em Ciências Biológicas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia- IFRO – Campus Colorado do Oeste.

 

Material e Métodos

Esta pesquisa possui caráter exploratório com ênfase na pesquisa bibliográfica e análise qualitativa dos resultados apresentados pelos autores e perdurou os meses de novembro e dezembro de 2013. Conforme Cervo, Bervian e Da Silva (2007, p. 60) este tipo de pesquisa “procura explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas em artigos, livros, dissertações e teses”. Foi solicitada pela orientadora que leciona a disciplina de NEGEOL – Geologia; pesquisado e baixado três artigos sobre as formas de contaminação por mercúrio publicado em websites, onde ocorreu à identificação dos objetivos, das metodologias utilizadas e dos resultados obtidos.

 

Resultados e Discussão

Os artigos trazem a análise de diferentes formas de contaminação por mercúrio tanto do solo, da água quanto da biota nos Estados do Pará, Rio Grande do Sul e São Paulo. Foram analisadas a estrutura e organização das ideias, o objetivo principal, a metodologia adotada e se os resultados alcançados estão de acordo com os objetivos estabelecidos.

O artigo “Poluição por mercúrio em aterros urbanos do período colonial no extremo sul do Brasil” dos autores Fragomeni, Roisenberg e Mirlean (2010) fala da contaminação do solo das Praças da cidade de Rio Grande/RS provenientes de aterros realizados nos primeiros anos de colonização, com o intuito de elevar o nível dos terrenos e de geração de solo. Segundo os autores esta pesquisa teve como alvo a discussão da história da poluição por mercúrio na cidade de Rio Grande, através da distribuição deste elemento nos depósitos urbanos, e entender as fontes desta poluição. Os autores optaram por realizar coletas nas praças Sete de Setembro, Xavier Ferreira e Tamandaré por serem áreas que historicamente foram abertas e por serem raros espaços poupados pelas edificações do espaço urbano.

As amostras foram coletadas com a utilização de trado de aço inoxidável a cada 5 cm do perfil dos aterros, desde a superfície até o nível de lençol freático, armazenadas em sacos plásticos, rotuladas e hermeticamente fechadas. No laboratório foram secas à temperatura de 25ºC, desgrumadas e peneiradas com a utilização de rede de nylon com malha de 0,2 mm. Com o objetivo de otimizar a efetividade das extrações, a alíquota da amostra peneirada foi pulverizada em gral de ágata e armazenadas em recipientes de vidro com tampa. A digestão das amostras pulverizadas para a detecção do mercúrio total foi realizada com base na metodologia USEPA 7471. Para análise de Cu, Ni, Pb e Zn as amostras (fração < 2,0 mm) foram submetidas à digestão química, com sucessivos ataques a quente de HNO3, H2O2, e HCL, conforme método USEPA 3050b. As análises da concentração de mercúrio total e Pb, Cu, Zn e Ni foram realizadas através da técnica de espectrografia de absorção atômica, diferenciando respectivamente, sendo a primeira por vapor frio – CVAAS no equipamento AAS GBC 932AA e a última por chama no equipamento GBC 932AA.

Após as análises, constataram que ainda há concentrações de Hg nos aterros – em alguns com menor, outros com maior proporção – e que essa redistribuição da poluição é alimentada pela contínua mobilização do solo através da chuva, vento, limpeza urbana, entulho e lixo. O mesmo ocorreu nas análises das concentrações de Cu, Ni, Pb e Zn. Segundo Fragomeni, Roisenberg e Mirlean (2010) “As concentrações de mercúrio nos aterros da cidade de Rio Grande enquadram-se nos níveis de poluição moderados a altos, de acordo com a classificação proposta por Kot e Matyshkina” e que há indícios que esta cidade no período colonial foi palco de atividades artesanais e industriais utilizadoras de Hg.

O artigo “Exposição humana ao mercúrio na região Oeste do Estado do Pará” dos autores Sá, et al (2006) trata do levantamento e análise pertinente a literaturas já existentes sobre os níveis de exposição mercurial das populações da região Oeste do Estado do Pará, adquiridos através de consultas em bibliotecas públicas e particulares, websites e petição direta de informações aos autores por correios.

Na região do Pará a maioria da população é ribeirinha se alimentando principalmente de pescado, e estudos já realizados nesta área indicam que uma das principais fontes de contaminação humana por mercúrio é através do consumo de peixes e o método analítico adotado por todos os autores da pesquisa, foi à análise de fios de cabelo para determinar os níveis de exposição humana ao mercúrio.

Segundo os autores após a análise de todos os materiais consultados constatou-se que os níveis do mercúrio detectados por diferentes trabalhos em populações expostas da bacia do Rio Tapajós foram elevados em certas comunidades (São Luís do Tapajós, Barreiras e Rainha), no entanto, apresentando uma diminuição gradual com o passar dos anos.

O artigo “Distribuição do mercúrio em sedimentos de fundo no Estuário de Santos SP/Brasil” dos autores Siqueira, et al (2005) teve como objetivo verificar a distribuição de mercúrio associados aos sedimentos de fundo e estabelecer o Fator de Contaminação de Hakanson (1980) para o Estuário de Santos. Foram selecionados 31 pontos ao longo do Estuário, onde foram coletadas 250g de cada amostra sedimentar, com auxílio de um coletor do tipo "van Veen", retiradas com uma espátula de polietileno, acondicionadas em sacos plásticos resistentes, lacradas e codificadas no campo até serem resfriadas em câmara fria a -20ºC para evitar perdas de elementos voláteis (por exemplo, o mercúrio) e limitar, também, as atividades biológicas, além de evitar a oxidação. As análises foram realizadas no Laboratório de Nutrientes, Macronutrientes e Traços no Oceano (LABNUT/IO-USP), que consistiu na secagem em estufa de circulação de ar a 40ºC ± 5ºC por 48 horas para eliminação da umidade, desagregação, pulverização, homogeneização e quarteamento. Posteriormente, as amostras foram peneiradas em peneira de malha de 0,063 mm (230 mesh), sendo obtida a fração menor para as determinações químicas.

Segundo os autores, os resultados apontam para uma contaminação antropogênica de alguns setores da área estuarina como resultado de resíduos petroquímico e metalúrgico derivados do distrito industrial de Cubatão, das atividades siderúrgicas do Estado de São Paulo (COSIPA), do porto de Santos e, finalmente, das descargas dos efluentes do emissário submarino dentro da baía de Santos. Os valores para o fator de contaminação médio (FC) obtidos para os sedimentos de fundo variam de 1 a 3, principalmente para os canais de Santos e São Vicente; entretanto, na baía de Santos, os valores de FC indicam baixa contaminação, exceto na área de descarga do emissário submarino.

Quanto à análise estrutural e conceitual os autores foram claros e precisos, deixando de apresentar alguns elementos textuais como: o primeiro artigo não trouxe o resumo em língua portuguesa e o período a pesquisa; o segundo não trouxe o período de pesquisa e nem as considerações; e o último apresentou resumo incompleto. Todos os autores expressarem bem a metodologia e os resultados.

 

Conclusões

Através desta pesquisa pude perceber que mesmo sendo análises realizadas em pontos distintos no país, a contaminação por mercúrio de fato existe e que traz impactos ambientais que compromete a qualidade de vida da população que vive nessas regiões. Os artigos ainda apontam como fontes contaminadoras indústrias, siderúrgicas, mineradoras e até pequenas lojas que manipulam este elemento químico no preparo de joias.

Como moradora do município de Cerejeiras – RO e sabendo do contexto histórico de sua colonização, que foi baseado na exploração de minério – ouro – estima-se a importância de pesquisas voltadas a análise das bacias hidrográficas que existem no Cone Sul de Rondônia a cerca da possiblidade de contaminação destas por mercúrio.

 

Agradecimentos

A todos que se dedicaram e ajudaram na realização dessa pesquisa. A minha família pelo apoio, dedicação e paciência. A orientadora Aparecida Gasquez de Sousa, que se dedicou e me orientou em todas as etapas, no passo a passo da pesquisa, desde a escolha do tema até a formulação e escrita deste resumo expandido. Aos autores dos artigos, mesmo que indiretamente, pela publicação de suas pesquisas e pela oportunidade de poder utiliza-os em meu trabalho.

 

Literatura citada

CERVO, Amado L., BERVIAN, Pedro A. e DA SILVA, Roberto. Metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Person Prentice Hall, 2007.

 

FRAGOMENI, Luiz Paulo de Moura; ROISENBERG, Ari; MIRLEAN, Nicoli. Poluição por Mercúrio em Aterros Urbanos no Período colonial nenhum extremo sul do Brasil. Quím. Nova, São Paulo, v 33, n. 8, 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-40422010000800002&script=sci_arttext>. Acesso em: 16 nov. 2013.

 

SÁ, Andréa Lima de, et al. Exposição humana ao mercúrio na região oeste do Estado do Pará. Rev. Para. Med., Belém, vol.20, nº 1 p.19-25, 2006. Disponível em: <http://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?pid=S0101-59072006000100004&script=sci_arttext>. Acesso em: 16 nov. 2013.

 

SIQUEIRA, Gilmar Wanzeller et al . Distribuição do mercúrio em sedimentos de fundo no Estuário de Santos SP/Brasil. Rem: Rev. Esc. Minas,  Ouro Preto,  v. 58, nº 4, 2005 .   Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0370-44672005000400004&script=sci_arttext>. Acesso em: 16 nov. 2013.


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