retorna
  :: Artigo selecionado
  A IMPORTÂNCIA DAS MUDANÇAS NO ESTILO DE VIDA APÓS O DIAGNÓSTICO DE HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA
17/02/2016
A Hipertensão arterial constitui grave problema de saúde publica, por afetar grande parte da população mundial, especialmente jovens e mulheres, seu tratamento e controle representam desafios as autoridades governamentais e profissionais da saúde.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Saúde
Análises Citogenéticas
Análises Citopatológicas
Análises Clínicas


RESUMO

A Hipertensão arterial sistêmica constitui grave problema de saúde publica, por afetar grande parte da população mundial, especialmente jovens e mulheres, seu tratamento e controle representam desafios as autoridades governamentais e profissionais da saúde face as dificuldades biológicas, psicossociais, econômicas e culturais que envolvem seus portadores. Fatores de risco, como baixo nível de atividade física, tabagismo e alimentação inadequada, advindos do estilo de vida, são responsáveis por mais de 50% do risco total de desenvolver algum tipo de doença crônica, incluindo a hipertensão arterial sistêmica (HAS). A elevação prolongada da pressão arterial lesiona os vasos sanguíneos por todo o corpo, principalmente em órgãos-alvo, como o coração, rins, cérebro e olhos, além de provocar espessamento e perda de elasticidade das paredes arteriais e aumento da resistência vascular periférica nos vasos acometidos. As consequências usuais da hipertensão descontrolada prolongada são o infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca e renal, acidentes vasculares cerebrais e visão prejudicada. O ventrículo esquerdo do coração pode ficar aumentado (hipertrofia ventricular esquerda), à medida que age para bombear o sangue contra a pressão elevada. Dentre estes fatores, é possível observar que o sedentarismo mostra-se o fator de risco mais prevalente na população independente do sexo. No Brasil, houve aumento do sedentarismo e segundo Ministério da Saúde, 2006 14,9% dos brasileiros praticam atividade física regularmente. A HAS é uma condição clínica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (PA). Há dois tipos de tratamento para a hipertensão: medicamentoso e o não medicamentoso, esse último é recomendado em todos os níveis da doença e a prática regular de atividade física é uma das intervenções que o compõe. É definida como uma elevação excessiva da pressão arterial, ou seja, acima dos valores de referência para a população em geral, e é considerada uma das doenças mais comuns do mundo moderno. A obesidade, o sedentarismo, o estresse e o consumo excessivo do álcool e do sal associados a uma predisposição hereditária, são apontadas como alguns dos fatores de risco mais comuns da hipertensão. Assim, este estudo foi realizado através de uma revisão bibliográfica, que teve como finalidade demonstrar a importância das modificações no estilo de vida do paciente, implicando assim na redução do peso corporal através de uma dieta balanceada, associada à atividade física. Esta dieta inclui a diminuição da ingestão de sódio e consumo do álcool, além de outras medidas, tais como, abandono do tabagismo, atividades antiestresse, que promovem mais benefícios à saúde. No decorrer da revisão, observou - se que a maioria dos autores concorda que de alguma forma tais modificações reduzem os níveis pressóricos, em conjunto ou independente. Conclui-se, a partir desse estudo que o sucesso dessas mudanças depende não só do profissional de saúde, mas em maior parte, da adesão dos hipertensos.

Palavras-chave: Hipertensão arterial sistêmica. Fatores de risco. Estilo de vida

 

 ABSTRACT

 

Systemic hypertension is a serious public health problem, affecting a large proportion of the world population, especially youth and women, their treatment and control challenges represent government authorities and health professionals face the biological, psychosocial, economic and cultural difficulties involving their carriers. Risk factors such as low physical activity, smoking and unhealthy diet, arising lifestyle, are responsible for over 50% of the total risk of developing some kind of chronic disease, including high blood pressure (HBP). Prolonged elevation of blood pressure injures the blood vessels throughout the body, especially in target organs such as the heart, kidneys, brain and eyes, and cause thickening and loss of elasticity of arterial walls and increased peripheral vascular resistance in the vessels affected. The usual consequences of prolonged uncontrolled hypertension are myocardial infarction, heart and kidney failure, strokes and impaired vision. The left ventricle of the heart may be increased (left ventricular hypertrophy), as it acts to pump blood against high pressure. Among these factors, it is possible to note that sedentary lifestyle is shown the most prevalent risk factor in the population regardless of sex. In Brazil, there was an increased sedentary lifestyle and according to Ministry of Health, in 2006 14.9% of Brazilians do regular physical activity. Hypertension is a multifactorial clinical condition characterized by high and sustained levels of blood pressure (BP). There are two types of treatment for hypertension: pharmacological and nonpharmacological, the latter is recommended for all levels of disease and regular physical activity is one of the interventions that compose it. It is defined as an excessive elevation of blood pressure, ie, above the reference values ​​for the general population, and is considered one of the most common diseases of the modern world. Obesity, sedentary lifestyle, stress and excessive consumption of alcohol and salt associated with a hereditary predisposition, are cited as some of the most common risk factors of hypertension. Thus, this study was conducted through a literature review, which aimed to demonstrate the importance of the changes in lifestyle of the patient, thereby resulting in reduction of body weight through a balanced diet coupled with physical activity. This diet includes reducing sodium intake and alcohol consumption, and other measures such as smoking cessation, anti-stress activities that promote more health benefits. During the review, noted - that most authors agree that somehow such modifications reduce blood pressure levels, together or independently. It is concluded from this study that the success of these changes depends not only health professional, but in most of the accession of hypertension. Keywords: Hypertension. Risk factors. Lifestyle

 1. INTRODUÇÃO

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma doença crônica com alta prevalência na população brasileira e mundial, com elevado custo econômico e social, principalmente em decorrência das suas complicações.

Segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, o número de hipertensos no mundo gira em torno de 600 milhões e 500 milhões precisam de intervenção médica imediata. Em seu relatório anual, o World Health Report, acusa a hipertensão como sendo o terceiro principal fator de risco associado à mortalidade mundial, perdendo apenas para o sexo inseguro e desnutrição (ZENI, p.54, 2008).

Fatores de risco, caracterizados geralmente por uma etiologia multifatorial ou pelo incipiente estado do conhecimento sobre os mecanismos etiológicos e fisiopatológicos (ZENI, p.54, 2008).

Como sedentarismo, tabagismo e alimentação inadequada, advindos do estilo de vida, são responsáveis por mais de 50% do risco total de desenvolver algum tipo de doença crônica. Dentre estes fatores, e possível observar que o sedentarismo mostra-se o fator de risco mais prevalente na população independente do sexo. Dai a importância de se adotar um estilo de vida ativa que, de alguma forma, possa também ajudar a controlar e a diminuir os outros fatores de risco (SECRETARIA DE POLITICAS PUBLICAS, p.3, 2002).

 

No Brasil, houve aumento do sedentarismo e segundo dados recentes apenas 14,9% dos brasileiros praticam atividade física regularmente e modificações dos hábitos alimentares (SECRETARIA DE POLITICAS PUBLICAS, p.3, 2002).

Apesar de diferentes estratégias de mensuração, a prevalência de sedentarismo encontrada foi consistentemente elevada sugerindo que, apesar de problemas metodológicos, pode-se afirmar que mais de dois terços dos indivíduos das populações estudadas não praticam atividades físicas regulares de forma adequada. Segundo Relatório Mundial de Saúde, 2003, dos seis principais fatores de risco para o desenvolvimento das doenças e agravos não transmissíveis (DANT), cinco estão intimamente ligados a alimentação e a atividade física –hipertensão arterial, hipercolesterolêmica, baixo consumo de frutas e vegetais, excesso de peso corporal e atividade física insuficiente. O nível de atividade física e considerado como um dos fatores modificáveis mais importantes para o risco da DANT assim como alimentação, o uso de derivados de tabaco e questões socioeconômicas devendo ser incluídas entre as ações prioritárias de saúde publica.

A pratica de atividades físicas constitui hoje mais um elemento de promoção de saúde, comprovadamente eficaz, na terapêutica de diversas doenças crônicas cardiovasculares, respiratórias, osteo-musculares, endocrinometabolicas, psiquiátricas, a angiogenese, a qual aumenta o fluxo sanguíneo para os músculos esqueléticos e para o músculo cardíaco, a redução da frequência e da PA de repouso, o aumento do consumo Maximo de oxigênio, dentre outros. Tais benefícios com a pratica regular de atividade física se devem as adaptações crônicas do organismo a um trabalho acima dos níveis de repouso (TRINDADE, P.25, 2007).

 

Segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão, 30% da população brasileira pode ser considerada hipertensa. Desse total, 5% são crianças e adolescentes. Anualmente, quase trezentas mil pessoas morrem no Brasil por doenças cardiovasculares sendo que mais da metade destas mortes são decorrentes da hipertensão. O Ministério da Saúde estima que cerca de 15 milhões de hipertensos desconheça sua condição. Em relação ao tratamento, a estimativa é de que apenas 7 milhões estejam sendo tratados.

A expectativa é que, até 2025, o número de hipertensos em países em desenvolvimento, como o Brasil, cresça 80%, segundo estudo realizado por especialistas da Escola de Economia de Londres, do Instituto Karolinska (Suécia) e da Universidade do Estado de Nova Iorque.

De acordo com Brunner & Suddarth (p.55, 2005) “pressão arterial é a força com a qual o coração bombeia o sangue através dos vasos. É determinada pelo volume de sangue que sai do coração e a resistência que ele encontra para circular no corpo”.

 Ela pode ser modificada pela variação do volume de sangue ou viscosidade (espessura) do sangue, da frequência cardíaca batimentos cardíacos por minuto e da elasticidade dos vasos. A hipertensão é uma pressão istólica superior a 140 mmHg e uma pressão diastólica maior de 90 mmHg durante um período sustentado, com base na média de duas ou mais mensurações da pressão arterial, obtidas em dois ou mais contatos com o profissional de saúde, depois de uma triagem inicial. Além das elevações típicas da pressão arterial, a hipertensão é classificada de acordo com a causa, a gravidade e o tipo.

Os dois tipos principais são: hipertensão idiopática, também conhecida como primária ou essencial que é a mais comum (90 a 95% dos casos) e a hipertensão secundária, causada por uma doença renal ou alguma outra coisa detectável (BOUNDY, p.72, 2004).

A causa exata na maioria dos casos de hipertensão não é identificada, porém sabe-se que é uma condição multifatorial. Vários são os fatores de risco que associados entre si e a outras condições favorecem o aparecimento desta patologia, sendo eles: idade, sexo, hereditariedade, raça, obesidade, estresse, anticoncepcionais orais, dieta rica em sódio e gorduras e diabetes mellitus.

Em geral, as medidas não-farmacológicas são experimentadas em primeiro lugar, especialmente nos casos brandos recém diagnosticados. Se essas medidas forem ineficazes, o tratamento evolui de maneira progressiva para incluir vários tipos de agentes anti-hipertensivos (BOUNDY, p.72, 2004).

Após o diagnóstico de hipertensão arterial faz - se necessário a mudança no estilo de vida do indivíduo. Alterar esse estilo de vida não é uma tarefa fácil, porém, se torna útil, pois assim o objetivo do tratamento será alcançado e o cliente poderá usufruir de uma vida mais saudável.

A hipertensão arterial ocasiona transformações expressivas na vida dos pacientes, sejam elas na esfera psicológica (sensação de impotência, de medo), familiar (deixar de viajar com a família), social (isolamento, perda das atividades de lazer) ou econômica (deixar de trabalhar, aposentadoria) pela possibilidade de agravos em longo prazo. Socialmente, a doença crônica afeta a função ou o papel que o indivíduo desempenha perante os demais, de acordo com os valores, crenças e a cultura de cada um e, consequentemente, afeta os demais setores sociais como economia, educação, trabalho e lazer (BOUNDY, p.72, 2004).

 

Portanto, essas mudanças geralmente irão provocar uma ruptura com o estilo de vida anterior, sendo necessário incorporar a doença ao seu processo de vida e conviver com ela. Neste sentido buscou-se através desta revisão analisar a importância das diversas modificações no estilo de vida necessárias ao paciente a partir do diagnóstico da doença. Este material é necessário uma vez que os diversos profissionais, principalmente da atenção primária, estão diretamente envolvidos nessas adaptações, dependendo desta adesão para determinar o sucesso da assistência, seja ela individual ou coletiva. Sendo assim, o presente estudo tem como objeto citado, a seguinte questão norteadora: Quais são as modificações enfrentadas pelo paciente após o diagnóstico da Hipertensão Arterial Sistêmica e a importância dessa mudança?

Justifica-se este estudo pelo convívio familiar direto com pacientes hipertensos, despertando assim o interesse em compreender as alterações ocorridas na vida destes, pelo fato da HAS constituir um agravo que acomete grande parte da população. Este estudo torna-se de relevância pessoal, porque a formação acadêmica propõe a capacidade do graduando de prestar uma assistência de enfermagem com qualidade, e de relevância social, porque em nível mundial e nacional é uma doença crônica degenerativa crescente e com dados alarmantes, como já citados anteriormente.

No mundo atual, o binômio saúde doença não pode mais ser analisado isoladamente da pessoa que, concretamente, está vivenciando tal fenômeno. Há necessidade de uma abordagem que contemple esta totalidade existencial, examinando a doença como é vivida pelo SER que adoece e considerando as condições histórico-culturais e sociais implicadas nesse contexto (COSTA, p.43, 2005).

 

O coração bombeia o sangue para os demais órgãos do corpo por meio de tubos chamados artérias. Quando o sangue é bombeado, ele é "empurrado" contra a parede dos vasos sanguíneos. Esta tensão gerada na parede das artérias é denominada pressão arterial (CAMPOS, p.24, 2004).

Sendo assim, a hipertensão arterial sistêmica (HAS) como uma entidade clínica multifatorial, conceituada como síndrome caracterizada pela presença de níveis tensionais mais elevados, associados às alterações metabólicas e hormonais e a fenômenos tróficos (hipertrofias cardíaca e vascular).

Mas a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) não pode ser vista apenas pelo aspecto das cifras tensionais elevadas. Na verdade a HAS existe num contexto sindrômico, com alterações hemodinâmicas, tróficas e metabólicas, entre as quais a própria elevação dos níveis tensionais, as dislipidemias, a resistência insulínica, a obesidade centrípeta, a microalbuminúrica, a atividade aumentada dos fatores de coagulação, a redução da complacência arterial e a hipertrofia com alteração da função diastólica do ventrículo esquerdo (MANO, p. 68, 2009).

Os números da aferição da pressão arterial significam uma medida de pressão calibrada em milímetros de mercúrio (mmHg). O primeiro número, ou o de maior valor, é chamado de sistólico, e corresponde à pressão da artéria no momento em que o sangue foi bombeado pelo coração. O segundo número, ou o de menor valor é chamado de diastólico, e corresponde à pressão na mesma artéria, no momento em que o coração está relaxado após uma contração.

Não existe uma combinação precisa de medidas para se dizer qual é a pressão normal, mas em termos gerais, diz-se que o valor de 120/80 mmHg é o valor considerado ideal. Contudo, medidas até 140 mmHg para a pressão sistólica, e 90 mmHg para a diastólica, podem ser aceitas como normais. O local mais comum de verificação da pressão arterial é no braço, usando como ponto de ausculta a artéria braquial. O equipamento usado é o esfigmomanômetro ou tensiômetro, vulgarmente chamado de manguito, e para auscultar os batimentos, usa-se o estetoscópio (BERTULANI,p. 29, 2002).

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define como hipertensão arterial a ocorrência de PA sistólica superior a 160 mmHg (21,3 kPa) e/ou PA diastólica igual ou superior a 95 mmHg (12,6 kPa).

A elevação mantida da pressão arterial pode representar efeito secundário de diversos estados patológicos (especialmente renais e endócrinos) ou pode ser independente de qualquer doença específica, constituindo a hipertensão primária ou essencial. Qualquer que seja sua natureza, a hipertensão arterial mantida acarreta efeitos indesejáveis sobre o coração e o sistema vascular, bem como sobre diversos órgãos e tecidos.

A pressão arterial varia durante o dia dependendo da sua atividade. Ela aumenta quando você se exercita ou quando está excitado e diminui quando você está relaxado ou quando dorme. Até mesmo a postura - sentado ou em pé - influencia a pressão arterial. Este é o motivo pelo qual os médicos devem aferir várias vezes a pressão arterial para firmarem corretamente o diagnóstico de hipertensão arterial.

 

2. A Epidemiologia da Hipertensão Arterial

 

            A hipertensão arterial sistêmica deve ser considerada um problema de saúde pública. É um importante fator de risco cardiovascular e sua prevalência gira em torno de 20%. Grande parte dos hipertensos desconhece sua condição e dos que a conhecem, apenas cerca de 30% apresentam um controle adequado. No Brasil, apesar de não haver estudo de prevalência com representatividade nacional e com padronização adequada, os estudos localizados mostram sempre valores elevados.

Conforme estudos Americanos a prevalência da HAS aumenta progressivamente com a idade em ambos os sexos. A prevalência entre os negros é sempre maior em qualquer idade. Até os 40 anos a prevalência é próxima a 10% (20% para a raça negra), até os 50 anos chega a 20% (40% para a raça negra após 60 anos ultrapassa os 40%, atingindo 60% após 70) (MANO, p.87, 2009).

 

No Brasil, quando avaliamos os estudos de prevalência de HAS encontramos uma heterogeneidade de resultados ainda maior em função de um sem-número de problemas metodológicos como a diversidade de critérios diagnósticos, diferenças quanto ao tipo de hipertensão descrito, grandes variações nos limites inferiores e superiores das idades, tamanhos de amostras consideravelmente diferentes, nãorepresentatividade da população geral, opção de alguns autores pela medida da prevalência em voluntários e inúmeros outros aspectos não mencionados, como padronização de técnicas, instrumentos, examinadores, número de examinadores e situação do examinado no momento da medida.

Considerada um dos principais fatores de risco de morbidade e mortalidade cardiovasculares, seu alto custo social é responsável por cerca de 40% dos casos de aposentadoria precoce e de absenteísmo no trabalho em nosso meio. A hipertensão arterial é um problema crônico comum. Sua prevalência é alta e aumenta em faixas etárias maiores. Estudos epidemiológicos brasileiros estimam prevalências de 40% a 50% da população adulta com mais de 40 anos, a partir da medida casual da pressão. A hipertensão arterial contribui significativamente para uma elevada mortalidade cardiovascular em todas as regiões do país.

Apesar da medida da pressão arterial ser um método diagnóstico simples, não invasivo e de baixo custo, estudos epidemiológicos têm demonstrado que muitos hipertensos desconhecem a sua condição. Embora exista um vasto arsenal terapêutico para o tratamento da hipertensão, apenas cerca de um terço dos hipertensos em tratamento tem seus níveis tensionais controlados (CORREA, p.54, 2006).

A probabilidade de um indivíduo apresentar hipertensão arterial ao longo de sua vida é de aproximadamente 90%. A HA é um dos principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares aumentando o risco de desenvolvimento de insuficiência coronária, insuficiência cardíaca, hipertrofia do ventrículo esquerdo, acidente vascular cerebral e insuficiência renal crônica.

Segundo Mano (p.52, 2009) “a hipertensão é um importante fator de risco para a doença cardiovascular, para a doença cardiovascular, seja na forma de doença isquêmica, insuficiência cardíaca ou doença cerebrovascular”.

A mortalidade por doença cerebrovascular, especificamente a hemorragia intraparenquimatosa, é diretamente relacionada com os níveis tensionais. Estudos americanos demonstram que um aumento de 10 mmHg da PA diastólica usual incorre no aumento de 56% da incidência de AVE e de 37% de doença coronariana. No Brasil, em 2003 as mortes por doença foram 27,4 % de todos os óbitos. Excluindo-se as mortes violentas de origem não definida o índice sobe para 37%. A HAS está envolvida em 40% das mortes por doença cerebrovascular e em 25% das mortes por doença coronariana.

 

2.1 Fatores de riscos da hipertensão

 

O termo risco é usado para definir a chance de uma pessoa sadia, exposta a determinados fatores, ambientais ou hereditários, adquirir uma doença. Os fatores associados ao aumento do risco de se desenvolver uma doença são chamados fatores de risco. Em contrapartida, há fatores que dão ao organismo a capacidade de se proteger contra determinada doença, daí serem chamados fatores de proteção.

Sendo assim, diversos estudos mostram que existem vários fatores denominados fatores de risco que influenciam no aparecimento ou agravamento da hipertensão arterial. Trabalhos de revisão sobre os mecanismos causais da hipertensão arterial, ou do aumento da pressão arterial, concordam em que essa causalidade é complexa e multifatorial.

Dentre os fatores de risco da HAS, destacam-se os não modificáveis ou imutáveis (aqueles que não podemos mudar e por isso não podemos tratá-los) e os modificáveis ou mutáveis (são fatores sobre os quais podemos influir, mudando, prevenindo ou tratando) (INCA, p.45, 2002).

 

2.2 Fatores de risco não modificáveis

 

2.2.1 Idade e sexo

Tratando-se da variável idade, vários trabalhos a consideram como um fator de risco importante que contribui para o aparecimento da hipertensão arterial, devido às alterações na musculatura lisa e no tecido conjuntivo dos vasos, como consequência do processo de envelhecimento.

Associando idade e sexo, a hipertensão arterial ocorre com maior frequência no sexo masculino, porém, devido às mudanças de hábitos das mulheres, essa frequência tem diminuído. As mulheres que fumam e fazem uso de anticoncepcional, com mais de 30 anos, são as mais atingidas. No homem ela aparece depois dos 30 anos e na mulher, após a menopausa (LESSA p.32, 1998).

 

Os hormônios ovarianos são responsáveis pela pressão mais baixa nas mulheres (durante o climatério) e com a chegada da menopausa a prevalência da pressão alta entre homens e mulheres tende a se aproximar.

Em ambos os sexos, a frequência da hipertensão cresce com o aumento da idade, sendo que os homens jovens têm pressão arterial mais elevada que as mulheres, porém após a meia idade este quadro se reverte.

Segundo Lessa (p.32, 1998), a presença de HAS em idosos merece maior atenção devido à vulnerabilidade frente às complicações cardiovasculares determinadas não só pela hipertensão, como também por outros fatores de risco que se acumulam com o passar do tempo.

 

2.2.2 Etnia

A etnia negra é um forte fator predisponente à HAS, deixando as pessoas afro brasileiras expostas ao desenvolvimento de uma hipertensão mais severa, como também a um maior risco de ataque cardíaco e morte súbita quando comparadas às pessoas de etnia branca.

Sabe-se dos estudos de prevalência feitos nos Estados Unidos, que os negros têm maior prevalência de hipertensão arterial do que os brancos.

Uma das explicações, segundo Mano (p.31, 2009), talvez tenha correlação com o nível sócio econômico deste grupo de pacientes, não raramente pertencentes a classes sociais mais baixas.

No entanto, a função renal entra em declínio mais rapidamente neste grupo mesmo com controle eficaz da PA. Pessoas de etnia negra parecem apresentar um defeito hereditário na captação celular de sódio e cálcio, assim como em seu transporte renal, o que pode ser atribuído à presença de um gen economizador de sódio que leva ao influxo celular de sódio e ao e fluxo celular de cálcio facilitando, deste modo, o aparecimento da HA (CRUZ, LIMA, p.66, 1999).

 

Associados ao fator de herança da própria etnia, encontram-se os fatores ambientais, tais como o fumo, álcool e estresse, dentre outros, que irão se unir ao primeiro e potencializar os riscos para o desenvolvimento da HAE.

 

2.2.3 Hereditariedade

Variações genéticas podem contribuir na determinação dos níveis de pressão arterial de um indivíduo pela herdabilidade elevada da pressão arterial definida como um fenótipo ou ao caráter quantitativo de sua distribuição populacional. Diversos estudos familiares demonstraram a agregação familiar da hipertensão arterial, tanto entre irmãos quanto entre pais e filhos.

3. FATORES DE RISCOS MODIFICÁVEIS 

                                    

3.1 Tabagismo

O hábito do fumo, geralmente, é correlacionado positivamente com o risco de desenvolvimento de doenças isquêmicas do coração. Apesar disso, não tem sido demonstrada sua relação com a pressão arterial. Alguns estudos demonstram até que os fumantes têm pressão ligeiramente mais baixas do que os não-fumantes, porém sem diferenças significativas, e sugerem que estes achados se devem a interferências de fatores como o peso.

Já um estudo mais recente aponta a nicotina como prejudicial ao organismo, pois promove a liberação de catecolaminas, que aumentam a frequência cardíaca, a pressão arterial e a resistência periférica. Aumenta também a capacidade orgânica em formar coágulos e diminui sua função de destruí-los. Há redução de oxigênio nos glóbulos vermelhos em cerca de 15 a 20%, pois o monóxido de carbono que resulta da queima do fumo e do papel, se liga à hemoglobina. Este último também lesa a parede interna dos vasos, propiciando a deposição de gorduras (PESSUTO; CARVALHO, 1998).

 

O fator vasoconstricção é o mais relevante, pois acelera o processo de arteriosclerose. Geralmente, o fumante busca o famoso “cafezinho”, nas situações estressantes, sendo este consumo de cafeína juntamente com a nicotina, fatores que elevam agudamente a PA. O tabagismo colabora para o efeito adverso da terapêutica de redução dos lípides séricos e induz resistência ao efeito de drogas antihipertensivas.

 

3.2 Alcoolismo

Nas últimas décadas, o consumo de álcool em níveis elevados vem sendo apontado como fator de risco para um número crescente de doenças. Dentre estas as cardiovasculares assumem um papel de maior destaque, em particular os acidentes vasculares cerebrais (AVC) e a hipertensão arterial.

Sendo assim, o álcool é um fator de risco que contribui para o agravamento da patologia, segundo a literatura. O aumento das taxas de álcool no sangue eleva a pressão arterial lenta e progressivamente, na proporção de 2 mmHg para cada 30 ml de álcool etílico ingeridos diariamente, sendo que quando suspenso, as cifras revertem (PESSUTO; CARVALHO, p.45, 1998).

O etanol (substância contida no álcool) apresenta um efeito bifásico sobre a pressão arterial. Num primeiro momento ele reduz a pressão arterial e depois, causa uma elevação da mesma.

Um outro estudo confirma que o abuso de álcool pode estar associado à pressão alta. O significado de "abuso" pode diferenciar de pessoa para pessoa, dependendo do peso, hábitos alimentares e hereditariedade.

3.3 Ingestão excessiva de sódio

 

A ingestão excessiva de sal predispõe ao aumento da pressão arterial. O aumento da ingestão de sal tem muito mais probabilidade de elevar a pressão arterial do que o aumento da ingestão de água. A razão disso é que a água pura é normalmente excretada pelos rins quase tão rapidamente quanto é ingerida, enquanto o sal não é excretado com tanta facilidade. Ao acumular-se no organismo, o sal aumenta, indiretamente, o volume de líquido extracelular por duas razões básicas:

a) quando existe excesso de sal no organismo, a osmolalidade dos líquidos corporais aumenta o que, por sua vez, estimula o centro da sede, motivando o indivíduo a ingerir quantidades adicionais de água para diluir o sal extracelular até a sua concentração normal. Esse processo aumenta o volume de líquido extracelular;

b) aumento da osmolalidade do líquido extracelular também estimula o mecanismo secretor do hipotálamo – hipófise posterior a secretar quantidades aumentadas de hormônio antidiurético. Por sua vez, o hormônio antidiurético induz os rins a reabsorver quantidade acentuadamente aumentada de água do líquido tubular renal, diminuindo, assim, o volume excretado de urina e aumentando, ao mesmo tempo, o volume de líquido extracelular.

Por conseguinte, devido a essas importantes razões, a quantidade de sal que se acumula no organismo constitui o principal determinante do volume de líquido extracelular.

Como apenas pequenos aumentos do líquido extracelular e do volume sanguíneo podem frequentemente, elevar de maneira acentuada a pressão arterial, o acúmulo de quantidade adicional de sal no organismo, até mesmo pequena e quase indetectável, pode resultar em elevação considerável da pressão arterial.

 

3.4 Obesidade

 

As dietas altamente calóricas e o sedentarismo são os principais fatores relacionados ao aumento da prevalência da obesidade, outro fator de risco importante para a HAS. Vários estudos apontam para o crescimento acelerado da obesidade e reforçam a necessidade de programas preventivos, que teriam um impacto na redução da incidência da HAS.

Segundo Zaitune et al. (p.76, 2006), a prevalência de hipertensão arterial é maior em indivíduos com sobrepeso ou obesos. A relação entre obesidade e hipertensão arterial tem sido relatada em diversos estudos. Em tempo afirma que cada quilo perdido corresponderia à diminuição de um milímetro de mercúrio da pressão arterial.

De acordo com Carneiro et al. (p.87, 2003), os mecanismos pelo qual a gordura abdominal se associa ao aumento da prevalência de hipertensão arterial não são totalmente claros. Alguns autores sugerem que a resistência à insulina e à hiperinsulinemia poderia ter um papel na gênese da HA associada à obesidade.

A hiperinsulinemia provoca aumentos da atividade do sistema nervoso simpático e da reabsorção tubular de sódio, ações que contribuem para o aumento da pressão arterial. Por outro lado, a insulina é um hormônio vasodilatador e induz aumentos do fluxo sanguíneo para a musculatura esquelética, um efeito que parece ser mediado pelo óxido nítrico. Estes efeitos são acentuadamente diminuídos em pacientes obesos e hipertensos, portadores de resistência à insulina.

Em indivíduos normotensos, entretanto, aumentos na produção de insulina, em geral, não se acompanham de elevações dos níveis pressóricos. A explicação para este fenômeno seria a de que o aumento da atividade simpática, consequente à hiperinsulinemia e que induz vasoconstricção, seria contrabalançada pela ação direta vasodilatadora da insulina. Em indivíduos com predisposição genética à hipertensão, nos quais a ação vasodilatadora da insulina estaria prejudicada, o aumento da atividade simpática induzida pela hiperinsulinemia poderia ser responsável pela elevação dos níveis pressóricos (CARNEIRO et al., p.87, 2003).

 

Outros mecanismos têm sido propostos para explicar a associação entre aumento de gordura visceral e hipertensão arterial. Carneiro et al. (2003) defendem a possibilidade da gordura visceral mediar a elevação da pressão arterial através da diminuição da natriurese. A maior retenção de sódio não seria dependente dos níveis séricos elevados de insulina, mas seria provocada por ativação do sistema renina - angiotensina, por ativação do sistema nervoso autônomo simpático e ainda por alterações da hemodinâmica intrarrenal, consequente à compressão da medula renal.

 

3.5 Sedentarismo

 

O sedentarismo é definido como a falta ou uma grande diminuição, da atividade física. Esta última, a atividade física, é definida como qualquer movimento corporal que implique em gasto de energia. Na realidade, o conceito não é associado necessariamente à falta de uma atividade esportiva. Do ponto de vista da medicina moderna, sedentário é o indivíduo que gasta poucas calorias por semana com atividades ocupacionais.

A vida sedentária provoca literalmente o desuso dos sistemas funcionais. O aparelho locomotor e os demais órgãos e sistemas solicitados durante as diferentes formas de atividade física entram em um processo de regressão funcional, caracterizando, no caso dos músculos esqueléticos, um fenômeno associado à atrofia das fibras musculares, à perda da flexibilidade articular, além do comprometimento funcional de vários órgãos (NETO, p.51, 2008).

Sendo assim, os pacientes hipertensos devem iniciar atividade física regular, pois além de diminuir a pressão arterial, o exercício pode reduzir consideravelmente o risco de doença arterial coronária e de acidentes vasculares cerebrais e a mortalidade geral, facilitando ainda o controle do peso.

 

3.6 Estresse

O estresse é definido como a capacidade natural do indivíduo para reagir às situações de perigo, preparando-se para enfrentar ou fugir, sendo assim fundamental para a sobrevivência humana no seu ambiente primitivo, de constantes ameaças. Sob tensão, o organismo libera hormônios, como a adrenalina, que alertam o sistema nervoso sobre o perigo, mas também perturbam a estabilidade do organismo. A adrenalina provoca o aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, podendo resultar em um ataque cardíaco.

Este fator de risco ataca indiscriminadamente qualquer pessoa, mas prevalece com mais intensidade no cidadão de grandes centros urbanos.

Preocupações com a família, pressões diárias, excesso de trabalho, risco de desemprego, trânsito, falta de dinheiro, falta de segurança, desilusões amorosas são alguns dos desencadeadores desta reação primitiva e tão danosa.

 

3.7 Profissão / Ocupação

 

Tratando-se da profissão, alguns estudos relacionam a profissão/ocupação com a elevação da pressão arterial, sendo que os índices mais baixos de pressão arterial ocorrem no grupo socialmente mais privilegiado e os que nunca trabalharam ocupam uma posição intermediária em relação à prevalência de hipertensão.

 

3.8 Escolaridade

Quanto à variável nível de escolaridade, ficou demonstrado que há uma tendência na queda da média da PAS e da proporção da hipertensão arterial, conforme o grau de educação aumenta. Talvez isso ocorra devido à influência de outros fatores, como a ocupação e fatores de ordem social.

 Há uma menor prevalência da doença com o aumento do nível de escolaridade, sendo este dado relevante, já que irá interferir diretamente na assimilação das orientações necessárias ao tratamento. Em um outro estudo realizado, a condição social mais adversa, que é a menor escolaridade, encontrou-se associada à HAS, mesmo após o controle dos seus demais fatores causais. Os indivíduos que completam o terceiro grau têm um índice de prevalência de HAS 40% menor do que aqueles que têm menos de 10 anos de escolaridade.

 

3.9 Diabetes Mellitus

A hipertensão e a diabetes são doenças inter-relacionadas. A hipertensão é duas vezes mais comum em diabéticos e aumenta com a idade. No momento do diagnóstico da diabetes, a hipertensão já existe em cerca de 40% dos doentes, o que sugere uma associação de mecanismos entre as duas: a obesidade e a resistência à insulina levam à hipertensão e esta agrava a intolerância à glicose.

Na maioria dos casos não se encontra uma causa para a hipertensão, é essencial (sem causa removível identificável), em particular na diabetes tipo 2. No diabetes tipo 1, é muitas vezes devida à nefropatia, que ocorre em uma a cada três pessoas diabéticas com mais de 15 anos de doença, contra apenas uma em cada cinco dia

4. FISIOPATOLOGIA DA HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA

 

 

Segundo Ennes (p.13, 2009) “o desenvolvimento da hipertensão depende da interação entre predisposição genética e fatores ambientais”. Sabe-se, no entanto, que a hipertensão é acompanhada por alterações funcionais do sistema nervoso autônomo simpático (concentrações aumentadas de noradrenalina no plasma em pacientes portadores de hipertensão essencial, particularmente em pacientes mais jovens).

(Estudos mais recentes, sobre atividade simpática medida diretamente sobre nervos simpáticos de músculos superficiais de pacientes hipertensos confirmam esses achados), renais (através de uma natriurese alterada, levando à retenção de sódio e água, quanto pela liberação alterada de fatores que aumentam a PA, como a renina) e do sistema renina angiotensina. Este está envolvido no controle fisiológico da pressão arterial e no controle do sódio.

Tem importantes implicações no desenvolvimento da hipertensão renal e deve estar envolvido na patogênese da hipertensão arterial essencial. O papel do sistema renina-angiotensina-aldosterona a nível cardíaco, vascular e renal é mediado pela produção ou ativação de diversos fatores de crescimento e substâncias vasoativas, induzindo vasoconstricção e hipertrofia celular, além de outros mecanismos humorais e disfunção endotelial.

 O envolvimento do endotélio é na conversão da angiotensina I em angiotensina II, na inativação de cininas e na produção do fator relaxante derivado do endotélio ou óxido nítrico.

Além disso, o endotélio está envolvido no controle hormonal e neurogênico local do tônus vascular e dos processos homeostáticos. Também é responsável pela liberação de agentes vasoconstritores, incluindo a endotelina, que está envolvida em algumas das complicações vasculares da hipertensão. Assim a hipertensão resulta de várias alterações estruturais do sistema cardiovascular que tanto amplificam o estímulo hipertensivo, quanto causam dano cardiovascular  (NETO, p.51, 2008).

 

Sendo assim complexo o sistema de regulação da pressão arterial e não havendo consenso quanto à importância relativa de cada um, não chega a surpreender que também quanto aos mecanismos que levam à hipertensão essencial haja uma grande dose de controvérsia. Basicamente, a polêmica opõe duas grandes correntes: de um lado, os que propõem a existência em hipertensos essenciais de uma alteração do sistema nervoso central, de modo a que o ponto de ajuste da pressão arterial, presumivelmente determinado pelo próprio Sistema Nervoso Central (SNC), está elevado em relação ao normal. De outro lado, temos os que defendem um papel preponderante na gênese da hipertensão, de uma retenção de sal e água pelos rins.

Os proponentes da hipótese de que a hipertensão essencial é uma doença do SNC invocam uma série de evidências em apoio a sua tese. Salientam a importância do achado de que, em pacientes jovens com hipertensão limítrofe, a anomalia hemodinâmica encontrada é basicamente uma elevação do débito cardíaco e não, de início, um aumento da resistência periférica. Mais do que isso, apresentam evidências de que esse estado de hipercinese circulatória é decorrência de uma atividade do sistema nervoso autônomo, já que a administração de um betabloqueador e de um parassimpatolítico abolem a anomalia. Aliás, a administração de beta-bloqueadores é um dos procedimentos mais comuns no tratamento da hipertensão essencial, em consistência com essa hipótese. Além disso, a atividadeparassimpática está reduzida nesses pacientes. Os indivíduos com hipertensão limítrofe são ainda, de acordo com algumas evidências, exageradamente responsivos ao estresse, desenvolvendo uma atividade simpática excessiva e hipertensão.

Stevo Julius, um dos mais destacados defensores da hipótese da origem nervosa da hipertensão, argumenta em favor desse ponto de vista que as manobras que elevam a pressão arterial o fazem mesmo em face de profundas modificações hemodinâmicas induzidas farmacologicamente.

Baseado nesse tipo de evidência, Stevo Julius propõe que o SNC seja na verdade o grande controlador da pressão arterial, mantendo-a constantemente ao redor de um valor previamente ajustado. Desarranjos desse mecanismo central, de acordo com essa teoria, forçam a pressão arterial a elevar-se. Se tentar impedir essa elevação bloqueando, por exemplo, a vasoconstrição periférica, o sistema ainda assim conseguirá trazer a pressão arterial a seu novo valor, aumentando o débito cardíaco.

O inverso ocorrerá se o parâmetro bloqueado for o débito cardíaco: o que aumenta nesse caso é a resistência periférica. Portanto, o SNC funciona, de acordo com essa hipótese, como um regulador em longo prazo da pressão arterial. Nos hipertensos, o ponto de ajuste está alterado, de modo análogo ao que ocorre com o centro termorregulador em estados febris.

O SNC exerce, sem sombra de dúvida, uma enorme influência sobre a pressão arterial. O centro vasomotor, situado na substância reticular do bulbo e na porção inferior da ponte, mantém através das fibras simpáticas um tônus contrátil na musculatura lisa vascular, aumentando-o ou diminuindo-o conforme as necessidades imediatas do sistema circulatório, utilizando-se também do sistema parassimpático quando necessário. É crucial para o seu funcionamento a atuação de um sistema sensor, capaz de perceber variações da pressão arterial. Esse sistema é constituído pelos baroceptores situados no arco aórtico e no seio carotídeo.

Através dos nervos vago, de Hering e glossofaríngeos (vias aferentes), esses baroceptores emitem continuamente sinais nervosos para o centro vasomotor, inibindo-o parcialmente e, portanto, modulando o e fluxo simpático que dele emana. Quando a pressão arterial se eleva, o fluxo inibitório originado nos baroceptores aumenta, fazendo-a retornar a seu valor inicial. É por essa razão que a ligadura simultânea de ambas as carótidas, manobra que estimula ao máximo os baroceptores situados no seio carotídeo, provoca uma elevação acentuada da pressão arterial, servindo mesmo como um modelo de hipertensão arterial aguda  (NETO, p.51, 2008).

A disfunção dos baroceptores como causa de hipertensão arterial, parece hoje um tanto remota. O sinal proveniente dos baroceptores é de curta duração, esgotando-se após algumas horas se a alteração da pressão arterial persistir. Em outras palavras, os baroceptores adaptam-se ao novo nível pressórico, passando a adotá-lo como nova referência. Esta característica torna difícil imaginar como uma alteração do componente sensor desse sistema de controle poderia originar uma hipertensão persistente. Essa limitação fica evidente quando observamos o que ocorre quando os baroceptores são desconectados do SNC (deaferentados), por denervação dos receptores carotídeos e aórticos. Como não se conhecem outras formas através do qual o SNC poderia perceber variações da pressão arterial sistêmica, fica difícil entender como poderia funcionar o sistema de realimentação negativa proposto por Stevo Julius. Existe, no entanto a possibilidade de que uma disfunção neste sistema eleve cronicamente a PA através de sua íntima relação com o funcionamento renal.

Com base na teoria renal, o rim, único órgão a regular de modo significativo a excreção de sódio pelo organismo, é por essa mesma razão o responsável último pelos níveis de pressão arterial sistêmica em longo prazo. Ainda de acordo com essa teoria, além de constituir a única via de excreção de sódio de que dispõe o organismo, os rins são também o único sistema capaz de responder diretamente a alterações da pressão arterial com uma variação da excreção desse íon. Isso ocorre devido ao fenômeno, mencionado acima, da natriurese pressórica, através do qual, variações da pressão de perfusão renal, em geral idêntica à pressão arterial sistêmica, deflagram rapidamente no interior do parênquima renal uma série de fenômenos ainda não muito bem compreendidos.

 

4.1 Manifestações clínicas

 

De acordo com Brunner & Suddarth (p.76, 1996), as pessoas com HA podem estar assintomáticas e assim permanecer por muitos anos. Os sintomas quando ocorrem, geralmente indicam lesão vascular, com manifestações específicas relacionadas com os sistemas orgânicos servidos pelos vasos envolvidos.

Em geral, o cliente hipertenso não faz referência a sintomas e a doença é detectada durante a avaliação de algum outro problema ou durante a aferição da pressão arterial em um programa de triagem. Quando se manifestam, os sintomas refletem o efeito da hipertensão nos sistemas do organismo. O cliente pode relatar que acorda com cefaléia na região occipital, a qual regride espontaneamente depois de algumas horas. Em geral esse sintoma está associado à hipertensão grave (BOUNDY et al., p,89, 2004).

Além disso, o cliente pode queixar-se de tontura, taquicardia, fadiga e impotência. Se houver comprometimento vascular, pode queixar-se de epistaxe, hematúria, fraqueza e visão embaçada. As queixas de dor torácica e dispneia podem indicar disfunção cardíaca.

 

4.2 Diagnóstico da pressão arterial

 

O diagnóstico da HA é basicamente estabelecido pelo encontro dos níveis tensionais permanentemente elevados acima dos limites de normalidade, quando a pressão arterial é determinada por métodos e condições apropriadas. Portanto, a medida da pressão arterial é o elemento chave para o estabelecimento do diagnóstico. Este é baseado na anamnese, exame físico e exames complementares (urina, dosagens de creatinina e potássio séricos, glicemia de jejum, colesterol, eletrocardiograma) que auxiliam na realização do diagnóstico da doença propriamente dita, sua etiologia, grau de comprometimento de órgãos-alvo e na identificação dos fatores de risco cardiovascular associados.

São necessários história e exame físico meticulosos onde além dos níveis tensionais, o risco cardiovascular global estimado pela presença dos fatores de risco, a presença de lesões nos órgãos-alvo e as comorbidades associadas devem ser consideradas.

A avaliação diagnóstica também é realizada através do eletrocardiograma (ECG) para determinar os efeitos da hipertensão sobre o coração (hipertrofia ventricular esquerda, isquemia) ou a presença de cardiopatia subjacente; radiografia de tórax - pode mostrar cardiomegalia; proteinúria, nível sérico elevado de uréia e creatinina - indicam a doença renal como causa ou efeito da hipertensão; a dosagem de microalbumina no primeiro jato de urina ou em um exame de urina de 24h para verificar a relação albumina-creatinina, que são indicadores mais precoces; nível sérico de potássio - diminuído no hiperaldosteronismo primário e elevado na síndrome de Cushing; ambos são causas de hipertensão secundária; urina de 24h para catecolaminas - aumentadas no feocromocitoma; cintilografia renal para detectar doenças vasculares renais; pode incluir a ingesta de captopril, um inibidor da enzima conversora da angiotensina (ECA), para determinar seus efeitos sobre o fluxo sanguíneo renal; eco – Doppler colorido para identificar estenose da artéria renal; medidas ambulatoriais da PA para pacientes externos; primeiramente, fazem-se exames para hipertensão essencial, a menos que sinais e sintomas específicos de hipertensão secundária estejam presentes.

É preciso ter cautela antes de rotular alguém como hipertenso, tanto pelo risco de um diagnóstico falso-positivo, como pela repercussão na própria saúde do indivíduo e o custo social resultante. Em indivíduos sem diagnóstico prévio e níveis de PA elevada em uma aferição, recomenda-se repetir a aferição de pressão arterial em diferentes períodos, antes de caracterizar a presença de HAS.

Este diagnóstico requer que se conheça a pressão usual do indivíduo, não sendo suficiente uma ou poucas aferições casuais. A aferição repetida da pressão arterial em dias diversos em consultório é requerida para chegar a pressão usual e reduzir a ocorrência da “hipertensão do avental branco”, que consiste na elevação da pressão arterial ante a simples presença do profissional de saúde no momento da medida da PA.

 

4.3 Tratamento da Hipertensão Arterial

 

O tratamento da HA pode ser dividido em não-medicamentoso e medicamentoso. O tratamento sem medicamentos tem como objetivo auxiliar na diminuição da pressão, e se possível evitar as complicações e os riscos por meio de modificações de estilo de vida como: a redução do peso, a redução da ingestão de sódio, maior ingestão de potássio, uma dieta rica em frutas e vegetais e alimentos com pouco teor de gordura, a diminuição ou abolição do álcool e a atividade física.

Alimentos ricos em cálcio atualmente são preconizados em conjunto com toda a série de medidas dietéticas já citadas, que juntas são benéficas para a redução da PA (MANO, p.14, 2009).

As modificações do estilo de vida são aplicáveis a todos os pacientes que se propõe a diminuição do risco cardiovascular, incluindo os normotensos, e necessárias também quando se impõe o tratamento farmacológico da hipertensão (MANO, p.15, 2009).

Se, apesar das mudanças no estilo de vida, a PA permanecer igual ou superior a 140/90 mmHg (ou não estiver em um nível ótimo na presença de outros fatores de risco cardiovasculares) por 3 a 6 meses, a terapia medicamentosa deve ser iniciada. Se a PA estiver extremamente elevada ou o paciente for portador de fatores de risco cardiovasculares, a monoterapia pode ser administrada.

O tratamento farmacológico se impõe quando as medidas não farmacológicas não são suficientes para o controle da pressão arterial. Em qualquer caso o tratamento não farmacológico sempre deve ser mantido. São drogas de primeira linha para o tratamento da HAS, todos com resultado benéfico comprovado em vários trabalhos na prevenção de complicações cardiovasculares: os diuréticos tiazídicos, os bloqueadores dos canais de cálcio, os beta bloqueadores e os inibidores da ECA e os bloqueadores AT1 (MANO, p.87, 2009).

 

Na terapia medicamentosa alguns fatores devem ser considerados: raça negros respondem bem a terapia diurética; brancos respondem bem a inibidores da ECA; idade – alguns efeitos colaterais podem não ser bem tolerados por pessoas idosas. Tipicamente, os diuréticos são prescritos em primeiro lugar; doenças e terapias concomitantes - alguns agentes também tratam cefaléias, hiperplasia prostática benigna, insuficiência cardíaca; tem efeitos benéficos sobre distúrbios como insuficiência renal; ou tem efeitos adversos em distúrbios como diabetes ou asma; impacto sobre a qualidade de vida - tolerância aos efeitos colaterais; considerações econômicas - agentes mais atuais têm um custo muito alto; doses diárias - esse pode ser um problema na adesão ao tratamento.

Os agentes incluem: diuréticos - reduzem a PA por promoverem a excreção urinária de água e sódio para reduzir o volume sanguíneo; bloqueadores beta adrenérgicos - que reduzem a PA por diminuírem o ritmo do coração e reduzirem o débito cardíaco, bem como a liberação de renina pelos rins; bloqueadores de alfa – receptores - inibidores alfa- adrenérgicos que reduzem a PA por dilatarem os vasos sanguíneos periféricos e reduzirem a resistência vascular periférica; alfa – agonistas centrais - reduzem a PA por diminuírem o e fluxo simpático do cérebro, com isso reduzindo a resistência periférica; agentes adrenérgicos periféricos - inibem a liberação adrenérgica periférica de catecolaminas vasoconstritoras como a norepinefrina; bloqueadores alfa e beta - adrenérgicos combinados – inibidores adrenérgicos que trabalham através dos receptores alfa e beta; inibidores da ECA - reduzem a PA por bloquearem a enzima que converte a angiotensina I no potente vasoconstritor angiotensina II. Esse medicamento também eleva o nível de bradicinina, um potente vasodilatador que reduz os níveis de aldosterona; bloqueadores dos receptores de angiotensina - ação similar aos inibidores da ECA; antagonistas do cálcio (bloqueadores dos canais de cálcio) - interrompem o movimento de cálcio para dentro das células; relaxam a musculatura lisa, o que causa vasodilatação; inibem a reabsorção de sódio nos túbulos renais; Vasodilatadores diretos - relaxantes diretos da musculatura lisa que dilatam principalmente artérias e arteríolas.

Se a hipertensão não for controlada com o primeiro medicamento dentro de 1 a 3 meses, três opções podem ser consideradas: se o paciente estiver realmente fazendo uso do medicamento e não desenvolveu efeitos colaterais, a dose do medicamento pode ser aumentada; se o paciente apresentou efeitos colaterais, uma outra classe de medicamento deve ser usada em substituição; um segundo medicamento de uma outra classe deve ser adicionado. Se a adição do segundo agente reduzir a pressão, o primeiro agente pode ser lentamente descontinuado ou, se necessário, a terapia combinada pode ser mantida (NETTINA, p,76, 2003).

 

O melhor tratamento da hipertensão é usar o menor número de medicamentos nas menores doses possíveis, enquanto incentiva o paciente a manter as modificações no estilo de vida. Após a PA ter sido controlada por, pelo menos, 1 ano, um declínio lento e progressivo na terapia medicamentosa pode ser tentado. Entretanto, a maioria dos pacientes precisa reiniciar a medicação dentro de 1 ano. Se a PA desejada ainda não tiver sido alcançada com a adição de um segundo medicamento, um terceiro agente e/ou um diurético (se já não estiver

prescrito) podem ser adicionados.

As atuais condições de vida, trabalho, modificações econômicas e políticas, assim como a expectativa de vida aumentada, tem gerado uma elevação significativa de doenças crônico-degenerativas, especialmente as doenças do aparelho circulatório, dentre elas a HA.

As doenças crônicas, entre as quais a HAS, constituem desequilíbrios que impõem modificações no estilo de vida, exigindo readaptações ante a nova situação e estratégias para seu enfrentamento. Esse processo depende tanto da complexidade, gravidade e fase da doença, como das estruturas disponíveis para satisfazer suas necessidades e readquirir o estado de equilíbrio.

Nesse sentido, no caso da HAS, grande ênfase tem-se dado às medidas não farmacológicas, de mudança no estilo de vida, para prevenção e controle dos níveis tensoriais elevados, que devem ser implementadas para todos os hipertensos, mesmo aqueles em uso de droga anti-hipertensivas.

Modificar hábitos de vida envolve mudanças na forma de viver e na própria ideia de saúde que o indivíduo possui. A concepção de saúde é formada por meio da vivência e experiência pessoal de cada indivíduo, tendo estreita relação com suas crenças, ideias, valores, pensamentos e sentimentos.

Segundo Lopes et al (p.54, 2006) concomitante à terapêutica para o controle da hipertensão arterial, os indivíduos devem adotar um estilo de vida saudável, eliminando hábitos que constituam fatores de risco para a doença.

Entretanto, no acompanhamento à saúde dos pacientes, segundo se observa, é grande a

dificuldade para a aquisição de hábitos saudáveis, pois a tomada de decisão com vistas à superação de hábitos nocivos à saúde, apesar de necessária, constitui uma decisão pessoal.

Segundo Lopes ET al (p.55, 2006) programas deveriam incorporar mudanças comportamentais, como adoção de hábitos alimentares mais saudáveis e realização de atividades físicas regulares, mas também contemplar intervenções populacionais, como legislação, tributação e infra-estrutura visando reduzir o ambiente obesígeno a que as populações atualmente estão expostas, tanto em países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento, têm sido apontadas como fatores importantes na prevenção e controle do diabetes e da hipertensão arterial.

O tratamento com modificações no estilo de vida consiste em: perder peso se o índice de massa corpórea for superior ou igual a 25; limitar o consumo de álcool – não mais que 30 ml de etanol por dia para homens e 15 ml para mulheres; praticar exercícios aeróbicos regulares equivalentes a 30 a 45 minutos de caminhada intensa na maioria dos dias; cortar a ingestão de sódio para 2,4 g ou menos por dia; incluir na dieta diária os valores permitidos recomendados de potássio, cálcio e magnésio. Isso pode ser obtido seguindo a dieta DASH (Dietry Approaches to Stop Hypertension – Condutas Dietéticas para Interromper a Hipertensão) – rica em frutas, legumes, produtos lácteos com baixo teor de gordura e fibras e pobres em gorduras saturada e total; parar de fumar; reduzir o conteúdo de gordura saturada e colesterol na dieta; considerar reduzir a ingesta de café (a ingestão de cinco xícaras por dia costuma aumentar a PA em homens hipertensos).

O risco associado ao tabagismo, já descrito, é proporcional ao número de cigarros fumados e à profundidade da inalação. A PAS de hipertensos fumantes foi significativamente mais elevada do que em não-fumantes, revelando o importante efeito hipertensivo transitório do fumo. Portanto, os hipertensos que fumam devem ser repetidamente estimulados a abandonar esse hábito por meio de aconselhamento e medidas terapêuticas de suporte específicas.

            O habito deve ser abolido, porém isto não é fácil, pela dependência da nicotina, hoje considerada uma droga que provoca vício igual ao da cocaína e heroína. Sendo assim, para esta prática algumas recomendações são adotadas:

·         Marcar uma data para abandono do hábito de fumar é um passo importante; o ideal é que seja dentro de duas semanas;

·         É aconselhável que a pessoa avise amigos, familiares e colegas de trabalho sobre sua intenção de parar de fumar, solicitando o apoio de todos;

·         A presença de outros fumantes, em casa, dificulta o abandono do hábito de fumar;

·         Retirar cigarros de casa, do carro e do local de trabalho, e evitar fumar nestes locais;

·         Para evitar recaída, é importante fazer com que a pessoa reflita sobre o que deu errado em outras tentativas;

·         Beber álcool está fortemente associado a recaídas;

·         Orientar a pessoa sobre as respostas do organismo ao hábito de parar de fumar, a exemplo da síndrome de abstinência;

·         Lembrar às pessoas que desejam parar de fumar que a abstinência total é essencial: não se deve dar nem mesmo uma tragada.

A relação entre o alto consumo de bebida alcoólica e a elevação da pressão arterial tem sido relatada em estudos observacionais e a redução da ingestão de álcool pode reduzir a pressão arterial em homens normotensos e hipertensos que consomem grandes quantidades de bebidas alcoólicas. Recomenda-se limitar a ingestão de bebida alcoólica a menos de 30 ml/dia de etanol para homens e a metade dessa quantidade para mulheres, preferencialmente com as refeições.

Isso corresponde, para o homem, a ingestão diária de no máximo 720 ml de cerveja (uma garrafa); 240 ml de vinho (uma taça) ou 60 ml de bebida destilada (uma dose). Aos pacientes que não conseguem se enquadrar nesses limites de consumo sugere-se o abandono do consumo de bebidas alcoólicas.

A dieta desempenha um papel importante no controle da hipertensão arterial.

Uma dieta com conteúdo reduzido de teores de sódio (< 2,4 g/dia, equivalente a 6 gramas de cloreto de sódio), baseada em frutas, verduras e legumes, cereais integrais, leguminosas, leite e derivados desnatados, quantidade reduzida de gorduras saturadas, trans e colesterol mostrou ser capaz de reduzir a pressão arterial em indivíduos hipertenso.

Para a orientação alimentar, o profissional de saúde deve:

·         Esclarecer que a alimentação e nutrição adequadas são direitos humanos universais;

·         Promover a substituição do consumo de alimentos pouco saudáveis para alimentos saudáveis;

·         Não discriminar alimentos, mas propor a redução do consumo dos menos adequados;

·         Esclarecer que alimentação saudável não é alimentação cara;

·         Promover o peso saudável através de mensagens positivas

·         Evitar a personificação do obeso, já discriminado socialmente.

 

A obesidade e o excesso de peso aumentam consideravelmente o risco de pressão alta, além de propiciar excesso de gordura no sangue, diabetes, doença cardíaca, derrame, doenças respiratórias, cálculo na vesícula e câncer de próstata, mama, útero e cólon. Quem tem pressão alta, ao ganhar peso, terá sua pressão mais elevada e, ao perder peso, uma queda da pressão. A perda de peso, tanto nos obesos quanto naqueles com excesso de peso, reduz o risco de diabetes e doenças do coração, porque proporciona a redução do açúcar e das gorduras do sangue.

Os grandes segredos para a redução de peso são dieta e atividade física. Todos os hipertensos com excesso de peso devem ser incluídos em programas de redução de peso. A meta é alcançar um índice de massa corporal (IMC) inferior a 25 kg/m2 e circunferência da cintura inferior a 102 cm para homens e 88 cm para mulheres, embora a diminuição de 5% a 10% do peso corporal inicial já seja capaz de produzir redução da pressão arterial.

O exercício contribui na redução da obesidade e para a prevenção de doenças coronárias. Também auxilia na preservação da independência de pessoas idosas, melhorando o funcionamento do organismo, reforçando o coração, músculos, pulmões, ossos e articulação.

A atividade física realizada regularmente melhora a condição física e a saúde do coração, devendo o exercício ser realizado, no mínimo, três vezes por semana, com duração de pelo menos vinte minutos, ser uma atividade regular, pois quando a mesma é interrompida a condição física deteriora-se rapidamente (PESSUTO; CARVALHO, p.53, 1998).

A recomendação da atividade física baseia-se em parâmetros de frequência, duração, intensidade e modo de realização. A orientação ao paciente deve ser clara e objetiva. As pessoas devem incorporar a atividade física nas atividades rotineiras como caminhar, subir escadas, realizar atividades domésticas dentro e fora de casa, optar sempre que possível pelo transporte ativo nas funções diárias, que envolvam pelo menos 150 minutos/semana (equivalente a pelo menos 30 minutos realizados em 5 dias por semana).

O efeito da atividade de intensidade moderada realizada de forma acumulada é o mesmo

daquela realizada de maneira contínua, isto é, os trinta minutos podem ser realizados em uma única sessão ou em duas sessões de 15 minutos (por exemplo manhã e tarde) ou ainda, em três sessões de dez minutos (manhã, tarde e noite).

De forma prática, atividade física moderada é aquela que pode ser realizada mantendo-se conversação. Por exemplo, uma caminhada com o passo acelerado, com a percepção do aumento da frequência cardíaca e da frequência respiratória, sem impedir a possibilidade de diálogo com outra pessoa. Em outras palavras, a atividade não deve ser fatigante, pois aí ela deixaria de ser moderada e passaria a ser intensa.

Para prática de atividades moderadas, não há necessidade da realização de avaliação cardiorrespiratória de esforço para indivíduos iniciarem um programa de atividade física. Múltiplos estudos assinalam que um paciente submetido a um programa de exercício controlado além de a PA aumentar a capacidade cardiovascular, pode também ter, em alguns casos, uma forma única de tratamento não farmacológico para o controle da hipertensão, em outros basta reduzir a dose dos medicamentos (REZA; NOGUEIRA, p.78, 2008).

 

Portanto, um programa de exercício aeróbio ajuda a fortalecer o coração e o sistema osteomuscular, a baixar o peso, além de contribuir no controle da PA e prevenir os efeitos secundários das doenças crônicas como dislipidemia, obesidade e o diabetes mellitus, resultando em melhor qualidade de vida com custo baixo e risco mínimo.

há a predominância do sexo feminino em relação ao masculino  no que se relaciona a casos de hipertensão. A variação da faixa etária é entre 19 à 26 anos, contudo, há uma predominância em 21 anos, seguida dos 20 anos de idade.

Os hábitos saudáveis, dentre eles a boa alimentação, é de grande importância na adesão ao tratamento da pressão alta. O uso de sal, o que está devidamente correto, entretanto deve-se ter cuidado para orientar os pacientes que não podem deixar de usar o sal, apenas reduzi-lo a quantidade necessária.

Pesquisas atuais têm evidenciado os efeitos benéficos dos exercícios físicos na melhoria das capacidades funcionais no desempenho das AVD da população idosa. Esses benefícios incluem redução da morbidade e mortalidade por doença coronariana, controle da pressão arterial, da glicemia e do colesterol e melhora do peso.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, o exercício físico regular melhora a qualidade e expectativa de vida do idoso beneficiando-o em vários aspectos principalmente na prevenção de incapacidades. Isso se demonstra mais claramente a partir de um estudo epidemiológico em que se verificou a forte relação existente entre a inatividade física e a presença de fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, resistência à insulina, diabetes, dislipidemias e obesidade.

A atividade física regular promove uma série de modificações no organismo do idoso, como por exemplo, diminuição da freqüência cardíaca, aumento das endorfinas endógenas, responsáveis pela sensação de bem estar, redução do colesterol, fortificação da estrutura óssea, das articulações, melhora na postura. A liberação de endorfina pelo organismo, provoca ainda, um estado de plenitude que o praticante regular de atividade física experimenta e lhe traz benefícios em todos os níveis, principalmente na melhoria da autoestima e no concivio social, permitindo uma adaptação melhor do indivíduo na sociedade.

Em se tratando de fatores emocionais, nos dá sua contribuição quando diz que o exercício físico constante e moderado tem efeitos benéficos na saúde em geral e ao nível psicológico pode reduzir a ansiedade, melhorar a auto-estima e auto-confiança, melhorar a cognição e diminuir o stress. Recentemente foram realizados estudos nos EUA que afirmam que a prática sistemática do exercício físico para a população em geral está associada à ausência ou a poucos sintomas depressivos ou de ansiedade. Os  idosos ativos que praticavam exercícios físicos regulares, apresentavam melhores resultados em comparação com idosos sedentários na sua capacidade funcional. Refletindo desta forma no estilo de vida dessa população, aumentando o grau de autonomia em relação às AVD e em um envelhecimento mais rico em oportunidades de relações sociais.

Por outro lado, a ausência de atividades físicas está também associada com diversos problemas músculo-esqueléticos, que podem afetar negativamente as atividades funcionais do idoso. Portanto, o fortalecimento dos elementos da aptidão física, como força, flexibilidade, capacidade cardiorrespiratória, coordenação motora, entre outros, é uma excelente forma de evitar os efeitos degenerativos causados pelo envelhecimento.

De forma geral, Miranda (2007) enumera os benefícios do exercício físico para a população idosa:

 Melhora da sensibilidade à insulina, prevenindo o desenvolvimento de diabetes;

 Aumento da fração HDL (colesterol bom), diminuição da LDL (colesterol ruim) e redução significativa das triglicérides;

 Com o envelhecimento há um aumento percentual da gordura corporal e diminuição da massa muscular. A atividade física reduz esta modificação. Além disso, ajuda a melhorar a massa óssea quando jovem e prevenir a perda na fase adulta, diminuindo o risco de fraturas;

 Reversão das alterações cardiovasculares e pulmonares que ocorrem com o processo de envelhecimento;

 Fatores hemostáticos são influenciados de várias maneiras pela atividade física, com resultado líquido de redução da atividade pró-trombótica;

 Aumento na capacidade física, elasticidade e equilíbrio, diminuindo o risco de quedas;

 Aumento da vasodilatação dependente do endotélio, por aumento da liberação de óxido nítrico. O exercício aeróbico regular previne a perda da vasodilatação dependente do endotélio que ocorre com o envelhecimento e restaura ao normal em adultos e idosos sedentários saudáveis;

 Melhora na imunidade, que pode diminuir a incidência de infecções e possivelmente de certos tipos de câncer;

 Melhora da função autonômica, com aumento da sensibilidade dos barrorreceptores e da variabilidade da frequência cardíaca;

 Facilita a interrupção do tabagismo, além de prevenir o ganho de peso que geralmente estão associados;

 Prevenção ou retardo do declínio cognitivo

Um dos estudos mais bem documentados sobre os benefícios dos exercícios físicos é sobre o risco de doença coronariana e morte, havendo uma relação inversa com a prática de exercício habitual. Isto vem sendo demonstrado tanto para a prática de exercício programado, quanto para as atividades de lazer ou inseridas nas rotinas do dia. Apesar do exercício moderado já apresentar benefícios sobre a mortalidade, aparentemente há uma relação dose-resposta, com exercícios mais vigorosos demonstrando um efeito ainda maior.

 

 5.CONCLUSÃO

Através do estudo realizado conclui-se que para conseguir uma redução significativa nos altos índices de morbimortalidade decorrentes de doenças cardiovasculares é necessário a adoção de ações efetivas capazes de conter a progressão da hipertensão arterial. Para tanto, as modificações no estilo de vida são descritas como terapia fundamental no controle desta patologia.

As mudanças no estilo de vida podem prevenir ou retardar a instalação da hipertensão e reduzir níveis pressóricos elevados em hipertensos. Certamente, há que se considerar que mudanças no comportamento habitual adquirido ao longo da vida não são rapidamente implementadas e exigem disciplina e paciência de todos os envolvidos.

Delimitamos com essa pesquisa uma estreita relação de diversos fatores de risco com o desenvolvimento da HAS, evidenciando portanto, que os estilos de vida dos sujeitos estão diretamente ligados com o controle da patologia. Desse modo, existe relação entre o cuidado da saúde e o estilo de vida, esclarecendo assim a importância das mudanças de hábitos adquiridos ao longo da vida.

O sucesso do tratamento, após o diagnóstico da hipertensão, está diretamente interligado à adaptação do indivíduo aos novos hábitos de vida. Esta adaptação ou mudança nos comportamentos depende, em parte, da vontade dos hipertensos para decidir se querem mudar e o que precisam mudar. Por outro lado, os diversos profissionais envolvidos neste tratamento têm a responsabilidade no fornecimento de cuidados de saúde primários, conscientizados sobre uma realidade nas ações do dia a dia, para que o paciente tome as melhores decisões que permitam maior controle da pressão arterial e prevenção de outras doenças.

De acordo com as informações descritas neste trabalho, entende-se que há necessidade de manter organizado um atendimento constante a esses clientes, no sentido de fortalecer a importância das mudanças de comportamentos. Acredita-se que a educação dos indivíduos portadores de hipertensão arterial seja o melhor caminho para o alcance de tais objetivos, não sendo apenas uma transmissão de conteúdos referentes à patologia e ao tratamento, mas sim que se promova a conscientização dos benefícios e a adaptação dos clientes ao tratamento. Para se chegar a essa adaptação, é preciso que os indivíduos estejam motivados para que tais mudanças ocorram e, também, para que assimilem os conhecimentos que poderão melhorar a

qualidade de vida dos mesmos.

Esta revisão torna-se extremamente relevante, uma vez que nos remete à necessidade de constantes atualizações e enriquecimento teórico científico, que com a prática não poderá cair no esquecimento, uma vez que para o sucesso do tratamento de uma patologia crônica degenerativa como a hipertensão, é importante a conscientização clara e objetiva da forma de viver dos hipertensos sem gerar maiores impactos para os mesmos.

                                 REFERÊNCIAS 

BERTULANI, C. A. Hipertensão Arterial. Disponível em:< http://www.if.ufrj.br/teaching/fis2/hidrostatica/pressao_art.html>. Acessado em: 30 jul. 2009.

BOUNDY, Janice et al. Enfermagem médico-cirúrgica. 3. ed. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso, 2004.

 

BRUNNER, Lilian S.; SUDDARTH, Doris S. Tratado de enfermagem médico cirúrgico. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

 

BRUNNER, Lilian S.; SUDDARTH, Doris S. Tratado de enfermagem médicocirúrgico. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1996.

 

CAMPOS, Shirley de. Hipertensão, o que significa?. 2004. Disponível em: <http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/12688>. Acesso em: 17 abr. 2004

 

CARNEIRO, Gláucia et al. Influência da distribuição da gordura corporal sobre a prevalência de hipertensão arterial e outros fatores de risco cardiovascular em indivíduos obesos. 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ramb/v49n3/a36v49n3.pdf>. Acesso em: 12 fev. 2003

CORRÊA, Thiago Domingos et al. Hipertensão arterial sistêmica: atualidades sobre sua epidemiologia, diagnóstico e tratamento. 2006. Disponível em: <http://www.fmabc.br/admin/files/revistas/31amabc91.pdf>. Acesso em: 17 abr. 2009.

 

COSTA, Cíntia C. Rezende et al. O adoecimento do portador de esclerose múltipla: percepções e vivências a partir da narrativa de dois casos clínicos. Fortaleza: RBPS, 2005

CRUZ, Izabel C. Fonseca; LIMA, Roberta. Etnia negra: um estudo sobre a hipertensão arterial essencial (HAE) e os fatores de risco cardiovasculares. Revista de Enfermagem da UERJ, Rio de Janeiro, v. 7, n. 1, p. 35 - 44, 1999.

 

LESSA, I. O adulto brasileiro e as doenças da modernidade: epidemiologia das doenças crônicas não-transmissíveis. São Paulo - Rio de Janeiro: Hucitec Abrasco, 1998.

 

LOPES, Marcos Vinícius de Oliveira et al. Qualidade de vida e percepção da doença entre portadores de hipertensão arterial. 2006. Disponível em: <http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102- 311X2008000400025>. Acesso em: 21 jul. 2009.

 

MANO, Reinaldo. Hipertensão Arterial Sistêmica. 2009. Disponível em:<http://www.manuaisdecardiologia.med.br/has/Pag1.shtml>. Acesso em: 30 jul.2009.

 

NETO, Turíbio Leite Barros. Sedentarismo. Portal do Coração. 2008. Disponível em: <http://portaldocoracao.uol.com.br/resultado.php?id=1195>.Acesso em: 03 nov. 2008.

 

NETTINA, Sandra. Prática de enfermagem. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003..

 

PESSUTO, Janete; CARVALHO, Emília Campos de. Fatores de risco em ndivíduos com hipertensão arterial. 1998. Disponível em:<http://www.scielo.br/pdf/rlae/v6n1/13919.pdf>. Acesso em: 12 fev. 2009.

REZA, Cleotilde Garci; NOGUEIRA, Maria Suely. O estilo de vida de pacientes hipertensos de um programa de exercício aeróbio: estudo na cidade de Toluca, México. Rev. Bras. de Enfermagem, Rio de Janeiro, n. 12, p. 265-70, junho2008.

SECRETARIA DE POLITICAS DA SAUDE/MS. Programa nacional de promoção da atividade física “agita Brasil”: atividade física e sua contribuição para a qualidade de vida. Rev. Saúde Pública, v. 36, n. 2, p. 254-256, 2002.

 

TRINDADE, Dannielle et al. Estudo da ocorrência de acidente vascular cerebral em hipertensos cadastrados no PSF Carapina II do município de Governador Valadares. 2007. 46 f. TCC (Graduação em Enfermagem) – Área de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Vale do Rio Doce, Governador Valadares, 2007.

 

ZAITUNE, Maria Paula do Amaral et al. Hipertensão arterial em idosos:prevalência, fatores associados e práticas de controle no Município de Campinas, São Paulo, Brasil. 2006. Disponível em:<http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102- 311X2006000200006>. Acesso em: 30 jul. 2006.

ZENI, Ana. A perigosa relação entre hipertensão e mal de Alzheimer. 2008. Disponível em: <http://www.clinicaanazeni.med.br/noticia.php?id=78>. Acesso em: 30 jul. 2008.

 

 

 

 

 

 

 


Indique este Artigo enviando o Link:
http://www.crbiodigital.com.br/portal?txt=3277343538


Imagens / Fotos do Artigo 
  HIPERTENSÃO ARTERIAL

 retorna

 

  :: Pesquisa Artigos
contenha a palavra 
Regional 
Nome do(a) Biólogo(a) 


pesquisar



Copyright 2007  -   contatocrbiodigital@crbiodigital.com.br  -   privacidade