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  Decoração de ambientes de interior com plantas: plantas com capacidade natural de depurar o ar
11/06/2012
atualizado em: 16/06/2012
Plantas são utilizadas na decoração e paisagismo. Também, são capazes de retirar gás carbônico e devolver oxigênio p/ o ambiente. Mas existem plantas que são especialistas em retirar certos compostos químicos do ar de ambientes de interior.

Área(s) de Atuação que o Presente Caso trata
Biologia
Meio Ambiente e Biodiversidade
Biomonitoramento
Diagnóstico, Controle e Monitoramento Ambiental


Decoração de ambientes de interior com plantas: plantas com capacidade natural de depurar o ar

William Roberto Luiz Silva Pereira

Contextualização do problema dos ambientes urbanos

O aumento feroz da competição nos mercados hoje em dia geralmente põe as pessoas sobre alta pressão. Qualquer pessoa sente algum tipo de ansiedade ao longo da semana. Altos graus de ansiedade afeta não somente a reação normal e concentração, mas também a habilidade de concepção e aprendizado. Ao lado do interior das empresas, muitos dos funcionários vão para lugares como restaurantes, hotéis e cafés geralmente para empreender suas atividades comerciais. Todos esses ambientes para atividades comerciais podem ser concebidos como ambientes de relacionamento comercial (Chen et al., 2010). Eles têm que oferecer beleza, tem que ter disposição confortável e elegante, bem como ar fresco e saudável, porque somente criando ambiente de relacionamento comercial confortável pode reduzir humor negativo, como medo, ansiedade, melancolia e tristeza em funcionários de empresas e capacitar eles a alegria, a confortabilidade e no trabalho, adicionar a elevar a competitividade para os negócios.

Os dados revelam que os funcionários das empresas gastam entre 80-90% do tempo de trabalho em ambientes confinados todo dia e nesses ambientes a poluição do ar pode ser 10 vezes pior que fora. Atualmente os materiais, em particular, são na maioria feitos de colas sintéticas e resinas, enquanto equipamentos elétricos nos escritórios lançam centenas de tipos de compostos orgânicos voláteis (COVs). Eles levam as pessoas a se tornar menos e menos saudáveis, dando origem a “Síndrome dos Edifícios Doentes”, definido pelo Comitê Técnico da Organização Mundial da Saúde como um conjunto de sintomas: dor de cabeça, fadiga, letargia, prurido e ardor nos olhos, irritação de nariz e garganta, anormalidades na pele e falta de concentração. Essa síndrome é na maioria associado à poluição do ar criada pelos edifícios no ambiente de trabalho.

Verificando que existe um apelo real para questões ambientais, nada mais pertinente que aplicar os conhecimentos relacionados as ciências da vida para favorecer o bem-estar. Então a decoração não consiste apenas em saber a melhor maneira de dispor os objetos decorativos no espaço a ser ornado, muito mais, esses objetos devem ser funcionais.

Plantas, além de serem utilizadas como objetos decorativos, podem funcionar como depuradoras naturais de ar

Dentre os vários apetrechos existentes que favorecem a estética, as plantas sempre são alvo dos decoradores e paisagistas. Porém, as plantas possuem uma propriedade que nenhum outro objeto decorativo é capaz: retirar o gás carbônico do ambiente e devolver oxigênio com custo muito baixo e de maneira bastante eficiente e natural.

Mas os estudos revelaram muito mais: existem plantas que são especialistas em retirar determinados componentes químicos do ar, muitos deles tóxicos se ultrapassados os limites pré-estabelecidos. Os sanitaristas sabem que muitos desses elementos estão presentes em quase todos os ambientes urbanos, e é quase impossível garantir que o ambiente onde estamos (quer seja o residência, comercial ou industrial) esteja totalmente puro. Portanto, a decoração com plantas deve ser utilizada buscando aproveitar sua capacidade depurativa natural, ainda desconhecida do público geral.

A NASA no National Space Technology Laboratories no Mississipi conduziu pesquisas por muitos anos usando processos naturais de purificação do ar. Pesquisas nesses laboratórios foram direcionadas ao desenvolvimento de sistemas de purificação de ar biológico para sistemas fechados como estações espaciais e casas de eficiência de energia usando plantas domésticas que produzem folhagem abundante.

Nessa época já era conhecido que alguns compostos orgânicos voláteis, como o formaldeído, entram nas folhas através dos estômatos e das cutículas, sendo mais rapidamente absorvida pela superfície abaxial e por plantas jovens. Uma vez absorvida pelas folhas, geralmente entram no ciclo de Calvin depois da oxidação enzimática do CO2. Resumindo, esse COV é retirado do ambiente, metabolizado e incorporado pelas plantas. Da mesma maneira a amônia, que é tóxico em concentrações altas para seres humanos, fornece uma quantidade significante de nitrogênio e a plantas fazem uso dessa matéria-prima. Além do mais, em alguns casos existem uma relação simbiótica entre as plantas e microorganismos presentes nas raízes. As plantas capturam certos COVs que são levados até as partes inferiores, onde esses hóspedes se encontram.

Os COVs mais comuns de ambientes urbanos são: formaldeído, benzeno, tricloroetilieno, xileno, tolueno, amônia, álcool e acetona. Isso sem considerar o gás carbônico, que é a matéria-prima fundamental das plantas. Se nos recordamos do tempo de colégio, algum professor um dia nos apresentou essa equação

12 H20 + 6 CO2 + energia --> C6H12O6 + 6 H20 +6 O2

que é a equação da fotossíntese. O gás carbônico entra pelos estômatos das folhas (pequenos orifícios que abrem e fecham) e junto com a água, a luz do sol (energia), uma série de reações enzimáticas e os pigmentos fotossintéticos, incluindo a clorofila, a molécula de gás carbônico é quebrada e rearranjada em glicose. É na molécula de glicose que fica armazenada a energia necessária para dar origem a outras reações químicas internas nas plantas. Portanto, a sobrevivência de uma planta depende estritamente do gás carbônico disponível no ambiente. Por isso as plantas são tidas como “seqüestradoras de carbono”.  

Desde Wolverton (1980) até atualmente foram conduzidas uma série de experimentos laboratoriais onde foi testada a eficiência em capturar esses compostos em várias espécies de plantas domésticas.

Num estudo de caso, verificamos que existem plantas especialistas para retirar formaldeído do ambiente, como a samambaia-de-Boston (Nephrolepsis exaltata “Bostoniensis”). Pena essa espécie não ser comum no Brasil. Para surpresa, a segunda espécie mais eficiente conduzido nos experimentos de Wolverton & Wolverton (1993) foi o crisântemo (Chrysanthemum morifolium).

Num outro experimento recente, os chineses Zhou et al. (2011) analisaram 30 espécies de plantas dentro das famílias Araceae, Agavaceae e Liliaceae, todas plantas de interiores. Eles mantiveram cada espécie dentro de uma câmara ao longo de 7 dias. No início do experimento, a concentração inicial de formaldeído foi de 15 mg/m3. Dia-a-dia era mensurada a quantidade desse composto e no sétimo dia, todas as plantas diminuíram a concentração para valores menores que 2 mg/m3 (fig. 2).

Existem diversos achados em torno dessa linha de pesquisa. Ao determinar as melhores plantas de interiores, os autores levam em conta outros aspectos diferentes da capacidade depurativa, como a facilidade de manutenção e cultivo, a resistência a pragas, o grau de exigência a luz solar e a taxa de evaporação da água (nesse último critério é levada em conta a capacidade da planta em aumentar a umidade do ar em ambientes de interiores (Wolverton et al., 1997). Outros estudos consideram a capacidade depurativa dentre diferentes grupos, como as plantas lenhosas, herbáceas, samambaias e ervas (Kim et al., 2010) e ainda o grau de resistência das plantas a exposição aos COPs, sendo que algumas podem apresentar mudanças na sua estrutura (Zhou et al., 2011).

Nesse levantamento bibliográfico detectamos mais de 100 espécies de plantas de interior de mais de 30 famílias diferentes com as mais variadas capacidades depurativas para diferentes tipos de COPs, incluindo plantas da família das Palmeiras, das Bromélias, das Samambaias e das Cactáceas. Outras famílias ainda são pouco conhecidas, por exemplo, a Apocynaceae, representada pela flor-de-cera (Hoya carnosa), que exibe flores lindas e ficou em 16º lugar no experimento de Kim et al. (2010).

Ao incorporar esses conceitos, é bom lembrar que a utilização de plantas no ambiente não consiste apenas de espalhá-las em todo o espaço a ser ornamentado, correndo-se o risco do ambiente dar a impressão de ser uma floricultura, ao invés de um café, por exemplo. Uma dose de bom gosto é fundamental. Decoradores e paisagistas sabem como ninguém o significado de beleza e estética, e incorporando esses achados, o ambiente se torna funcional e sustentável, além de se tornar muito mais agradável e aconchegante.

As pesquisas estão avançando em todas as partes do mundo. Cada país possui uma flora particular e dentre a imensidão de espécies de plantas que existem no planeta, é possível imaginar que muita coisa está ainda para ser descoberta. Botânicos e químicos pesquisadores estão trabalhando nisso e uma série de descobertas irá favorecer o bem-estar das pessoas que vivem em ambientes urbanizados. É além do mais, não advém de parafernálias tecnológicas que somente aumenta os nossos custos diários. As plantas não quebram nem falham. Só basta um pouquinho de sol, água, terra e cuidados. O restante, deixa com elas.

Bibliografia utilizada nesse texto

Chen, H-S.; Hsu, S-Y.; Chang T-L.; Yang, S-L. 2010. Aplying DEAand Taguchi methods in plant selection and optimal layout to increase commerce management environment quality. African Journal of Business Management. 4: (18): 4079-4085.

Kim, K. J.; Jeong, M.; Lee, D. W.; Song, J. S.; Kim, H. D.; Yoo, E. H.; Jeong, S. J. & Han, S. W. 2010. Variation in formaldehyde removal efficiency among indoor plant species. Hortscience, 45(10): 1489-1495.

Wolverton, B. C. 1980. Higher plants for recycling human waste into food, potable water and revitalized air in a closed life support system. NASA/ ERL Report, nº 192, NSTL, MS.

Wolveton, B. C. & Wolverton, J. D. 1993. Ammonia from the indoor environment. Journal of the Mississippi Academy of Sciences, 38(2): 11-15.

Wolverton, B. C. 1997. How to grow fresh air-50 house plants that purify your home or office. Penguin Book. New York. N. Y. U. S. A.

Zhou, J.; Qin, F.; Su. J.; Liao, J-W. & Xu, H-L. 2011. Purification of formaldehyde-polluted air by indoor plants of Araceae, Agavaceae and Liliaceae. Journal of Food, Agriculture & Environment, 9(3&4): 1012-1018.


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