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  Tráfico de Animais Silvestres.
16/04/2012

MARIA CRISTINA DA SILVA
PR - UMUARAMA
O tráfico de Animais é o maior responsável pela extinção das espécies e um dos comércios que mais movimentam dinheiro depois do tráfico de armas e drogas, com participação de 10% do Brasil nas retiradas dos animais da natureza.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Meio Ambiente e Biodiversidade
Inventário, Manejo e Conservação da Fauna


    “A fragilidade de uma ave assustada dentro de um alçapão, o olhar perdido e o desespero de um primata engaiolado, o urro surdo de um felino capturado e amarrado, a dor dessas vidas que se perdem para a natureza não pode mais ser ignorada, inclusive porque quanto mais espécies são extintas ou encontram-se em ameaça de extinção, mais pobre se torna a própria vida humana na Terra”...(Dener Giovanini coordenador geral da Renctas, 2007).

       Acreditava-se que os recursos de flora e fauna eram inesgotáveis, e por isso o Brasil foi e ainda é submetido a processos de exploração de forma predatória, mesmo apresentando uma das maiores diversidades biológicas do planeta podemos observar hoje o decaimento no número de espécies devido a intensa exploração dos recursos (MEDEIROS, 2006; BORGES, et al., 2006).
Segundo Renctas (2007), o comércio ilegal de animais silvestres é um dos comércios que mais movimentam dinheiro depois do tráfico de armas e drogas, e é o maior responsável pela extinção das espécies, e infelizmente apresentando participação do Brasil em 10% nas retiradas de animais para abastecer esse comércio.
      A maioria dos animais retirados são provenientes da Mata Atlântica, e enviados para outros estados como também países como os Estados Unidos, alguns países da Europa e Japão, sendo oferecidos a estes valores mais altos conforme seu grau de extinção, 60% desses animais capturados são comercializados no próprio país e apenas 40% é destinada ao comércio internacional, sendo a maior parte desses animais adquiridos por colecionadores e zoológicos ilegais, a indústria farmacêutica internacional que muitas vezes vem buscar em nossa fauna recursos para suas pesquisas e formulações, ainda há também aqueles animais que são vendidos a representantes de pet shops, devido a grande procura da população em manter esses animais como cativos, e são vendidos com valor referente a espécie e quantidade encomendada (RENCTAS, 2007).
       No caso de retirada de aves da natureza, são também perdidos ninhos, ovos e filhotes, aumentando assim o número de mortes, sem contar a derrubada das árvores, que é outro fator que auxilia na perda de espécies da flora nativa (SICK, 1997).
         A maioria das pessoas que fazem a retirada direta dos animais da natureza são moradores das proximidades das matas e pertencentes a camadas mais pobres do interior do país, desprovidas de recursos e sem acesso à educação. Muitas comunidades caçam apenas para se alimentar (o que não provoca desequilíbrio), porém devido a corrupção dos traficantes, estas vêem no comércio ilegal uma fonte de renda complementar (RENCTAS, 2007).
       Renctas (2007) também relata que a natureza é vista como um grande depósito, e os animais apenas como mercadoria, e devido a esse fato, não se mostra respeito a vida sendo todos os animais mal tratados, no qual se incluem práticas como dopá-los ou embriagá-los, queimar as córneas, serrar e arrancar seus dentes e garras, cortar as penas das asas, entre outras.
      Estima-se que cerca de 90% dos animais traficados morrem antes de chegar ao destino final devido às condições inadequadas de captura, manutenção e, principalmente, transporte (ROCHA, 1995).
         Um dos motivos para o crescimento do tráfico é a falta de entendimento da população que ainda não percebeu que para se apreciar um animal não é necessário que o mesmo esteja engaiolado ou preso em uma residência, a vida deve ser apreciada no seu habitat.

REABILITAÇÃO DE ANIMAIS APREENDIDOS DO TRÁFICO:

      Como mencionado acima, a maior parte dos animais submetidos a esse comércio não sobrevivem, porém aquela pequena parcela que consegue sobreviver e são apreendidos pela Policia Ambiental são encaminhados para centros de reabilitação.
     Estes centros mais conhecidos como CETAS (Centro de Triagem de Animais Selvagens) são destinados a tratamento e recuperação das espécies apreendidas do tráfico, residências entre outras procedências.
Muitos dos animais que chegam a esses centros estão feridos, doentes, com fraturas, e as vezes com alto grau de verminoses.
       Todo animal que chega aos Centros passam por identificação e avaliação do seu estado de saúde, permanecendo em área de quarentena para tratamento e observação de possíveis doenças. Estando o animal apto para ser transferido, este é encaminhado aos recintos juntamente com os outros animais, agrupados de acordo com a espécie.
       O objetivo principal dos Centros é a reabilitação desses animais para que possam ser novamente inseridos na natureza, porém nem sempre isso é possível, pois muitos dos animais que chegam, apresentam-se feridos gravemente, mutilados, e a inserção de um animal assim na natureza, provocaria sua morte, devido ao fato deste ser rejeitado por outros membros de grupo ou não se reabilitar ao meio ambiente.
       As espécies retiradas de residências constituem grande parte dos animais nesses centros, e devido ao seu alto grau de humanização (hábitos humanos) estas não podem sobreviver sozinhas, permanecendo nos Centros de Triagem por longos anos, o que fazem com que a maioria desses Centros tornem-se superlotados, não conseguindo realizar seu verdadeiro papel: Reintrodução na natureza.
       Cita o Escritor e Poeta Manuel de Barros: “...Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis. Tenho em mim esse atraso de nascença. Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso. Meu quintal é maior do que o mundo...”



Referências bibliográficas:

BORGES, R. C. et al. Diagnóstico da fauna silvestre apreendida e recolhida pela Polícia Militar de Meio Ambiente de Juiz de Fora, MG (1998 e 1999). Revista brasileira de zoociências. 8(1): 23-33, julho 2006.

LIMA, R. Vida silvestre: o estreito limiar entre preservação e destruição. Diagnóstico do Tráfico de Animais Silvestres na Mata Atlântica – Corredores Central e Serra do Mar. RENCTAS, 1ª ed. Brasília, 2007.

MEDEIROS, L. B., et al. Utilização de prebiótico na alimentação de filhotes de papagaio verdadeiro (Amazona aestiva) em processo de reabilitação.  Archives of Veterinary Science, v. 11, n. 3, p. 62-68, 2006.


ROCHA, F.M. 1995. Tráfico de animais silvestres no Brasil. WWF, Relatório. Brasília. 27p.

SICK, H. Ornitologia Brasileira. 2 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.

MARIA CRISTINA DA SILVA
PR - UMUARAMA

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