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  A PRÁTICA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL ATRAVÉS DO PROGRAMA JOVEM AMBIENTALISTA/CARAJÁS-PA
23/12/2017

RICARDO MATOS DE CARVALHO
PA - PARAUAPEBAS
O presente estudo analisa a elaboração e o desenvolvimento das práticas pedagógicas em educação ambiental através do Centro de Educação Ambiental de Parauapebas, no estado do Pará, por meio do Projeto Jovem Ambientalista.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Meio Ambiente e Biodiversidade
Educação Ambiental


INTRODUÇÃO

 

 

 

Neste trabalho, abordaremos as práticas de Educação Ambiental (EA) do Projeto Jovem Ambientalista (PJA) no município de Parauapebas – PA, região de Caras. O Projeto Jovem Ambientalista é de responsabilidade do Centro de Educação Ambiental de Parauapebas - CEAP. O CEAP é um Programa de Educação Ambiental coordenado e desenvolvido pelo Núcleo de Educação Ambiental da Universidade Federal do Pará – NEAm no Campus de Marabá, estado do Pará. O mesmo é constituído por professores capacitados das áreas de biologia, geologia, agronomia, direito, pedagogia e voluntários. A equipe de execução do Programa CEAP atualmente é formada por dez professores vinculados à Secretaria Municipal de Educação de Parauapebas, dois professores da UFPA e seis estagrios do NEAm/UFPA. O Programa compõe uma Unidade de Educação Ambiental para região Sul e Sudeste do Pará a partir de uma parceria entre o Núcleo de Educação Ambiental do Campus de Marabá/UFPA, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio/Carajás-PA e a Prefeitura Municipal de Parauapebas, voltados para a comunidade estudantil. (MARTINS, 2005).

O Projeto Jovem Ambientalista faz parte de um dos subprogramas do CEAP dentre outros programas importantes de educação ambiental que potencializam o acesso à Floresta Nacional de Caras, como o Projeto Escola Vai a Flona; Projeto Formação de Professores em Educação Ambiental; Projeto de Educação Ambiental para Terceira Idade; Projeto Escola Família Agrícola e o Projeto Curupira. Para este estudo, O PJA foi objeto desta pesquisa.

 

 

REFERENCIAL TEÓRICO

 

 

 

O Planeta Terra atualmente, mesmo com as evoluções políticas a respeito do desenvolvimento sustentável, das práticas conservacionistas e da própria educação ambiental está em crise ambiental. Para Grün (2004) a degradação ambiental tem alcançado níveis jamais vistos, estamos vivendo uma crise ambiental sem precedentes, e que, faz se necessária, portanto, reorientação da atuação humana em relação com o meio ambiente. Em tal contexto, a educação ambiental surge não só como necessidade, mas também como esperança.


Numa concepção epistemológica em relação ao nascimento do humanismo ainda segundo Grün (2004) uma das principais causas da degradação ambiental é identificada no fato de vivermos sob a égide da ética antropocêntrica. No sistema de valores formados em consonância com essa ética, a espécie humana (Homo sapiens) é o centro de todas as coisas. Tudo o mais no mundo existe unicamente em função dele.

A crise ambiental é a crise do nosso tempo e o risco ecológico questiona o conhecimento do mundo. Esta crise se apresenta a nós como um limite no real que re- significa e re-orienta o curso da história: limite de crescimento econômico e populacional; limite dos desequilíbrios ecológicos e das capacidades de sustentação da vida; limite da pobreza e da desigualdade social. (LEFF, 2010).

A preocupação com a questão ambiental está disseminada no mundo hoje em várias áreas, todos têm conhecimento dos problemas ambientais, no entanto, a maioria não se acha responsável pela resolução dos mesmos e apontam sempre um culpado, excluindo a si próprios. Os meios de comunicão trazem todos os dias notícias de alguma problemática ambiental ou, quando ocorrem, catástrofes naturais ou provocadas pelo homem. Veiculam também as atitudes que deveriam ter sido tomadas para se evitar ou minimizar tal situação. Como exemplo, por ocasião da incidência e aproximação de furacões, comenta-se sobre o estado de alerta, as precauções a serem tomadas, os estragos após os mesmos e ainda apontam o culpado pelo aumento da incidência desta tragédia como sendo o aquecimento global. (Leff, 2010).

Dentro deste contexto abordado, se introduz a educação ambiental que, dentre seus marcos históricos, iremos destacar alguns eventos importantes para o desenvolvimento da EA. Em 1972, com a publicação do Relatório Os Limites do Crescimento” produzido pelo Clube de Roma, se estabelecem modelos globais baseados nas técnicas pioneiras de análise de sistemas, projetados para predizer como seria o futuro se não houvesse modificões ou ajustamentos nos modelos de desenvolvimento econômico adotados. No mesmo ano, representantes de 113 países participam da Conferencia da ONU sobre o Ambiente Humano que ocorreu na Suécia, denominada Conferência de Estocolmo. Neste evento é elaborada a Declaração sobre o Ambiente Humano, atendendo à necessidade de estabelecer uma visão global e princípios comuns que serviriam de inspiração e orientação à humanidade, para preservação e melhoria do ambiente humano (BRASIL, 1999).

Posteriormente, em 1975 ocorreu o Encontro Internacional em Educação Ambiental em Belgrado, Iugoslávia, em respostas às propostas e recomendações da


Conferencial de Estocolmo gerando importantíssimo documento para EA que ficou conhecida como a Carta de Belgrado na qual se criou o Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA). Em 1977, em Tibisi realizou-se a Confencia Intergovernamental de Educação Ambiental (Lei Federal nº 9.795/99), preconizando a prática da interdisciplinaridade (BRASIL, 1999).

Na década de 90 o Brasil é palco da Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a ECO 92, com a participação de 170 países. Nessa conferencia, reconhece-se a insustentabilidade do modelo de desenvolvimento” então vigente. O desenvolvimento sustentável é visto como o novo modelo a ser buscado. Nomeia-se a Agenda 21 como um Plano de Ação para a sustentabilidade humana, reconhecendo a EA como o processo de promoção estratégico desse novo modelo de desenvolvimento (BRASIL, 1999).

No ano de 1995 foi instituída a Câmara Técnica de Educação Ambiental no Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA, importante no fortalecimento da Educação Ambiental. Também na década de 90 é promulgada a Lei no 9.795 de 27 de abril de 1999 que é então instituída a Política Nacional de Educação Ambiental - PNEA, que foi regulamentada pelo CONAMA. (BRASIL, 1999).

Segundo Giovanni Seabra, (Organizador do Livro a Educação Ambiental no Mundo Globalizado – Uma ecologia de riscos, desafios e resistência), a Educação Ambiental é Refém do Capital. A Constituição Federal do Brasil define a EA como os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sustentabilidade. O chamado desenvolvimento sustentável, fundado em bases ecológica, econômica, social e cultural requer, sobretudo, sustentabilidade política, ou seja, a democratização dos sistemas políticos, então sustentados pelo sistema econômico- financeiro.

A perspectiva integrada do meio ambiente significa considerar o ser humano e o meio circundante estruturados em círculos conntricos, onde os diferentes meios interagem, abrangendo desde a esfera humana e social até a dimensão planeria e cósmica. Entretanto, A Educação Ambiental, ao ser controlada pelo capital, a priori está longe de se integrar à concepção holística. A EA formal é mecanicista, atomísta e antropocêntrica, contida no contexto do egoísmo e ambiental de humanos. A apropriação da EA pelas grandes corporações implica em projetos, movimentos e ões


ecológicas ineficazes, servindo para encobrir ou justificar os impactos ambientais provocados pelos grandes grupos econômicos, aliados das forças políticas e governamentais. (SEABRA, 2009).

Ainda segundo Seabra (2009), como parte integrante do processo de economização do meio ambiente, os movimentos ecológicos e projetos ambientais recebem apoio e financiamento daqueles que mais degradam o meio ambiente: as grandes corporações nacionais e multinacionais, tanto governamentais como privadas. Este é o princípio do poluidor pagador que move e sustenta a economia e o marketing ambiental. Sob esta ótica, o desenvolvimento sustentável permite poluir e degradar a natureza, desde que haja compensações financeiras. (SEABRA, 2009).

Diante de tais evidencias sustentáveis, que provocam ou agravam os riscos ambientais, o discurso ecológico e a Educação Ambiental são, no mínimo, superficiais. Perante esta força destruidora descomunal em nível global, de nada adianta transferir a responsabilidade ambiental-educativa para o seio familiar, ou para as escolas, se não existe qualquer suporte governamental, empresarial e político para mudança efetiva do crítico quadro ambiental atual. (SEABRA, 2009).

A Educação Ambiental somente apresentará resultados satisfatórios quando houver maior conscientização da sociedade sobre os limites da sustentabilidade, sobretudo aos aspectos econômicos, políticas e sociais que impedem maior equidade social e equilíbrio ambiental. No modelo econômico globalizado a equidade social e econômica é mera utopia, pois o mundo pós-moderno é vorazmente competitivo, socioeconomicamente desigual e extremamente individualista. (SEABRA, 2009).

 

 

MATERIAL E MÉTODOS

 

 

 

O Estudo foi realizado no município de Parauapebas, região de Carajás no Sudeste do Pará, que fica aproximadamente 770 km da Capital de Belém. Limita-se com os municípios de Marabá, Curionópolis, Canaã dos Carajás e Água Azul do Norte. (www.achetudoeregiao2010.com)


Figura 1: Município de Parauapebas e o limite com o Mosaico Carajás3.

 

Disponível em< http://maps.google.com.br/maps?hl=pt-BR&tab=wl >Acesso em 10.10.2011.

 

 

Para a realização deste trabalho, foi elaborado um questionário estruturado em dez questões que se tratou das opiniões dos estudantes que passaram pelo Projeto PJA no período de 2006 a 2011 com abordagem direta através de entrevistas, apontando alguns indicadores como: O Projeto insere caminho de transformações e mudanças de atitudes em relação ao meio ambiente; A proposta de ensino foi satisfatória para aprendizagem; Que fatores contribuíram a chegar à reta final do Curso; Qual seria o maior obstáculo do Curso na opinião dos estudantes; O PJA pode influenciar na escolha profissional do jovem; Quais seriam os pontos positivos e negativos no Curso PJA na visão dos participantes concluintes do PJA.

Participaram da pesquisa 13 exalunos (cnica amostral4) concluintes do

 

PJA que estudaram entre os anos de 2006 a 2010, representando 12,5% de amostra, além de 17 estudantes concluintes do PJA turma 2011 que ofertou trinta vagas.

Para os estudantes que passaram pelo PJA de 2006 a 2010 utilizamos a Técnica Amostral. Segundo Barbetta (2002) essa técnica gera resultados satisfatórios, e o tempo para análise e os custos são menores, tal técnica objetiva estudar grupo pequeno de elementos retirados da população que se pretende conhecer.

Para os estudantes entrevistados, foi esclarecido o objetivo da Pesquisa e a importância do Projeto e como este seria realizado. Logo depois, foi entregue o termo de consentimento e livre esclarecimento para que os mesmos assinassem e se habilitarem a participarem da pesquisa. Após concluirmos a realização das entrevistas com os estudantes, foram organizados e tabulados os dados sobre as opiniões dos alunos a respeito do método de EA desenvolvido pelo Centro de Educação Ambiental de Parauapebas, através do PJA.

Nesse sentido, iremos buscar indagar algumas reflexões para as práticas da EA através do PJA. Por meio destes indicadores, fomentamos algumas impressões sobre as práticas da EA do CEAP.

 

 

 

 

 

 

3  Mosaico é o termo definido pelo (SNUC Lei Federal: 9985/2000) – Sistema Nacional de Unidades de Conservação em seu Art. 26

- Quando existir um conjunto de unidades de conservação de categorias diferentes ou não, próximas, justapostas ou sobrepostas.

4  A opção pela técnica de amostragem deve ao fato de que grande parte dos egressos já não reside mais em Parauapebas ou

impossibilidade de localização dos mesmos.


De acordo com Pelicioni (1998) todo processo educativo deve comar por um diagnóstico a respeito das referências (idéias prévias) e das práticas das pessoas para as quais o processo se volte.

Esta Pesquisa assume a abordagem investigativa do projeto jovem ambientalista por meio da vertente sócio-construtivista que, segundo Robottom & Hart (1993), objetiva desenvolver postura crítica com argumentos, procedimentos e linguagem, emancipação de atores, críticas das desigualdades, enfim praxis para transformação e mudanças de atitudes.

No enfoque metodológico do ensino a concepção de ambiente através da educação ambiental, implícita ou explícita, passa a contribuir no que chamamos de exercício da cidadania. Diante desse pressuposto, a EA se faz, quando levamos em conta a concepção das pessoas acerca do meio ambiente, no sentido de um programa de “construção de conhecimento que fomente a necessidade de modificação de valores e de condutas p-ambientais de forma crítica e responsável” (REIGOTA, 1994, p.82).

Os sujeitos da pesquisa são estudantes oriundos do ensino médio público, na faixa eria de 15 a 18 anos de idade. A formação acontece anualmente oferecendo trinta vagas, sendo uma turma/ano, além de cinco (5) vagas para monitores que são selecionados entres os estudantes que fizeram parte de turmas anteriores. O PJA acontece no horário da manhã, no entanto, pode se estender para o turno da tarde, caso haja prática de campo. O PJA possui uma carga horária total de 240 h desenvolvida em dez meses.

 

Elementos que são estudados no escopo5 do PJA:

     Ecogicos (interações, interdependências e inter-relações);

     Sócio-culturais (problemas regionais e impactos socioambientais);

     Biológicos (microbiologia, bonica, evolução);

     Antropogicos (relação homem e ambiente);

     sicos (incluindo clima, água, solo, relevo e dimensões);

     Territorial  e  Geogfico  (Paisagem  natural,  paisagem  antropizada,  ocupação  desordenada, saneamento básico, mananciais, tratamento de esgoto, lixo).

 

Para esse escopo o PJA acontece da seguinte forma:

 

ETAPA

Descrição das atividades do PJA

Tempo ou duração

Fase Inicial de nivelamento

Desenvolvido nos dois 1º meses;

Prática de campo

De maior duração – seis meses;

Apresentação     de     resultados     numa

Jornada de EA nas escolas.

Etapa final – dois meses.

Tabela 01: Desenvolvimento das práticas em EA do PJA. (Fonte: CEAP)

 

 

 

5 Escopo é o termo empregado no sentido da totalidade do trabalho no complemento e descrição de um projeto.


Considerando a metodologia o programa CEAP assume como diretrizes uma visão que concebe a Natureza como o todo, formada por elementos bióticos e abióticos inter-relacionados e interdependentes, os quais compõem sistemas naturais integrados (MARTINS, 2005). O CEAP adota a metodologia interdisciplinar com base na diversidade e complexidade dos processos que intervêm na problemática ambiental, que exigem a necessidade de integrar diversos campos do conhecimento científico, tecnológico e filosófico para diagnóstico e para a compreensão do problema ambiental. Esta visão do problema se afina com o ponto de vista de Leff (1998), segundo o qual as práticas interdisciplinares, são necessárias para o diagnóstico da articulação dos efeitos gerados pela convergência de fenômenos naturais, de fatores tecnológicos, de mecanismos econômicos e de condições políticas e institucionais sobre a problemática ambiental.

Do ponto de vista psicopedagógico, o CEAP adota o princípio construtivista que compreende a aprendizagem como a construção do indivíduo em processo de natureza dinâmica e interativa, mediado pelo meio sócio-cultural em que este se desenvolve, ou seja, fruto da relação indivíduo – ambiente social e não social (SCHNETZLER, 1992; MATUÍ, 1995).

Do ponto de vista político-pedagógico o CEAP adota a perspectiva da Educação Ambiental Crítica que, segundo Guimarães (2004) e Carvalho (2004), elegem como objetivo processo educativo em que educandos e educadores estão ambos em formação e contribuindo, pelo exercício da cidadania ativa na transformação da grave crise socioambiental.

 

 

JOVEM AMBIENTALISTA NA PRÁTICA: APROXIMAÇÕES

 

 

 

Após análise dos dados, observa-se que na visão de cem por cento 100% dos estudantes entrevistados, num universo de trinta (30), reconhecem que adquirem a mudança de comportamento e atitudes ao participarem do Projeto PJA. Destes, 66,66% atribui visão crítica diante do Programa; 16,66% visão do meio ambiente como um todo, e 16,66% apresentam visão socioambiental.

Considerando os dados apresentados com análise nas entrevistas e depoimentos dos estudantes do PJA, estas se aproximam dos Princípios do Projeto CEAP. A visão crítica do meio ambiente visa à concepção política. A visão de meio ambiente  como  um  todo  se  refere  a  enxergar  todos  os  fatores  do  meio  ambiente


(bióticos e abióticos) interligados e interdependestes chamados de sistema funcional, ou seja, a produtividade e transformação da matéria em energia (no meio ambiente tudo está em transformação). Já para a visão socioambiental, os estudantes consideram que todos os problemas ambientais não são específicos apenas da natureza, mas também, do meio social.

Diante desse contexto, somos levamos a acreditar que com os estudos teóricos e as práticas de campo desenvolvidas pelo Projeto PJA, os alunos apresentam mudança de comportamento, resgate da cidadania. Concordando com Pereira (2008) e Dias (2003) além de perceber as mudanças de atitudes com o ambiente, é fundamental que o estudante se perceba no seu tempo e no seu espo e compreenda a importância de se re-estabelecer relação horizontal entre homem-sociedade-natureza-homem, num processo dinâmico e crítico. Nesse estudo, foi possível perceber as mudanças de comportamentos e atitudes dos Jovens Ambientalistas através das práticas ambientais. Essa mudança tem que começar dentro de cada um, com a revisão de hábitos, tendências e necessidades; e através da adoção de novos comportamentos. Desta forma, pode-se contribuir para que se diminua a degradação ambiental e se promova a qualidade de vida. (DIAS, 2003).

Segundo Jonas (1995), a aprendizagem ambiental impulsiona a reflexão pedagógica a implicar-se nos debates éticos e culturais que afetam a cidadania pós- industrial e seus desafios de construir a ética de responsabilidade diante dos problemas ecológicos que coloram em risco a sustentabilidade ambiental, social e econômico do Planeta.

Por conseguinte, em relação à metodologia aplicada no Projeto PJA, perguntamos se a mesma seria considerada satisfatória na visão dos estudantes, 83% responderem que sim devido não se restringir somente a conteúdos teóricos, mas também, oficinas e práticas de campo, 17% afirmaram que a metodologia precisa melhorar.

Trabalhar pedagogicamente a razão (cognitivo) e a emoção (afetivo) são essenciais na motivação dos educandos, mas não são por si só suficientes para moverem os educandos a transformarem as suas práticas individuais e coletivas. Planejar ões pedagógicas em que as práticas sejam viabilizadas torna-se fundamental na perspectiva crítica e, de certa forma, isso também já vem sendo difundido no contexto escolar a partir da proposta dos projetos pedagógicos. (GUIMARÃES, 2004). Nestes, o tema meio ambiente tem sido um dos “carros chefes. No entanto, esses projetos de educação


ambiental, na maior parte, tendem a reproduzir práticas voltadas para a mudança comportamental do indivíduo, muita das vezes, descontextualizada da realidade socioambiental em que as escolas estão inseridas, permanecendo assim preso à “armadilha paradigmática”. Contudo, entendemos que as ões pedagógicas de caráter crítico exercitam o esforço de ruptura com a armadilha paradigmática, busca propiciar a vivência do movimento coletivo conjunto gerador de sinergia, estimula a percepção e a fomentação do ambiente educativo como movimento, incentiva a coragem da renuncia ao que está estabelecido, ao que nos dá segurança, e a ousadia para inovar (GUIMARÃES, 2004).

A experiência e os exemplos obtidos de trabalhos desenvolvidos através da abordagem prática pedagógica por meio de Projetos em EA que resgatem uma visão holística do meio demonstram a validade e a eficiência desta metodologia, principalmente por que envolve mais os estudantes. (TOMAZELLO, 2001). Logo, o Programa CEAP, através do Projeto Jovem Ambientalista, chamado de PJA pode ser considerado importante no fomento e desenvolvimento das práticas em EA, mesmo com público específico (15 a 18 anos de idade) e direcionado exclusivamente para estudantes do ensino médio público faz a diferença na vida dos mesmos, pois, direciona uma construção de conhecimento ou saberes ambientais.

Para Fazenda, quando se trabalha num projeto de forma interdisciplinar, não se ensina, nem se aprende: vive-se, exerce-se. A responsabilidade individual é a marca do projeto interdisciplinar, mas essa responsabilidade está imbuída do envolvimento – envolvimento esse que diz respeito ao projeto em si, às pessoas e às instituões a ele pertencentes. (1991, p.93)

 

 

 

Com relação aos fatores que contribuíram para o estudante não evadir do Projeto, perguntamos para os que concluíram o que ajudou a permanecer no Curso até o término do mesmo, uma vez que, a maioria é de baixa renda, e o Programa CEAP, não fornece nenhuma bolsa de estudos. Com base nas entrevistas, 40% afirmaram que ficaram por que adquiriram visão crítica do ambiente, e que fizeram esforço para continuarem no PJA mesmo com as dificuldades, 30% responderam que não desistiram do Curso por questões de afinidade, 30% atribuíram à Prática de Campo e ao método de Ensino. Das trinta vagas ofertadas no PJA 2011, segundo as análises das freqüências dos estudantes, obtivemos o total de 43,33% de evasão em 2011.

Investigando sobre os obstáculos ou dificuldades enfrentadas por esses estudantes, que participaram do PJA, 40% deles responderam que tiveram dificuldade


financeira no custeio das passagens ao se deslocarem para as aulas, 30% disseram que moravam longe do local das aulas, logo, atribuíram como dificuldade a distância e o deslocamento, 17% colocaram a estrutura de recursos oferecida pelo CEAP como insuficiente e 13% responderam como dificuldade o relacionamento pessoal e conflitos de idéias com os colegas de turma. Nesse sentido, acreditamos na necessidade em se discutir alternativas com o poder público e/ou privado de apoio financeiro aos estudantes deste Projeto do Programa CEAP/PJA.

Carvalho (2004) coloca que a EA constitui uma arena, um espo social que abriga uma diversidade de práticas de formação de sujeitos através das práticas de educação ambiental. De acordo com Dias (2003), a EA deveria se constituir como prática permanente e interdisciplinar minimizadora dos problemas ambientais, e integradora das práticas sociais por meio dos conhecimentos construídos através da EA. (PELICIONE, 1998) considera que a EA possibilita o desenvolvimento e a escolha de estratégias de ação que possam contribuir para a formação da cidadania e para a melhoria da qualidade de vida da população através de mudanças de comportamentos e atitudes por meio da educação ambiental.

Num outro estudo, também referente ao PJA, Matos (2010), investigando às principais causas da evasão, encontrou 78% dos estudantes do Projeto em turmas anteriores (2006 a 2010) desistiram por motivos financeiros, 15% por motivo de trabalho e 7% falta de afinidade. Logo, a existência de uma bolsa de estudos, torna-se importante no apoio para esse Programa, pois, pode refletir positivamente na procura e permanência do estudante em programas educacionais complementares à formação escolar, uma vez que são estudantes de baixa renda.

O Projeto Jovem Ambientalista em seis anos de existência, apesar de prever bolsa de estudos, nunca se consolidou de fato a parceria entre as instituições públicas ou privadas em apoiar financeiramente o Projeto tão importante para o município de Parauapebas, os financiamentos são importantes por dar condições melhores, mas não podem decidir regras de como trabalhar a EA.

Para Seabra (2009) a apropriação da EA pelas grandes corporações implica em projetos, movimentos e ões ecológicas ineficazes, servindo para encobrir ou justificar os impactos ambientais provocados pelos grandes grupos econômicos, aliados das forças políticas e governamentais.

Contudo, não é o caso do Projeto Jovem Ambientalista, Projeto de Educação Ambiental que busca discutir e inserir nos estudantes visão holística e sistêmica (ou


seja, instiga o aluno a enxergar o meio ambiente como todo e todos os organismos vivos e não vivos interligados e interdependentes) do meio, que são pertencentes aos princípios deste Projeto. Nesse sentido, somos levados a refletir que o obstáculo crucial é inexistência de bolsa no Programa PJA. Provavelmente, a garantia de bolsa, não resolveria na totalidade as causas da evasão, mas, diante dos depoimentos dos estudantes que evadiram, minimizaria esse problema sobremaneira.

 

 

Perspectivas

 

Por conseguinte, ainda dentro dessa discussão, ao fazermos um levantamento de assiduidade dos estudantes do PJA 2011, construímos um gráfico em linha, levantando o percentual de alunos evadidos.

 

35

30

25

20

15                                                                                                                                                                                                       Freqncia

10                                                                                                                                                                                                       Colunas1

5                                                                                                                                                                                                      Colunas2

0

 

 

 

 

Figura 02 – índice de freqüência (março a novembro) do Projeto PJA turma 2011.

Fonte: CEAP.

 

 

Para a análise do gráfico, considerando que o Projeto ofertou trinta vagas para o ano de 2011, no final do curso obtivemos o total de 43,33% de evasão, representando quase 50% de estudantes desistentes. Ressalta-se que o CEAP passou por um processo de troca de instrutores no 2º semestre do mesmo ano, isso pode estar correlacionado, no entanto, essa investigação não é objeto deste estudo.

Investigando também na visão dos estudantes entrevistados, o que eles consideravam como pontos positivos e negativos após terem concluído o Curso construímos a seguinte tabela:

 

Pontos positivos

%

Pontos negativos

%

Ensino Diferenciado

26,66%

Sem apoio de recurso financeiro

40%

Visão Crítica

40%

Atraso constante nas aulas

33,33%

Conteúdo Trabalhado

33,33%

Desistência dos estudantes

26,66%

Tabela 02: Principais aspectos Positivos e Negativos do PJA.

Fonte: Pesquisa de Campo (entrevista) – 2º semestre 2011.


 

Para a conclusão dos dados coletados nesta Pesquisa, analisando as práticas em EA através do Projeto PJA perguntamos aos estudantes, se o curso iria lhe influenciar na escolha profissional futura. Considerando que 83% dos estudantes entrevistados afirmaram que após terem passado pelo PJA se identificaram com o perfil ambiental, refletindo positivamente e ajudando na identificação do perfil profissional, estreitando as relações de visões nas aptidões para as escolhas profissionais. Matos (2010), na investigação quantitativa dos rendimentos dos Jovens Ambientalista de (2006 a 2010) em relação à escolha profissional, 20% deles estão na Universidade em áreas afins, 16,5% no mercado de formação profissional, 44,5% trabalhando e 19% estão ociosos para o mercado de trabalho ou para adentrarem na universidade (Para esse dado foram investigados noventa e seis estudantes egressos concluintes do PJA na totalidade). (MATOS, 2010).

Para Dias (2004), a EA deve promover o desenvolvimento de conhecimentos, atitudes e habilidades para preservação e melhoria da qualidade ambiental só se consegue tal intento com a participação comunidade de forma articulada e consciente para gerar atitudes capazes de afetar os comportamentos. Na concepção de Dias (2004) e considerando os dados apresentados, o PJA promove o conhecimento, contribui de alguma forma em suas práticas ambientais no presente e futuro na ajuda em se identificar num perfil profissional e visão crítica de mundo.

Segundo Melazo (2005), o ambiente natural, assim como os ambientes construídos, é percebido de acordo com os valores e as experiências individuais dos homens onde são atribuídos valores e significados em determinado grau de importância em suas vidas. Assim, o PJA resgata os valores dos alunos, e promove experiência através do discurso crítico da relação homem x ambiente, respeitando as vivências e culturas e integrando-as nas práticas educativas.

Ainda segundo Melazo (2005), a percepção ambiental não se trata apenas de a percepção sensorial, estabelecida pelos sentidos, mas envolve outras formas de perceber e interpretar o ambiente vivido. É dessa maneira, que o PJA visa construção do conhecimento e da consciência ecológica que é necessária adquirir a percepção ambiental, a vivenciar com a natureza, proporcionando o envolvimento do jovem, estimulando a entender a importância da relação com o meio ambiente. (MELAZO, 2005).


 

 

Ao acompanharmos as etapas relacionadas ao desenvolvimento das aulas teóricas e práticas por meio de observações e, logo depois, configurando o estudo das análises dos dados expostos neste estudo constata-se que os estudantes do PJA conseguem desenvolver a visão crítica do meio ambiente, no entanto, como chama atenção Guimarães (2004) às ões pedagógicas desenvolvidas por projetos, apesar dos bons resultados ou de desenvolvimento, não resultam automaticamente em ação diferenciada, é necessária a práxis, em que a reflexão subsidie a prática criativa e essa prática dê elementos para a reflexão e construção de nova compreensão de mundo. Logo, é importante o acompanhamento após o curso desses estudantes formados para que os mesmos fortaleçam valores éticos e ambientais. Em relação às atitudes e comportamentos dos estudantes, estes refletiram positivamente em práticas no dia-a-dia identificado nos depoimentos. As aulas práticas no meio urbano e florestal foram apontadas pelos Jovens ambientalistas como diferencial de ensino, proporcionando contato mais próximo com a natureza, resgatando nos Jovens a visão crítica dentro dos aspectos socioambientais.

Em relação aos indicativos analisados o que mais chamou atenção e que é considerado crítico neste estudo, e pode ter refletido para quase 50% de evasão na turma de 2011, e em turmas anteriores foi à inexistência de apoio financeiro aos estudantes inseridos no Projeto PJA.

O curso também, para a maioria dos estudantes, direciona melhor para a escolha do perfil profissional, mais afeto às áreas ambientais. Diante dos resultados, ressaltamos a relevância do Projeto para a região de Carajás, pois, formam multiplicadores em EA. Mas após esta fase, podeamos sugerir a formação de rede de educadores ambientais. Sabemos que os projetos que fomentam a EA no Brasil e no Mundo não irão resolver o problema, mas apontam alternativas eficazes na quebra de paradigmas. Portanto, a semente é plantada, regada e alimentada, acreditamos que isso possa fazer a diferença.


 

 

ACHETUDOEREGIAO.    Disponível     em     <http://www.achetudoeregiao.com.br/pa/ Parauapebas/localizacao.htm. > Acesso em: 18 out. 2011.

BARBETTA P. A. Técnicas de amostragem/Ed. UFSC, 5ª Edição, 2002.

 

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          Educação Ambiental: a formação do sujeito ecológico. São Paulo:Cortez. 2004. DIAS, G, F. Educação ambiental: princípios e práticas, 9. Ed. 551 p. São Paulo: Gaia, 2004.

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GRÜN,  M.  2004.  Ética  e  Educação  Ambiental:  a  conexão  necessária.   edição, Campinas, SP. Papirus. 120p.

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RICARDO MATOS DE CARVALHO
PA - PARAUAPEBAS

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