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  BIOSSEGURANÇA EM LABORATÓRIO FÍSICO-QUÍMICO E BACTERIÓLOGICO DE ÁGUA
23/05/2014

GILMAR SANTANA LIMA
MA - AÇAILANDIA
O artigo tem como finalidade colaborar com a literatura, a respeito de um tema com pouco estudo na área, objetivando também contribuir com discussões relacionadas às normas de biossegurança com foco em profissionais que atuam em laboratório de água.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Biotecnologia e Produção
Biossegurança


1.    INTRODUÇÃO

 

 

O presente artigo tem por finalidade contribuir com a literatura acerca de um assunto o qual há pouco estudo na área, assim também objetiva colaborar com as discussões relacionadas às normas e medidas que reduzam a exposição a riscos que afeta a saúde do trabalhador de laboratório físico químico e bacteriológico de água, sob normalização que rege os procedimentos de manuseio de equipamentos de proteção individual (EPI) equipamento de proteção coletiva (EPC) e demais profissionais que manipulam substâncias químicas e/ou espécimes biológica, analisando os riscos ocupacionais e as condições de trabalho que encontram-se os mesmos.

Propõe também relacionar os tipos de riscos pertinentes ao âmbito laboratorial, assim como definir as vias de introdução desses agentes químicos e patogênicos dentro do organismo humano e dentro dessas perspectivas estimular as boas práticas afim de auxiliar na redução dos acidentes e promoção da saúde dentro do laboratório.

A Biossegurança é o conjunto de procedimentos, ações, técnicas, metodologias, equipamentos e dispositivos capazes de eliminar ou minimizar riscos inerentes às atividades de pesquisa, produção, ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços, que podem comprometer a saúde do homem, dos animais, do meio ambiente ou a qualidade dos trabalhadores desenvolvidos (TEIXEIRA & VALLE, 1996).

O comportamento imprevisível e variado das doenças infecciosas tem preocupado e acarretado uma série de discussões referente às condições de biossegurança nas instituições de ensino, de pesquisa e prestação de serviços. O profissional responsável por análises físico químico e bacteriológico de água encontra-se exposto a alguns riscos pertinente ao local de trabalho, sendo riscos biológicos, químicos e de acidentes, os quais mais acometem essa classe de trabalhadores.

As medidas de biossegurança devem ser adotadas por laboratórios e associada a um plano de educação, com base nas normas nacionais e internacionais de transporte, conservação e manipulação de micro-organismos patogênicos, garantindo assim a segurança e integridade vital dos funcionários.

A biossegurança tem o papel fundamental na promoção à saúde, uma vez que aborda medidas de controle de infecção para proteção dos funcionários que atuam na rede laboratorial, além de colaborar para a preservação do meio ambiente, no que se refere ao descarte de resíduos proveniente desse ambiente, contribuindo para a redução de riscos à saúde.

A sala de ensaio de análise de bacteriologia realiza diariamente 60 ensaios de amostras de água da categoria rede de distribuição e Estação de Tratamento de água. Conforme legislação vigente é realizada determinação em amostras de água tratada ensaios de contagem de bactérias do grupo Coliforme Total, Eschericcia Coli e bactérias heterotróficas que visam garantir a qualidade da água fornecidas a toda a localidade abastecidas pela Embasa.

Para garantir a confiabilidade dos resultados de ensaio analíticos são realizado teste de qualidade em vidrarias, acessórios, meios de cultura, equipamentos de analise e insumos de modo a garantir que o resultado das análises represente um valor verdadeiro e que este seja informações que permita a tomada de decisões gerenciais.

A sala de ensaio de análise físico-química realiza diariamente 60 ensaios de amostras de água da categoria rede de distribuição e Estação de Tratamento de água. Conforme legislação vigente é realizada determinação em amostras de água tratada e bruta, ensaios de cor aparente, turbidez, pH, fluoreto que visam garantir a qualidade da água fornecida a toda a localidade abastecidas pela Embasa.

A sala de físico-química também mantém um controle de qualidade rigoroso de seus equipamentos analíticos por meio de calibrações periódicas realizadas por empresas credenciadas junto a INMETRO que asseguram a confiabilidade e a precisão destes equipamentos durantes os ensaios físico-químicos. Também, são realizadas aferições diárias com padrões secundários em todos os equipamentos a fim de assegurar ainda mais que a precisão de seus resultados na determinação final do analítico. 

Para garantir a confiabilidade dos resultados de ensaio analíticos são realizado teste de qualidade em vidrarias, acessórios, meios de cultura, equipamentos de analise e insumos de modo a garantir que o resultado das análises represente um valor verdadeiro e que este seja informações que permita a tomada de decisões gerenciais.

Existem situações potenciais de acidentes em laboratórios, pois nele há manipulação de agentes químicos corrosivos, inflamáveis, tóxicos, mutagênicos, teratogênicos e cancerígenos, que podem acarretar dermatoses, leucopenias, plaquetopenias, leucemia, silicoses, além de contaminações por agentes patogênicos em amostras de água ou esgoto contaminado, como o vírus da hepatite A e E, poliomielite, Norwalk, rotavírus, enterovírus e adenovírus e por bactéria do tipo: salmonella typhi, salmonela parathyphi A e B, shigella sp, vibrio cholerae, escherichia coli enterotóxica, campylobacter, yersínia enterocolítica e salmonela sp.

Regulamentada a Lei nº 8.974, de 5 de janeiro de 1995, sobre as normas de biossegurança, pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CNTBio, o Brasil mostrou uma preocupação voltada aos laboratórios e sua segurança, pois além da grande exposição a agente químicos que recebemos no dia a dia contido na água, no ar e nos alimentos que são tratados com inseticidas e herbicidas, o trabalhador laboratorial recebe uma carga maior de agentes devido a exposição diária numa jornada de trabalho de 8 horas diárias.

Infelizmente, ainda há muitas dificuldades nos departamentos de segurança das empresas para atuar nos laboratórios devidos a alta complexidade de produtos e operações existentes nesses locais. Assim, os profissionais que atuam nesses ambientes tem a obrigação de buscar melhorias e condições possíveis de trabalho para tentar amenizar os riscos e prolongar a expectativa de uma vida longa e saudável.

 

2.    CAMINHOS METODOLÓGICOS

 

Este artigo trata-se de um estudo de revisão bibliográfica, que tem como finalidade analisar as publicações referentes à biossegurança em laboratórios. Dessa forma, foi utilizado diversos artigos de cunho científico, pesquisados na plataforma scielo (Scientific Electronic Library Online) e em manuais de cursos de biossegurança em laboratórios de química, biomedicina, microbiologia e manual de procedimentos de análise de água.

Sendo obtidos 4 artigos com a temática biossegurança, 4 manuais, sendo 3 de normalização de biossegurança e 1 manual de análise de água da FUNASA, 2 livros que retrata a temática biossegurança em laboratórios de biomedicina e métodos para formação do profissional em laboratório de saúde e normas regulamentadoras de biossegurança pela pesquisa bibliográfica, sendo absorvidos e compactados apenas o que se refere a equipamentos de proteção individual e coletiva, transporte, manuseio, armazenamento, descarte, riscos e jornada de trabalho.

Foram extraídas as técnicas de manuseio referentes apenas a laboratórios físico-químicos e bacteriológicos, pois os trabalhos publicados se referiam a laboratórios microbiológicos e químicos, porém as práticas e alguns utensílios são comuns em todos. 

Segundo Lakatos e Marconi (1987, p. 66) a pesquisa bibliográfica trata-se do levantamento, seleção e documentação de toda bibliografia já publicada sobre o assunto que está sendo pesquisado em livros, enciclopédias, revistas, jornais, folhetos, boletins, monografias, teses, dissertações e material cartográfico. Pretende-se, assim, colocar o pesquisador em contato direto com todo material já escrito sobre o mesmo.

 

3.    FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

 

A biossegurança pode ser entendida como métodos de união de ações no que diz respeito a prevenção e a segurança da vida, na qual inclui-se procedimentos de armazenamento, esterilização, proteção individual e coletiva, normas para evitar acidentes. Segundo MOLINARO (2009), é definida como um conjunto de estudos e ações destinados a prevenir, controlar, reduzir ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam comprometer a saúde humana, animal, vegetal e o meio ambiente.

O laboratório pode ser considerado um ambiente complexo, o qual é composto por pessoas, regentes, soluções, microorganismos, papéis entre outros, favorecendo , muitas vezes, a ocorrência de acidentes. Para que funcione de forma adequada e segura, torna-se necessário: disciplina, ética, adesão às normas e legislação, pois a ausências desses fatores em um ambiente extremamente hostil, torna-se vulneráveis aos riscos que permeiam esse local.

O profissional ao abrir um frasco de reagente químico ocorre a emissão de vapor ou ao analisar amostras a depender do tipo de análise, poderão se contaminar lentamente através da respiração, contato com a pele (cutânea) ou via oral. Dessa forma, apesar de aparentemente o trabalhador não sentir a gravidade do problema, tempos depois poderá sofrer intoxicação crônica ou aguda, que ocorrerá num longo ou a curto período de exposição.

 

Embora o operador não sinta a gravidade do problema num período inicial, após algum tempo poderá sofrer uma intoxicação crônica, que é a que se dá num longo período de exposição. Diversos serão os sintomas que poderão se apresentar e difícil será fazer um diagnóstico de qual ou quais agentes químicos estão causando o problema, para cada indivíduo. Temos outros casos em que, por um acidente no laboratório, ou uma operação realizada sem os devidos cuidados ou sem o uso dos equipamentos de proteção, o operador se expõe a uma concentração elevada de um agente químico tóxico por curto período de tempo. É o que chamamos de intoxicação aguda. Neste caso é mais fácil para o médico diagnosticar o problema, apesar de muitas vezes ser ainda mais grave, podendo levar o indivíduo à morte (FERREIRA, 2008).

 

 

A probabilidade de acontecer um acidente ou doença ocupacional, pode ocorrer devido ao desconhecimentos dos riscos, falta de atenção, imprudência e ao stress cotidiano, assim como pode também diminuir quando há um conhecimento prévio do risco, atenção, destreza e cumprimento das regras de segurança.

Os métodos de segurança que são utilizados durante a manipulação de materiais infecciosos dentro de laboratório, é descrito como “contenção”, tendo como objetivo principal a redução ou minimização de exposição a riscos dos profissionais que atuam no ambiente quanto aos que trabalham próximos, seja na bancada ou com o que faz a limpeza do local. Para isso, torna-se necessária uma análise dos riscos e das atividades a serem desenvolvidas no espaço, isto é, os agentes químicos e biológicos a serem manipulados.

Afim de que a contenção exerça sua função dentro do laboratório é imprescindível o conhecimento acerca do manuseio dos equipamentos de proteção individual (EPI) e equipamentos de proteção coletiva (EPC) e disponibilidade dos mesmos para a sua utilização. Esses equipamentos de proteção tratam-se de barreiras primárias que protegem a integridade física e a saúde do profissional quanto o ambiente em que atua. Tais dispositivos individuais para MOLINARO (2009) no livro conceitos e métodos para a formação de profissionais em laboratórios de Saúde, são:

 

·         Protetores faciais - Oferecem uma proteção à face do trabalhador contra risco de impactos (partículas sólidas, quentes ou frias), de substâncias nocivas (poeiras, líquidos e vapores), como também das radiações (raios infravermelho e ultravioleta, etc.).

·         Protetores oculares - Servem para proteger os olhos contra impactos, respingos e aerossóis. É importante que sejam de qualidade comprovada, a fim de proporcionar ao usuário visão transparente,sem distorções e opacidade.

·         Protetores respiratórios - São utilizados para proteger o aparelho respiratório. Existem vários tipos de respiradores, que devem ser selecionados conforme o risco inerente à atividade a ser desenvolvida. Os respiradores com filtros mecânicos, por exemplo, destinam-se à proteção contra partículas suspensas no ar, os com filtros químicos protegem contra gases e vapores orgânicos.

·         Protetores auditivos - Usados para prevenir a perda auditiva provocada por ruídos. Devem ser utilizados em situações em que os níveis de ruído sejam considerados prejudiciais ou nocivos em longa exposição.

·         Luvas - Previnem a contaminação das mãos do trabalhador ao manipular, por exemplo, material biológico potencialmente patogênico e produtos químicos.

·         Jalecos - São de uso obrigatório para todos que trabalham nos ambientes laboratoriais onde ocorra a manipulação de microrganismos patogênicos, manejo de animais, lavagem de material, esterilização, manipulação de produtos químicos. Devem ser de mangas compridas, cobrindo os braços, o dorso, as costas e a parte superior das pernas.

·         Calçados de segurança - São destinados à proteção dos pés contra umidade, respingos, derramamentos e impactos de objetos diversos, não sendo permitido o uso de tamancos, sandálias e chinelos em laboratórios.

 

Os equipamentos de proteção coletiva tem a função de proteger o ambiente e a saúde dos laboratoristas, além da integridade dos mesmos. São eles as cabines de segurança biológicas, capelas de exaustão química, extintores de incêndio, chuveiro de emergência e lava-olhos.

A Norma Regulamentadora (NR-9) no iten 9.1.5 considera os riscos ambientais, os agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do trabalhador.

Outro fator importante no que se refere aos profissionais de laboratórios são os riscos de se contaminar durante as atividades exercidas no âmbito de trabalho, isso inclui o modo de transmissão de agentes biológicos e vias de penetração, que pode ocorrer por via área, esta relacionada à pipetagem, flambagem de alça de platina e abertura de recipientes em geral, via oral, ocorre principalmente com procedimentos errôneos tipo a pipetagem com a boca, consumir alimentos dentro no laboratório e inserção de utensílios na boca tipo, caneta ou lápis e projeção de gotículas na boca, via cutânea, que pode ocorrer por vidraria quebrada contaminada, arranhões ou picadas de insetos e ocular por deposição de gotículas e aerossóis.

Apesar dos riscos ambientais serem os que mais acometem essa classe de trabalhadores, um fator que compromete a saúde do profissional é o risco ocupacional devido a uma longa jornada de trabalho enfrentada no dia-a-dia.

Para Mauro et al(2004), o trabalho desempenha uma função importante na vida do homem e preenche alguns objetivos, tais quais: respeitar a vida e a saúde do trabalhador, priorizando o problema da segurança e da salubridade dos locais de atividade laboral; deixar-lhe tempo livre para o descanso e lazer, destacando-se a questão da duração dessa jornada e de sua coordenação para a melhoria das condições de vida fora do local da atividade ocupacional; e deve permitir ao trabalhador sua própria realização pessoal, ao mesmo tempo em que presta serviços à comunidade, considerando o problema do tipo de atividade e da organização do trabalho.

Um dos grandes problemas inerentes aos riscos dentro de um laboratório, além dos mecanismos tecnológicos para minimização e eliminação desses riscos é o comportamento dos profissionais. É impossível não relacionar os risco ambientais com as boas práticas exercidas pelos mesmos, pois não adiante haver mecanismos super avançados para esterilização se o profissional não higieniza as mãos de forma adequada ou mesmo descarta o lixo no local correto.

 

As Boas Práticas de Laboratório (BPL) são definidas pela Organization for Economic Co-operation and Development (OECD) como um sistema da qualidade relativo ao processo organizacional e às condições sob as quais estudos não-clínicos, ou seja, estudos biomédicos não realizados em humanos, referentes à saúde e meio ambiente, são planejados, realizados, monitorados, registrados, arquivados e relatados (BRASIL, 2005)

 

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), as boas práticas em laboratórios (BPL) objetiva avaliar o potencial de riscos e o nível de toxidade dos produtos visando a promoção a saúde humana, animal e meio ambiente. Portanto a não utilização de forma adequada das BPL, pode ocasionar riscos iminentes do âmbito laboratorial.

Com o intuito de garantir a aplicação dos princípios das BPL, um dos instrumentos utilizados nos laboratórios são os Procedimentos Operacionais Padrão (POP), para MOLINARO (2009), trata-se de um documento visando padronizar e minimizar a ocorrência de desvios na execução das atividades e garantir a qualidade do serviço prestado.

Ainda na perspectiva da proteção do profissional que atua em laboratórios físico-químico e bacteriológico, é importante salientar sobre o armazenamento de forma adequada dos materiais, e assim algumas regras devem se estabelecer e cumpridas de maneira fidedigna, garantindo assim a integridade desse profissional. Cada material deve haver um local especifico e identificado para armazenagem e ainda estabelecer um sistema de identificação e codificação de cada produto.

Em todo laboratório é imprescindível à sinalização no intuito de facilitar aos usuários e advertir quanto aos potenciais de riscos, também é considerado esse processo de sinalização como uma barreira primária das medidas de contenção. Para MOLINARO, 2009, a utilização de cores não dispensa o emprego de outras formas de prevenção de acidentes. O uso das cores deve ser feito de modo criterioso, a fim de não ocasionar distração, confusão e fadiga ao trabalhador, sendo:

 

  • Vermelho: Usada para distinguir e indicar equipamentos e aparelhos de proteção e combate a incêndio. Pode ser usada excepcionalmente também com sentido de advertência de perigo, como em botões interruptores de circuitos elétricos para paradas de emergência, etc.
  • Amarela: Em canalizações, deve ser empregada para identificar gases não liquefeitos. Também pode ser empregada para indicar cuidado, assinalando, por exemplo, meios-fios, corrimãos, cavaletes, etc.
  • Branca: Empregada em passarelas e corredores de circulação, localização de bebedouros, coletores de resíduos, áreas destinadas à armazenagem, zonas de segurança, etc.
  • Preta: Será empregada para indicar as canalizações de inflamáveis e combusteis de alta viscosidade, como óleo lubrificante, asfalto, óleo combustível, alcatrão, piche, etc. Poderá ser usada também em substituição ao branco ou combinado a este, quando condições especiais o exigirem.
  • Azul: Utilizada para indicar “Cuidado!”, ficando o seu emprego limitado a avisos contra uso e movimentação de equipamentos, que deverão permanecer fora de serviços. Será usada também em canalizações de ar comprimido, colocado em ponto de arranque ou fontes de potência.
  • Verde: Caracteriza “segurança”. Deverá ser empregada para indicar canalizações de água, localização de EPI , fontes lavadoras de olhos, dispositivos de segurança, mangueiras de oxigênio (soldas oxiacetilênica), etc.
  • Laranja: Deverá ser empregada para identificar canalizações contendo ácidos, faces internas de caixas protetoras de dispositivos elétricos, face externa de polias e engrenagens, etc.
  • Púrpura: Deverá ser usada para indicar os perigos provenientes das radiações eletromagnéticas penetrantes de partículas nucleares, como, por exemplo, em porta e aberturas que dão acesso a locais onde se manipulam ou armazenam matérias radioativas ou materiais contaminados por radioatividade.
  • Lilás: Empregada para indicar canalizações que contenham álcalis. As refinarias de petróleo podem utilizar esta cor para a identificação de lubrificantes.
  • Cinza: O cinza-claro indica canalizações em vácuo e o cinza-escuro é usado para identificar eletrodutos.
  • Alumínio: Utilizada em canalizações contendo gases liquefeitos, inflamáveis e combustíveis de baixa viscosidade (exemplo: óleo diesel, gasolina, querosene, óleo lubrificante, etc.).
  • Marrom: Pode ser adotada, a critério da empresa, para identificar qualquer fluido não identificável pelas demais cores.

 

O Ministério da Saúde recomenda que o símbolo de risco biológico seja colocado na entrada do laboratório, informando também o microrganismo manipulado, a classe de risco, o nome do pesquisador responsável, o endereço e o telefone de contato. Além disso, deve conter a frase: “Proibida a entrada de pessoas não autorizadas. ”

Todos os trabalhadores que atuam em laboratório com agentes ou material biológicos deverão estar cientes dos riscos pertinentes as atividades exercidas pelos mesmos, e deverá conhecer os procedimentos para minimização do risco de contaminação.

O manual de Biossegurança da Fiocruz (2005) descreve como regra básica para o trabalho em laboratório, considerar todo material biológico como infeccioso, trabalhar com atenção e sem tensão, sinalizar o risco do agente na entrada do laboratório e notificar os acidentes e imediato cuidado médico.

No que se refere aos reagentes químicos, também existem critérios estabelecidos para armazenagem, movimentação e resíduos provenientes dos trabalhos exercidos, ressaltando que os fornecedores destes produtos devem disponibilizar todas as informações necessárias equivalentes ao produto adquirido, o que normalmente é feito através da disponibilização das Fichas de Informações de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ).Essas fichas contem informações sobre um determinado produto químico (substâncias ou mistura), quanto à proteção, à segurança, à saúde e ao meio ambiente, além de situações emergenciais.

Ainda com relação aos produtos químicos, estes podem exercer impacto negativo sobre a saúde dos homens e dos animais e afetar sobremaneira o meio ambiente quando as medidas preventivas não são adotadas. Os produtos químicos, devido às suas características, podem afetar os trabalhadores de formas variadas, desde leves processos alérgicos até o câncer (COSTA e FELLI, 2005).

 

4.    RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

Partindo das considerações feitas por diversos autores, nota-se a importância dada a uma educação voltada a biossegurança, no que se refere às boas práticas no âmbito de trabalho, partindo do ponto de vista de que os profissionais são os principais responsáveis pelos riscos acometidos em laboratórios, pois mesmo conhecendo-os, os mesmos não se propões a mudança de hábitos errôneos.

O laboratório é considerado insalubre devido à execução de atividades que necessitam do uso de equipamentos, maquinários, reagentes entre outros, além de condicionar procedimentos que oferecem riscos de acidentes e doenças para os funcionários que ali atuam e os demais que circundem esse espaço. Entretanto é de inteira responsabilidade, informar e capacitar os sujeitos que estão expostos aos riscos, de maneira a evitar problemas de saúde e prevenir acidentes.

Observa-se uma discussão a cerca dos riscos ocupacionais devido a suas condições e a larga jornada diária de trabalho enfrentada nesses locais, assim também enfatizando a segurança desses profissionais visando a garantia da integridade da saúde dos mesmos.

Esses ocupacionais surgem de atividades insalubres e perigosas, bem como as atividades de controles sobre agentes biológicos, químicos, físicos. Essas condições, na maioria das vezes, tornam-se rotineiras, sendo muitas vezes imperceptíveis pelos superiores e muitas vezes pelo próprio trabalhador que devido a rotina acaba amoldando-se à situação.

O técnico responsável por atuar nesses laboratórios, é o grande responsável pela organização, disposição, funcionamento e manutenção, sendo que esse indicativo deve conter na lista de prioridades desse profissional. Com a normalização através da Lei n. 11.105, de 24 de março de 2005, às questões relacionadas a biossegurança em laboratório tornou-se preocupante a grupos de pesquisa, instituições de ensino e em especial aos que fazem parte desse contexto,  e que atuam como profissionais de laboratórios.

Nesse intuito a normalização traz além dos conceitos de biossegurança e métodos preventivos, a parte de infraestrutura do ambiente onde serão executados os trabalhos pertinentes a laboratórios em geral, garantindo assim a segurança do profissional. Porém apesar de toda tecnologia disponível para utilização no laboratório, um dos maiores problemas enfrentados nesse setor é o comportamento dos profissionais.

 

 

5.    CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Os laboratórios físico-químico e bacteriológico são responsáveis por realizar monitoramento e controle de qualidade de água para o consumo humano, de acordo com a portaria do Ministério de Saúde nº 2.914/2011, que estabelece todos os procedimentos relacionados à vigilância e controle da água e os padrões de potabilidade. Entretanto com o avanço tecnológico, alguns mecanismos de análise foram substituídos na intenção da eficácia e eficiência dos procedimentos.

Com o desenvolvimento tecnológico e seus avanços, além das suas contribuições importantes para trabalhadores de laboratório, incluem também a presença de riscos no que diz respeito ao manejo de forma inadequada. Com essa probabilidade de apresentar riscos faz-se necessário a existência de normalização com o intuito de análise e desenvolvimentos de estratégias para a minimização desses riscos, sendo a principal função da biossegurança.

A biossegurança é importante no controle de risco ocupacional e nos riscos ambientais provenientes também das inovações tecnológicas. Para que essas ações tornem verdadeiramente efetivas dentro do espaço laboratorial, é imprescindível o comprometimento profissional e os seguimentos das normas que regem todos os procedimentos de biossegurança nas realizações das atividades relacionadas ao laboratório.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

6.    APÊNDICES

 

Quadro de pesquisas bibliográficas dentro da temática: biossegurança

 

TÍTULO

AUTORES

 

01

BIOSSEGURANÇA NO LABORATÓRIO DE QUÍMICA: UM ESTUDO DE CASO.

R.M.G. Silva, S.T.F. Furtado, C.V. Silva.

02

BIOSSEGURANÇA EM ENFERMAGEM: UMA REVISÃO REGIONAL

M. N.S.  ROCHA, M. MARTINS.

03

RISCOS OCUPACIONAIS EM SAÚDE

M. Y. C. Mauro, C. D.Muzi, R. M. Guimarães, C. C. C. Mauro.

04

BIOSSEGURANÇA: UMA REVISÃO

P.M.M. Penna, C.F. Aquino, D.D. Castanheira, I.V. Brandi, A.S.R. Cangussu,E. Macedo Sobrinho, R.S. Sari, M.P. da Silva, Â.S.M. Miguel.

05

CONCEITOS E MÉTODOS PARA A FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS EM LABORATÓRIOS DE SAÚDE: VOLUME 1

E. M. Molinaro, L. F. G. Caputo

M. R. R. Amendoeira.

06

BIOSSEGURANÇA EM LABORATÓRIOS BIOMÉDICOS E DE MICROBIOLOGIA

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica

07

MANUAL PRÁTICO DE ANÁLISE DE ÁGUA

Brasil. Fundação Nacional de Saúde.Brasília: Fundação Nacional de Saúde, 2009

08

Segurança em laboratório químico

 

CONSELHO REGIONAL DE QUÍMICA – SP. Minicursos 2008: Ministrante: FILHO, A. F. Veiga.  Campinas – Setembro de 2008.

 

09

MANUAL DE BIOSSEGURANÇA DOS SERVIÇOS DE

SAÚDE DA FACID

Faculdade Integral Diferencial – FACID. Comissão de Biossegurança

10

MANUAL DE BIOSSEGURANÇA

Y. R.da Costa,  S. M. D. Dutra

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

7.    REFERENCIAS

 

 

LAKATOS, E. M; MARCONI, M. de A. Pesquisa. In: LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Técnica de pesquisa. 3. ed. rev. e ampl. São Paulo: Atlas, 1996. p. 15 -123

 

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Classificação de risco dos agentes biológicos. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Departamento de Ciência e Tecnologia. Série A. Normas e Manuais Técnicos. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.

 

FIOCRUZ. Procedimentos para manipulação de microrganismos patogênicos e/ou recombinantes na Fiocruz. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2005.

 

COSTA, M. A. F.; COSTA, M. F. B. Segurança e Saúde no Trabalho: cidadania, competitividade e produtividade. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2005.

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de

Vigilância Epidemiológica. Biossegurança em Laboratórios Biomédicos e de Microbiologia. Brasília: Ministério da Saúde, 2005.

 

BRASIL. Fundação Nacional de Saúde. Manual prático de análise de água. 3ª ed. Ver. Brasília: Fundação Nacional de Saúde, 2009.

 

MOLINARO, E. M. Conceitos e métodos para a formação de profissionais em laboratórios de saúde: volume 1 / Organização de Etelcia Moraes Molinaro, Luzia

Fátima Gonçalves Caputo e Maria Regina Reis Amendoeira. - Rio de Janeiro: EPSJV; IOC, 2009.

 

SENAI – DR BA. Manual de segurança em laboratório. Lauro de Freitas: CETIND, 2011. 38 p.: il. (Ver.01).

 

CONSELHO REGIONAL DE QUÍMICA – SP. Minicursos 2008: Segurança em laboratório químico. Ministrante: FILHO, Antônio Ferreira Veiga.  Campinas – Setembro de 2008.

 

SILVA, R.M.G. FURTADO, S.T.F. SILVA, C.V. Biossegurança no Laboratório de Química: um estudo de caso. São Paulo, v.69, n.1, p.23-30, jan./jun., 2007.

 

ROCHA, M. N. da S. MARTINS, M. Biossegurança em enfermagem: Uma visão regional.

 

MAURO M.Y.C, MUZI C.D, GUIMARÃES R.M, MAURO C.C.C. Riscos ocupacionais em saúde. Rio de Janeiro, 2004.

 

PENNA, P.M.M. AQUINO, C.F. CASTANHEIRA, D.D. BRANDI, I.V. CANGUSSU, A.S.R. SOBRINHO, E. M. SARI, R.S.SILVA, M.P. MIGUEL, Â.S.M. Arq. Inst. Biol., São Paulo, v.77, n.3, p.555-465, jul./set., 2010.


GILMAR SANTANA LIMA
MA - AÇAILANDIA

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