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  REPRODUÇÃO, PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO DA Dyckia ibiramensis, ESPÉCIE ENDÊMICA DO RIO ITAJAÍ DO NORTE, MUNICÍPIO DE IBIRAMA.
19/09/2011
Este artigo revela o estudo realizado para reprodução, reintrodução, salvamento e resgate de espécie endêmica do Estado de Santa Catarina, localizada exclusivamente no município de Ibirama, denominada de Dyckia ibiramensis Reitz

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Meio Ambiente e Biodiversidade
Diagnóstico, Controle e Monitoramento Ambiental
Educação Ambiental
Fiscalização/Vigilância Ambiental
Gestão Ambiental
Gestão de Recursos Hídricos e Bacias Hidrográficas
Inventário, Manejo e Conservação da Vegetação e da Flora


 

REPRODUÇÃO, PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO DA Dyckia ibiramensis, ESPÉCIE ENDÊMICA DO RIO ITAJAÍ DO NORTE, MUNICÍPIO DE IBIRAMA.


Silvio Murilo Cristovão da Silva


RESUMO

Este artigo revela o estudo realizado para reprodução, reintrodução, salvamento e resgate de espécie endêmica do Estado de Santa Catarina, localizada exclusivamente no município de Ibirama, denominada de Dyckia ibiramensis Reitz, sendo uma planta rara e em perigo de extinção. Este trabalho visa aumentar a população desta espécie na sua área de ocorrência natural, como também contribuir na sua preservação e conservação “in situ”. Na natureza não esta conseguindo sozinha aumentar a suas áreas de ocorrência, mas os resultados são animadores e em conjunto com outras ações pode-se atenuar estes impactos.

Palavras-chave: Espécie em perigo. Reprodução de espécie endêmica. Resgate, Salvamento e Reintrodução de espécie endêmica


1 INTRODUÇÃO

Dyckia ibiramensis Reitz (Bromeliaceae) é uma espécie endêmica do Rio Itajaí do Norte (Rio Hercílio), no município de Ibirama/SC. A espécie apresenta distribuição restrita a 1,1 km às margens das corredeiras do rio, podendo ser enquadrada como espécie rara, conforme definição de Kruckeberg & Rabinowitz. A espécie tem padrão de distribuição agrupado, sendo poucos os indivíduos isolados. Klein descreve a espécie como rupícola, heliófita e reófita. O termo reófita designa espécies restritas ou exclusivas às corredeiras e às cascatas dos rios e dos riachos. Em 2005, no Workshop “Revisão da Lista da Flora Brasileira Ameaçada de Extinção”, a Dyckia ibiramensis foi incluída na categoria Criticamente em perigo. O presente estudo teve como objetivo aumentar a população desta planta tão rara e endêmica de Santa Catarina através de suas sementes, bem como difundir junto a comunidade a necessidade de sua conservação e preservação.

A Dyckia ibiramensis apresenta um habitat muito específico e área de dispersão muito restrita. Além disso, as sucessivas enchentes catastróficas, como as de 1983 e 1984 em virtude, principalmente, de alarmante desmatamento e ocupação das Áreas de Proteção Permanentes, causaram profundo impacto na espécie. Por estas razões a sua sobrevivência esta seriamente comprometida dentro de um futuro próximo.”

O estudo foi realizado no Município de Ibirama, Estado de Santa Catarina, na região do Alto Vale do Itajaí, com latitude 27º03'25" Sul e longitude 49º31'04" Oeste. Segundo classificação de Köeppen, o clima é do tipo Cfa Subtropical, com temperatura média anual de 18 -19ºC e precipitação média anual entre 1300 a 1500 mm, com chuvas constantes no verão. O município localiza-se na zona fisiográfica da Bacia do sudeste, cujo rio mais importante é o rio Itajaí-Açú, que tem como um de seus afluentes o rio Itajaí do Norte ou Rio Hercílio.


2 OBJETIVOS

2.1 EXECUTAR AS SEGUINTES ATIVIDADES:

2.1.1 - Reprodução da Dyckia ibiramensis, dentro da sua área de ocorrência natural (in situ);

2.1.2 - Reprodução da Dyckia ibiramensis, em viveiro (ex situ);

2.1.3 - Reintrodução de mudas;

2.1.4 - Resgate e Salvamento;

2.1.5 -Divulgação através da Educação ambiental.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

2.2.1 – Reproduzir a Dyckia ibiramensis através de sementes na sua área de ocorrência natural, bem como fazer a limpeza destas áreas com a retirada sustentável das plantas invasoras; identificação das mudas; poda seletiva das árvores de entorno; colocação de adubo orgânico; controle das pragas e predadores; desobstrução de canal de drenagem e educação ambiental;

2.2.2 – Reproduzir a Dyckia ibiramensis através de sementes em viveiro, fazer a limpeza com a retirada sustentável das plantas invasoras; identificação das mudas; poda seletiva das árvores de entorno; colocação de adubo orgânico; controle das pragas e predadores, manutenção e substituição das lonas de cobertura e educação ambiental;bem como fazer a limpeza destas áreas com a retirada sustentável das plantas invasoras; identificação das mudas; poda seletiva das árvores de entorno; colocação de adubo orgânico; controle das pragas e predadores; desobstrução de canal de drenagem e educação ambiental;

2.2.3 - Fazer a reintrodução de mudas provenientes de viveiro e fazer a manutenção desta área, com a retirada sustentável das plantas invasoras; poda seletiva das árvores de entorno; colocação de adubo orgânico e controle das pragas e predadores;

2.2.4 - Fazer o resgate e o salvamento da Dyckia ibiramensis e a limpeza da área onde foram resgatadas e salvas com a retirada sustentável das plantas invasoras; poda seletiva das árvores de entorno; colocação de adubo orgânico e controle das pragas e predadores;

2.2.5 – Ministrar palestras e visitas de campo para alunos da rede de ensino do município, com a finalidade de apresentar a Dyckia ibiramensis e educar para a sua preservação e conservação.


3 ATIVIDADES EXECUTADAS E RESULTADOS

3.1 REPRODUÇÃO EM ÁREA NATURAL E NO VIVEIRO

3.1.1 – ÁREA NATURAL


Para a execução desta atividade foi previamente selecionada uma área que atendesse as necessidades da planta e que fosse dentro da área de ocorrência natural, em seguida foi preparada está área com a retirada sustentável de invasoras, colocação de adubação orgânica, argila e cercado com arame farpado (Foto 01). Após a colheita das sementes as mesmas foram secadas, limpas, selecionadas e levadas para o campo e semeadas. Após a semeadura iniciou-se a manutenção destas áreas com a retirada sustentável das plantas invasoras; identificação das mudas com palitos de madeira pintado de vermelho para melhorar a visualização da muda durante a limpeza; poda seletiva das árvores do entorno; colocação de adubo orgânico; construção de cercas de isolamento; controle das pragas e predadores; desobstrução dos canais laterais de drenagem na qual obteve-se os seguintes resultados. (Tabela 1)


Foto 01 – Preparo da área e semeadura

Fonte: ACADEMA


3.1.2 RESULTADOS NA ÁREA NATURAL


Tabela 01: Resultados na área natural (Foto 02)

Área

Semente (gramas)

Data Plantio

Nº de mudas

OBS

A

40 gramas

11/12/07

45

Área natural

B

40 gramas

06/01/09

230

Área natural

C

40 gramas

06/01/09

250

Área natural

TOTAL



525


Data da contagem: Maio de 2010


Foto 02 – Mudas crescendo na área natural

Fonte: ACADEMA

3.1.3 - VIVEIRO

Como não tinha um viveiro que atendesse as exigências da planta foi construído um viveiro próprio, em cima de pedras e preparado a área com a colocação de adubo orgânico, argila, coberto com lona (Foto 03). Na qual se obteve os seguintes resultados.(Tabela 02)

Foto 03 – Preparo do viveiro

Fonte: ACADEMA



3.1.4 – RESULTADOS EM VIVEIRO


Tabela 02 : Resultado em viveiro (Foto 04)

Área

Sementes (gramas)

Data do plantio

Nº de mudas

OBS

D

40 gramas

15/12/07

205

Viveiro

Data da contagem: Maio de 2010

OBS: Estas mudas serão reintroduzidas na sua área natural em agosto de 2010

Foto 04 – Mudas crescendo no viveiro

Fonte: ACADEMA


3.1.5 - GERAL

A tabela 03 representa o total de mudas que estão crescendo em área natural ou sendo climatizadas em viveiro para serem reintroduzidas em área naturais.

Tabela 03 - Quadro geral de mudas reproduzidas

Área

Nº de mudas

OBS

A

45

Mudas crescendo em área natural

B

210

Mudas crescendo em área natural

C

250

Mudas crescendo em área natural

D

205

Mudas sendo climatizadas em viveiro para reintrodução em área natural

TOTAL MUDAS

710

Equivale a 9,6 % de toda a população

OBS.1: Os números desta tabela podem sofrer alterações, pois a cada ciclo de chuva e estiagem as mudas vão se adaptando ao local e aquelas que não estiverem bem adaptadas e em lugar propício para o seu crescimento podem ainda não vingar.

OBS.2: Para se ter uma visão geral do número de rosetas que existem da Dyckia ibiramensis em seu ambiente natural, a UFSC desenvolveu um censo da população de Dykia existentes, na qual teve como resultado 7.366 rosetas.

3.2 REINTRODUÇÃO

Em Agosto de 2008 foram reintroduzidas 05 (cinco) mudas provenientes do viveiro da ACADEMA, (Foto 05) estes indivíduos foram reproduzidos através de sementes coletadas em Janeiro de 2006, no ponto nº06, sendo o mais a montante descrito no mapa de localização da Dyckia elaborado em 18 de outubro de 2007 pela Ibirama Energética S/A. Estas mudas desde a sua reintrodução já sofreram interferências graves da capivara, na qual em duas situações as mesmas comeram todas as folhas deixando somente as raízes e com as cheias que trouxeram grandes quantidades de entulhos e não repôs os substratos orgânicos que a Dyckia precisa para se fixar e se alimentar, apesar disto foi feito a manutenção com a reposição do substrato, colocação de arame farpado e ainda continuam crescendo (Foto 08).

Foto 05 – Mudas reintroduzidas

Fonte: ACADEMA


3.3 RESGATE E SALVAMENTO

3.3.1 – ESCOLHA E PREPARO DO LOCAL DE SALVAMENTO

Para fazer o salvamento foi necessário escolher uma área que fosse dentro do trecho de ocorrência natural e preparado esta área, com a colocação dos substratos que se obtivesse o devido sucesso. (Foto 06)

Foto 06 – Preparo do local

Fonte: ACADEMA




3.3.2 – RESGATE

Em Maio de 2008 foram resgatados do ponto situado acima da ponte de Nova Stettin, em Ibirama - SC, 20 (vinte) rosetas de Dyckia ibiramensis que estavam sufocadas pelas invasoras e entulhos trazidos pelas cheias (Fotos 07).

Foto 07 – Resgate

Fonte: ACADEMA


3.3.3 - SALVAMENTO

As 20 (vinte) rosetas foram salvas em uma pedra situada no canal sanitário da PCH-Mafras, na localidade do Carrapato, em Ibirama – SC, dentro da área de ocorrência natural desta planta. Estas mudas não sofrem a interferência das capivaras por estar em local mais alto e de difícil acesso para este animal, mas as cheias deste ano atingiram estes indivíduos que nada sofreram. Durante os dois anos que foi feito este estudo foi possível observar que já houve a floração de 06 (seis) destes indivíduos, totalizando 30% e conforme os estudos publicados na Revista Brasileira de Botânica - Biologia reprodutiva das reófitas, aproximadamente 13% das rosetas desta espécie apresentaram sinais e/ou emissão de inflorescência, sendo consideradas reprodutivas (Rogalski 2007). Diante disto é possível afirmar que através deste processo se obteve mais do que o dobro de indivíduos com florescência do que é apresentado na sua condição normal. Outro ponto positivo é que se dobrou também o número destas plantas na área através do surgimento de novos brotos e também pela duplicação natural (Foto 08).


Foto 08Dyckia salva com florescências e brotos.

Fonte: ACADEMA


3.4 EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Com a intensão de divulgar a espécie e a necessidade de preserva-la, paralelamente aos trabalhos de campo se iniciou uma educação ambiental nas escolas e para a população de entorno aos estudos, visto que não havia nenhum esclarecimento sobre a planta e a pressão negativa do homem era uma constante. Nas escolas foram feitas palestras (Foto 09) com visita de campo (Foto 10) e para a população de entorno a área de estudos foram feitas uma visita individualmente, levando o conhecimento sobre a planta e a necessidade de garantir a sua permanência.

Foto 09 – Palestras nas escolas

Fonte: ACADEMA


Foto 10 – Visita de campo

Fonte: ACADEMA


3.5 OUTRAS INFORMAÇÕES

A ACADEMA através do seu Presidente e Coordenador Geral do Projeto de Reprodução da Dyckia ibiramensis estabeleceu parceria para complementação dos recursos utilizados para o bom desenvolvimento dos objetivos propostos. Segue abaixo na tabela 04 a cota em porcentagem que cada instituição ou empresa investe nestes estudos em escala reduzida, podendo ser ampliada no futuro se houver interesse por todos os envolvidos.

Tabela 04 – Cota de investimentos

Instituição, Empresa e/ou Pessoa Física

Porcentagem aplicada

Observação

ACADEMA – Associação Catarinense de Assistência e Defesa do Meio Ambiente

10%

Institucional

PCH - Mafrás

25%

Cede a área e parte dos recursos financeiros para compra de materiais de consumo.

PCH – Ibirama Energética

25%

Parte dos recursos financeiros para transporte, pagamento mão-de-obra e alimentação

Bio. SILVIO MURILO CRISTÓVÃO DA SILVA

40%

Parte dos recursos financeiros, conhecimento, pagamento de mão de obra, materiais de consumo, equipamentos e palestras ambientais

TOTAL

100%


OBS: Este estudo tem o prazo para encerrar em Fevereiro de 2011



5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os trabalhos que estão sendo executados estão atingindo ótimos resultados, mas não basta somente isto, deve-se considerar a necessidade urgente do monitoramento constante em todos os pontos de ocorrência natural da Dyckia ibiramensis, pois conforme se percebeu em visita de campo nestas áreas em 2007 e 2009, o número de rosetas em alguns pontos foram reduzidos por diversos fatores que devem ser estudados; (Foto 11 e 12);

Foto 11 – Visita de campo em 2007

Fonte: ACADEMA


Foto 12 – Visita de campo em 2009

Fonte: ACADEMA


Além do monitoramento deve-se proteger todas as áreas com cerca, evitando a entrada de predadores como a capivara; fazer a limpeza sustentável das áreas com a retirada das invasoras; Colocação de placas informativas e indicativas dos grupos naturais; Aumentar a escala dos estudos com a reprodução; Iniciar o planejamento para criação de uma Unidade de Conservação que englobe todos os grupos de Dyckia existentes atualmente; Aumentar a área de ocorrência no Rio Itajaí do Norte.


7 REFERENCIAS

KRUCKEBERG, A. R.; RABINOWITZ, D. 1985. Biological aspects of endemism in higher plants. Annual Review of Ecology and Systematics 16: 447-479

ROGALSKI, J.M. 2007. Biologia da conservação da reófita Dyckia brevifolia Baker (Bromeliaceae) no Rio Itajaí-Açu, SC. Tese de doutorado, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.



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