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  APLICAÇÃO AEREA DE LARVICIDA BIOLOGICO PARA CONTROLE DE MOSQUITOS Culex quinquefasciatus
21/07/2010
Teste de Avaliação de Controle larvario de mosquitos Culex quinquefasciatus através de Aplicação Aérea com uso de larvicida biológico BS em formulação granulada no Canal do Rio Pinheiros

Área(s) de Atuação que o Presente Caso trata
Biologia
Zoologia
Controle de vetores e pragas


RELATÓRIO

- versão 1.0 – (MINUTA)

 

Controle de ‘mosquitos’ em área urbana do município de São Paulo, mediante aplicação aérea de larvicidas biológicos

 

 

INTRODUÇÃO

 

            Os "mosquitos" ou “pernilongos”, insetos de proliferação em áreas urbanas e periféricas, segundo entendimento dos especialistas no assunto, devem ser combatidos  utilizando métodos integrados, que combinem ações de prevenção com ações de controle, de forma a manter a infestação daqueles insetos em níveis aceitáveis, seja do ponto de vista de saúde pública como de saúde ocupacional ou simplesmente de bem-estar das populações.

 

            Os métodos integrados visam combinar ações de :

 

                        a) Engenharia Sanitária;

                        b) Educação Sanitária e

                        c) Aplicação de inseticidas.

 

            A aplicação de inseticidas - objeto do presente documento - por sua vez pode ser feita utilizando produtos químicos ou biológicos e ser dirigida ao controle de insetos adultos e/ou na fase larval.

 

            A aplicação de inseticidas - químicos ou biológicos - pode ser feita, como rotineiramente o é, por meios manuais ou mecanizados, terrestres, ou então - menos comumente no Brasil - por aeronaves (aviões e helicópteros).

 

Aplicação de inseticidas por via terrestre

 

            A aplicação de inseticidas por via terrestre geralmente utiliza o método manual para a aplicação de produtos larvicidas, na forma granulada (como o Temefós = "Abate") ou métodos mecanizados - pulverizadores e nebulizadores - para a aplicação de produltos "adulticidas" (como os fosforados  Malathion = "Cythion" e  Sumithion, ou inseticidas piretróides, como a Lambdacialotrina, por exemplo). A aplicação de equipamentos terrestres, principalmente na aplicação de “adulticidas” possui grandes limitações:

 

                        a) O baixo rendimento (produtividade) dos equipamentos;

                        b) A baixa percentagem da área espacial coberta, pela inacessibilidade da maior parte das áreas urbanas;

                        c) A possibilidade, derivada das características anteriores, do efeito "repelência" , pela qual os insetos vão afastando-se da área a medida que evolui o tratamente, podendo retornar a ela poucas horas após cessado o tratamento, pelo pouco ou nenhum efeito residual dos produtos, nas doses aplicadas;

                        d) A desuniformidade de deposição do produto nas superfícies atingidas, fazendo com que algumas áreas recebam sub-dosagens e outras excesso de produto;

                        e) Em função da desuniformidade acima referida, a possibilidade de maior gasto de produto, para a mesma superfície tratada;

                        f) Elevado custo por área tratada.

 

Aplicação aérea de inseticidas

 

            A aplicação aérea de inseticidas químicos ou biológicos é praticada há muito tempo em todo o mundo, sendo uma rotina, hoje, em diversos países. Nos Estados Unidos, por exemplo, existem diversas prefeituras que têm frota própria de aeronaves com a finalidade exclusiva de combater "mosquitos" na área urbana e/ou periférica.

 

            Da literatura consultada, tiramos diversas referências sobre o uso da aplicação aérea em todo o mundo, como segue: Rússia, 1930; Grécia, 1946; Coréia do Sul, 1951; Canadá, 1946; Estados Unidos (Dallas), 1966; Equador, 1969; Porto Rico, 1969; Etiópia, 1970; Angola, 1971; Haiti, 1972; BRASIL, 1975; Nicarágua, 1985; Cuba, 1986; Estados Unidos, 1990;

 

Base Legal

 

            O emprego da Aplicação Aérea no controle de insetos em áreas urbanas tem amparo legal no Brasil, com base na legislação abaixo citada:

 

            a) RBHA-137, de junho de 1999   (Departamento de Aviação Civil)

            b) Portaria 190 / GC5, de 20 Março de 2001, modificada pela Portaria  890 / GC5,  de 26   de  Novembro de 2001. (Departamento de Aviação Civil)

            c) Decreto -Lei 917, de  7 de outubro de 1969

            d) Decreto 86.765, de 22 de dezembro de 1981         

            e) Portaria 009, de 23 de março de 1983 (Ministério da Agricultura)

 

 

Principais vantagens da aplicação aérea sobre os equipamentos convencionais:

 

·        Na aplicação de larvicidas

Embora com menos nitidez quando comparado com a aplicações que visam o controle de mosquitos adultos, também na aplicação de larvicidas a aplicação aérea apresenta algumas vantagens, desde que o alvo seja constituído por áreas contínuas e extensas:

 

a) Rapidez : > 100 hectares / hora de vôo (aplicando larvicida granulado a 10 kg/ha), sobre grandes áreas

b) Atingimento de áreas de difícil acesso aos equipamentos terrestres (leitos de rios, açudes, banhados);

c) Uniformidade de deposição ( mesma dose do produto aplicada em todos os pontos da área);           

            d) Poucas pessoas envolvidas no processo de aplicação : atualmente, com os modernos             métodos de balizamento orientado por satélite, são necessárias apenas duas pessoas (um piloto e um auxiliar)  para tratar mais de 100 hectares por hora !.

            e) Emprego de pessoal especializado : por força de Lei, o pessoal envolvido na aplicação        aérea tem de ser especializado para tal, mediante treinamentos conduzidos ou reconhecidos   pelos Ministérios da Agricultura e Aeronáutica.

f) Custo reduzido, por hectare aplicado.

 

·          Na aplicação de “adulticidas”

A aplicação de inseticidas líquidos, para o controle de mosquitos adultos tem quase as mesmas vantagens acima listadas, com algumas diferenças:

 

            a) Rapidez  :  > 500 ha/ hora de vôo (na dose de 0,30 l / ha), o que possibilita :

                                   . "efeito de choque"  sobre a população de mosquitos adultos;

                                   . ausência do fator de "repelência": impossibilidade de fuga dos insetos                                            adultos.      

            b) Alcance  de áreas de difícil acesso aos equipamentos terrestres (pátios nos fundos das moradias, terrenos baldios cercados, banhados etc);

            c) Uniformidade de deposição ( mesma dose do produto aplicada em todos os pontos da área);           

            d) Poucas pessoas envolvidas no processo de aplicação : atualmente, com os modernos métodos de balizamento orientado por satélite, são necessárias apenas duas pessoas (um piloto e um auxiliar)  para tratar mais de 400 hectares por hora !.

            e) Emprego de pessoal especializado : por força de Lei, o pessoal envolvido na aplicação aérea tem de ser especializado para tal, mediante treinamentos conduzidos ou reconhecidos pelos Ministérios da Agricultura e Aeronáutica.

            f) Custo reduzido, por hectare aplicado.

 

           

OBJETO DO PRESENTE RELATÓRIO

 

            O trabalho ora relatado foi fruto de proposta da Secretaria da Saúde do Município de São Paulo, visando avaliar a eficiência da aplicação aérea de produtos larvicidas biológicos (Bacillus sphaericus) em área urbana daquele municipio,  escolhida em função da grave infestação de mosquitos do gênero “Culex”.

 

            Em decorrência de tal objetivo especializado, o fabricante do produto já adquirido pela PMSP – Valent BioSciences Corp. – contratou a Agrotec Tecnologia Agrícola e Industrial Ltda. Cuja especialidade é a Tecnologia de Aplicação Aérea,  para efetuar o planejamento e coordenação de todo o trabalho.

 

 

 

 

 

ÁREA - ALVO

 

            Foi delimitada, pelos técnicos daquela Secretaria, uma área a ser tratada via aérea, área esta compreendida nos seguintes limites:

 

            Em sua largura, de aproximadamente 80 metros, limitada pelas margens do Rio Pinheiros.

            Em seu comprimento, de aproximadamente 25 km, o trecho do Rio Pinheiros compreendido entre a Confluência do Rio Pinheiros com o Rio Tietê  ao norte (coordenadas 23o31'35.30”S / 46o45'02.29”W e, ao sul,  com as proximidades da Represa Billings, local denominado “Estação Jurubatuba” (coordenadas 23o42'11.60”S / 46o40'29.90”W). Foi  incluído, também, parte do denominado “Canal Guarapiranga”, com aproximadamente 2 km (coordenadas 23o39'25.57”S /46o43'12.59” na confluência com o Rio Pinheiros e 23o40'16.16”S / 46o43'33.89”W na confluência com a Represa Guarapiranga) .

 

A área-alvo e suas adjacências é mostrada no mapa a seguir:

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Fonte: www.google.com.br  referenciado por Agrotec Tecnologia Agrícola e Industrial Ltda


Vista parcial do Rio Pinheiros

 


DETALHAMENTO DO TRABALHO REALIZADO – ATÉ 14 DE OUTUBRO DE 2006

 

 

1.      Aeronave

 

            Foi utilizada uma aeronave modelo “Ipanema” (EMB202), matrícula PT-UOA, pertencente à Empresa  de Servicós Aéreos Especializados : Sana Aeroagrícola Ltda (Leme, São Paulo).

 

            A aeronave tem seus Certificados de Matrícula e Aeronavegabilidade em dia, bem como está devidamente registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e na ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil. Foi feita a comprovação do pleno vigor da apólice de Seguro Obrigatório (“R.E.T.A.”)

 

            Também a referida empresa estava registrada nos mesmos órgãos acima referidos.

 

 

 


Aeronave Ipanema EMB202 empregada nas aplicações

 


2.      Equipamentos de Dispersão e Acessórios

 

2.1  Distribuidor de produtos granulados : Difusor “Tansland Convencional”,  com suas aletas posicionadas em espaçamento uniforme

2.2  Sistema DGPS (GPS Diferencial) com capacidade de registro e impressão dos dados de vôo:: Sistema “Satloc” modelo “Airstar 99.5” com correção diferencial e-Dif.

2.3  Sistema de comunicação VHF em freqüências aeronáuticas.

2.4  Transponder: Foi dispensado o uso de transponder, pelo SRPV (Serviço Regional de Proteção ao Vôo – SP), mediante a expedição de NOTAM, para cada data de aplicação.

 

3.      Pessoal

 

Foi empregado pessoal técnico especializado para os serviços de aplicação conforme as atuais normas em vigor, quais sejam : Piloto Agrícola, Engenheiro Agrônomo e Técnico Agrícola (Executor de Aviação Agrícola). Além dos profissionais com tais qualificações, o trabalho contou, ainda, com a participação de diversos profissionais de outras áreas, órgãos e empresas. A relação completa dos participantes encontra-se no anexo 1.

 

 

4.      Produto Aplicado

 

            Foi  utilizada uma formulação granulada de “Bacillus sphaericus”, devidamente registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).  A dose variou de 10 kg / ha a 20 kg/ha, conforme o trecho do rio, conforme descrito mais adiante.

 

            O produto comercial  aplicado foi o “Vectolex G”, o qual tem as seguintes características:

 

 

·          Fabricante: Valent BioSciences Corp. (EUA)

·          Registrante : Sumitomo do Brasil Ltda

·          Registro ANVISA : 3.2586.0006

·          Formulação: Bacillus sphaericus sorótipo H5a5b, 670 Bs ITU/mg, formulado em substrato de sabugo de milho, a 7,5%  de I.A.

·          Classe Toxicológica :  IV (pouco tóxico)

 


                                                                Vectolex - G

 


5.      Abastecimento / carregamento da aeronave

 

            Em todos os vôos foi a  aeronave  carregada em área  delimitada junto à pista do “Campo de Marte”  (Pátio de estacionamento de aeronaves da empresa Aeromot Aeronaves e Motores S/A). Durante o carregamento o local foi revestido com lençol plástico, com dimensões adequadas para comportar a aeronave (comprimento do lençol superior ao comprimento da aeronave e largura superior à envergadura). A finalidade desta proteção era a de reter quaisquer derramamentos acidentais ocorridos durante o carregamento da aeronave com o produto. 

 

            O carregamento da aeronave foi efetuado manualmente, por  servidores da Prefeitura de São Paulo, os quais utilizaram os EPI (Equipamentos de Proteção Individual) adequados ao produto e recomendados por seu fabricante. O serviço de carregamento da aeronave foi supervisionado por seu piloto e pelo Executor de Aviação Agrícola.

 


Carregamento da aeronave com o larvicida granulado

 


6.      Pátio de descontaminação

           

            Considerando que o aeródromo de “Campo de Marte” não possui o “Pátio de Descontaminação”  previsto na legislação para as operações de lavagem do avião e descarte de defensivos,  tais operações não foram lá realizadas.

 

            Após concluída a aplicação, a aeronave foi  transladada para a sua base,  onde existem aquelas facilidades e lá realizada a lavagem e descontaminação da aeronave.

 

7.      Calibração e determinação da faixa efetiva

 

            Anteriormente à  primeira aplicação foi realizada, no dia 10 de agosto de 2006, uma série de testes com produto real, para coleta de deposição, visando determinar a largura de faixa total e efetiva, bem como a uniformidade de deposição. Tais testes foram realizados nas instalações da SANA Aeroagrícola, na Usina Crisciumal, município de Leme, São Paulo. Também foi “calibrada” a aeronave PT-UOA para aplicação em dois valores de vazão : 44 kg/ha (correspondendo a 10 kg/ha a 1100 MPH e largura de faixa 15m) e 66 kg/ha (correspondendo a 15 kg/ha).

 

            O procedimento para coleta de deposição foi a colocação de uma linha de coletores metálicos, cônicos, com o diâmetro de 0,36 m, a intervalo de 1 m, sendo usados 40 coletores. Os coletores foram colocados em linha perpendicular ao vento predominante. Sobre esta linha central foi efetuada a passagem do avião, no sentido contrário ao do vento.

 

            Após cada passagem o produto foi recolhido de cada coletor e pesado individualmente usando-se uma balança eletrônica com resolução de 0,01 g.

 

            O ajuste da tampa inferior do depósito de produtos do avião foi efetuada pelo método direto, coletando-se o produto gasto, inicialmente no solo, por unidade de tempo e, posteriormente em vôo, devidindo-se o produto gasto pela área aplicada, medida pelo equipamento DGPS do avião. O “batente” da alavanca de controle da tampa inferior do depósito foi posicionado nas duas posições que, respectivamente, proporcionaram  as vazões e volumes de aplicação referidos, com uma tolerância de + 3%.

 

            As fotos a seguir ilustram os procedimentos e os gráficos de deposição obtidos. A análise dos gráficos foi efetuada usando-se o software “AgroScan” , da Agrotec.


 



               Calibração da aeronave                             Coletor de grãnulos

 

 



        Pesagem dos grânulos                                  Gráfico – faixa simples

 

 


8.      Estratégias e planejamento das aplicações

 

            Pelo Centro de Controle de Zoonoses da PMSP o rio Pinheiros foi dividido em 3 trechos, com estratégias de aplicação distintas, conforme tabela a seguir:

 

Denominação

Limites

Estratégia de Aplicação

Dose kg/ha

Trecho Inferior

“Comporta” (Ponte FEPASA), próximo à confluência do Tietê, até a “Usina da Traição”

1 vôo sobre a margem Oeste e  1 vôo sobre a margem Leste

15 kg/ha em ambas margens

Trecho Superior

“Usina da Traição”até a confluência com a represa Billings

1 vôo sobre a margem Oeste, 1 vôo sobre a margem Leste. Mais 1 vôo sobre o centro do rio.

15 kg/ha em ambas margens. 10 kg/ha no centro.

Canal Guarapiranga

Represa Guarapiranga, até proximidades do leito principal do Rio Pinheiros.

1 vôo sobre o centro do canal.

Aproximadamente 20 kg/ha. (> 15 kg/ha)

 

            Tendo em vista a necessidade de interditar o tráfego de veículos sobre as diversas pontes que atravessam o rio Pinheiros, no momento da aplicação, e visando reduzir o número de pontes a serem interditadas a cada vôo, o planejamento de cada aplicação previu a subdivisão dos trechos acima de forma a todo o serviço poder ser completado em 4 vôos, conforme discriminado na tabela a seguir:

 

Vôo

Limites

Obs.

1

“Comporta”- Ponte Cidade Jardim

Ida pela margem Oeste, aplicando, e volta pela margem Leste, aplicando.66 kg/min

2

Ponte Cidade Jardim – Ponte “Pênsil” (Metrô)

Ida pela margem Oeste, aplicando, e volta pela margem Leste, aplicando.66 kg/min

3

Ponte “Pensil” - Represa Billings

Ida pela margem Oeste, aplicando, e volta pela margem Leste, aplicando.66 kg/min

4

Estação Traição – Represa Billings (todo trecho inferior) + parte do Canal Guarapiranga.

Aplicação apenas no centro do rio (66 kg/min) e mais aplicação sobre o centro do Canal Guarapiranga (aprox. 88 kg/min). “Arremate” de pequeno trecho situado entre a Ponte Morumbi e Estação da Traição (margem “esquerda”).

           

           

 

9.      Vôo de Reconhecimento

 

            No dia 26 de agosto de 2006 foi efetuado um “vôo de reconhecimento”, com duração de 30 minutos, no qual o piloto, comandando a aeronave descrita, percorreu toda a extensão a ser tratada, em altura superior à de aplicação, para familiarizar-se com o percurso, existência e posição dos obstáculos tais como redes de alta tensão e  pontes, principalmente. Na véspera deste vôo o piloto percorreu o mesmo trecho, via terrestre. O “vôo de reconhecimento” foi autorizado e coordenado, assim como todos os demais, pelo Serviço Regional de Proteção ao Vôo, sediado no Aeroporto Internacional de Congonhas, o qual emitiu o competente NOTAM.

 

10. Aplicação dia 27 de agosto de 2006 (1a. Aplicação)

 

Por definição do Planejamento inicial, os vôos de aplicação foram programados para serem efetuados aos finais de semana, nas primeiras horas do dia, de forma a coincidir com horários de menor fluxo de veículos, tendo em vista a necessidade de interdição do tráfego sobre as pontes que cruzam o rio.

 

            A primeira aplicação foi efetuada no dia. 27 de agosto de 2006.

 

            Entretanto, tendo em vista as condições climáticas desfavoráveis (vento forte), optou-se por não efetuar a aplicação em toda a extensão do rio. Serviria, como serviu, esta aplicação, para demonstração da viabilidade técnica do vôo sobre aquele alvo, bem como testar toda a estrutura montada, inclusive a Coordenação de Tráfego Aéreo e Tráfego Terrestre, bem como para demonstrar a técnica para o grande número de autoridades presentes.

 

            Esta primeira aplicação ocorreu  nos seguintes trechos:

 

            a) “Comporta”, próximo à ponte da FEPASA / proximidades do Tietê, até a Ponte Cidade Jardim. Duas passagens, sendo que na passagem no sentido Ponte Cidade Jardim -> “Comporta”  a aplicação foi realizada somente no trecho Ponte Cidade Jardim – Ponte Jaguaré. Extensão total do trecho aplicado, contando os dois sentidos: 15,09 km (equivalente a 22,6 ha com faixa de 15 m).

 

            b) Ponte João Dias até a  Ponte “Pênsil” (Metrô). Duas passagens. Extensão total de 2,80 km contando os dois sentidos (equivalente a 4,2 ha).

 

            O trecho aplicado é mostrado em vermelho no mapa a seguir.

 

            Nesta aplicação os parâmetros principais registrados foram os que seguem:

 

·          Altura de vôo: 10-20 m

·          Velocidade média do vento: 12 km/h (9 a 14 km/h)

·          Direção predominante do vento: 310 graus

·          Temperatura média: 16 C

·          Umidade Relativa : 61% a 74%

·          Velocidade média de aplicação : 188 km/h

·          Comprimento total aplicado: 18 km (equivalente a 27 hectares, com largura de faixa = 15 m)

·          Total de produto (Vectolex G) aplicado : 450 kg

·          Dose média (considerando faixa 15 m): 16,6 kg/ha

·          Horas de vôo: 0,6h = 36 minutos

 

                        Esta primeira aplicação não foi objeto de avaliação entomológica, em função das condições desfavoráveis, que impediram o tratamento de todo o rio Pinheiros.


            Obs. Mapa gerado pelo software “MapStar” da Satloc, a partir dos

      dados de vôo gravados pelo equipamento DGPS Airstar 99.5

 

11.  Aplicação do dia 14 de outubro de 2006 (2a. Aplicação)

 

            Depois de vários finais-de-semana com clima desfavorável, a 2a. Aplicação foi realizada no sábado, dia 14/10/2006.

 

            Assim como previsto no planejamento inicial e já realizado por ocasião da aplicação do dia 27 de agosto, foi obtido o competente NOTAM expedido pelo SRPV (NOTAM D 1485/2006), e as equipes da Coordenação de Engenharia do Tráfego (CET/PMSP) foram mobilizadas para bloquear o tráfego de veículos sobre as pontes imediatamente após cada decolagem, perdurando o bloqueio até o término da aplicação sobre cada trecho.

            A primeira decolagem ocorreu às 6:43h e o último pouso às 10:20h, tendo sido realizado o número de vôos programados (4).

 

            A seguir o detalhamento dos vôos:

 

Vôo

Trecho

Kg produto

Hs. vôo

Obs.

1

“Comporta”- Ponte Cidade Jardim-”Comporta”

396

0:36h

Ida pela margem Oeste, aplicando, e volta pela margem Leste, aplicando. 66 kg/min

2

Ponte Cidade Jardim – Ponte “Pênsil” (Metrô)-Ponte Cidade Jardim

454

0:30h

Ida pela margem Oeste, aplicando, e volta pela margem Leste, aplicando.66 kg/min

3

Ponte “Pensil” - Represa Billings-Ponte “Pensil”

400

0:36h

Ida pela margem Oeste, aplicando, e volta pela margem Leste, aplicando.66 kg/min

4

Estação Traição – Represa Billings (todo trecho inferior) + parte do Canal Guarapiranga (1,5 km).

360

0:36h

Aplicação apenas no centro do rio (66 kg/min) e mais aplicação sobre o centro do Canal Guarapiranga (aprox. 88 kg/min). “Arremate” de pequeno trecho situado entre a Ponte Morumbi e Estação da Traição (margem Leste).

TOTAL

67,725 km = aprox. 101 ha

1.610 kg

2:20h

Dose média = 15,8 kg/ha

 

            O mapa seguinte mostra o trecho percorrido nos quatro vôos.

 

            Nesta aplicação os parâmetros principais registrados foram os que seguem:

 

·          Altura de vôo: 15-30 m

·          Velocidade média do vento: 0 – 5 km/h

·          Direção predominante do vento: 210 graus

·          Temperatura: 18-23 C

·          Umidade Relativa : 85% - 70 % (estimativa)

·          Velocidade média de aplicação : 188 km/h

·          Comprimento total aplicado: 67,725 km (equivalente a 101 hectares, com largura de faixa = 15 m)

·          Total de produto (Vectolex G) aplicado : 1.610 kg

·          Dose média (considerando faixa 15 m): 15,8 kg/ha

·          Horas de vôo: = 2:20h (Duas horas e vinte minutos)


             Obs. Mapa gerado pelo software “MapStar” da Satloc, a partir dos dados

             de vôo gravados pelo equipamento DGPS AirStar 99.5

 

 

 

 


Aplicação dia 14 de outubro de 2006

 


12.  Coleta de deposição do produto

 

            Foi programada a coleta de deposição utilizando a mesma metodologia empregada na fase de calibração e determinação da faixa de deposição (item 7, acima). Entretanto, esta coleta foi prejudicada pela inexistência de local adequado para colocação dos coletores. Estes tiveram de ser colocados sobre uma ponte flutuante, na extremidade do rio, próximo à represa “Billings”. A ponte flutuante, no entanto, não atingia uma das margens do rio, o que tentou-se contornar improvisando passarela de tábuas. Mesmo assim, a linha de coletores (40) somente foi colocada em metade da largura do leito do rio. Ainda, sobre o referido local existia uma linha de energia elétrica o que obrigou o avião a passar sobre a linha de coletores em altura acima da usada em toda a aplicação. A coleta, assim, foi prejudicada. Serviu, no entanto, para dar uma idéia da uniformidade geral da aplicação e para indicar que  a deposição foi menor na margem Leste do rio do que na margem Oeste Provavelmente tal desigualdade de deposição venha a ser confirmada por diferentes níveis de controle em cada margem.

 

13. Relação de custos diretos

 

            Não computando custos como estadias, refeições, passagens, deslocamento de pessoal e de veículos e outros, os principais custos diretos são abaixo relacionados:

 

13.1.    Aplicação do dia 28/8/2006:

 

Km tratados / hectares

17.890 km  / 27 ha

Horas de translado (2)

6,4

Horas vôo reconhecimento

0,5

Horas de aplicação

0,6

Total de  horas vôo

7,5

Custo c/horas vôo (a R$ 1.500,00 / hora)-R$

11.250,00

Kg Produto calibração

200

Kg Produto tratamento

450

Sub-total Produto - Kg

650

Custo com produto ( a R$ 60,00 / kg)- R$

39.000,00

Custo com Projeto e Coordenação- R$

22.000,00

Custo com aluguel de equipamentos  de comunicação

600,00

Custo total- R$   primeira aplicação (área parcial)

61.600,00

 

13.2.     Aplicação do dia 14/10/2006:  

 

Km tratados / hectares

67.725 km / 101 hectares

Horas de translado (1)

2,50

Horas de aplicação

2,30

Total de  horas vôo

4,80

Custo c/horas vôo (a R$ 1.500,00 / hora)-R$

7.200,00

Kg Produto tratamento

1.610

Custo com produto ( a R$ 60,00 / kg)- R$

96.600,00

Custo com Projeto e Coordenação- R$

(incluído c/ primeira aplicação)

Custo com aluguel de equipamentos de comunicação

.540,00

Custo total- R$   (área total)

104.340,00

Total geral das duas aplicações – R$

165.940,00

 

 

 

14. Monitoramento do nível de infestação do rio Pinheiros com larvas de “Culex”

 

                        O monitoramento da infestação de larvas de mosquitos do gênero “Culex” foi efetuado antes das aplicações e após as mesmas.

 

                        Entretanto, o grande volume de chuvas ocorrido na semana imediatamente seguinte após o tratamento prejudicou tal avaliação, já que as águas do rio sofreram forte deslocamento. Mesmo assim, os resultados obtidos estão colocados no ANEXO 2.

 

15.  Chuvas e temperaturas


Os gráficos a seguir mostram o volume de chuvas e temperaturas ao longo do mês de outubro 2006, na região do Rio Pinheiros, SP:

aplicação

coleta

Fonte: Empresa Metropolitana de Água e Esgotos (EMAE/SP)


Fonte: Empresa Metropolitana de Água e Esgotos (EMAE/SP)
 

 


16.  Considerações finais / Recomendações para trabalhos futuros

 

            Os seguintes pontos foram anotados visando o aperfeiçoamento de futuras aplicações:

 

16.1 Registros meteorológicos : é imprescindível dispor de uma estrutura de monitoramento climatológico mínima, colocada à margem do rio Pinheiros e que possa fornecer,  no mínimo,  as seguintes informações meteorológicas.

·          Índices pluviométricos – 1 semana antes e uma semana após a aplicação

·          Temperatura em tempo real

·          Direção do vento em tempo real

·          Velocidade do vento em tempo real

·          Umidade Relativa do Ar em tempo real.

 

16.2  Comunicação bilateral terra-avião. Na aplicação realizada a comunicação se estabeleceu somente entre o piloto e o Controle situado em Congonhas. Seria util  poder contar, também, em uma outra frequência, com a possibilidade de comunicação do pessoal de terra com o piloto, visando informações sobre eventuais alterações na rota e/ou altura de vôo.

 

16.3 Ponto de coleta de deposição. Seria necessário contar com melhores condições para a coleta de deposição. Sugere-se o reparo da ponte flutuante já utilizada e seu deslocamento para um trecho mais favorável (longe de obstáculos).

 

 

                                                            
ANEXO 1.

Relação do pessoal envolvido.

 

Nome

Profissão

Função

Órgão / Empresa

Max Zenker Justo

Eng.Agrônomo

Coordenador

Sana AgroAérea Ltda

José Edinaldo de Andrade

Piloto Agrícola

Piloto

Sana AgroAérea Ltda

Deberson Miguel de Queiroz

Técnico Agrícola

Executor de Aviação Agrícola

Sana AgroAérea Ltda

Valdemir Doniseti Pinheiro

 

Coordenador de Serviços

Sana AgroAérea Ltda

Rui Nuno Vasconcelos Cardoso

Piloto Agrícola

Diretor

Sana AgroAérea Ltda

Eduardo Cordeiro de Araújo

Eng.Agrônomo

Planejamento e Assessoramento Técnico

Agrotec Tecnologia Agrícola e Industrial Ltda

Alexandre Loureiro Marques

Eng. Agrícola

Assessoria Técnica

Agrotec Tecnologia Agrícola e Industrial Ltda

Carlos Alberto Madeira Marques Filho

Biólogo

Sub-Gerente Sinantrópicos / Coordenação Geral

Centro de Controle de Zoonoses . PMSP

Moacyr Giovanini Dal Bom

Biólogo

 

Centro de Controle de Zoonoses . PMSP

Débora C. Oliveira

Bióloga

 

Centro de Controle de Zoonoses . PMSP

Adriano Fernandes Ogera

Biólogo

 

Centro de Controle de Zoonoses . PMSP

Eunice Santos Martini Parodi

Médica Veterinária

 

Centro de Controle de Zoonoses . PMSP

Cláudio Antonio Vizioli

 

Engenheiro Civil

 

Gestor de trânsito 01

 

CET-Companhia de Engenharia de Tráfego SP

Eduardo da Silva Pereira

 

Arquiteto e Urbanista

 

Gestor de trânsito 01

 

CET-Companhia de Engenharia de Tráfego SP

Carlos Heredia

1ºTen.R1

Consultor ATS / ICAO

DTCEA-SP/ SRPV-SP

Washington Luiz Pereira dos Santos

1ºTen.Esp CTA

Chefe da SubDivisão de Gerencia de Tráfego Aéreo

 

Divisão de Operações- SRPV-SP

Marco Antonio dos Santos Meirelles

2ºTen.Esp CTA

Chefe da Seção de Controle

Divisão de Operações- SRPV-SP

Carlos Marcolino da Silva

1ºSgt.BCT

 Adjunto da Seção de Controle

Divisão de Operações- SRPV-SP

Alberto Frassão

     

 

Militar

Chefe da Divisão de Serviços Aéreos

ANAC / GER-4

Ubirajara Veiga Filho

Militar

Divisão de Serviços Aéreos

ANAC / GER-4

Francisco Cosmo

Militar

Encarregado – Divisão de Serviços Aéreos

ANAC / GER-4

Paulo Vilarinhos

Médico Veterinário

Especialista / Desenvolvimento de Produto

Valent BioSciences Corp.

Dr. Peter Dechant.

 

Field R & D: Public Health

Valent BioSciences Corp.

Fernando Bueno de Avellar Pires

 

 

Eng.Agrônomo

Fiscal Federal Agropecuario

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento . SEFAG/DT-SP

Marcelo Della Barba

 

Gerente Filial SP

Aeromot Aeronaves e Motores S.A.

 


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