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  Utilização da leguminosa Arachis pintoi Krapov. & W. C. Greg (Amendoim Forrageiro) e suas características socioambientais em
26/09/2017

JOÃO FERREIRA DE SOUZA FILHO
RJ - RIO DE JANEIRO
O objetivo deste estudo foi investigar as características socioambientais e a utilização do plantio consorciado com a leguminosa, Amendoim Forrageiro em pastagens de pequenas propriedades rurais no município do Bujar, no Acre.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Meio Ambiente e Biodiversidade
Inventário, Manejo e Conservação da Vegetação e da Flora


1. INTRODUÇÃO

 

A importância da caracterização socioambiental está em entender como os atributos naturais e as ações antropogênicas se relacionam, sendo, dessa forma, possível trabalhar na formulação de ideias e conhecimentos científicos voltados à elaboração de políticas públicas que almejam a exploração do ambiente de maneira mais sustentável, além da melhoria na qualidade ambiental (BORGES et al., 2006). Segundo Lima (2008) as discussões acerca do uso dos recursos naturais datam da década de 60 e 70, fazendo com que países passem a adotar mecanismos para minimizar os efeitos nocivos da apropriação dos recursos naturais.

Com o intuito de reduzir as altas taxas de desmatamento e aumentar a produtividade e sustentabilidade na produção agropecuária de forma sustentável, o uso alternativo vem sendo estudada devido os desmatamentos que não cessaram na Amazônia brasileira, tem aumentado continuamente desde 1991 (FEARNSIDE, 2006) em 2007, estima-se que 17,2% da Amazônia Legal foi desmatadas (INPE apud ARAÚJO, 2008), desse total cerca de 80-90% das áreas têm sido utilizadas com pastagens manejadas de forma extensiva. Ademais, acredita-se que metade desta seja ocupada por pastos degradados, roçados e capoeiras abandonadas. (FEARNSIDE; BARBOSA, 1998; MULLER et al, 2004., BRASIL, 2004 apud ARAUJO, 2008).

Nesse cenário que visa um crescimento sustentável da agropecuária, uma das maiores fontes da economia que movimenta o Brasil, está a cada dia com espaços e meios limitados, muitas terras ocupadas são mal utilizadas, justamente por conta da falta de investimento em tecnologia e manejo, o que tem levado os produtores a buscarem novos métodos para o aumento da qualidade das pastagens, com maior mitigação de efeitos antrópicos para o ambiente e melhor utilização de suas áreas, isto que, um dos fatores que limitam a produtividade da área é o manejo realizado de forma inadequada nas propriedades, o que acaba resultando na degradação das pastagens e, consequentemente, na diminuição da margem de lucro do proprietário.

A queda de produtividade das pastagens faz parte de um manejo inadequado e redução da fertilidade do solo ao longo dos anos. O exemplo disso, no Estado do Acre, sudoeste da Amazônia, a forma de ocupação e desenvolvimento da agropecuária se deu pela substituição gradual do extrativismo da borracha, o que estabelece uma forma de apropriação e exploração econômica dos recursos naturais numa base fortemente concentrada na pecuária extensiva e na agricultura itinerante através do desmatamento (SCARCELLO & BIDONE, 2007). Atualmente no Estado a agropecuária é ainda, a principal atividade econômica responsável pela geração de valor e absorção da população que vive no meio rural (Acre, 2007).

Entretanto, mesmo com o fortalecimento do Desenvolvimento Sustentado, que norteia os programas de desenvolvimento e as políticas públicas para o manejo dos recursos naturais, os desmatamentos ainda tem sido uma das principais características para o aumento de produção na agropecuária (SCARCELLO & BIDONE, 2007). Nesse contexto, o município do Bujari a 28 km da capital do Estado, na regional Baixo Acre, carece de um olhar mais cuidadoso frente às perspectivas de crescimento sustentável, já que, com demais municípios do estado formam um arco de desmatamento responsável por mais de 75% de todo o desflorestamento ocorrido no estado entre 2006 e 2008 (LIMA & NÓBREGA, 2009).

Surge assim, a necessidade de estudar novas formas de nutrição animal aliado ao conhecimento de técnicas de manejo sustentável em propriedade devastada visando à conversão e recuperação da floresta de pastagens. No mercado, há insumos que a complementam e melhoram a nutrição animal, porém de elevado custo, encarecendo a produção de pequenas propriedades forçando-os a incorporar novas áreas e consequentemente o desmatamento e a degradação ambiental. Nesse sentido, uma alternativa para a alimentação seria a leguminosa amendoim forrageiro (Arachis pintoi Krapov. & W. C. Greg) na pastagem como fator energético para nutrição animal, que além de possibilitar um crescimento na produção local, tem a tendência de melhorar a qualidade do solo saciando a carência de nutrientes, pois a planta representa uma taxa nutricional de quase três vezes maior que a encontrada no capim da região, baseado em amostra realizada pela Embrapa-Acre (Embrapa-Acre, 2010).

O cultivo do amendoim forrageiro é uma prática que vem sendo estudada no Brasil e em alguns países da América Latina em diversos ramos de pesquisa. A principal expectativa do uso do forrageiro na pastagem é apresentar resultados relevantes na nutrição bovina. De acordo com Schunke (2001) as forrageiras apresentam um forte potencial na dinamização do ciclo do nitrogênio nos sistemas de pastagens e a seleção de variedades com boa qualidade nutricional tem importante implicação na ciclagem do elemento, em sistemas de pastagens baseados em gramíneas.

Ademais o amendoim é uma leguminosa que se desenvolve rasteiramente na pastagem facilitando seu cultivo, além de ser uma espécie geocárpica, fruto se desenvolve dentro do solo, contendo de duas a três sementes, sendo, portanto sua propagação de forma vegetativa (PERREIRA, 2011b). Muitos autores vêm desenvolvendo artigos sobre uso do amendoim e expondo alguns resultados alcançados em diversas regiões do Brasil, uns apontam a região norte especificamente o Acre com um melhor cultivo dessa leguminosa. Segundo Pereira (2011a) cultivar Belmonte (Amendoim Forrageiro) e as facilidades de sua reprodução destaca-se em amplas áreas cultivadas no estado do Acre e em menor escala nos tabuleiros costeiros da Bahia e Sergipe. O mesmo autor ainda ressalta que o amendoim forrageiro é uma leguminosa herbácea variando de 20 a 40 cm de altura, perene e de crescimento rasteiro agressivo em cobrir o solo, esta leguminosa se consorcia muito bem com espécies de gramíneas igualmente agressivas como as do gênero Brachiaria (PEREIRA, 2011b).

Com isso os efeitos do manejo na pastagem que sofrem ações da natureza, e o uso da leguminosa como o amendoim forrageiro enriquecerão o solo, oferecendo aos animais maior valor energético em sua alimentação, pois a carência de nutrientes no solo e a baixa qualidade de pastagens tornaram-se desafios para pesquisadores e produtores. (PEREIRA, 2007). Assim, com as mudanças do clima na região os pequenos produtores disporão de uma suplementação durante o período de estiagem, visando amenizar o déficit nutricional do rebanho (PEREIRA, 2011a).

Nesse contexto, o amendoim forrageiro é uma forte alternativa para a região de Bujari, especialmente por ser uma erva que resiste os dois períodos climáticos da região, secos e chuvosos, e por possuir elevado valor nutricional tem se mostrado uma fonte boa de alimento para os animais nesse período e na formação de banco de proteína (ARAÚJO et al., 2010).

Nessa perspectiva, a pesquisa levantou a utilização do amendoim forrageiro nas pastagens de pequenos produtores e se ao utilizá-la como complemento nutricional em seus animais houve sensível melhora no manejo de sua propriedade, haja vista, que a região do Norte do Brasil, especificamente o Acre, possui naturalmente proliferação desta leguminosa forrageira. Assim, o objetivo deste estudo, foi levantar e avaliar as características socioambientais e utilização do plantio consorciado com a leguminosa Amendoim Forrageiro em pequenas propriedades no município de Bujari, Acre, como alternativa no aumento da produção animal, visando uma maior sustentabilidade ambiental da região, levando em consideração que a conciliação do amendoim forrageiro trará resultados aos pequenos produtores com uma maior produção animal, com diminuição de custos e adoção de práticas sustentáveis em pequenas propriedades do município.

 

2. OBJETIVOS

 

2.1 Objetivo Geral

 

Analisar o uso da leguminosa Arachis pintoi Krapov. & W. C. Greg (amendoim forrageiro) por pequenos produtores rurais como alternativa na nutrição de bovinos e sustentabilidade de pastagens.

 

2.2 Objetivos específicos

 

Estudar os custos-benefícios ao utilizar à leguminosa amendoim forrageiro na nutrição de bovinos em pequena propriedades rurais;

 

Analisar aspectos socioeconômico dos proprietários de pequena área rural, sob o plantio consociado do amendoim forrageiro;

 

Verificar as técnicas de plantio consorciado utilizadas para o amendoim forrageiro e se as emprega da maneira adequada, bem como, apontar formas de se corrigir possíveis problemas.

 

Apresentar a importância da leguminosa Arachis pintoi na produção a pasto na região.

 

3. MATERIAL E MÉTODOS

 

A Pesquisa ocorreu em colocações de pequenos produtores de dois projetos de assentamentos a margem da BR-364 (Ramal Espinhara I e II) no Município de Bujari localizado no Estado do Acre, Brasil, 09°49′51″S/ 67°57′07″W (Figura 1), em uma elevação de 211.00 metros acima do nível do mar (SRTM3) e tem uma diferencia horária de -2,0 em relação ao horário oficial do Brasil (Google, 2016). Possui uma área de 3.012 km² e apresenta uma área desmatada de 1.041 km², correspondendo a 35% da área total do município. A taxa média de desmatamento da floresta foi de 1,7% entre 2001 e 2008. Nesse período os desmatamentos foram caindo a partir de 2004 e pouco mais da metade deste desmatamento foi causado por áreas maiores do que 50 hectares, caracterizando uma maior presença de médios e grandes proprietários, com uma presença significativa dos pequenos (ACRE, 2007).

As áreas de assentamentos rurais ocupam cerca de 10% do território, a taxa de desmatamento da floresta (2001 a 2008) dentro dos assentamentos foi de 0,9%, quase a metade da taxa do município inteiro (ACRE, 2007).

Para caracterização dessas famílias e das propriedades optou-se por uma investigação qualitativa com aplicação de questionário semi-estruturado (questões abertas e fechadas), presentes no anexo A.

 

As colocações foram escolhidas aleatoriamente com tamanho dos lotes variando de 30 hectares até 150 hectares. O total de entrevistas realizadas foi de 20 (vinte) famílias nos projetos de assentamentos. Procurou-se com as questões conhecer: a realidade das famílias nos aspectos demográfico, econômicos e ambientais; os conhecimentos dos termos utilizados na legislação ambiental; bem como, a percepção dos agricultores quanto à importância da preservação dos bens naturais; formas de manejo utilizadas; e se conhecem ou utilizam algum plantio consorciado. Os dados foram tabulados em banco de dados do Microsoft Access 2010 e analisados através de gráficos de porcentagem das frequências no Microsoft Excel e SPSS for Windows.

 

3.1 HISTÓRICOS DO AMENDOIM FORRAGEIRO

 

O amendoim forrageiro (Arachis pintoi Krap. & Greg.) é uma leguminosa pertencente à família Fabaceae, originária da América do Sul. Trata-se de uma planta perene, de crescimento rasteiro, que se fixa no solo através das raízes pivotantes e pode alcançar 80cm de profundidade. As flores são amarelas e hermafroditas, porém pode haver também a polinização cruzada por abelhas, produzindo vagens com sementes dentro do sol. Dependendo do cultivo, a produção de sementes não é elevada, por isso a propagação predominante é por estolões. A temperatura ideal para o desenvolvimento da planta é de 25 a 30°C, paralisando o crescimento em temperaturas inferiores de 10°C. Precipitações entre 2000 e 2500 mm proporcionam melhor desempenho da planta, porém regiões com registro de secas acima de quatro meses, podem prejudicar a produção da leguminosa (VALENTIM, 2015).

 

3.2 TÉCNICAS DE PLANTIO

 

Existem alguns métodos de plantio do Amendoim Forrageiro para produção de muda e plantio em pastagens. Segundo Valentin (2015) o Plantio em Covas, utilizado para o estabelecimento do amendoim forrageiro em áreas recém-desmatadas, como também em áreas mecanizadas;

 

Valentin (2015) ainda relata outras técnicas, o plantio em sulcos, que ser feito em áreas que não apresentem tocos e trocos de arvores; Arranquio das mudas devem se arrancados com o solo em boas condições de umidade e por meio de uma capina superficial.

O plantio consorciado do amendoim forrageiro nas pastagens, que defendemos deste trabalho, já estabelecida deve ser sempre por meio de pasto rebaixado por meio do pastejo ou roço. Nestas condições realiza a abertura de furos ou covas no solo descoberto, entre as torcerias do capim. Em seguida, um pedaço de estolão da leguminosa, com a proximamente 20 a30 cm de comprimento, é plantado e o solo sobre a muda é compactado com o pé. A pastagem permanece vedada ao pastejo por um período que varia de 28 a 35 dias (VALENTIM et al., 2015).

 

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

A média da área total das 16 propriedades analisadas foi de 59,8 hectares. Sua maior utilização foi para o pasto com valor médio de 32,2 hectares, seguida de 23,45 hectares de área nativa e 7,9 hectares para a agricultura. A quantidade média de cabeças de gado ficou com 50,25 gado/hectare como mostra a tabela 1.

 

Tabela 1: Variáveis pesquisadas com respectivos valores de médias das áreas utilizadas em diferentes atividades, acompanhadas da variância e do desvio padrão.

 

 

Estatística Descritiva

 

Variável

 

 

 

 

Média

Variância

Desvio Padrão

 

 

 

 

(X)

(σ2 )

(S)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Área total

59,8

1938,13

47,96

 

 

 

 

 

 

Área de pasto

32,2

405,4

15,3

 

 

 

 

 

 

Área de agricultura

7,9

748,8

11,1

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Área nativa

23,45

486,4

14,4

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cabeças de gado

50,25

1628,61

40,3

 

 

 

 

 

 

 

 

Os altos valores de variância observados se devem ao fato da não regularidade nas áreas das propriedades, que por vezes apresentam total conversão da área em pasto, quando muito pequena, ou áreas maiores devido a incorporação de novas glebas para atividades econômicas de parentes próximos, caracterizando aumento considerável dos lotes.

No aspecto sócio- demográfico as propriedades tiveram um percentual de 70% de proprietários do sexo masculino e apenas 30% feminino com uma faixa etária variando de 45 a 55 anos (35%) (Figuras 2, 3). O tamanho médio da composição familiar ficou em torno de 4 a 5 pessoas correspondendo 60% do percentual para essa variável. Entretanto, apenas 5% dessa composição contribuem com efetivo trabalho na propriedade Esses dados estão de acordo com os resultados preliminares do INCRA sobre a Qualidade de Vida, Produção e Renda dos Assentamentos da Reforma Agrária, revelando que, nos assentamentos 53% são homens e que o tamanho das famílias gira em torno de quatro pessoas, donde se estima uma composição familiar grande (INCRA, 2010).

 Em relação à escolaridade a pesquisa revelou que o principal problema está na descontinuidade escolar com o acesso ao ensino fundamental inferior a 10%. Essa baixa escolaridade provavelmente está relacionada com a falta de logística dos projetos de assentamento em relação ao centro urbano, aliado às péssimas condições dos ramais, que se dificulta ainda mais no período chuvoso, levando os proprietários a priorizar o trabalho na propriedade relegando o segundo plano a formação acadêmica.

A escolaridade também foi medida pelo INCRA nos projetos de assentamentos e mostram dados similares aos índices de analfabetismo de: 16,5% a 15% nas propriedades avaliadas.

A rentabilidade das propriedades foi verificada, sendo que 70% dos entrevistados ficaram com a renda em torno de R$ 2.500,00 a 10.000 reais em 2011, mostrando que a principal atividade rural comercial (75%) (Figura 6), garantiu um bom retorno financeiro aos proprietários que também mostraram satisfação com a renda. Vale a pena ressaltar, que o salário mínimo em 2011 era de R$ 545,00 (Lei No. 12.382/2011).

Os dados acima corroboram com a análise econômica do estado, que mostram que a taxa de crescimento da economia vem apresentando uma tendência crescente nos últimos anos e o setor agropecuário, a partir de 1998 apresenta taxa anual de crescimento passando a integrar o VA (valor adicionado) do Estado, saindo de 4,1% para 5,9% em 2004 (ACRE, 2010). Vale ressaltar que mesmo praticando outras atividades de subsistência (15%) nas propriedades avaliadas, as mesmas agregam valores quando há comercialização entre os pequenos produtores.

O Zoneamento do Estado relata a evolução da atividade rural no Acre e sua associação com o crescimento das áreas de pastagens e, principalmente, com intensificação dos sistemas de produção. Em 2004 o Bujari, mas três municípios apresentaram altas taxas de lotação das pastagens, esses valores podem ser resultantes da utilização de tecnologias e sua intensificação, o que proporciona um ganho real de produtividade e rentabilidade aos produtores. Por outro lado, as pressões de pastejo acima da capacidade suporte do ambiente, comum em pequenas e médias propriedades, tendem a uma degradação ambiental e, consequentemente, a queda da rentabilidade na atividade rural com o passar dos anos (ACRE, 2010).

Com relação ao manejo da propriedade, caracterizado pelo conhecimento e uso de técnicas de plantio consorciado utilizando à leguminosa amendoim forrageiro, a pesquisa revelou que 65% conhecem a utilização da leguminosa como fator de melhoramento do solo, no entanto, apenas 20% utilizam em sua propriedade (Figuras 8,9). Provavelmente, uma barreira importante à disseminação deste tipo de plantio da espécie estudada, seja a baixa escolaridade, que dificulta o acesso à informação sobre a técnica. Além disso, durante as entrevistas foi possível observar uma tendência a uma forma de comunicação informal dos pequenos agricultores sobre o tema.

O conhecimento da técnica de melhoramento do solo utilizando à leguminosa, de maneira geral, foi repassado por técnicos (30%) e entre os pequenos proprietários (25%), que acontece de maneira superficial e genérica por poucos que participaram de capacitações e encontros com técnicos da Embrapa-Acre, sendo que 35% relataram não ter conhecimento nenhum.

O uso da leguminosa Amendoim Forrageiro (Arachis pintoi), segundo o Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) do Acre foi recomendado pela Embrapa para manejo na renovação de pastagens degradadas e nos sistemas de produção intensivos (Acre 2010). E no período de 2000 a 2004, foi introduzida em mais de 1.000 propriedades, o que resultou em benefícios econômicos em torno de 30 milhões de reais/ano. Isso pode ter ocorrido devido sua capacidade de incorporação de nitrogênio aos ecossistemas, aumentado à capacidade do ambiente e, consequentemente, melhorando a produção. Nesse sentido, as propriedades analisadas refletem a necessidade de se levar uma maior transferência dessa tecnologia aliado às necessidades dos pequenos produtores, visto que, o município do Bujari localiza-se na regional do estado com maior ocorrência de áreas antropizadas devido à intensa conversão da floresta que ainda, se apóia em técnicas ultrapassadas como o corte-queima para transformar a biomassa da vegetação em cinzas e limpar o terreno de plantas invasoras e competidoras nos cultivos ou pastos, a mostra utilização por 65% dos proprietários desse mecanismo de manejo inadequado que em longo prazo causa prejuízos ao solo pelo processo de erosão e diminuição dos nutrientes. Vale ressaltar que a região leste do Estado, onde se localiza o município do Bujari é a mais afetada pelas queimadas todos os anos, sendo que em 2003 foi registrado no município cerca de 305 focos de incêndio (ACRE, 2007).

 

O Estado é o elemento chave e central desse processo, sobretudo de implementação de políticas públicas ambientais ou políticas de sustentabilidade, mas naturalmente não é o único. É preciso pensar a relação Estado-Sociedade neste processo, através da qual a esfera de atuação política possa ser ampliada. Os problemas ambientais precisam ser preocupações que vão desde o Poder Público, movimentos sociais, até empresários, indústrias, sindicatos e associações (MEDEIROS, 2016)

Outro fator relevante na pesquisa foi que, das dezesseis propriedades que não possui o plantio em consórcio 88% relataram o interesse na sua utilização e o principal fator motivador seria aumento na produtividade animal (50%) seguido da conservação do solo (43%) (Figuras 12, 13). As demais propriedades, que utilizam a técnica garantiram um aumento dos benefícios trazidos com a adoção do consórcio.

A manutenção ambiental e ecológica das áreas de reserva legal (RL) e das Áreas de preservação permanente (APP), previstas no Código Florestal Brasileiro, tem um relevante papel no resgate e preservação da biodiversidade (FILHO et al., 2007). Dessa forma, o conhecimento de alguns itens como mostra a figura 14, apontam que de forma geral, os proprietários já ouviram falar sobre o assunto, sendo que 35% relataram ter conhecimento dos itens através dos meios de comunicação e 20% respondeu não ter conhecimento sobre o assunto (Figura 14, 15), 60% já teve contato com a fiscalização ambiental sendo que desses 30% já receberam multas referente ao descumprimento da legislação. Os valores encontrados mostram a necessidade de um conhecimento mais aprofundado para melhor utilizar e manejar a propriedade de acordo com as normas ambientais respeitando a vulnerabilidade das áreas bem como a manutenção da reserva legal, que em muitas propriedades visitadas nem existe mais. Esse fator pode ser sanado com visitas técnicas mais regulares às propriedades, além de palestras, capacitações e cursos voltados à realidade dos produtores que por vezes só tem contanto com a fiscalização através de multas recebidas. A figura 17 mostra essa realidade na qual 50% dos proprietários revelaram não ter apoio técnico, essa falta de conhecimento da legislação pode ser atribuída pela falta de assistência por parte dos órgãos de extensão rural, cooperativas e associações, que muitos desses agricultores não têm acesso, portanto, não teriam como conhecer a legislação (GODOY et al., 2009).

Muitos proprietários relataram preocupação com a fiscalização ambiental sendo que o foco principal está na perda da aérea produtiva, caso tenha que haver reflorestamento (60%) na propriedade pelo descumprimento com a legislação (Figura 18). Filho et al (2007) ressalta que no caso dos pequenos agricultores o problema tende a se agravar, em função da pouca disponibilidade de área para produção, aliado a falta de incentivos econômicos e fiscais para fiscalização e conservação dessas ares de proteção que os

levam a não respeitá-la. Esse fato foi expresso na figura 19, onde 40% dos proprietários relataram que o melhor incentivo para o manejo da propriedade seria o apoio financeiro, 30% fornecimento de equipamentos e mudas e 30% de apoio técnico. Assim, a ação meramente coercitiva e repressiva por parte do estado não tem se mostrado suficiente para garantir o cumprimento da legislação ambiental por parte dos agricultores que necessitam aliar conhecimento, recursos financeiros e apoio técnico preventivo para remediar problemas ambientais futuros.

 

5. CONCLUSÃO

A utilização do amendoim forrageiro possibilitou estudar seu valor nutricional, analisando de forma positiva seu uso como desenvolvimento econômico da região para pequenos produtores, devido aos custos-benefícios do cultivo desta leguminosa para pastagem. A média da área analisado foi de 59,8 hectares para uma quantidade média de cabeça de gado por 50.25 gado/hectares.

A analise sócio- demográfico das propriedades tiveram um percentual de 70% de proprietários do sexo masculino e 30% feminino com uma faixa etária variando de 45 a 55 ano. O tamanho médio da composição familiar ficou em torno de 4 a 5 pessoas, donde se estima uma composição familiar grande, correspondendo 60%, onde os 53% são homens. Entretanto, apenas 5% dessa composição contribuem com efetivo trabalho na propriedade.

 

Em relação à escolaridade o principal problema está na descontinuidade escolar com o acesso ao ensino fundamental inferior a 10%, com índices de analfabetismo de: 16,5% a 15% nas propriedades avaliadas.

 

A rentabilidade das propriedades verificada 70% ficaram com a renda em torno de R$ 2.500,00 a 10.000 reais em 2011, mostrando o uso da terra é a principal atividade rural comercial (75%). Vale ressaltar que mesmo praticando outras atividades de subsistência (15%) nas propriedades avaliadas, as mesmas agregam valores quando há comercialização entre os pequenos produtores.

Com relação ao manejo da propriedade, caracterizado pelo conhecimento e uso de técnicas de plantio consorciado utilizando a leguminoso amendoim forrageiro, a pesquisa revelou que 65% conhecem a utilização da leguminosa como fator de melhoramento do solo, no entanto, apenas 20% utilizam em sua propriedade. 30% dos proprietários afirma que este conhecimento foi repassado por técnicos e entre os pequenos proprietários 25%, sendo que 35% relataram não ter conhecimento nenhum sobre o assunto. Outro fator relevante na pesquisa foi que, das dezesseis propriedades que não possui o plantio em consórcio 88% relataram o interesse na sua utilização e o principal fator motivador seria aumento na produtividade animal (50%) seguido da conservação do solo (43%). As demais propriedades, que utilizam a técnica garantiram um aumento dos benefícios trazidos com a adoção do consórcio.

 

Sendo questionado a sobre a legislação e a preservação e manutenção ambiental e ecológica, os proprietários já ouviram falar sobre o assunto, sendo que 35% relataram ter conhecimento dos itens através dos meios de comunicação e 20% respondeu não ter conhecimento sobre o assunto, 60% já teve contato com a fiscalização ambiental sendo que desses 30% já receberam multas referente ao descumprimento da legislação. 50% dos proprietários revelaram não ter apoio técnico, falta de assistência por parte dos órgãos de extensão rural, cooperativas e associações, que muitos desses agricultores não têm acesso, portanto, não teriam como conhecer a legislação. Relataram ainda a preocupação com a fiscalização ambiental sendo que o foco principal está na perda da aérea produtiva, caso tenha que haver reflorestamento (60%) na propriedade pelo descumprimento com a legislação.

 

Os entrevistados relataram (40%) que o melhor incentivo para o manejo da propriedade seria o apoio financeiro, 30% fornecimento de equipamentos e mudas e 30% de apoio técnico. Assim, a ação meramente coercitiva e repressiva por parte do estado não tem se mostrado suficiente para garantir o cumprimento da legislação ambiental por parte dos agricultores que necessitam aliar conhecimento, recursos financeiros e apoio técnico preventivo para remediar problemas ambientais futuros.

 

Neste sentido, os resultados mostram que os pequenos produtores necessitam de sistemas de produção economicamente viáveis e sustentáveis em suas propriedades a fim de: 1) gerar lucros; 2) ser compatíveis com o acesso, cada vez mais restrito, à mão de obra, crédito e conhecimento e 3) contribuir para a melhoria da renda e qualidade de vida dessas famílias; e que o uso da leguminosa Arachis pintoi, é uma alternativa que oferece um menor custo-benefício, sustentabilidade da pastagem e nutrição para suas criações.

No qual o governo deveria fazer mais investimentos, propiciando melhores condições de vida para os pequenos produtores e o uso da floreta de forma sadia e sustentável.


JOÃO FERREIRA DE SOUZA FILHO
RJ - RIO DE JANEIRO

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