retorna
  :: Artigo selecionado
  POLICITEMIA VERA – ASPECTOS CLÍNICOS, TRATAMENTO E EXAMES DIAGNÓSTICOS
30/12/2016
Policitemia Vera

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Saúde
Análises Clínicas


 

MAGDA MEIRIELE GOMES BUENO

NÚBIA MARIANAFERREIRA

 

 

 

 

 

 

 

 

POLICITEMIA VERA – ASPECTOS CLÍNICOS, TRATAMENTO E EXAMES DIAGNÓSTICOS

 

 

 

 

 

 

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)

apresentado à Universidade José do Rosário

Vellano, como parte das exigências doCurso

dePós Graduação em Análises Clínicas e

Toxicológicas para a obtenção do Título de

Especialista em Análises Clínicas e Toxicologicas.

 

Orientador: Fernando Félix Ranuzzi.

 

 

Divinópolis – MG

2016

RESUMO

A policitemia vera (PV) é uma doença mieloproliferativa, de curso crônico que se caracterizapelo aumento do número de hemácias (eritrocitose)  e aumento do volume sanguíneo total,sendo comuns leucocitose, trombocitose, esplenomegalia e hiperplasia da medula óssea.  A PV é mais frequente em homens do que em mulheres, ocorrendo com maior frequência em indivíduos na sexta/sétima décadas da vida, sendo uma doença de ocorrência rara. Em alguns pacientes a PV é decorrente de uma mutação em uma célula hematopoiética multipotente, a principal mutação verificada é a mutação adquirida no gene da Janus Kinase (JAK2). Grande parte das complicações decorrentes da PV, como trombose, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, estão relacionadas com a hiperviscosidade sanguínea.

 

Palavras-Chave: Policitemia Vera. Mutação do gene JAK2 V617F. Diagnóstico laboratorial.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ABSTRACT

The polycythemia vera (PV) is a myeloproliferative disease, chronic course that is characterized by increasing the number of red blood cells ( erythrocytosis ) and increase the total blood volume being common leukocytosis, thrombocytosis, splenomegaly and hyperplasia in bone marrow. PV is more common in men than in women, occurring more frequently in individuals between the sixth/seventh decade of life, being a rare disease. In some patients the PV is due to a mutation in a multipotent hematopoietic cell, the main checked mutation is the mutation in the gene acquired Janus kinase (JAK2). Much of the complications of PV, such as thrombosis, myocardial infarction, stroke, are related to hyperviscosity.

 

Keywords: Polycythemia Vera; JAK2 V617F mutation of the gene; Laboratorydiagnosis.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LISTA TABELAS

Tabela 1

Critérios para Diagnóstico da policitemia vera

11

 

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABHH

Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular.

EPO

Eritropoietina

Hb       

Hemoglobina

HU

Hidroxiureia

JAK2

Janus Kinase

JAK2V617F

Consiste na troca da guanina por timidina e que resulta na substituição da valina por fenilalamina no códon 617 do gene JAK2

MFI

Mielofibrose idiopática

MPD

Doença Mieloproliferativa

OMS

Organização Mundial da Saúde

PV

Policitemia Vera

TE

Trombocitopenia Essencial

32P

Fósforo Radioativo

 


 

SUMÁRIO

1..... INTRODUÇÃO.. 7

2..... METODOLOGIA. 9

3..... JAK2 E MUTAÇÃOV617F. 10

4..... CRITÉRIOS PARA DIAGNÓSTICO DA PV. 10

4.1Achados Clínicos e Laboratoriais na Policitemia Vera .........................................................11

4.2Outros Testes............................................................................................................. .................11

5..... TRATAMENTO.. 12

6..... DISCUSSÃO.. 13

7..... CONCLUSÃO.. 16

REFERÊNCIAS......................................................................................................................................19

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

1        INTRODUÇÃO

O termo policitemia refere-se a um aumento na concentração de hemácias no sangue (eritrocitose), na policitemia o hematócrito está elevado, acima da faixa normal. Na clínica, ocorre policitemia quando a contagem de eritrócitos e a hemoglobina estão aumentadosocasionando um aumento do volume eritrocitário total[1].

As policitemias classificam-se em: relativa, absoluta primária e absoluta secundária.

Policitemia relativa – caracteriza-se pelo aumento do hematócrito ou da contagem de eritrócitos, devido à redução do volume plasmático, que pode ser decorrente de um consumo reduzido de líquidos ou da perda de líquidos[1].

Policitemia absoluta primária(vera) –doença caracterizada por uma mutação de uma célula hematológica de origem clonal. Ocorre aumento na produção de hemácias, leucócitos e plaquetas, sendo a eritrocitose um aspecto relevante[2].

Policitemia absoluta secundária – ocorre aumento dos eritrócitos circulantes devido à estimulação da medula óssea pela eritropoietina (EPO) ou uma anormalidade do receptor mutante de EPO. Relaciona-se com doença pulmonar obstrutiva crônica, distúrbios cardiopulmonares, policitemia renal dos tumores produtores de EPO, etc. Os leucócitos e plaquetas apresentam valores normais e não há presença de esplenomegalia[3].

A policitemia vera é uma doença mieloploriferativa caracterizada pela produção aumentada das células hematopoiéticas, havendo produção acentuada de eritrócitos, leucócitos e plaquetas, sendo a eritrocitose a manifestação clínica mais comum e significativa. A doença tem origem clonal, surgindo da transformação de uma única célula, a célula stem, que é precursora das células do sangue. A célula defeituosa cresce progressivamente, ocasionando predomínio na produção de células anormais[4]

A PV é uma doença rara e de evolução lenta que acomete principalmente indivíduos a partir dos 60 anos de idade, havendo maior incidência entre homens[5]. Apresenta uma incidência mínima anual de 2,6 casos por 100000 pessoas[6]. A PV foi relatada pela primeira vez em 1892pelo médico francês Louis Henri Vasquez[7].

Essa doença apresenta duas fases definidas: a primeira fase definida como pletórica, onde há excesso de células sanguíneas e a segunda fase em que o baço apresenta aumento de tamanho, a medula apresenta fibrose e hipocelularidade e ocorre uma redução das células do sangue[4]. Na fase pletórica, a eritrocitose ocasiona aumento do volume e da viscosidade sanguínea, fatores que levam a sinais e sintomas que estão relacionados ao aumento e aos efeitos consequentes do fluxo sanguíneo e do transporte do oxigênio.Dentre estes fatores, a “cianose avermelhada” é o mais comum, decorrente do fluxo sanguíneo lento devido à dilatação dos vasos cutâneos pelo aumento da viscosidade do sangue[8].Na segunda fase, ocorre uma exaustão da medula óssea que se caracteriza pelo surgimento de hematopoese extra-medular intensa, especialmente no baço, que apresenta um considerável aumento de tamanho[9].

Dentre os sintomas comuns verificados nos indivíduos com PV, citam-se: cefaleia, pletora, cansaço, sudorese e esplenomegalia[5].As complicações incluem os episódios trombóticos: infarto do miocárdio, tromboembolismo pulmonar e acidente vascular cerebral[10].Aproximadamente 90% dos pacientes diagnosticados com PV apresentam uma mutação adquirida JAK2 V617F, que consiste na troca da guanina por timidina e que resulta na substituição da valina por fenilalamina no códon 617 do gene JAK2 [5].

O diagnóstico da PV consiste em critérios maiores e critérios menores. Dentre os critérios maiores há presença da mutação JAK2 V617F e o aumento da hemoglobina (Hb). Os critériosmenores consistem em biopsia da medula óssea, eritropoietina (EPO) sérica baixa e formação de colônias eritróides[5].

Este trabalho tem como objetivo descrever os aspectos clínicos manifestados pelos portadores de PV, bem como os achados laboratoriais característicos desta enfermidade, caracterizandoa diferença entre os critérios menores e oscritérios maiores, estipulados pela OMS para se estabelecer o diagnóstico preciso de PV, evidenciando a necessidade de monitorar os pacientes com PV, a fim de prevenir as complicações decorrentes da hiperviscosidade sanguínea, destacando os medicamentos mielossupressores empregados no tratamento da PV e a importância do tratamento paliativo com o intuito de diminuir as complicações relacionadasàdoença.

A realização deste estudo torna-se importante, uma vez que a PV é uma doença rara, sendo pouco conhecida por muitos profissionais da saúde. O conhecimento das manifestações clínicas desta doença é de extrema importância para se obter um diagnóstico prévio que auxiliará no sucesso do tratamento, visando amenizar as complicações da doença, contribuindo assim para aumentar a qualidade de vida dos pacientes. Esta revisão visa tambémdespertar o interesse dos profissionais de saúde para que venham a realizar novos estudos a respeito do tema.

2        METODOLOGIA

Para a realização deste estudo, foi feita uma revisão descritiva da literatura científica, utilizando os descritores “Doenças Mieloproliferativas” e “Policitemia vera”. A pesquisa foi embasadanas seguintes bases eletrônicas: Scielo, ABHH (Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular), Revista Saúde Integrada. Foram encontrados no total de 95 artigos, que foram submetidos a uma análise de título e de resumo. Após a análise inicial foram selecionados 34 artigos que foram submetidos a uma análise minuciosa de todo o conteúdo, sendo que após essa análise foram selecionados 16 artigos. Também foram utilizados livros das disciplinas de Hematologia e Patologia que abordam o tema em questão.

3        JAK2 E MUTAÇÃOV617F

AJAK2 é uma proteína pertencente à família das Janus quinases, é uma tirosina quinase, fosforilada em resposta à ação de citocinas, que ativam diferentes vias de sinalização intracelular e participam do processo de transdução do sinal[5]. A mutação JAK2V617F consiste na troca de uma guanina por timina no éxon 14 do gene JAK2, levando à substituição de uma valina por fenilalamina na posição 617 da proteína codificada (JAK2 V617F)[11].A mutação JAK2V617F é verificadaem grande parte dosdoentes com PV e emaproximadamente metade dos doentes com mielofibrose idiopática(MFI) e trombocitopenia essencial (TE)[12].Essa mutação é adquirida, sendo verificada em células de linhagem eritróide e mielóide[11].

4        CRITÉRIOS PARA DIAGNÓSTICO DA PV

O diagnóstico de PV familiar requer, no mínimo, outro paciente com PV na mesma família ou com qualquer outra Doença Mieloproliferativa (MPD). Esse histórico pode aumentar de 3 a 7 vezes as chances de manifestação de MPDs em outros membros da família. [13].

O diagnóstico da PV deve-se basear em critérios estabelecidos como menores e maiores, sendo necessária a presença de dois critérios maiores e um critério menor ou um critério maior e dois menores simultaneamente [10], como pode ser visto na tabela 1.

 

Tabela 1– Critérios para Diagnóstico da policitemia vera.

Ambos os critérios principais ou o critério principal, um mais os 2 critérios secundários tem de ser cumpridos.

Critérios principais:

1.                 Hb> 185g /(11,5mmol/l) nos homens, > 165 g/l (10,4mmol/l) nas mulheres, ou Hb ou hematócrito > 99. Percentis do valor de referência local ou massa eritrocitária > 25 % acima do valo médio de referência.

2.                 Mutação V617F de JAK2 ou mutação de JAK funcionalmente semelhante.

Critérios secundários:

1.                 Na biópsia de medula óssea, em relação à faixa etária, medula óssea hipercelular com pan- mielose.

2.                 Nível sérico baixo de EPO.

3.                 Formação autônoma de colônias eritróides no ensaio de células-tronco.

Fonte: Freund, 2013.

4.1         Achados Clínicos e Laboratoriais na Policitemia Vera

Volume sanguíneo total-em pacientes com PV o volume sanguíneo está consideravelmente aumentado e a viscosidade pode estar até 8 vezes acima dos valores normais[8].. 

Eritrócitos e Hemoglobina- geralmente as hemácias tem um aspecto normal, podendo haver relatos de uma anisocitose discreta, sendo que a poiquilocitose não é comum. Podem ser observados cromatofilia e pontilhado basófilo. A velocidadede sedimentação dos eritrócitos está muito retardada devido à hipervicosidade e baixos níveis plasmáticos de fibrinogênio ou globulinas[8].

Leucócitos - são notadas leucometrias de 25,0 x 109/litro. É comum a presença de células imaturas, dentre elas leucócitos mielóides e metamielócitos, sendo pouco comum a presença de mieloblastos. Pode haver aumento nas concentrações de basófilos, monócitos e eosinófilos[8].

Plaquetas - no sangue policitêmico os níveis plaquetários estão frequentemente aumentados. Nos esfregaços sanguíneos podem ser visualizadas plaquetas com volume aumentado e com formas bizarras.[8].

4.2         Outros Testes

Fosfatase alcalina - nos pacientes com PV há um aumento da fosfatase alcalina leucocitária[14].

 

Vitamina B12- aproximadamente 25% dos pacientes com policitemia vera apresentam níveis séricos aumentados de vitamina B12, sendo que emaproximadamente 75% desses pacientes a capacidade da vitamina B12 de se ligar ao soro está aumentada[14].

 

Ácido úrico-em aproximadamente um terço dos pacientes com PV, verifica-se aumento dos níveis séricos de ácido úrico[14].

5          TRATAMENTO

O tratamento da PV deve ser prescrito pelo médico hematologista, devendo-se observar critérios como a idade do paciente, estado geral de saúde e a evolução da doença. Os métodos mais comuns utilizados no tratamento incluem a flebotomia ea supressão da produção de sangue que pode ser feita através de irradiação eagentes quimioterápicos[8].

 

Flebotomia - a flebotomia consiste na remoção de sangue (aproximadamente 500 ml), com o objetivo de reduzir a massa eritrocitária e o volume sanguíneo total, mantendo o hematócrito em níveis normais. Em alguns pacientes a flebotomia é a única forma de tratamento. Dentre os pacientes que podem ser tratados adequadamente apenas comflebotomia incluem-se as mulheres jovens em idade fértil, pacientes que não apresentam queixas de dores relacionadas à PV enos pacientes em que o diagnóstico não foi claramente definido[8].

 

Fósforo radioativo 32P - esse elemento é solúvel em água podendo ser administrado pela via oral, embora seja mais comum a sua utilização pela via intravenosa. O 32P atinge os tecidos com alta concentração de fósforo, fazendo com que esse agente seja rapidamente metabolizado. A redução da contagem de eritrócitos inicia-se geralmente a partir de 30 a 60 dias contados a partir do primeiro dia da administração[8].

 

Hidroxiureia (HU)-é um quimioterápico administrado por via oral, utilizado notratamento de várias doenças hematológicas e tumores sólidos[15].

 

 

Anagrelide - medicamento administrado por via oral,interfere na produção e maturação das plaquetas.Quando administrado em altas doses pode inibir a agregação plaquetária e induzir supressão eritrocitária discreta[15].

 

Interferon - esse agente reduz o número de plaquetas circulantes. É administrado por via subcutânea, sendo pouco recomendado, devido ao custo elevado eos efeitos colaterais [18]. É indicado para pacientes com intolerância à HU e apresenta como vantagens o fato de não ser teratogênico e não induzir a transformação da PV em leucemia mielóide aguda[15].

 

Tratamento das Complicações- Além dasterapias comuns utilizados no tratamento da PV, vale ressaltar a importância do tratamento paliativo para amenizar as complicações dessa doença e proporcionar melhor qualidade de vida e aumento da sobrevida para os pacientes.  O tratamento paliativo pode se basear no controle do prurido, das complicações trombóticas e da esplenomegalia dolorosa. O prurido é uma queixa comum relatada pelos pacientes com PV que apresentam esse desconforto após banho quente ou contato com água[19]. Sendo que é ocasionado pelo aumento da liberação de histamina que está relacionada ao aumento dos leucócitos basófilos circulantes. Para o controle, geralmente utiliza-se anti-histamínicos[8].

 

Na PV a eritrocitose e a hiperviscosidade sanguínea são fatores de risco para a ocorrência de eventos trombóticos. Para prevenir tais eventos é indicado o uso de antiagregantes plaquetários[4]. Para o controle da esplenomegalia dolorosa a utilização da HU pode apresentar um efeito eficaz. A esplenectomia apresenta um alto índice de mortalidade e sóé realizada como último recurso, noscasos em que a doença está muito avançada [8,15].

 

Prognóstico - sem tratamento os portadores de PV tem uma sobrevida média inferior a dois anos, sendo que as maiores  causas de óbito estão relacionadas às complicações vasculares [13].Pacientes com PV não tratados podem desenvolver mielofibrose, leucemia e anemias severas[8].

6          DISCUSSÃO

A policitemia vera é uma doença mieloproliferativa rara, que se caracteriza por um aumento na massa eritrocitária, havendo também uma produção acentuada de leucócitos e plaquetas. A eritrocitose é a característica mais comum, sendo um fator importante para o aparecimentode manifestações trombóticas e hemorrágicas que são as maiores causas de óbito[4].A maioria dos pacientes com PV estãoentre a quarta e a sexta décadas da vida[14]. Essa doença possui causa desconhecida, sendo que em grande parte dos casos é verificada uma mutação no gene JAK2V617F[8,20].

A eritrocitose e o aumento do volume e da viscosidade sanguínea ocasionam sinais e sintomas característicos como pletora, cefaleia, tontura, tendência aumentada para sangramentos e/ ou complicações trombóticas. No estágio avançado da doençapode ocorrer fibrose da medula óssea, seguida de hematopoiese insuficiente, podendo haver conversão da PV para a fase blástica[15, 20].Nos pacientes com PV os eritrócitos, a hemoglobina e o hematócrito estão elevados, em pacientes não tratados é comum o valor da hemoglobina acima de 20 g/dl. É comum uma leucocitose moderada com um número aumentado de bastonetes. O número de plaquetas está aumentado em aproximadamente dois terços dos pacientes. A fosfatase alcalina dos leucócitos, o nível de ácido úrico e de vitamina B12 estãoaumentados em grande parte dos pacientes[15]. É comum nos pacientesa presença de esplenomegalia, podendo haver também hepatomegalia. A ultrassonografia abdominal é importante para verificar ou não a existência dessas condições, sendo que possuem maior valor diagnóstico quando forem clinicamente palpáveis[4].

 

Visto quea PV possui causa desconhecida, o tratamento é apenas sintomático.O tratamento da PV tem como objetivo principal, prevenir a ocorrência de complicações trombóticas bem como evitar a conversão da PV em doença leucêmica. O tratamento básico consiste na flebotomia isolada ou associada a agentes mielosu pressores e antiagregantes plaquetários.A possibilidade de cura só é possível através do transplante de medula, sendo que esse procedimento sóé realizado em pacientes mais jovens e com  um bom estado geral de saúde[18].Uma vez que amaioria dos sintomas da PV são aliviados com a diminuição da massa de eritrócitos e do volume sanguíneo total, a flebotomia é uma terapia de primeira escolha[8].

 

A utilização apenas da flebotomia isolada é questionada por alguns autores, visto que reduz apenas a massa eritrocitária e a volemia, não sendo efetiva no controle da leucocitose e da trombocitose. Assim, os pacientes submetidos unicamente à flebotomia apresentam um risco aumentado para a ocorrência de eventos trombóticos. Outra controvérsia na realização da flebotomia isolada é o aumento da eritropoese que é incentivada através da perda sanguínea[8,10].

 

No que se refere ao tratamento da PV o ideal é flebotomia associada com agentes mielossupressores e antiagregantes plaquetários, visando o controle da eritropoiese e da viscosidade do sangue. Dentre os mielosupressores empregados no tratamento de doenças mieloproliferativas citam-se hidroxiureia, interferon, anagrelide,fósforo radioativo 32P.

 

A HU atua inibindo a síntese do DNA e possui efeitos diversos sobre a linhagem eritrocitária, ocasionando a elevação do nível de hemoglobina fetal (HbF), do volume corpuscular médio (VCM), melhora da hemoglobina, aumento da hidratação dos eritrócitos, redução do número de reticulócitos.A supressão da medula óssea é um efeito colateral preocupante da utilização da HU, pacientes em uso de desse fármaco devem ser monitorados quanto à complicações decorrentes de plaquetopenia, neutropenia e anemia.. A prescrição da HU relaciona-se com a sintomatologia e o grau das manifestações clínicas apresentadas pelos pacientes[16,17,18,21].Em pacientes com PV pode ser associado ou não com a flebotomia[15].

 

O interferon atua interferindo na divisão celular e exerce ação antiproliferartiva no megacariótico, sendo efetivo para diminuiro número de plaquetas. Aproximadamente 50% dos pacientes que utilizamesse medicamento, interrompem o tratamento devido aosefeitos colaterais como febre, vômito, náusea, diarreia, depressão, aumento dotriglicérides, hipotireoidismo[18].

 

O Anagrelide atua na fase pós-mitótica do megacariócito, retardando a sua maturação. Possui efeito vasodilatador e efeito inotrópico positivo ocasionando o aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca. Apresenta resultados satisfatórios nos pacientes com trombocitose e alto risco de eventos hemorrágicos, porém nos pacientes portadoresda mutação JAK2V617F é mais viável a administração da HU, uma vez que apresenta menor risco de trombose arterial e maior efeito citorredutor quando comparada com o anagrelide. O uso do anagrelide pode desencadear crise hipertensiva, palpitações e retenção hídrica. Em pacientes com histórico de arritmias e cardiopatia isquêmica deve ser avaliada a viabilidade do tratamento com o anagrelide[15,18].

 

Associado aos mielossupressores é viável a utilização de algum antiagregante plaquetário visando diminuir a viscosidade sanguínea e a formação de coágulos. Essesmedicamentos devem ser utilizados em baixas doses, sendo a Aspirina a mais comumente utilizada. São benéficos para evitar episódios vasculares oclusivos (acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio,trombose)[23].Nos pacientes que apresentam predisposição hemorrágica deve-se avaliar a associação da aspirina e do anagrelide[15].

Outra terapia utilizada no tratamento de desordens hematológicas é o 32P. A absorção desse agente pelas células em rápida divisão é maior do que pelas células normais e a sua concentração no tecido ósseo faz com que ele seja eficiente no tratamento das desordens hematopoiéticas. Em pacientes policitêmicos a terapia com o 32P induz à melhoras no quadro hematológico que podem perdurar por mais de dois anos, em contrapartida pacientes tratados com radiofostato apresentam maior incidência para o desenvolvimento de leucemia[8].

Visto que não há um tratamento específico para a PV, não se pode estabelecer nenhuma das terapias apresentadas como sendo ade melhor escolha.

7          CONCLUSÃO

A PV é um distúrbio mieloproliferativo das células hematopoiéticas, caracterizada poruma produção acentuada de eritrócitos, granulócitos e megacariócitos, havendo predomínio na produção de eritrócitos. É uma doença rara, de causa desconhecida, sendo que alguns doentes apresentam uma mutação no gene JAK2V617F. Apresenta manifestações clínicas inespecíficas, incluindo cefaleia, vertigem, desmaios, rubor da pele (pletora). A eritrocitose é um achado característico dessa enfermidade, não sendo por si só suficiente para seestabelecer o diagnóstico de PV. O diagnóstico deve basear se em critérios pré-estabelecidos como critérios menores e maiores, sendo que para se estabelecer um diagnóstico preciso é necessário a manifestação de dois critérios maiores e um critério menor ou um critério maior e dois menores, conjuntamente. Não existem tratamentos específicos para a PV, sendo que os tratamentos disponíveis visam amenizar os sintomas e prevenir complicações. Visto que grande parte dos sintomas sãoamenizados com a redução da eritrocitose e da volemia, o tratamento geralmente inicia-se com a flebotomia, sendo que esta pode ser realizada de forma isolada ou pode ser associada a algum agente mielossupressor. Não há como estabelecer um agente mielossupressor de maior eficácia no tratamento da PV, sendo que a prescrição desse tipo de agente deve levar em consideração o estágio e as complicações referentes à doença. Os pacientes com PV não tratados possuem uma sobrevida baixa. O objetivo terapêutico principal consiste em prevenir os eventos trombóticos sem ocasionar o risco de ocorrência de outras complicações como hemorragias, fibrose medular e desenvolvimento de leucemia.

 


 

REFERÊNCIAS

 

1.       McPHERSON, Richard A., PINCUS, Mattheu R. Diagnósticos Clínicos e Tratamentos por Métodos Laboratoriaisde Henry. Vol. 1, ed. 21, Barueri: Manole, 1983.

2.       RAPAPORT, Samuel I. Hematologia. Vol.1,ed. 2, São Paulo: Roca, 1990.

3.      CHAUFFAILLE, Maria de Lourdes L. F. Neoplasias Mieloploriferativas: revisão dos critérios diagnósticos e dos aspectos clínicos. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia,São José do Rio Preto, v. 32, n.4, p.308-316, 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbhh/v32n4/aop90010.pdf> Acesso em: 11 de janeiro de 2016.

4.      MORETTI, Marcelo Pasqualliet al. Policitemia Vera: relato de caso. Arquivos Catarinenses de Medicina, Criciúma, v.37, n.3, p.76-79, 2008. Disponível em: <http://www.acm.org.br/revista/pdf/artigos/570.pdf> Acesso em: 13 de janeiro de 2016.

5.      MONTE-MÓR, Bárbara C.R; COSTA, Fernando F.A mutação JAK2 V617F e as síndromes mieloproliferativas. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, São José do Rio Preto, v.30, n.3, p.241-248, 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbhh/v30n3/a14v30n3.pdf> Acesso em: 14 de janeiro de 2016.

6.      RIBEIRO, Juliana C.C.; SILVA Maria Regina R.; CHAUFFAILLE, Maria de Lourdes L.F. Duas classes de mutação na evolução de policitemia vera para leucemia mielóide aguda. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, São José do Rio Preto, v.31, n.2, p.115-117, 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbhh/v31n2/aop1609.pdf> Acesso em: 14 de janeiro de 2016.

7.      DELGADO, Norma Fernández; SARRAF, Tereza A. Fundora; PÉREZ, Ivis Macías. Policitemia Vera. Experiencias en el diagnóstico y tratamento en el Instituto de Hematología e Inmunología.Revista Cubana de Hematología Inmunología y Hemoterapia,Ciudad de La Habana, v.27, n.1, p.77-90, 2011. Disponível em: <http://scielo.sld.cu/pdf/hih/v27n1/hih07111.pdf> Acesso em: 11 de janeiro de 2016.

8.       LEE, G. Richard et al. Wintrobe- Hematologia Clínica. Vol.2, ed. 9, Barueri: Manole, 1998.

9.       ROBBINS, Stanley L. Patologia. Vol.1, ed.3, Rio de Janeiro: Guanabara, 1969.

10.   LEE, G. Richard etal. Wintrobe- Hematologia Clínica. Vol.1, ed. 9, Barueri: Manole, 1998.

11.  MOURA, Lívia Gonzaga. Expressão de Galectinas-1 e 3 em Neoplasias Mieloploriferativas.2012. 116 f. Dissertação de Mestrado (Programa de Pós-Graduação em Biociências Aplicadas à Farmácia) – Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto/ USP, Ribeirão Preto, 2012. Disponível em:<http://www.teses.usp.br/testes/disponíveis/60/60135/tde-25022013-094107/en.php. Acesso em: 11 de janeiro de 2016.

12.  DELGADO, Norma Fernández; SARRAF, Tereza A. Fundora; PÉREZ, Ivis Macías. Policitemia Vera. Experiencias en el diagnóstico y tratamento enel Instituto de Hematología e Inmunología. Revista Cubana de Hematología Inmunología y Hemoterapia,Ciudad de La Habana, v.27, n.1, p.77-90, 2011. Disponível em: <http://scielo.sld.cu/pdf/hih/v27n1/hih07111.pdf> Acesso em: 11 de janeiro de 2016.

13.  HUSSEIN, Kais et al. Clinical utility gene card for: familial polycythaemia vera. European Journal of Human Genetics. Hannover, v.21, p.216, 2012. Disponível em:

<http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3658196/pdf/ejhg2012216a.pdf> Acesso em: 15 de janeiro de 2016.

14.   RAPAPORT, Samuel I. Hematologia. Vol.1,ed. 2, São Paulo: Roca, 1990.

15.  AMARAL, Cecília Beatriz Alves. Policitemia Vera- Caracterização Clinica e Molecular e Novas Abordagens Terapêuticas. 2009. 86 f.Tese (Mestrado Integrado em Medicina) -  Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Coimbra, 2009. Disponível em:

16.  SILVA, Michelle C.; SHIMAUTI, Eliana L. T.; Eficácia e toxicidade da hidroxiuréia em crianças com anemia falciforme. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia. São José do Rio Preto, v.28, n.2, p.144-148, 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbhh/v28n2/v28n2a16.pdf> Acesso em: 20 de junho de 2016.

17.  FRANÇA, Emanuel Rodrigues de et al. Efeitos colaterais cutâneos após uso prolongado de hidroxiuréia na Policitemia Vera. Anais Brasileiros de Dermatologia. Niterói, v.84, n.6, p.751-754, 2009. Disponível em:<http://www.scielo.br/pdf/abd/v86n4/v86n4a19.pdf> Acesso em: 12 de janeiro de 2016.

18.  BITTENCOURT, Rosane I. ET al. Trombocitose essencial: o que é essencial saber. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia. São José do Rio Preto, v.32, n.2, p.162-170, 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbhh/v32n2/aop39010.pdf> Acesso em: 23 de junho de 2016.

19.  CARVALHO, Amanda de Arruda; ALCHORNE, Maurício Mota de Avelar. Prurido no idoso. Revista da Sociedade Brasileira de Clínica Médica. São Paulo, v.12, n.1, p.93-99, 2014. Disponível em: < http://files.bvs.br/upload/S/1679-1010/2014/v12n1/a4054.pdf> Acesso em: 21 de junho de 2016.

20.  FREUND, Mathias. Hematologia microscópica prática. Vol.1, 11 ed., São Paulo: Santos, 2013.

21.  FERRAZ, F. N.; WEILER, E. B. Uma abordagem sobre o uso da hidroxiuréia e do transplante de células-tronco hematopoéticas no tratamento da anemia falciforme. Arquivos deCiências de Saúde - UNIPAR, Umuarama, v. 16, n. 1, p. 51-58, jan./abr. 2012. Disponível em: <http://revistas.unipar.br/?journal=saude&page=article&op=view&path%5B%5D=4567> Acesso em: 21 de junho de 2016.

22.  MOREIRA, Ângela Puccini et al. Síndrome de Sweet associada a Policitemia Vera. Anais Brasileiros de Dermatologia. Niterói, v.84, n.6, p.663-666, 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/abd/v84n6/v84n06a14.pdf>Acesso em: 10 de fevereiro de 2016.

23.  HOEFLER, Rogério. Ácido acetilsalicílico como antiagregante plaquetário: qual a conduta ideal? Boletim Farmacoterapêutica. Brasília, v.9, n.4, p. 43-45, 2004. Disponível em: <www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/79/14-boletimfarmacoterapeutica.pdf> Acesso

 

em : 14 de agosto de 2016.


Indique este Artigo enviando o Link:
http://www.crbiodigital.com.br/portal?txt=3077343835


 retorna

 

  :: Pesquisa Artigos
contenha a palavra 
Regional 
Nome do(a) Biólogo(a) 


pesquisar



Copyright 2007  -   contatocrbiodigital@crbiodigital.com.br  -   privacidade