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  COMPOSTAGEM COMO ALTERNATIVA DE TRATAMENTO DE RSUO – CONSIDERAÇÕES PARA PROJETOS FUTUROS DE UNIDADES DE TRIAGEM E COMPOSTAGEM
20/05/2016

PATRÍCIA TOMEDI CAPRARA
RS - BENTO GONÇALVES
Nesta pesquisa buscou-se a opinião de diversos especialistas, técnicos e operadores da área de resíduos sólidos, a respeito de elementos e princípios que devessem estar presentes em projetos futuros de UTC'S para a realidade brasileira.

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Meio Ambiente e Biodiversidade
Gestão e Tratamento de Efluentes e Resíduos


INTRODUÇÃO

O aumento crescente da geração de resíduos sólidos urbanos nos municípios brasileiros vem ocasionando consequências graves ao meio ambiente. Uma das causas desta geração excessiva, deve-se a alguns fatores, os quais podemos citar: o desenvolvimento econômico do país e o aumento das taxas de venda e consumo, o que acarreta um agravamento nos problemas sanitários dos municípios devido a destinação incorreta dos resíduos sólidos ali gerados.

 

Mesmo após ser sancionada a Lei 12.305/2010 (BRASIL, 2010), que instituiu a Política Nacional dos Resíduos Sólidos no Brasil, muitos municípios brasileiros ainda não apresentam um sistema de tratamento e destinação final adequados. Uma das principais diretrizes estabelecidas por essa lei, o estabelecimento de uma ordem de prioridade em gestão e gerenciamento, que caracteriza a não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.

 

A destinação final ambientalmente adequada é descrita pela Política Nacional dos Resíduos sólidos, como a destinação de resíduos que inclui a reutilização, a reciclagem, a compostagem, a recuperação e o aproveitamento energético, bem como a disposição final, observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos (BRASIL, 2010).

 

O problema maior no que se refere ao tratamento dos resíduos é falta de relação entre a comunicação e a percepção do poder público, isto é, o Brasil possui uma lei muito boa que descreve formas de tratamento e disposição final aos resíduos, mas essa não é aplicada, pois em muitos casos os gestores utilizam a forma mais barata de destinação (aterros sanitários) e não a maneira correta, uma vez que ainda há sistemas frágeis de controle.

 

De acordo com Kiehl (2004), a compostagem é um processo controlado de decomposição microbiana, de oxidação e de oxigenação de uma massa heterogênea de matéria orgânica no estado sólido e úmido. Mais de 50% da massa de resíduos gerados pelos municípios brasileiros, disposto em aterros sanitários é de origem orgânica biodegradável, resíduo este que poderia ser compostado, aumentando assim a vida útil dos aterros sanitários e também gerando renda com a venda do composto produzido (ABRELPE, 2013).

 

Nas unidades de triagem e compostagem, os resíduos provenientes da coleta são triados e selecionados por tipologia, sendo que os potencialmente recicláveis são comercializados ou doados, os resíduos orgânicos biodegradáveis são encaminhados para o processo da compostagem, e os rejeitos são encaminhados para aterros sanitários.

 

Segundo os dados fornecidos pela ABRELPE, os municípios brasileiros geraram, em 2012, aproximadamente 29.072.794 toneladas de resíduos orgânicos potencialmente recicláveis, sendo que 0,4%, ou seja, apenas 116.291,2  toneladas foram enviadas para unidades de compostagem para tratamento (ABRELPE, 2012). Observa-se que em 2013, o número fornecido pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, (SNIS) em relação a tratamento é bem menor, apenas 0,02% do resíduo orgânico biodegradável foi encaminhado para tratamento via compostagem, ou seja, apenas 10.676 toneladas.

 

Sabe-se que no Brasil as unidades de compostagem enfrentam problemas operacionais e de gestão, sendo que a maioria das plantas apresentam problemas de operação, ineficiências e baixa qualidade do composto, o que prejudica sua comercialização.

 

Lelis e Pereira Neto (2001), já apontavam que havia muita desinformação acerca deste sistema como alternativa para o tratamento dos resíduos sólidos urbanos no país que, aliado aos erros cometidos no passado e às falhas ainda presentes em projetos atuais, tem contribuído para que haja a formação de um pré-conceito sobre estes sistemas, o qual muitas vezes acaba não refletindo a realidade.

 

Maribondo et al. (1999), descrevem que no passado foram adquiridos projetos de países industrializados e com características de resíduos diferentes das nossas. Mais tarde, observou-se, ainda segundo os autores, que a maioria desses projetos estavam parados, desativados ou funcionando com baixa eficiência, chegando-se a conclusão que estes projetos não foram escolhidos para a realidade das condições técnicas, sociais e econômicas do país. Menciona também, que além destes fatores, a falta de recursos técnicos e financeiros, juntamente com a falta de compromisso político causou um efeito negativo não só com relação a novos projetos, mas também em relação com a política de reciclagem e compostagem no país.

 

Barreira (2005), concluiu em sua pesquisa que além das limitações impostas pela falta de coleta seletiva, o problema com a qualidade do composto produzido na unidade avaliada, também estavam associados às condições inadequadas do processo no pátio de compostagem, não à estrutura da unidade; problemas que facilmente se resolveriam com a introdução de maquinários simples para retirada de rejeitos, contaminantes e outras impurezas. O monitoramento da compostagem através de análises físicas, químicas e biológicas são extremamente importantes como forma de classifica-lo segundo a legislação para sua adequada utilização (REIS, 2005).

 

 

Observa-se que poucas são as referências e informações existentes em relação ao processo e o estado em que se encontram as unidades de triagem e compostagem no Brasil, por isso, a realização de estudos para identificação de novas diretrizes operacionais e novos critérios de projeto, que são fundamentais para que o uso da compostagem se consolide como uma técnica de tratamento de RSU no Brasil. 

 

Artigo completo em:

 http://www.ibeas.org.br/congresso/Trabalhos2015/III-028.pdf


PATRÍCIA TOMEDI CAPRARA
RS - BENTO GONÇALVES

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