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  PLANTAS NATIVAS UTILIZADAS NA ALIMENTAÇÃO HUMANA NA REGIÃO DO DISTRITO SANTO ANTÔNIO DO FONTOURA, SÃO JOSÉ DO XINGU-MT
16/06/2010

DEUSDETE JOSÉ DA SILVEIRA
MT - SAO JOSE DO XINGU
DEUSDETE JOSÉ DA SILVEIRA, NILZA CORREIA DA COSTA e MARIA NEUVANDA NERÕES MOURA, O estudo, mostra árvores frutíferas da região e o uso delas pela comunidade local, na alimentação e medicina caseira, informações adquiridas através de entrevistas.

Área(s) de Atuação que o Presente Caso trata
Biologia
Educação
Educação ambiental
Educação formal


ESTADO DE MATO GROSSO
SECRETARIA CIÊNCIAS, TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO SUPERIOR
UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO - UNEMAT
DIVISÃO DE LICENCIATURAS PARCELADAS – DILIPA
CAMPUS UNIVERSITÁRIO DO MÉDIO ARAGUAIA



Projeto de pesquisa: PLANTAS NATIVAS UTILIZADAS NA ALIMENTAÇÃO HUMANA NA REGIÃO DO DISTRITO SANTO ANTÔNIO DO FONTOURA, SÃO JOSÉ DO XINGU-MT


DEUSDETE JOSÉ DA SILVEIRA
NILZA CORREIA DE COSTA
MARIA NEUVANDA NERÕES MOURA

INDICE

I – INTRODUÇÃO...................................................................................................... 7
II – RESULTADOS..................................................................................................... 9
III - Citações das plantas nativas utilizadas na alimentação........................................ 14
IV - CONSIDERAÇOES FINAIS............................................................................... 15
V – BIBLIOGRAFIA.................................................................................................. 16


I - INTRODUÇÃO

Para a realização deste trabalho, foi utilizada a pesquisa qualitativa com os alunos do 1º ano do ensino médio do Colégio Estadual Antônio Gomes Primo extensão Comandante Fontoura e das disciplinas de ciências dos alunos da 8ª séries da Escola municipal Comandante Fontoura localizada no Distrito Santo Antônio do Fontoura Município de São José do Xingu-MT.
O Distrito Santo Antônio do Fontoura fica localizado a margem da MT 437 a uma distancia de 100 quilômetros de São José do Xingu sede do município e aproximadamente 1130 quilômetros da capital do estado Cuiabá e tem uma área de 450 Km² , com uma população urbana de aproximadamente 400 famílias, fica na região nordeste de Mato Grosso é formado pelo Assentamento Santo Antônio do Fontoura e varias fazendas de médio e grande porte que se dedicam à agropecuária com a plantação de lavouras de soja e arroz, e a criação de gado basicamente de corte. Já a população do assentamento tem como a principal fonte de renda a agricultura de subsistência e a pecuária com gado de leite e de corte. Hoje o Distrito Santo Antônio do Fontoura é povoado por pessoas que imigraram de diferentes estados brasileiros.
Trabalhos como este já foi valorizado por muitos estudiosos como Winkler (1939 e 1940), Oliveira (1978), Waldomiro Nunes, Maria Rosário e muitos outros.
Fruto é a estruturara que representa o ultimo estágio do desenvolvimento do gineceu fecundado ou partenocárpico; compreende o pericárpio e a(s) semente(s). Para uma perfeita interpretação de sua morfologia, é necessário que se conheça também a morfologia do gineceu. Este é formado por carpelos e compreende o ovário, o estilete e o estigma.
O ovário pode-se encontrar livre sobre o receptáculo floral, dizendo-se então, que é súpero, ou afundado nele; neste caso, pode ser mediano ou ínfero. É mediano quando é uma estrutura independente, isto é, suas paredes não estão concrescido ás do receptáculo floral; é ínfero se o receptáculo floral e o ovário estão intimamente ligados por suas paredes.
As gimnospermas são de origem evolutiva do óvulo é a estrutura que se desenvolve da origem a semente, a qual consiste em um envoltório, um embrião e alimento armazenado substituem o esporo como a unidade de dispersão e conferiu as plantas vasculares com sementes uma vantagem enorme em relação às plantas vasculares sem sementes como indica o nome (palavra grega Gymno “nua” e esperma “semente”), nas sementes de gimnospermas falta a proteção de uma estrutura ao seu redor, tal como a parede do fruto que encerra as sementes das angiospermas, ou plantas com flores.
Outra importante vantagem que tanto as gimnospermas quanto as angiospermas apresentam em relação a todas as outras plantas é a sua independência no que se refere a água como meio de transporte dos gametas masculinos em direção a oosfera. Nas gimnospermas, o gametófito masculino parcialmente desenvolvido – o grau de pólem – é transportado até a proximidade do gametófito feminino contido no interior do óvulo, após o que ele produz um tubo polímico, embora esse tubo não tivesse sido originalmente um transportador de gametas masculinos, ele acabou se convertendo num transportador de gametas imóveis até as oosferas do gametófito feminino dentro do óvulo. (caderno de texto).
Depois da fecundação, os tegumentos do óvulo transformam-se em coberturas da semente. Em geral, o tegumento externo, ou primina, dá origem à testa e o interno, ou secudina, forma o tegma das sementes. Em muitos casos, porém, o tegmento interno é absorvido e somente a primeira diferenciasse em testa ou em tegme.
Das sementes são originados os frutos do desenvolvimento do gineceu apocárpico de uma flor, frutos de Magnoliaceae e Ranunculaceae, dentre outras, mas também os de um gineceu apocarpóide, isto é aqueles cujos carpelos se apresentam levemente unidos em suas porções estéreis basais ou são livres entre si, proximalmente, até a região dos estiletes, onde concrescem entre si, constituindo uma apocarpia secundária, tal como se verifica nas asdepiadaceae e em muitas apocynaceae.
Citamos aqui uma pequena introdução de como é formado o fruto, mas boa parte dos alimentos que comemos não é fruto, nas citações dos alunos sobre plantas que são utilizadas na alimentação humana o fruto é o mais consumido nas plantas nativas, mas sabemos que das plantas podemos consumir folhas, raízes, caule etc.









II - RESULTADOS
O trabalho realizado com os alunos do 1º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Antônio Gomes Primo extensão Comandante Fontoura, no Distrito Santo Antônio do Fontoura município de São José do Xingu-MT com pesquisas nas aulas de Ciências Biológicas a fim de conhecer as plantas ativas que são utilizadas na alimentação dos moradores do Distrito obtivemos como resultados vários nomes de plantas e algumas receitas de como prepara-las para a alimentação:

•Bacaba – A bacaba, é uma palmeira típica da nossa região, ela se destaca entre as outras, pela facilidade de identificação pelas suas folhas que são simétricas para apenas dois lados, pode atingir a altura da floresta. A bacaba é utilizada para fazer suco de seus coquinhos que dão geralmente em dois cachos paralelos, cada cacho pode produzir até oito litros de coco, que são utilizados para o preparo do suco que também é conhecido como leite de bacaba.
Para o preparo, é só colher os cachos maduros, quando os cocos já estão bem rosados, colocar de molho na água morna por 10 minutos, sova-los, coar e tomar com açúcar.

•Buriti – O Buriti, é uma palmeira muito conhecida em nossa região, e em quase todas as regiões do país, ele é encontrado nos brejos e beiras de córregos, pode viver até dentro da água. Dele se come a polpa do coco, que é utilizada na fabricação de sucos, picolés, sorvetes e doces. O buriti é uma palmeira de grande porte, talvez a que alcança maior altura do país, além do coco usam também as folhas para a cobertura de casas.

•Buritirana – A Buritirana, é uma palmeira que pode ser encontrada nos varjões, brejos e beiras de córregos, a sua folha é muito parecida com a do buriti, mas bem menor, o caule é fino e muito espinhento. Da buritirana se come a polpa do coco, com a mesma receita da bacaba.

•Cajá do Mato – O cajá do mato é uma fruta pequena, do tipo ciriguela, quando amadurecem, ficam amarelas e doces, é utilizada para fazer suco e comer crua mesmo a sua polpa que fica grudada a um caroço, além dos humanos muitos outros animais comem essa fruta, por isso a mata que tem cajazeiro é muito procurada por caçadores para esperar e matar animais que vem se alimentar. O Cajazeiro é uma árvore que chegar a vários metros, tem cascas grossas e madeira mole.
•Ingá – O ingá é um fruto de árvore de médio porte encontrado nas matas. Para come-lo é só pegar a fruta que é parecida com uma vagem de feijão medindo aproximadamente um metro de comprimento e quando amadurecem ficam amareladas, abri-se a vagem ao meio retire os caroços e rói a polpa branca que fica pregada nas sementes, tem um gosto doce e é muito procurado pelos animais, principalmente os pássaros.


•Jambre – O jambre é um fruto não muito procurado pelo homem, mas muitos comem, tem gosto adocicado, mas quando amadurecem é muito procurado por insetos para depositar larvas. O jambre é uma arvore de médio porte encontrado em terrenos frios principalmente nas beiras de córregos, o fruto é muito procurado pelos animais silvestres, principalmente a paca, a anta e o veado.

•Jatobá – Na nossa região só encontramos o jatobá da mata, árvore de grande porte que chega a medir mais de 20 metros de altura com mais ou menos dois metros de diâmetro, a fruta é tipo uma vagem de feijão, só que bem maior e com uma casca dura, quando os frutos estão maduros, caem, então é só quebrar a casca e comer uma massa seca que tem dentro.



•Jenipapo – Fruto de uma árvore de médio porte que é encontrado nas matas. Para come-lo, é só cortar o fruto ao meio, tirar a polpa que é uma massa mole escura misturada às sementes, misturar açúcar e comer, também pode fazer doce.

•Macaúba – Palmeira que cresce até aproximadamente 07 metros, tem folhas com espinhos e soltam cachos de coco, quando estão verdes são de cor verde, mas quando amadurecem eles ficam meio amarelados e caem. Pode comer a polpa do coco pura ou com leite. Pura é só descascar o coco e comer a polpa carnosa, depois quebra-se o coco e come a castanha. Para comer com leite, descasca o coco, corta a polpa que é uma massa amarela e adiciona ao leite fervendo, coloca um pouco de açúcar, deixe ferver mais alguns minutos retire do fogo deixe esfriar e bom apetite.
•Maracujá do mato – Fruto pequeno, do tamanho de um maracujá de feira, dá em cipós que se espalham em árvores ou em galhadas secas, pode comer na hora, é só cortas a casca que quando madura fica amarela e comer a polpa de dentro que fica pregada em suas semente, que também pode ser engolidas sem nenhum problema, se a casca estiver verde o fruto ainda não está maduro.
Do fruto também pode fazer soco também, é só esfregar a polpa com as sementes e água sobre uma peneira até lavar bem as sementes, coar colocar açúcar e bater no liquidificador.

•Marmelada – É uma fruta do mato meio espinhenta que dá em arvores de pequeno porte, quando está verde ele é de cor verde, mas quando amadurecem ficam pretas, ai e só pegar cortar a casca e comer a polpa que fica dentro do fruto. Temos duas espécies de marmelada nativa conhecida, a do mato que tem o fruto áspero espinhoso e a do cerrado que tem o fruto liso.
•Murici do Mato – O murici do mato é uma árvore de grande porte, bem mais alta do que o murici do campo, as frutas são bem pequenas, menor que o murici do cerrado, dele pode se fazer o suco que é muito saboroso, utilizado para fazer geladinhas e sorvetes. O murici também é muito utilizado para colocar na cachaça, coloca-se meio litro de murici em um litro de cachaça, deixa curtir por alguns dias e fica no ponto.
•Mutamba – A mutamba, é uma arvore de pequeno porte que aparece nas áreas que são desmatadas, é pouco comum encontra-la em Mata Virgem, o seu fruto é doce e seco, tem a casca espinhenta e dura, para come-la, mastiga-se o fruto inteiro com casca e tudo, e saboreie o gosto da fruta e joga se o bagaço fora. Além do homem, outros animais como os pássaros procuram muito essa fruta para se alimentarem, mais especificamente as ararinhas cabeça de coco e os periquitos.
•Naja – O najá é uma palmeira muito comum na nossa região, dela pode comer o coco, que é do tipo bacuri, com várias castanhas bem fininhas mas muito gostosa ou o palmito que é grande e doce, refogado é um bom prato, em certas pastagens da região, costumam matar essa planta com veneno, pois infestam as pastagens podendo até tomar todo o espaço do capim pelas suas sombras.


•Pequi – O pequi é um fruto de uma árvore denominada pequizeiro, árvore de médio porte, galhada e de tronco retorcido, o fruto é mais ou menos do tamanho de uma laranja, tem de um a quatro caroços dentro. Para comer, descasca se o fruto fazendo um corte não muito fundo na casca para não atingir os caroços separa-se o fruto em duas bandas, aperte e os caroços saem, e só cozinhar e roer os caroços que tem dentro com cuidado, pois após uma superfície dura abaixo da polpa contém muitos espinhos finos que podem espinhar causando graves problemas. Também pode comer a castanha que é muito saborosa, é só assar os caroços, cortar ao meio com cuidado para não espinhar, tirar e comer a castanha.

•Tatarubá – O tatarubá é um fruto pequeno da floresta Amazônica, mais ou menos do tamanho de um limão a árvore que o produz é de médio porte, o tronco não engrossa muito, mas pode chegar a mais ou menos a 15 metros de altura com o tronco liso e poucas galhas é encontrada em terreno arenoso frio nas beiras dos córregos. O fruto é doce e é comida cru, é só retirar uma casca mole e comer a polpa com as sementes.

•Tucum – O tucum é uma palmeira muita conhecida em quase todas as regiões brasileiras, em nossa região existe dois tipos de tucum, um que forma touceiras com varias palmeiras juntas e outro que é encontrado sozinho. Dessa palmeira se come o palmito e o coco, os palmitos podem ser comidos, refogados ou crus mesmo, tem gosto doce. Já o coco deve ser consumido ainda verde, pois quando amadurecem, a sua castanha fica muito dura.

•Xixá – O xixá é uma árvore de grande porte, podendo alcançar até 30 metros de altura, seu fruto é tipo um coco, só que quando estão maduros, eles abrem e caem umas sementes que são comestíveis, podem ser comidas cruas.

• Amesca – A amesca é uma arvore de médio porte muito comum em nossa região, dela podemos comer o fruto, que é uma cápsula pequena, do tamanho de um grão de amendoim, de cor vermelha quando esta madura,para comer, é só tirar a casca e roer a polpa que fica grudada no caroço, tem um sabor adocicado e é muito apreciado também por vários pássaros.

















III - Citações das plantas nativas utilizadas na alimentação


PLANTAS QUANTIDADE DE CITAÇOES
Amesca 8
Bacaba 20
Bacuri 2
Buriti 13
Buritirana 3
cajá do mato 15
Coquinho babão 2
Ingá 25
Jambre 8
Jatobá 23
Jenipapao 10
Macaúba 15
Maracujá do mato 20
Marmelada 12
Murici do mato 19
Mutamba 8
Naja 9
Pati 3
Pequi 26
Tatarubá 5
Tucum 6
Xixá 3








IV - CONSIDERAÇOES FINAIS
Este trabalho para conhecer as plantas nativas da região que são utilizadas na alimentação humana da comunidade de Santo Antônio do Fontoura município de São José do Xingu – MT, nos trouxe uma discussão ambiental, sobre o que fazer para que essas plantas não desapareçam totalmente da nossa região, pois com o desmatamento descontrolado e as queimadas que destroem não só a parte interessada pelos agropecuaristas, mas o fogo adentra nas matas matando boa parte da vegetação nativa. O tatarubá, é um exemplo de fruto nativo pouco conhecido, e que já não é fácil encontrar exemplares na nossa floresta nativa, pois eles crescem nas beiras de córregos em terrenos mais húmidos onde os agricultores preferem para plantar suas lavouras, por isso acabam sendo derrubado e transformado em cinzas.
Por ser uma mata de transição, misturada com Floresta Amazônica, a nossa região não é tão rica em vegetais nativos que se usam na alimentação, comparando com outras regiões, podemos perceber que o cerrado, oferece mais recursos alimentícios que a floresta. Em um breve relato podemos citar muitos vegetais que são utilizados na alimentação que é típico do cerrado e então não encontramos em nossa região, como o cajuzinho, o puçá, a mangaba, a cagaita, o barú, a guerobinha aricanga, a quina, etc..
O trabalho foi muito válido, pois podemos comparar as diferenças de vegetação de um lugar para o outro e conhecer alguns nomes de plantas que até então eram desconhecidos como alimentos.












V – BIBLIOGRAFIA

JOSEFA CARLOS DE SIQUEIRA & GRACIELA MARCIEL BARROSO – Frutos e Sementes, Morfologia Aplicada a Sistemática De Dicotiledôneas.

DEUSDETE JOSÉ DA SILVEIRA
MT - SAO JOSE DO XINGU

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