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  Desenvolvimento e Sustentabilidade
08/09/2009
atualizado em: 18/10/2009

ANTÔNIO RODRIGO BERTOL
SC - ITAPIRANGA
Avanço Tecnológico - degradação do meio ambiente - tecnologias inovadoras - finitude dos recursos naturais - desenvolvimento sustentável - educação e gestão ambiental - necessidade de novos conceitos ambientais...

Área(s) de Atuação que o Presente Artigo trata
Biologia
Ecologia
Ecologia de ecossistemas
Manejo e conservação
Meio ambiente
Gestão ambiental
Educação
Educação ambiental


Nos últimos cem anos  testemunhamos o mais rápido e maior avanço tecnológico da história do Planeta, avanço este que ocasionou  as  maiores  agressões  ao meio  ambiente, que   não  considerou    os  impactos relevantes  da  revolução agrícola e industrial  e a possibilidade de limitação  dos  recursos  naturais. Avanços marcantes de   descaso  com  o  meio  ambiente  chamou e chama a  atenção  da  sociedade  como  um  todo.  Acontecimentos que  nos  fazem  perguntar  até  quando  a    natureza  vai  agüentar  tantas  agressões.  Nos  levando  também  a  olhar  com   outros  olhos  a  nossa  região,  as  riquezas  que   a  natureza  nos  oferece  e  os  danos  que  causamos  a  ela.



            Os  avanços  tecnológicos  e   o  progresso  agrícola  e  industrial se faz necessário sim, mas devem considerar    e   levar    em   conta  a  diversidade  dos  saberes  ambientais  e  locais  e  as  práticas,  incorporando-as  via  processos  participativos,  na  construção  de  uma racionalidade  ambiental  como  fundamento  de  um  desenvolvimento  sustentável.



Com o confronto inevitável entre o modelo de desenvolvimento  que valoriza o aumento de riqueza em detrimento  da conservação  dos recursos naturais  e a necessidade  vital de conservação do meio ambiente, torna-se extremamente  necessário a discussão  sobre como promover  o desenvolvimento  das nações  de forma a gerar  o crescimento econômico explorando os recursos naturais não de forma predatório e sim de  forma racional.



O Desenvolvimento Sustentável é definido por muitos como “desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades.”.  Mas  para isso  se faz necessário  o uso sustentável dos recursos renováveis – ou seja, de forma qualitativamente adequada em quantidades compatíveis com sua capacidade de renovação.



Em enfrentamento ao rápido  avanço tecnológico que aconteceu e vem acontecendo  e também as maiores agressões ao meio ambiente  o conceito ecológico  deve ser e vem sendo  ampliado, buscando um desenvolvimento que procura uma relação  de equilíbrio (sustentabilidade)  resgatando uma nova ética na relação do homem com a natureza. As ações passadas e presentes apresentam um ambiente esculpido e estruturado segundo a cultura e o comportamento humano. Este ambiente apresenta contrastes gritantes gerados por um desenvolvimento econômico e social desordenado. O “desenvolvimento” moldou o planeta em diferentes sistemas e hoje se tem um  caos instalado. Este caos terá que ser revertido em todos os sistemas para que não resulte na extinção da própria espécie.



            O ambiente tem certa  capacidade de assimilar alguns despejos sem chegar a um estado de contaminação. Porem  o aumento da população e sua conseqüente  produção de dejetos chegou a ultrapassar  os limites  de assimilação do ambiente, contaminando  os componentes essenciais: água, o ar e o solo. Os resíduos produzidos pelo homem geram contaminação tanto em nível doméstico como nas atividades industriais, minerais e agrícolas. Como resultado desta contaminação os seres vivos, entre os quais o homem, ficam expostos a uma deterioração constante de sua qualidade de vida, que afeta diretamente a saúde.



            Os processos gerados por ações comportamentais antrópicas e egoísmo  humano diante de outros seres vivos que habitam este planeta nos mostra a insustentabilidade de muitos rios, na maioria que cortam regiões metropolitanas, ocasionada pela perda de quantidade e de qualidade da água pela crescente demanda hídrica e pelo lançamento de efluentes industriais, cloacais e agrícolas, e pela supressão de áreas húmidas e de vegetação ciliar.  Sofrem também na aplicação da legislação ambiental, que esbarra em questões burocráticas e de falta de estrutura  e aparelhamento  dos órgãos competentes. Sofrem também  com o jogo de empurra e troca de acusações entre setores que, em última instância, são todos co-responsáveis  pela atual situação, pois contribuíram, cada qual a sua maneira, para tal. Sofrem com gestores públicos, nos três  níveis e nas três esferas de governo, que ao invés de incorporarem e priorizarem as questões ambientais, preferem lembrá-las circunstancialmente e somente em momentos oportunistas.



            Ao longo dos anos a orientação geopolítica assumida pelo Estado Brasileiro ancorou-se na manutenção e ampliação dos fundos territoriais, exercendo, como já frisei, ações predatórias sobre estes, levando ao máximo a exploração dos recursos naturais, através da lógica dos investimentos mínimos para alcançar o máximo de lucro através da perspectiva imediatista, sem se basear na lógica dos direitos instituídos e do reconhecimento da cidadania.



            Mas a realidade  e a complexidade da questão ambiental atual coloca para  a sociedade a necessidade de investimentos no sentido de valorizar  o paradigma ambiental que tira a natureza de uma posição passiva e inerte, concebendo o meio ambiente como expressão de criatividade, diversidade e depositário da inter-relação de todos os seres, visando  à boa sobrevivência e qualidade de vida, visando a construção  de uma ética ambiental, entendida como conscientização ambiental que exige a intervenção das ciências com apelo preponderante para valores de preservação, assim como a interseção de preocupações que devem abranger a saúde, a educação, a qualidade de vida, o direito, a política e a cultura nos desafios presentes de uma  perspectiva sustentável, que por sua vez requer uma articulação precisa  com  valores de justiça social, como a democracia, os direitos humanos, a satisfação de necessidades humanas básicas.



            Nós, como indivíduos e membros da comunidade, podemos fazer muito para diminuir a  pressão sobre o meio ambiente principalmente na demanda por energia. Podemos ter atitudes individuais a nível doméstico, comunitário e social, orientadas para a conservação e preservação dos nossos recursos naturais. Qualquer que seja o tipo de produção  industrial ou rural, é preciso manter o nível de consumo de energia compatível com a capacidade de aproveitamento dos recursos energéticos locais, sem alterar significativamente esse equilíbrio a longo prazo. Claro que não podemos mudar nossos hábitos em um só dia,  mas  devemos  dar  um  passo  inicial  baseando-se  numa  visão de  mundo  onde  cada  parte  tem  valor  em  si  própria e    como  parte  do  conjunto.   Não há  consciência   Ambiental  se  a  reflexão  sobre  as  relações  dos  seres  entre  si,  do  ser  humano  com  ele  mesmo  e  com  seus  semelhantes  e  natureza  não  estiver  presente  em  todas  as  práticas.



            A partir  dessa   concepção,  estaremos dentro do  processo  e  não  como  espectadores,  modificando  nossa  postura,  pois assim nos sentiremos parte de um mundo que precisa ser mudado, preservado e inovado, sempre buscando novas alternativas.             Já o  desenvolvimento  econômico  pode e  deve  acontecer,  mas  através  de  uma  consciência  de  crescimento  saudável  com  oportunidades  novas  para  empresas  que consigam  se  adaptar  à  nova  mentalidade  ambiental.



            É necessário  quantificar  os  recursos  ambientais  através  de  avaliação  estratégica,  que  assegure que  fatores sociais e ambientais  sejam  adequadamente  considerados  no   momento  de  tomadas  de  decisões  de  desenvolvimento. A forma mais simples de  Avaliação  de  Impacto  Ambiental  necessita de:  identificação  dos  aspectos  econômicos,  sociais  e  ambientais;  preparação  de  Estudo  de  Impactos  Ambientais;  revisão  do  Estudo, preparação  de  relatório  e  implantação  das  ações   que  incluam  medidas   de  alívio  e  um  sistema  de  monitoramento,  que  objetivem  verificar  se as  medidas  foram  realmente  implementadas  para  aliviar  os  efeitos  negativos  ambientais  dos  empreendimentos.  Questões  como a  consideração  de  diferentes  alternativas (economia de escala,  localidade, tempo e  tecnologia) e  as  medidas  de  alívio de  efeitos  negativos sobre  os   ecossistemas (território, bacias, rios, etc...) podem  dar  uma  perspectiva  correta  da  quantificação  dos  recursos  naturais  em  jogo.



            E ao  se  ter  um  diagnóstico  de  recursos   naturais devemos   buscar soluções  conjuntas  com  a  comunidade. Estas  soluções  devem  contemplar  modificações  físicas, biológicas, sociológicas, culturais e  comportamentais  tanto  no  interior  dos  municípios  como  nas cidades.



            Claro  que    dificuldades  de se  incluir  conceitos  novos  de  gestão  ambiental para ocorrer essas modificações  na  sociedade  como um  todo,  mas  este  trabalho  deve  começar  com  os  educadores  e gestores  que  devem  deixar  de  ser  mero  transmissores  de  conhecimento  ecológico  sobre  a   natureza  objetivada para  se  converterem  em  arqueólogos  que  desentranham  os  sentidos  que  a  cultura   vai depositando  no  real  e  que  mobiliza  os  atores  sociais  em  suas  estratégias  e  formas  de  uso da  natureza. O   gestores  juntamente com os educadores devem se  tornar    atores sociais que ensinam a aprender  o  cultivo  de  novos  significados, sempre  respeitando  a  diversidade  dos  saberes  ambientais  e  locais  e  as  práticas  tradicionais  incorporando-as  e   considerando-as  via  processos  participativos,  na  construção  de  uma  racionalidade  ambiental  como  fundamento  de  um  desenvolvimento  rural  e  industrial  sustentável,  não  ocasionando   a  insustentabilidade existente  hoje em  muitas  regiões  do planeta.



            O saber  ambiental  deve  se  formar  nesse  processo  como  um  jogo de  linguagem -  de  visões, interpretações e  posicionamentos -  em  um  campo onde  se  encontram diferentes  significações  culturais  do  ambiente  e  diferentes  interpretações  filosóficas  da  natureza, onde  se  confronta  os  interesses  dos  atores  sociais  do ambientalismo  na  perspectiva  do  desenvolvimento  sustentável.



               Devemos   ser sujeitos  deste  processo. A  partir  do  momento  que  nos  vemos  como  sujeitos  históricos  e  sociais, percebemos  que  temos  responsabilidades, “tarefas” a  cumprir. Não  conseguimos  mais  nos  omitir. Ao  cumprir  esta  “tarefa”, ou  seja,  ao  tomarmos  uma  posição,  nos  comprometemos  com  o projeto,  objeto,  ação e  com  a  nossa  ideologia. É  evidente  que  a ações isoladas não são suficientes  para mudar  os  rumos  do  planeta,  mas  certamente  contribuem muito   para  tanto, pois estas influenciarão no pensamento e ações dos   cidadãos,  para  que:  como  empreendedores, ou não,  venham  agir  de  modo  responsável e  com  sensibilidade,  conservando  o  nosso  ambiente  saudável no  presente  para  o  futuro;  como participantes do governo ou da sociedade civil, sabendo cumprir suas obrigações, exigir e respeitar  os direitos próprios e os de toda a comunidade, tanto local como internacional; e, como pessoas, encontrem acolhida para ampliar a qualidade de suas relações intra e interpessoais com o ambiente tanto físico quanto social.



            Qualquer política nacional, regional  ou local que se  estabeleça  deve  levar  em  consideração  a  riqueza  de  conhecimentos  que  existem  na região, investir nela,  valorizá-la  e caracterizar   sua diversidade.



            A natureza  nos oferece  e  proporciona  a  sustentabilidade  e cabe  a  nós  ajudá-la  nesse processo.  


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         Antônio Rodrigo Bertol - Biólogo - Pós Graduado em Educação (área de atuação - Biologia) e cursando Pós-graduação em Gestão Ambiental




















ANTÔNIO RODRIGO BERTOL
SC - ITAPIRANGA

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