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09/07/2012  Entendendo o Câncer
GABRIEL PANASSOLO REBES
RS - PORTO ALEGRE

O corpo humano é formado por milhões de células que se reproduzem através divisão celular. Em condições normais, esse processo é ordenado e controlado. Em contrapartida, existem situações nas quais estas células, por razões variadas, sofrem uma “metamorfose” tecnicamente chamada de carcinogênese, e assumem características aberrantes quando comparadas com as células normais.

    Essas células perdem a capacidade de limitar e controlar o seu próprio crescimento passando a multiplicarem-se rapidamente e sem controle. O resultado desse processo desordenado de crescimento celular é uma produção em excesso dos tecidos do corpo (processos inflamatórios, infecciosos ou mesmo os crescimentos celulares benignos), formando o tumor.

Podemos dividir os tumores em:

Tumor Benigno: As células crescem lentamente e são diferenciadas (semelhantes às do tecido normal). Geralmente podem ser removidos através de cirurgia e na maioria dos casos não tornam a crescer.

Tumor Maligno: As células crescem rapidamente, têm um aspecto indiferenciado e a capacidade de invadir estruturas próximas e espalhar-se para diversas regiões do organismo. É considerado câncer.

Em outras palavras...

    O Câncer, também conhecido como tumor maligno, pode ser definido como um grupo de doenças que tem como característica central o crescimento desordenado das células, podendo matar por invasão destrutiva os órgãos normais. Ele detém a propriedade de se disseminar através da corrente sanguínea e dos vasos linfáticos, produzindo as chamadas metástases, em outro órgão ou tecido. A metástase também pode invadir órgãos e tecidos circunvizinhos por continuidade, impondo severos danos a estes órgãos e tecidos. O comportamento anormal das células cancerosas é geralmente espelhado por mutações nos genes das células, ou secreção anormal de hormônios ou enzimas.

    A maioria dos cânceres invade ou se tornam metastáticos, mas cada tipo específico tem características clínicas e biológicas, que devem ser estudadas para um adequado diagnóstico, tratamento e seguimento. Resumindo, cada caso é um caso. Devido as diferentes células existentes e componentes do corpo humano, o câncer pode se apresentar de diferentes tipos. Podemos então, dividi-los em tumores sólidos e neoplasias hematológicas.

Tumores Sólidos

Carcinoma:– o câncer se origina nos tecidos epiteliais, ou seja, aqueles cuja função é o revestimento ou a formação das glândulas. (Exemplos de revestimento: pele, mucosa das vias aéreas, mucosa do tubo digestivo e exemplos de glândulas: tireóide, mama e próstata).

Sarcoma: são definidos por sua origem embrionária, ou seja, aquelas classificadas de acordo com a formação do órgão durante a fase de embrião. Nas fases iniciais do desenvolvimento de um embrião, ocorre uma diferenciação nas células que se dispõem em camadas. Essas camadas evoluem para formar os diversos tecidos e órgãos do corpo.

    A mesoderme, que é a camada intermediária, dá origem aos ossos, músculos, gorduras, tendões e vasos sanguíneos.

Melanoma: formados por células pigmentadas da pele.

Tumores de células germinativas: se originam nas células reprodutoras (testículos e ovários).

Tumores de Sistema Nervoso

Neoplasias Hematológicas: São doenças malignas nas células do sangue, manifestando-se em várias partes do corpo sem respeitar barreiras anatômicas. Os órgãos mais frequentemente envolvidos são: sangue, medula óssea, gânglios linfáticos, baço e fígado.

    Neoplasia: de origem grega, a palavra significa ao pé da letra: nova proliferação; novo tecido. É o nome de um processo patológico que resulta no desenvolvimento de um neoplasma (crescimento anormal, incontrolado e progressivo de tecido, mediante proliferação celular). No organismo, podem ser encontradas formas de crescimento celular controladas e não controladas, sem causa aparente. Como exemplos de crescimento controlado temos a hiperplasia, a metaplasia e a displasia. As neoplasias não controladas são chamadas tumores. O crescimento é devido ao desequilíbrio entre a proliferação e a morte celular dando origem a células cancerígenas. A definição de neoplasia se baseia na morfologia e na biologia do processo do tumor. Com a evolução do conhecimento, a definição se modifica. Atualmente, a mais aceita é: "Neoplasia é uma proliferação anormal do tecido, que foge parcial ou totalmente ao controle do organismo e tende à autonomia e à perpetuação, com efeitos agressivos sobre o hospedeiro" (Robbins, 2000).

    Várias classificações já foram propostas para as neoplasias. A mais utilizada leva em conta dois aspectos básicos: o comportamento biológico e a histogênese do tumor. Segundo o comportamento biológico, os tumores podem ser agrupados em três tipos: benignos, limítrofes (ou "bordeline") e malignos. Um dos pontos mais importantes no estudo das neoplasias é estabelecer os critérios de diferenciação entre cada uma destas lesões, o que, algumas vezes, torna-se difícil.

GABRIEL PANASSOLO REBES
RS - PORTO ALEGRE

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