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20/10/2010  USP usará R$ 50 mi para financiamento da própria pesquisa
CAROLINA FRANCO ESTEVES
SP - SAO JOSE DOS CAMPOS

Jornal da Ciência

Hoje, os cientistas recebem dinheiro de fora, como o da Fapesp, que em 2009 destinou
R$ 310 mi à universidade
Hoje dependente de agências externas de fomento, a Universidade de São Paulo lança
na semana que vem um programa próprio para financiar suas pesquisas. A intenção é
aumentar o impacto de seus trabalhos científicos.
A USP ajudará financeiramente até 31 dos seus grupos ou centros de pesquisa, segundo
o edital já aprovado, ao qual a Folha teve acesso.

Os pesquisadores receberão cerca de R$ 50 milhões no total -a Fapesp, uma das
principais financiadoras dos pesquisadores da instituição, destinou R$ 310 milhões à
universidade ano passado.

A USP pretende incentivar duas frentes: grupos que trabalham com temas pouco
apoiados pelas agências de fomento; grupos de diferentes áreas, já consolidados, que
decidam pesquisar um mesmo tema.

"Mesmo que quase 90% do nosso orçamento seja gasto em folha de pagamento, a USP
precisa ter uma margem de recursos para incentivar pesquisas que ela mesma entenda
como relevantes. Isso não vem acontecendo", disse o reitor João Grandino Rodas.

Em relação a investigações que podem ser integradas, o pró-reitor de pesquisa, Marco
Antonio Zago, citou como exemplo o câncer.

"A USP tem grupos de excelente nível pesquisando o tema, nas ciências básicas, na
bioquímica, na genética, na clínica. Mas os trabalhos não são coordenados. Queremos
um programa para câncer, outro para bioenergia."

Sobre temas ainda pouco apoiados e que precisam de mais pesquisas, Zago citou como
exemplo novas práticas educacionais, que usam tecnologia ou internet.

A princípio, o programa de financiamento terá uma edição, que vai se estender de
2011 a 2013, mas poderão haver novas chamadas. O edital será lançado no dia 26.

Com o projeto de fomento, a universidade quer iniciar uma reorganização de sua
produção científica. Um texto da universidade que apresenta o programa afirma:

"A USP é a mais produtiva universidade do país, mas continua distante dos primeiros
postos consoante aos padrões internacionais. O crescimento de seu corpo de
pesquisadores, a extrema fragmentação de seus grupos de pesquisa, a ênfase no volume
de publicações e as ligações frágeis com o setor produtivo não contribuem para
aumentar o impacto de sua produção científica".

No último ranking Times Higher Education, por exemplo, a USP ficou fora da lista das
200 melhores universidades do mundo.

Para o ex-reitor da USP Roberto Lobo, o programa está bem montado. O principal
cuidado, diz o presidente do Instituto Lobo, deve ser a escolha dos beneficiados. "O
risco de promover financiamento próprio é transformá-lo em ação entre amigos."

Segundo o edital, na seleção haverá parecer de assessoria externa e julgamento de um
comitê "ad hoc".

Na opinião de Oscar Hipólito, ex-diretor do Instituto de Física da USP de São Carlos
e pesquisador do Instituto Lobo, o projeto é bem feito, mas o montante destinado aos
grupos "é muito pequeno".
(Fabio Takasashi)
(Folha de SP, 20/10)

CAROLINA FRANCO ESTEVES
SP - SAO JOSE DOS CAMPOS

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