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10/02/2014  FERREIRA, Claudia Elisa Alves. O meio ambiente na prática de escolas públicas da Rede Estadual de São Paulo: intenções e poss

FERREIRA, Claudia Elisa Alves. O meio ambiente na prática de escolas públicas da Rede Estadual de São Paulo: intenções e possibilidades / Claudia Elisa Alves Ferreira; orientação Myriam Krasilchik.   São Paulo: s.n., 2011. Tese de doutorado apresentada na Faculdade de Educação da USP.

1- Além dos despreparos em infraestrutura das escolas, quais outros problemas passam pelos professores? Eles apresentam dificuldades próprias para lidar com esse assunto? Você vê necessidade de uma formação melhor desses professores em relação ao meio ambiente?

Os docentes que entrevistamos disseram que os materiais que recebem da Secretaria da Educação (tais como os Cadernos do Aluno, utilizados na época da coleta de dados – 2009) são bem elaborados, mas difíceis de pôr em prática. Sem dúvida, esse obstáculo impede que os planos de aula sejam cumpridos satisfatoriamente, tanto no conteúdo de suas áreas específicas como também, na abordagem da temática do Meio Ambiente.
Os professores reclamaram da superlotação das classes, o que segundo eles, inviabilliza a organização de atividades adicionais, pois não há infraestrutura na escola ou tempo suficiente para executá-las.
Outros requisitos essenciais seriam o incentivo ao desenvolvimento profissional dos educadores e condições institucionais para a consolidação de projetos educacionais nas escolas, tais como: a formação adequada de professores e técnicos e a infraestrutura material; a qualidade dos materiais didáticos disponíveis; a presença de biblioteca com acervo diversificado; tempo adequado de permanência dos alunos na escola, entre outros.
Em nossa opinião, para que os professores desenvolvam práticas significativas de Educação Ambiental, é preciso que haja políticas públicas destinadas a melhorar não só a formação inicial e em serviço, mas todo esse conjunto de condições que interfere na qualidade do ensino.
As entrevistas com os docentes demonstraram que eles sentem falta de cursos mais freqüentes, mas aqueles que os realizaram perceberam que houve mudanças de atitudes, maior criatividade e envolvimento na busca de soluções dos problemas ambientais locais, após participarem dos cursos de atualização com essa temática.

2- O seu estudo tratou da visão dos alunos sobre o ensino da educação ambiental? Se sim, como foi ela, em geral?
Nosso estudo não investigou diretamente a visão dos alunos sobre o meio ambiente, mas os alunos em geral, acompanhados nessa pesquisa, mostraram interesse em abordar temas relacionados ao meio ambiente, porém sua participação era maior quando havia atividades práticas, como as referentes à reciclagem. Pelo relato dos professores, os alunos de 5ªs e 6ªs séries do ensino fundamental são os que mais aproveitam atividades de Educação Ambiental e transmitem as informações recebidas nas escolas para seus familiares e conhecidos.

3- Como devem ser feitas as suas proposições para melhora da Educação Ambiental? Elas devem vir de políticas públicas ou da autonomia de cada escola ou professor?
Em nossa opinião, o ideal seria que o ensino da Educação Ambiental fosse inserido no ambiente escolar permeando todas as disciplinas e estimulando reflexões e ações nesse contexto, que envolvesse alunos, professores, funcionários e comunidade e que essas ações fizessem parte de um projeto maior que constasse nos Projetos Político-Pedagógicos das escolas, documento a ser construído com a participação dos docentes também.
Infelizmente, não foi esse quadro que encontramos nas escolas investigadas, onde percebemos a necessidade de uma prática pedagógica problematizadora, com projetos e medidas que adotem essa função de forma explícita e planejada, num espaço dinâmico de atuação, incluindo a dimensão ambiental no contexto local.
A equipe administrativa e de professores das escolas, juntamente com a participação dos alunos, poderiam fazer uma sondagem de situações-problemas, necessidades e interesses da comunidade escolar, que sirvam de base para a elaboração de um projeto político-pedagógico participativo.
É necessário também o estímulo à formação continuada dos professores e a garantia do tempo dentro da grade curricular para esses educadores trabalharem com projetos voltados ao meio ambiente e para que a Educação Ambiental esteja presente desde o momento do planejamento anual das escolas.
Ao mesmo tempo, é fundamental que sejam promovidas discussões com os professores e coordenadores das unidades escolares sobre novas propostas curriculares, antes que sejam elaboradas pelos órgãos oficiais de educação, pois esses documentos servirão de suporte para o trabalho dos docentes.
Conforme a conclusão do meu trabalho o que precisamos é de um bom planejamento; cobrança do poder público – que deveria considerar propostas sugeridas pela sociedade civil para a elaboração e execução de políticas públicas - e envolvimento de todos os sujeitos do contexto escolar e da comunidade, para a construção de uma sociedade participativa, sustentável e integrada.

R


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