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10/02/2012  O que um “Costa Concórdia” é capaz de provocar

O acidente que ocorreu com o navio “flex” Costa Concórdia, cheio de combustível (2400 toneladas de óleo e 200 toneladas de diesel), perto da ilha de Giglio causou perdas, com 4 mortes confirmadas, 14 feridos e 25 desaparecidos e despertou preocupações para os ambientalistas.

A ilha faz parte do Parque Nacional do Arquipélago da Toscana, na maior área marinha protegida na Itália, que abriga plantas, pássaros, alguns sapos raros, corais e um visitante ocasional que chama a atenção: a foca-monge-do-mediterrâneo (Monachus monachus).

A situação da foca é gravíssima:
Existem somente 350-450 animais na natureza; 250-300 no Mediterrâneo, 150-200 na Grécia e por volta de 100 na Turquia, sendo que a tendência populacional é de decréscimo. Classificada como criticamente ameaçada, a causa do declínio populacional é associada a pesca e a caça da foca. Sua população é muito fragmentada e pequenas subpopulações se tornaram extintas à décadas. Nas sub-populações da Grécia-Turquia e Mediterrâneo o número de indivíduos maduros é menor que 250. As taxas reprodutivas são anormalmente baixas, provavelmente por causa de consangüinidade e as únicas áreas de reserva são as de Sporades e Desertas, juntas protegendo apenas 10% da população total (IUCN Red List of Threatened Species, 2011).

Já ao norte do acidente existe o Parque Nacional de Maremma, ponto migratório de pássaros e local da introdução bem-sucedida da águia-pescadora (Pandion haliaetus).

Mais próximo do continente há o lago Orbetello, que sofre “blooms” de microalgas como conseqüência da descarga de esgoto doméstico, sendo que em 2000 elas cobriram quase 60% da superfície inferior, segundo pesquisas advindas do Instituto Central de Pesquisa Marinha, da Itália.

A Reserva Natural Duna Feniglia margeia o lago Ortobello, possuindo uma estrada não-asfaltada, sendo que o acesso só é permitido a pé e de bicicleta. Nessa região habita outro animal classificado como criticamente ameaçado na lista vermelha: a ave migratória chamada de maçarico-de-bico-fino (Numenius tenuirostris). Em 1994 foi estimado haver apenas entre 50-270 indivíduos e atualmente os registros mostram haver menos que 50 IUCN Red List of Threatened Species, 2011).

Portanto, Elena Moutier tinha razão ao afirmar que um vazamento de óleo “seria um desastre” (BBC News). pois é uma região extremamente sensível a qualquer estresse ambiental A águia-pescadora, estritamente marinha, depende dos peixes da região. Caso o óleo espalhasse, o impacto seria sentido diretamente pela águia, cujo alimento principal são os peixes.

Os noticiários pouco destacaram as conseqüências de um possível vazamento e é fácil perceber que causaria transtornos seríssimos.



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