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07/01/2012  Molusco em risco de extinção é reencontrado no Estado

O reencontro de um pequeno molusco (conhecido como “marisco de água doce”) está sendo comemorado pelos pesquisadores da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.

Um exemplar da Leila blainvilliana, que está em perigo de extinção, foi reencontrado em uma área preservada do Parque Estadual Delta do Jacuí, depois de 11 anos sem aparecer pela região.

O marisco foi encontrado em dezembro, durante estudos da fundação no parque, e, mesmo sendo exemplar único, é um indicador da presença de uma população na região.

A descoberta surpreendeu os pesquisadores, uma vez que o animal está conseguindo sobreviver à presença do mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei), seu principal predador.

O molusco de água doce vive enterrado na areia, deixando de fora uma pequena porção de concha, para respirar e filtrar seu alimento. É, por isso, considerado um bioindicador da qualidade das águas no ambiente em que vive.

A porção que fica descoberta para garantir sua sobrevivência, no entanto, é a que fica vulnerável ao seu predador — é justamente nesse pequeno pedaço que o mexilhão dourado se fixa, matando o molusco por sufocamento.

— Depois da entrada do mexilhão no Estado, em 1998, estávamos com medo até do molusco já estar extinto aqui no parque — comemora a pesquisadora do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica, Ingrid Heydrich.

A área exata não está sendo divulgada pelos pesquisadores para garantir a preservação do animal, mas sabe-se que a Leila blainvilliana ocorre, no Rio Grande do Sul, principalmente no Guaíba, no curso inferior do Rio Jacuí e em alguns afluentes do curso médio do Rio Uruguai.

As populações, no entanto, são pequenas e esparsas, além de o número de exemplares ter diminuído rapidamente em função do mexilhão-dourado.

Além do mexilhão-dourado, o molusco enfrenta outras ameaças à espécie, como a extração de areia do fundo das águas doces, a construção de marinas que levam ao assoreamento dos rios e lagos, além da poluição da água.

A conservação de espécies de peixes nativos também é fundamental para a preservação do molusco, uma vez que são eles que dispersam as larvas utilizada para a reprodução da espécie.

— Como a espécie já sofre com a presença do mexilhão-dourado, é importante ressaltar que qualquer outra intervenção humana pode causar a extinção, como a destruição da vegetação marginal ou a retirada da areia do fundo dos lagos — alerta Ingrid.

Berço de vida em solo gaúcho

A grande biodiversidade presente no Delta do Jacuí é destacada pelo gestor do Parque, José Augusto Nunes. Ele cita locais como os sacos – pequenas enseadas dentro do curso do rio — da Alemoa, do Quilombo, da Pólvora e Santa Cruz como berços de vida.

— Águas calmas dos sacos contribuem para a reprodução de peixes, aves e outras espécies, como moluscos — diz.

Estão sendo feitos estudos para um plano de manejo do local. Devem ser contempladas pesquisas sobre a biologia das espécies ameaçadas de extinção no Delta do Rio Jacuí.

O parque está distribuído em cinco municípios — Porto Alegre, Canoas, Nova Santa Rita, Triunfo e Eldorado do Sul — em área de 210 quilômetros quadrados.



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