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29/07/2011  Bactérias degradam contaminante de solo
RAPHAEL DE SOUZA ALBERTOS
SP - SAO PAULO

Fonte: Redação do Site Inovação Tecnológica - 30/09/2004

Um "biorremédio" para solos tropicais contaminados por plastificantes acaba de ser desenvolvido nos laboratórios do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária e de Mecânica dos Solos da Escola Politécnica (Poli) da USP. Microrganismos presentes no esgoto doméstico foram adaptados para degradar o ftalato de di-2-etilhexila- DEHP e utilizados para remediar o solo contaminado. O ftalato é um plastificante usado na indústria de tintas, vernizes, de artefatos de plásticos em geral, fios e cabos, inseticidas, PVC e embalagens, entre outras.

"Estudos indicam que, em contato direto com o ser humano, esse plastificante pode diminuir a fertilidade, causando efeitos adversos no sistema reprodutivo", explica Silvia Marta Castelo de Moura Carrara, autora da tese de doutorado Biorremediação de áreas contaminadas por plastificantes: caso do ftalato de di-2-etilhexila, defendida recentemente na Poli. O DEHP integra uma lista dos 126 poluentes prioritários definidos pelo órgão de proteção ambiental dos Estados Unidos e de uma classe de compostos que causa disfunções endócrinas ao ser humano, denominada "endocrine disrupting compounds"- EDC.

De acordo com a orientadora do estudo, professora Dione Mari Morita, os estudos com os microrganismos que degradam ftalatos começaram há oito anos, em resíduos líquidos. "Nesta pesquisa, as mesmas bactérias foram adaptadas para serem aplicadas no solo", explica a professora. De acordo com Silvia, os resultados foram excelentes. "Conseguimos degradar mais de 99% do DEHP, que foi transformado em CO2 e água", conta a pesquisadora.

Todos os experimentos foram realizados em escala piloto nos laboratórios do Departamento de Hidráulica e Sanitária e de Mecânica dos Solos da Poli. Para tanto, foi construído um reator que tratou pequenas quantidades de solo contaminado por ftalato. "Chegamos a tratar até 300 quilos de solo contaminado em 49 dias", informa Silvia. "O equipamento da Poli tem capacidade para tratar até 0,6 metros cúbicos de solo. Um sistema em escala real pode tratar até 7 metros cúbicos neste intervalo de tempo".

Quanto aos custos, a pesquisadora assegura que a implantação de um sistema semelhante numa indústria é mais vantajosa em relação aos métodos tradicionais de incineração. "O custo médio da incineração de resíduos perigosos é de U$ 600 por tonelada ou seja, R$ 1.800,00/t. Nesta nova técnica, o custo médio é de R$ 863,00/t", contabiliza Silvia.

Segundo a pesquisadora, o procedimento desenvolvido no Departamento de Hidráulica da Poli poderá ser utilizado para tratar solos contaminados por materiais semelhantes aos ftalatos, como hidrocarbonetos aromáticos polinucleares, derivados do petróleo e, até mesmo, áreas com vazamento de óleo diesel.

"A metodologia poderá ser aplicada em casos de vazamentos no transporte do produto, que acontece normalmente", afirma. "A metodologia poderá ser aplicada em casos de vazamentos do produto, que acontece frequentemente durante o seu transporte", afirma a co-orientadora do estudo, profesora Maria Eugênia Gimenez Boscov, do Laboratório de Mecânica dos Solos da Poli.


RAPHAEL DE SOUZA ALBERTOS
SP - SAO PAULO

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