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04/02/2015  Áreas contaminadas agora online, por iniciativa do IPT - Lançamento de versão virtual de guia
ALINE LOPES E LIMA
SP - CAMPINAS

Os resultados do projeto de pesquisa Desenvolvimento e validação de tecnologias para remediação de solo e água subterrânea contaminados com organoclorados, executado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT e financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE), estão a partir de agora disponíveis em versão online. O lançamento oficial ocorreu durante o workshop ‘Remediação de áreas contaminadas’, realizado esta semana, no campus do IPT.

A edição impressa do guia foi lançada em dezembro de 2013 e, a partir de uma série de solicitações para ampliação da divulgação dos resultados, foi feita uma revisão do conteúdo para disponibilização de uma versão virtual e também em arquivo PDF. A avaliação das metodologias para neutralização e de decomposição de organoclorados pela aplicação de cinco diferentes técnicas e as avaliações técnico-econômica e ambiental das alternativas de remediação in situ também foram apresentadas aos 90 participantes do evento.

IPT
Laboratório de Biotecnologia Industrial do IPT. foto: divulgação

Nestor Kenji Yoshikawa, responsável pelo Laboratório de Resíduos e Áreas Contaminadas do IPT, deu início em sua apresentação à discussão sobre os requisitos técnicos para elaboração de planos de intervenção, as formas de lidar com questões técnicas para determinação do comportamento do contaminante no processo de remediação e o campo de atuação do Instituto: “As ações do IPT são diferentes da iniciativa privada no gerenciamento de áreas contaminadas: o Instituto atua por demandas do Ministério Público e do Poder Judiciário, no auxílio às empresas do governo, no desenvolvimento de P&D&I, no desenvolvimento de procedimentos de ensaios e em parcerias de cooperação técnica com empresas de consultoria ambiental”, explicou ele.

Em remediação de áreas contaminadas, a atuação do IPT ocorre basicamente em três segmentos: o diagnóstico ambiental, a investigação para remediação e a elaboração de estudos de viabilidade nas etapas do plano de intervenção. “Entendemos o plano de intervenção como o conjunto de medidas mais adequadas para recuperar o equilíbrio de uma área contaminada perante a legislação, incluindo estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental – esta seria a situação ideal, mas eles nem sempre ocorrem, principalmente quanto à viabilidade ambiental na questão relativa à sustentabilidade”, afirmou ele.

Os gargalos no processo de remediação também foram citados por Yoshikawa em sua apresentação, os quais incluem a destinação reduzida de recursos para P&D&I na área, a dificuldade para precificação – “não há referências para elaboração de preços, principalmente por conta da dificuldade de adequação dos métodos” – e a falta de equacionamento de testes e ensaios especializados no Brasil, o que leva uma grande parte deles a serem ainda executados em outros países.
Pesquisadores do IPT detalharam os conceitos, aplicações, vantagens e desvantagens de cinco tecnologias de remediação. Foram destacados os tratamentos químicos por oxidação e redução, as técnicas biológicas de biorremediação e fitorremediação, e a dessorção térmica. As apresentações deram ênfase aos chamados ensaios de tratabilidade. De acordo com o pesquisador Eduardo Maziero, do Laboratório de Processos Metalúrgicos do IPT, os testes são fundamentais para avaliar a viabilidade do processo de remediação, bem como para definir de antemão as condições mais favoráveis à aplicação das técnicas na área contaminada.

“Como resultado do trabalho de quase quatro anos do projeto na Rua Cápua, na cidade de Santo André, o IPT desenvolveu uma ampla capacitação em ensaios de tratabilidade, além de ter claro hoje o papel da instituição no gerenciamento de áreas contaminadas. O instituto está à disposição para assessorar, auxiliar e apoiar a iniciativa privada na solução destes problemas técnicos relacionados a passivos ambientais”, afirmou Yoshikawa.


ALINE LOPES E LIMA
SP - CAMPINAS

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