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01/06/2012  Água potável de BH é reprovada em pesquisa inédita no país
LIDIANE COSTA RIBEIRO
MG - BELO HORIZONTE

Estudo indica que mananciais estão comprometidos e estações de tratamento não conseguem remover poluentes

29 de Maio de 2012

O Instituto Nacional de Ciências e Tecnologias Analíticas Avançadas (INCTAA), do Instituto de Química (IQ) da Unicamp, acaba realizar estudo inédito na água potável de 16 capitais cujo resultado coloca Belo Horizonte em terceiro lugar, de água mais contaminada do país, ficando atrás somente de São Paulo e Porto Alegre.  



Segundo a pesquisa, a concentração de cafeína significa que o tratamento não foi 100% eficaz e que outras substâncias ou esgoto podem não ter sido totalmente eliminados no processo de tratamento. As amostras foram recolhidas dos canos de entrada de água de residências e locais públicos, garantindo que saíram diretamente da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).  



Em entrevista ao Jornal Hoje em Dia, o estudioso da qualidade das águas em Minas, o professor Robson Afonso, do Instituto de Ciências Exatas e Biológicas (Iceb) da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), diz que "se há cafeína, quer dizer que chá ou café foram parar no reservatório de abastecimento. E isso só pode ter acontecido via fezes ou urina, evidenciando que o tratamento do esgoto não foi eficiente".



O estudo indicou presença, em todas as amostras do Sudeste Brasileiro, de cafeína, concentrações variadas de atrazina, substância presente em herbicidas, de triclosan, usada na fabricação de produtos de higiene pessoal, hormônios sintéticos e naturais, como o estrógeno, que pode provocar mudanças no sistema endócrino de homens e mulheres. "Uma hipótese, que carece de mais estudos, considera que esse tipo de contaminação poderia estar contribuindo para que a primeira menstruação ocorra cada vez mais cedo nas meninas", diz Wilson de Figueiredo Jardim coordenador do estudo e do Laboratório de Química Ambiental (LQA) do IQ. "Essa é a prova clara de que os mananciais estão comprometidos e que as estações de tratamento não dão conta de remover esses poluentes", acrescenta o coordenador em entrevista ao Jornal.



Em BH, as piores amostras saíram dos mananciais dos rios Paraopeba, Morro Redondo e das Velha. Conforme citação no Mapa da Qualidade das Águas 2011, do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), o Rio das Velhas é um dos mais poluídos do Estado e registrou, no estudo da Unicamp, o índice mais alto de contaminação por cafeína: dez vezes maior que o dos outros dois rios. Nas três capitais "campeãs" em contaminação o descarte do esgoto se dá nos mananciais. Já nas capitais costeiras, ele é feito nos oceanos.



As outras 13 cidades estudadas são Goiânia, Palmas, Natal, Porto Velho, Cuiabá, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Rio de Janeiro, Vitória, Recife e João Pessoa


LIDIANE COSTA RIBEIRO
MG - BELO HORIZONTE

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