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19/10/2010  Ele caminhou o rio Amazonas
CAROLINA FRANCO ESTEVES
SP - SAO JOSE DOS CAMPOS

Karina Miotto  (O Eco)  
06 Out 2010, 01:00

Um aventureiro de carteirinha. Um cara cuja maior motivação na vida parece ser o gosto por expedições incomuns, “porém com propósito”, como costuma dizer, e cuja experiência profissional não difere muito daquilo que mais gosta de fazer. Ed Stafford, 34 anos, inglês, já foi capitão do exército britânico, trabalhou no Afeganistão pela ONU, liderou expedições por Belize, Guiana, Guatemala, Borneo e Patagônia e durante os últimos dois anos e meio morou....bem, não dá para dizer um lugar específico.

Por 859 dias este homem abraçou com boas doses de ambição e determinação o projeto “Walking the Amazon” (Caminhando o Amazonas) com o objetivo de percorrer, da nascente à foz, o maior rio do mundo: Amazonas. Para conseguir o feito, pegou botes (jura que sem motor), caiaques, nadou, caminhou por rios e igarapés onde era possível e também por estradas e ruas onde não lhe restava nenhuma das opções anteriores. No total, ele ultrapassou os cerca de 6 mil km do rio e caminhou nada menos do que 9.650 mil km. Partiu no dia 2 de abril de 2008 do Monte Mismi, na Cordilheira dos Andes, no Peru, passou pela Colômbia e chegou à costa paraense no Brasil em 9 de agosto de 2010.

Não ficou por aí sozinho: depois de quatro meses, encontrou Gadial Sanchez Rivera, mais conhecido como “Cho”, um guia peruano de 31 anos que ficou com ele até pularem juntos no oceano Atlântico, em uma praia nos arredores de Belém. “Comecei a caminhar com Ed porque senti uma responsabilidade de tentar ajudar esse louco em uma área muito perigosa”, conta.

E o que levou o ex-capitão do exército britânico a encarar uma caminhada dessas pela Amazônia? Bem, a ideia da expedição parece ter surgido de duas grandes motivações: promover a conscientização e a sensibilização a respeito do desmatamento da maior floresta tropical do globo e ser o primeiro a fazer este percurso sem uso de barco à vela ou com motor.

“Desmatamento é algo que afeta a todos, não apenas os brasileiros – eu quis envolver as pessoas neste assunto de uma maneira diferente”, diz. Com a empreitada, ajudou a levantar fundos para cinco ONGs: Cancer Research UK, The ME Association, Project Peru, Action for Brazilian Children e Rainforest Concern.

Dentro de sua mochila Ed carregou, entre outras coisas, apetrechos que o mantiveram conectado à internet (como um laptop, GPS, internet via satélite). Durante toda a caminhada, postou frases em redes sociais como Twitter (Ed_Stafford) e Facebook, atualizou o blog Walking the Amazon,  o site Ed Stafford.org e ainda fez inúmeros filmes, muitos dos quais para tirar dúvidas de leitores de diferentes partes do mundo sobre a Amazônia. Apesar de não se considerar ambientalista - “não sou e nem quero ser”, aproveitou o ciberespaço para falar de desmatamento, mudanças climáticas e conservação da biodiversidade.

Ed conta que ele e Cho passaram por momentos em que tinham certeza que iriam morrer. Um deles foi quando viraram prisioneiros de indígenas Asheninka, no Peru, por terem sido confundidos com trabalhadores de uma petroleira. “Vieram com canoas em nossa direção munidos de armas e arco e flecha. Achei que seríamos mortos e estava disposto a seguir em frente, mesmo que fosse para pagar com minha própria vida. Depois de muita conversa, concordamos em empregar dois índios como guias. Incrivelmente, Alfonso e Andreas se tornaram amigos leais e permaneceram conosco por 47 dias”.

Além deste susto, Ed encontrou pelo caminho enguias elétricas, escorpiões, foi picado centenas de vezes por mosquitos e vespas, se arranhou enquanto abria caminho no meio da mata, passou por plantações de cocaína, topou com traficantes, pegou berne na cabeça (!), leishmaniose, foi preso, acusado duas vezes de homicídio e até causou verdadeiro temor entre comunitários peruanos de Ucayali: achavam que ele era o temível Pela Cara, um estrangeiro que, diz a lenda, gosta de matar adultos e roubar criancinhas. “Fomos proibidos de entrar em vários lugares e aconselhados a mudar de rumo, sob o risco de sermos mortos. A ignorância me deixou triste. Tenho praticamente certeza de que estas pessoas vivem com medo de algo que não existe”.

Ele conta que, no Brasil, tiveram menos problemas. “Em muitas ocasiões, nos deram comida e abrigo sem que pedíssemos e as pessoas sorriam de volta sem aceitar nada em troca – um exemplo de generosidade. Os brasileiros fizeram deste último ano algo simplesmente fantástico. Já viajei o mundo e nunca encontrei uma nação tão simpática com estrangeiros. Aprendi com eles como tratar outras pessoas. Os brasileiros são um exemplo para o mundo”.


CAROLINA FRANCO ESTEVES
SP - SAO JOSE DOS CAMPOS

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