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08/10/2012  Biólogo John B. Gurdon recebe o premio Nobel
GABRIEL PANASSOLO REBES
RS - PORTO ALEGRE

Nobel de Medicina premia cientistas por trabalhos com células-tronco
Britânico John B. Gurdon e japonês Shinya Yamanaka são reconhecidos.

    O Prêmio Nobel de Medicina de 2012 foi oferecido nesta segunda-feira (8) pelo Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia, a dois pesquisadores de células-tronco, o britânico John B. Gurdon, de 79 anos, e o japonês Shinya Yamanaka, de 50.
    Os cientistas descobriram, em trabalhos separados por 44 anos de distância, que células adultas podem ser "reprogramadas" para se tornar imaturas e pluripotentes, ou seja, capazes de se especializar em qualquer órgão ou tecido corporal – como nervos, músculos, ossos e pele.
    Na natureza, todos os animais se desenvolvem a partir de óvulos fertilizados. Nos primeiros dias após a concepção, o embrião é formado por células imaturas, que acabam virando todo tipo de célula durante a formação e o amadurecimento do feto.
    Até então, essa transformação era considerada unidirecional, sem possibilidade de volta. Mas os dois cientistas mudaram o destino delas, ao "atrasar o relógio" responsável pelo crescimento celular. Isso indica que, apesar de o genoma sofrer mudanças com o passar do tempo, essas alterações não são irreversíveis.
Importância das pesquisas

    Os resultados obtidos por Gurdon e Yamanaka revolucionaram o entendimento sobre como as células e os organismos se desenvolvem e segmentam. Isso tornou possíveis estudos mais aprofundados sobre doenças e novos métodos de diagnóstico e tratamento. Além disso, livros didáticos foram reescritos e surgiram novas áreas de investigação científica.
    Os dois trabalhos também trouxeram grandes avanços à área de medicina regenerativa, ao estabelecer as bases para a reprogramação de células adultas em células-tronco. Até então, os cientistas acreditavam que esse caminho não poderia ser revertido, ou seja, transformar uma célula madura em imatura. Com a descoberta, células-tronco agora podem ser cultivadas em grande quantidade em laboratório.
    O assunto, porém, tem sido motivo de amplas discussões sobre segurança e ética. Segundo o Comitê do Nobel, durante a apresentação nesta segunda, é a sociedade que precisa discutir se isso deve ou não ser aplicado em pessoas doentes. Em 2007, outro trabalho envolvendo células-tronco, para manipulação genética em animais, foi premiado com um Nobel de Medicina.
A descoberta de Gurdon

    Gurdon, que nasceu na pequena cidade de Dippenhall, no sul da inglaterra, é professor na Universidade de Cambridge e coordena o Instituto Gurdon, antigo Instituto de Células Biológicas e Câncer, que mudou de nome em 2004 como reconhecimento ao britânico. Em 1962, o Gurdon fez seu estudo com sapos, ao substituir o núcleo de uma célula imatura no óvulo de fêmeas pelo núcleo de uma célula madura do intestino de um girino.
    Esse óvulo modificado acabou se desenvolvendo em um girino normal, apesar de o DNA da célula madura conter toda a informação necessária para desenvolver cada uma das células do indivíduo.
    A descoberta de Gurdon, que é PhD e em 1995 foi condecorado com o título de cavaleiro (sir) do Império Britânico pela rainha Elizabeth II, foi recebida inicialmente com desconfiança pela comunidade científica, mas foi aceita após ser confirmada por outros pesquisadores, que conduziram experimentos com clonagem de vacas, porcos e a famosa ovelha Dolly.
O estudo de Yamanaka

    Mais de 40 anos depois, Yamanaka – que, além de dar aulas na Universidade de Kyoto, é ligado ao Instituto Gladstone, em São Francisco, nos EUA – coordenou pesquisas com roedores.
    O japonês, que nasceu em Osaka e havia sido treinado como cirurgião ortopédico antes de se dedicar à ciência, percebeu que quatro genes, quando ativados, podem induzir essa capacidade de pluripotência nas células, capazes de virar qualquer célula do corpo.
    As células-tronco foram isoladas inicialmente pelo ganhador do Nobel de 2007 Martin Evans, e Yamanaka tentou encontrar os genes que as mantinham imaturas. Quando quatro genes foram identificados, o pesquisador testou se qualquer um deles poderia ser reprogramado para tornar as células pluripotentes.
    Esses genes foram, então, introduzidos em células maduras do tecido conjuntivo, chamadas fibroblastos e localizadas na segunda camada da pele – a derme. Dessa forma, células adultas voltaram a ser imaturas, com a possibilidade de gerar neurônios a células intestinais.

GABRIEL PANASSOLO REBES
RS - PORTO ALEGRE

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