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05/02/2012  De brasileiro a Einstein: físicos explicam injustiças do Nobel

O prêmio Nobel foi instituído por Alfred Nobel, químico sueco e inventor da dinamite. No seu testamento, redigido em 1895, ele determinava a criação de uma instituição à qual caberia recompensar, a cada ano, pessoas que prestaram grandes serviços à Humanidade nos campos da química, fisiologia e medicina, física, paz e literatura. O testamento estabelecia também que a nacionalidade das pessoas não seria considerada na atribuição do prêmio.
Mas outras regras - como a que diz que o ganhador deve estar vivo quando da sua indicação -, fez com que muitos cientistas nunca recebessem o prêmio. Ralph Steinman, ganhador do Nobel de Medicina em 2011, faleceu entre a escolha do seu nome e a cerimônia de premiação, algo inédito na história do Nobel. Por este motivo, o prêmio permaneceu com sua família.
Outra "vítima" das regras foi Albert Einstein. Isso porque o prêmio pode não ser concedido em um determinado campo por um ano ou mais, o que permite a concessão de dois prêmios da mesma categoria no ano seguinte. Por achar que os indicados de 1921 não se encaixavam nos requisitos do Nobel, a organização resolveu dar a Einstein o seu prêmio um ano depois, pela descoberta do efeito fotoelétrico.
"A questão é que o testamento de Alfred Nobel não é muito extenso, então é claro que existe uma constante interpretação das regras", diz Karl Grandin, diretor e professor da Royal Swedish Academy of Sciences, instituição responsável por julgar o Nobel de Física. "Mas eu acho que esta forma de trabalho funciona bem. Você tem cláusulas gerais que precisam ser seguidas, mas que também permitem discussão constante, e consequentemente, interpretações das vontades de Alfred Nobel no seu testamento", opina.
Grandin lembra ainda que um cientista não pode receber o prêmio pelo conjunto de sua obra. "Tem que ser uma descoberta clara, uma invenção ou um avanço. E você precisa ser formalmente indicado. Do contrario, não pode receber o prêmio", afirma.
O único cientista a ganhar duas vezes a premiação em física foi o americano John Bardeen, em 1956 e 1972, por seus trabalhos em semicondutores e supercondutividade. Já outros tiveram que esperar - e muito - pelo reconhecimento. É o caso do vencedor de 1983, Subrahmanyan Chandrasekhar, que recebeu o Nobel pela sua pesquisa sobre estrutura estrelar nos anos 30. "Sem dúvida, o trabalho de Chandrasekhar levou muito tempo para ser reconhecido. Outro exemplo é Ernst Ruska, que recebeu o prêmio em 1986 por ter projetado o primeiro microscópio eletrônico em 1931. Que eu saiba, este foi o maior período de espera entre uma invenção e a entrega do prêmio", diz Karl Grandin.
Teste do tempo
As regras específicas do Nobel de Física dizem que a importância da descoberta deve vencer o "teste do tempo". Na prática, isso significa que o intervalo entre a pesquisa e a entrega do Nobel é, em média, de 20 anos. Um dos pontos negativos deste método é que nem todos os cientistas vivem tempo suficiente para ver seu trabalho reconhecido, e importantes descobertas acabam sendo negligenciadas porque o pesquisador já teria falecido.
E esta não é a única crítica aos critérios do Nobel. Como o prêmio só pode ser dividido entre três pessoas, muitos cientistas acabam ficando para trás. "Existe, claro, o exemplo brasileiro do César Lattes, que trabalhou em um experimento que levou ao Prêmio Nobel de 1950, mas ele mesmo não ganhou", lembra o professor Jun Takanashi, físico da Unicamp e pesquisador do LHC - o Grande Colisor de Hádrons do Cern.
"Sabemos hoje que o LHC é o maior experimento na área de física. Maior em todos os sentidos: em número de pesquisadores envolvidos; em verba; em tamanho real e na importância de seus resultados. No entanto, se o LHC comprovasse ou falsificasse a existência do Bóson de Higgs, quem ganharia o prêmio Nobel? O chefe diretor do CERN, que é hoje um administrador? Ou o aluno que desenvolveu a análise especifica? Ou o operador que fez o acelerador funcionar?", questiona Takanashi.
Para o físico da Unicamp, "a ciência mudou muito, e está cada vez mais difícil de identificar indivíduos para receber o prêmio. O julgamento do Nobel é feito por cientistas, que tentam ter uma visão objetiva e com critérios bem claros e definidos. Mas cientistas são pessoas, e como tal, estão sujeitos aos erros e aos vícios dos humanos. Então, claro, às vezes podem ocorrer coisas que são inesperadas, ou que pareçam injustas. Mas eu prefiro acreditar que todos que ganharam o prêmio Nobel são grandes pesquisadores que ajudaram muito a evolução de nosso conhecimento", opina Takanashi, que revela que, nos tempos de aluno, sonhava em um dia fazer uma descoberta que o levasse a Estocolmo. "Mas hoje, posso lhe garantir que o mais importante são as pequenas contribuições que diversos cientistas fazem, e que graças a tecnologia e a globalização, podem ser combinadas e integradas para que o nosso conhecimento aumente continuamente", afirma.


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