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02/12/2011  Velhas conhecidas, doenças contra-atacam
RADAMES ABRANTES DE SOUSA ARAUJO
SP - SAO BERNARDO DO CAMPO

CHAMADAS DOENÇAS RE-EMERGENTES, VÁRIAS PATOLOGIAS RESSURGEM
COM MAIS INTENSIDADE, FAZENDO NOVAS VÍTIMAS NAS CIDADES E NO CAMPO.

Deire Assis

O histórico dos registros de internação do Hospital de
Doenças Tropicais (HDT) revela que antigas conhecidas da
população voltam com força total,fazendo muito mais vítimas que no início da década.
Chamadas de doenças reemergentes, o ressurgimento
de muitas delas, assim como no caso da dengue, tem relação como novo perfil das cidades,
com o comportamento da população e com fatores ambientais,
entre eles mudanças climáticas na Terra. Em outros
casos, afirmam autoridades de saúde, o aumento das
internações está relacionado à melhora da notificação.
Um exemplo é o que ocorre com as internação por leptospirose no HDT. De acordo com registros do hospital, em 2000 apenas três pessoas foram hospitalizadas por esta
causa. Já no ano passado, as internações pela doença subiram para 31, quase 1000% de
aumento. Doença infecciosa, a leptospirose é transmitida ao homem por meio do consumo de água e alimentos contaminados com a urina do rato infectado pela bactéria Leptospira interrogans.
Embora o significativo aumento de casos tenha relação,
também, com maior diagnóstico e notificação da doença,
o diretor do HDT,infectologista Boaventura Braz de Queiroz, ressalta que fatores socioambientais estão ligados ao maior número de internações
pela patologia. Entre eles, Boaventura cita as catástrofes
naturais, as enchentes e alagamentos nas cidades, as
grandes aglomerações urbanas e a ocupação desordenada dos
espaços.
No caso da hantavirose – transmitida ao homem por
meio do contato com restos de fezes, urina e saliva do rato silvestre contaminado com o hantavírus – entre 2000 e
2005 o HDT não registrou nenhuma internação por esta
causa. A partir de 2006, em média, cinco casos por ano
passaram a ser diagnosticados na unidade. O ano passado
fechou com oito internações por esta causa. “Neste caso,
há explicações socioeconômicas para o fenômeno”, destaca
o diretor do HDT. “Houve, nos últimos anos, um processo
acelerado de invasão do homem ao hábitat desses animais
por meio da expansão da soja, principalmente.O armazenamento de alimentos sem o devido cuidado expõe a população a riscos de contaminação”, explica.
Os dados do HDT, frisa, não refletem necessariamente a
realidade nesses casos.Segundo Boaventura, têm sido feitos
muitos registros da doença no Entorno do Distrito Federal
(DF), mas, nesses casos, os pacientes são tratados no
DF. A doença preocupa especialmente pelo grau de letalidade. Cerca de metade das pessoas morre ao ser infectada pelo hantavírus.
O biólogo Radamés Abrantes de Sousa Araújo, especializado em Meio Ambiente e Sociedade pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), é autor da pesquisa Aquecimento Global e as Consequências sobre
as Endemias Transmitidas por Vetores no Brasil.O trabalho aborda o impacto das mudanças climáticas sobre a incidência de algumas doenças características do clima úmido e quente dos países tropicais.
Ao POPULAR, o biólogo disse que fatores como o desmatamento, a ocupação de áreas irregulares
nas cidades, a ocupação de áreas recém-desmatadas,
a deposição irregular de lixo, assoreamento de rios,
córregos e nascentes, entre outros, intensificam as consequências causadas pelas mudanças
climáticas globais.
O POPULAR/CIDADES/Pág 5  
GOIÂNIA, segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009.

RADAMES ABRANTES DE SOUSA ARAUJO
SP - SAO BERNARDO DO CAMPO

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